Desejos libertos
38 Os mordomos da rainha
Notas iniciais
O dia seguinte foi ainda pior, a chuva praticamente não dava trégua exceto por alguns curtos períodos. Eu não estava muito feliz por ir à Londres, prefiro muito mais quando a rainha envia suas ordens por escrito e eu as cumpro do que ter que ir até a capital, até porque é uma cidade cheia e eu não gosto de pessoas. Tem muitos bailes, dos quais eu costumo receber os convites já que eu sou um conde, mas por morar nos arredores e não na cidade propriamente dita eu tinha uma boa desculpa para não ir em muitos deles, desculpa essa que iria por água à baixo agora.
Isso, sem falar no Soma que se acomodou na minha mansão de Londres e por lá ficou. Pensar que eu terei que ficar na mesma casa em que ele, é no mínimo perturbador…
Sebastian tinha deixado o quarto ainda mais cedo do que normalmente, na tentativa de não chamar a atenção daqueles dois para o fato de que o meu mordomo havia passado a noite no meu quarto. Não que isso fosse da conta daqueles insolentes mas sempre é bom não provocar nenhuma situação que ficaria ruim para mim e para ele. A rainha já havia me chamado há um tempo atrás, antes de eu perder a memória e me pediu explicações sobre o rompimento do meu noivado com a Lizzy, dei a mesma desculpa que eu havia dado à tia Francis com a diferença que eu não falei à ela sobre o fato de eu estar com alguém. Ela me fez prometer na época, que eu encontraria uma nova noiva em breve, concordei prontamente mas por dentro eu sabia que isso jamais iria acontecer.
Quando desci para tomar o café da manhã, já encontrei os dois mordomos muito bem acomodados na sala de jantar e o Grey comia feliz uma fatia de torta salgada e pelo jeito não aquela não era a primeira fatia, por outro lado, Phipps só tomada a sua xícara de chá. Ele é bem quieto e não me incomoda, se bem que eu sei que ele fica observando tudo atentamente e em silêncio, ao contrário do seu colega que é falante até demais.
“Não sei como Phipps aguenta esse aí” — pensei me sentando à mesa.
Sebastian me serviu chá e eu pegue uma fatia de pão de centeio.
Suspirei profundamente, tomando coragem para mais um dia.
*
_Tem certeza que não tem como aguentar a viagem? — perguntei insistentemente para o Sebastian.
Tínhamos aproveitado uma pausa na chuva e estávamos no estábulo, Sebastian tinha terminado de examinar a pata do cavalo dos double-Charles.
_Ele até aguenta, bocchan. Mas seria forçar o animal. O melhor é esperar ainda mais um dia.
Sebastian bateu uma mão na outra, limpando-as da terra e feno.
_Hunf — não conseguia nem demonstrar com palavras o quanto eu não queria a estadia dos dois Charles em casa.
_De qualquer jeito não poderíamos ir à Londres agora. A estrada fica muito perigosa com toda essa água.
Isso era verdade, eu não poderia mentir.
Voltamos para dentro de casa já com alguns pingos de chuva voltando a cair no nosso rosto. Phipps estava sentado no sofá na sala de estar mas o Grey não; tinha apenas um pratinho de sobremesa com algumas migalhas de bolo espalhadas e um garfo caído sobre a mesinha indicando que ele havia estado ali.
Eu não confiava nem um pouco no Grey. Era um xereta nato, provavelmente estaria vistoriando os cômodos da mansão em busca de alguma coisa.
Mas não precisei me preocupar muito em saber onde o outro estava: ouvi um barulho alto vindo da cozinha. Alguma coisa de metal caindo no chão e o som de vozes, identifiquei de imediato a voz do Bard e do Grey. Caminhei rápido para a cozinha a fim de verificar o que tinha acontecido, provavelmente seria o Grey querendo comer alguma coisa à mais. Sebastian e Phipps seguiam às minhas costas.
Cheguei na cozinha e tinha algumas panelas caídas no chão, Bard estava de um lado segurando uma frigideira pelo cabo, erguida na altura do ombro, Finny se escondia nas costas do cozinheiro, as mãos apoiadas nos ombros dele e olhava meio de lado para Grey que estava de frente ao Bard, parecia estar se divertindo com a situação.
_Você não pode fazer isso!!! — exclamou o cozinheiro no momento em que entrei no cômodo.
_Ora… — ia responder o mordomo da rainha mas eu o interrompi.
_Não pode fazer o quê?
Os três olharam para mim, surpresos.
Ficaram em silêncio. Mas eu percebi que Bard encarava o mordomo esperando que ele dissesse algo o que obviamente não fez, muito pelo contrário, fez cara de ofendido e virou o rosto, começando a caminhar para a porta.
_Não vai sair não — falei — O que aconteceu aqui??
Percebi Finny descendo a mão pelo braço do Bard e segurando a sua mão com os dedos entrelaçados. O cozinheiro respirou fundo.
_Não foi nada, Jovem amo — falou baixo, eu sabia que ele estava irritado, conheço meus empregados.
_Alguma coisa foi. Quero saber. Grey? — perguntei olhando para o mordomo.
_Nada de demais, pequeno conde. Seu funcionário não sabe aceitar uma simples brincadeira inocente — falou Grey, abanando a mão e ainda se encaminhando para a porta porém deu de cara com uma muralha branca e negra, Sebastian havia barrado a porta e Grey deu alguns passos para trás.
_Que brincadeira? — perguntei já temendo o teor da brincadeira.
“Para o Bard estar com essa expressão de raiva contida e o Finny com cara meio assustada, não pode ter sido tão inocente assim”.
_Já falei. Foi uma brincadeirinha de nada — Grey tentou passar por Sebastian mas não conseguiu, nas costas do meu mordomo, Phipps tentava visualizar o que estava acontecendo dentro da cozinha pois tinha ficado para fora.
_Ele estava tentando agarrar o Finny — a voz de Bard soou firme pelo cômodo e todos viramos para ele;
_Bard!! — exclamou Finny, ficando vermelhoe e escondendo o rosto nas costas do cozinheiro.
_Como é que é??? — perguntei estupefato pela audácia do outro.
Mais um período de silêncio. Grey havia se encostado na parede e cruzado os braços sobre o peito como se o teor da conversa não tivesse nada a ver com ele. Ouvi um resmungo nas costas de Sebastian e identifiquei como o Phipps. Bard também estava em silêncio e Finny apertava a mão dele com força, como se fosse um pedido mudo para se manter em silêncio. Mas eu não ia permitir esse tipo de atitude dentro da minha casa.
_Fale Bard. Quero saber o que aconteceu aqui?
Bard e Finny estavam constrangidos.
_Fala logo — falei autoritariamente.
Bard tomou fôlego.
_Eu tinha ido na estufa atrás do Finny, queria pegar umas ervas e temperos para a carne do almoço mas quando cheguei ele não estava. Não me importei muito, peguei o que tinha que pegar e voltei para casa mas quando entrei na cozinha encontrei o senhor Grey praticamente em cima do Finny.
_Em cima??? — perguntei olhando para o Grey.
_Que exagero!!! — se defendeu Grey.
Bard continuou.
_Segurava Finny pelos ombros e estava se inclinando sobre ele que estava quase deitado sobre a mesa da cozinha.
_Ele estava gostando — falou Grey com voz de deboche.
Olhei bravo para ele que deu de ombros.
_Não estava não. Finny pedia para o senhor Grey sair de cima e soltá-lo — falou Bard — eu ouvi muito bem. Então eu o puxei pela gola do fraque e o tirei de cima. Ele ficou muito irritado e tentou lutar comigo, virou-se bruscamente para sacar a espada e bateu o braço nas panelas derrubando tudo.
Eu acreditava no Bard mas queria confirmar com a vítima da situação que até agora se mantinha em silêncio.
_Finny? — chamei — Foi isso o que aconteceu?
O jardineiro afastou o rosto das costas do cozinheiro.
_Vamos. Pare de se esconder e diga logo se foi isso mesmo.
Finny me obedeceu e começou a amassar a barra da camisa com as mãos, nervoso.
_Foi isso. O senhor Grey entrou na cozinha e eu estava vindo do meu quarto. Achei que ele estivesse procurando comida, ele sempre come muito. Então perguntei se podia ajudar em alguma coisa. Ele riu e se aproximou, falando que eu podia ajudar ele numa coisinha. Falou algo sobre o senhor Phipps ser muito bruto e inflexível e veio para cima — Finny fungou como se fosse chorar, mas não o fez — Eu ainda disse para ele sair, eu não queria machucá-lo mas ele falou que eu nunca seria capaz disso. Mas o Jovem amo sabe que…
Eu o interrompi antes que ele falasse mais do que devia.
_Sim, eu sei. Continue.
A cada minuto eu ficava mais bravo e irritado com aquele mordomo insolente.
_Então ele me empurrou para a mesa. O Jovem amo e o senhor Sebastian sempre dizem para sermos gentis com os convidados e visitantes, foi por isso que eu não me defendi. Mas então o Bard ouviu eu falando para o senhor Grey parar e o tirou de cima de mim.
Massageei minhas têmporas. Eu realmente estava possesso de raiva.
_Não tem vergonha, Grey? Atacar sexualmente os funcionários da casa que os hospeda? Eu não admito isso sob o meu teto.
_Foi só uma pequena brincadeira, pequeno conde.
_Não me chame de pequeno — falei um pouco mais alto que o normal — E isso não foi uma brincadeira, foi um desrespeito. Quero você fora da minha casa.
_Jovem amo… A chuva recomeçou — me lembrou Sebastian.
_Não ligo para isso.
_Ora ora quanto exagero. Se é essa a questão eu peço desculpas — falou Grey, obviamente com medo de enfrentar uma estrada lamacenta debaixo de chuva forte, se aproximou um pouco de Finny, mas Bard o olhou bravo e ele parou — Desculpe, Finny, não farei mais isso.
Finny assentiu com a cabeça e Grey sorriu para mim como se dissesse “Viu? Agora está tudo bem”. Então Finny falou:
_Se houver uma próxima vez, tenha certeza que eu quebro a sua cabeça, até seu cérebro sair.
Grey arregalou os olhos, espantado pela força da ameaça.
_Hu hu hu — Sebastian abafou a risada.
_Ora seu… — Grey ia devolver a ameaça mas nessa hora Phipps empurrou o ombro de Sebastian e entrou na cozinha.
_Chega, Grey. Você não sabe se comportar mesmo, não é? — andou até o outro e o segurou pelo colarinho.
Consegui perceber um pouco de medo na expressão de Grey e fiquei me perguntando se isso tinha a ver com o que ele falou para o Finny, sobre o Phipps ser bruto e inflexível.
_Peço desculpas à todos por esse incidente lamentável — Phipps se dirigiu ao Finny e ao Bard mas depois correu os olhos à todos até parar em mim — Isso não vai mais acontecer, eu garanto.
“Como ele pode garantir o comportado do outro?” — pensei.
Então Phipps soltou Grey no chão e o puxou pelo ombro, empurrando-o para fora da cozinha.
_Mas eu não fiz nada — Grey ainda insistia, visivelmente apreensivo.
_Mais tarde a gente conversa sobre isso, Grey.
Ambos saíram da cozinha. Eu e Sebastian nos olhamos sem entender direito o que tinha acabado de acontecer. Mei rin e Tanaka também tinham acabado de sair do cômodo, provavelmente para voltar para as suas funções: Mei rin arrumar alguma coisa e Tanaka tomar a água quente dele. Por outro lado, Bard e Finny estavam de frente um para o outro, muito próximos e falavam baixinho entre si, de mãos dadas.
_Vamos Sebastian — chamei meu mordomo para também sair da cozinha — Vamos deixar esses dois sozinhos.
Muito provavelmente a conversa baixa iria terminar nos dois se beijando.
**
Não preciso dizer que o resto do dia foi tenso. Grey permaneceu no quarto, saindo apenas para as refeições, Phipps pegou um livro emprestado da biblioteca e foi ler na sala de estar e eu e Sebastian permanecemos no escritório. Nem nessa situação ele cancelou as minhas aulas, hoje eram de Geografia e eu estava quase dormindo de tão chata que estava, depois teria aula de violino e eu nem poderia tentar barganhar com ele, dando beijos em troca do cancelamento das aulas, pois sempre corria-se o risco de um deles entrar e nos pegar.
Passei o dia sem abraçar nem beijar meu namorado e aquilo estava me deixando de mau humor.
A chuva não deu trégua nem por um minuto.
Apenas quando estava anoitecendo o céu limpou um pouco; ainda estava nublado e a noite mais escura pelas nuvens mas a chuva havia parado. Se passasse a noite sem chover talvez amanhã a estrada estivesse em condições de viagem.
Depois do jantar eu ainda fiquei um pouco com Phipps, nos mantivemos em silêncio enquanto tomávamos o chá. Cheguei à conclusão que esse mordomo era uma companhia muito mais agradável que Grey. Mas o chá acabou rápido e Phipps pediu licença falando que iria se deitar e desejando que o tempo permitisse que a viagem no dia seguinte. Ele devia estar tão irritado quanto eu.
Sebastian retirou a xícara vazia de Phipps se cima da mesinha e eu entreguei a minha, então ele pôs tudo no carrinho de serviço e levou para a cozinha.
Minutos depois ele voltou e finalmente nós subimos para o quarto.
Eu estava sentindo falta do Sebastian, meu corpo clamava pelo dele e eu aproveitei o minuto seguinte em que ele fechou a porta do quarto e o puxei para mim.
Sebastian se inclinou e se abaixou até que eu conseguisse capturar os seus lábios. Beijei-o com vontade e ele me abraçou, me erguendo no ar então eu enrolei as minhas pernas ao redor do seu quadril e Sebastian me levou até a cama, caindo por cima de mim.
Afundamos no colchão macio mas não paramos de nos beijar. Minhas mãos afoitas foram puxando, tirando seu fraque até a metade dos braços para então Sebastian tirá-lo de vez, comecei a abrir os botões da camisa dele e ele atacou o meu pescoço, beijando e mordiscando ao mesmo tempo que puxava minha camisa para fora da calça e a abria também.
_Senti sua falta, bocchan — Sebastian sussurrou segundos antes de beijar a minha boca e eu nem consegui responder que eu também havia sentido falta dele.
Em segundos estávamos apenas com a roupa de baixo, abraçados e nos beijando, roçando nossos corpos numa fricção deliciosa que nos deixou excitados e ofegantes.
Comecei a puxar a roupa de baixo do Sebastian, querendo livrá-lo logo daquele pedaço de tecido que escondia o que eu tanto queria, tirei-a e segurei o seu membro rígido, começando a manipulá-lo. Sebastian desceu beijando o meu ombro e peito, então tomou um mamilo nos lábios e o mordiscou forte.
_HHHaaaaaaah — gemi alto e apertei o membro na minha mão sendo presentado por um gemido dele em resposta.
_Bocchan...você está fazendo muito barulho.
Sebastian nunca ligou para o tanto de barulho que eu fizesse mas eu entendia a sua preocupação agora. Se Grey e Phipps nos ouvisse, teríamos problemas.
_Me beije, Sebastian — falei e ele veio sorrindo.
Nos beijamos vorazmente e eu o abracei arrastando as unhas curtas por toda a extensão das suas costas, sentindo a pele se arrepiar sob os meus dedos. Mas, mesmo assim, eu gemia, com as carícias de Sebastian pelo meu corpo, com aquele roçar intenso e contínuo que me fazia pegar fogo e quando ele finalmente inseriu um dedo em mim eu me esqueci de me controlar e gemi alto.
_Bocchan!!
_Culpa sua! — o acusei ainda gemendo e distribuindo beijos pelo seu pescoço.
_Melhor a gente parar. Você está muito sensível hoje — falou tentando se afastar mas eu o impedi, puxando novamente sobre mim.
_Justamente por isso nós não vamos parar.
Beijei-o novamente.
_Vamos tomar um banho?
_Agora?? — perguntei.
Sebastian sorriu para mim e beijou meu queixo, terminando por mordiscá-lo.
_É mais afastado da parede que divide o quarto e ainda tem mais uma porta — murmurou.
Entendi o que ele pretendia e dei um sorriso pervertido. Deixei-o sair dos meus braços e ele caminhou nu até o banheiro. Fiquei admirando a visão das costas definidas dele, a elevação das escápulas e a linha da coluna descendo até encontrar com o quadril estreito e o traseiro pequeno e arredondado. Meus pensamentos pervertidos sobre a troca de posições voltaram.
“Algum dia eu ainda consigo” — pensei comigo mesmo e ouvi o som da água enchendo a banheira e logo o cheiro delicioso dos sais de banho.
Pulei da cama e fui até lá. Sebastian entrou na banheira e me chamou para que sentasse entre as suas pernas, encostando nas suas costas; mas não era isso que eu queria, entrei na água mas sentei no seu colo, com uma perna de cada lado do quadril, enlacei o pescoço do Sebastian e o beijei brevemente. Comecei a mover o meu quadril, para frente e para trás e rebolando um pouco no membro que começava a dar sinais de vida.
_Hhhmmmm — Sebastian gemeu baixinho na minha boca e eu sorri no meio do beijo.
Apartei o beijo e encostei nossas testas, olhei bem nos olhos de íris vermelhas de Sebastian e voltei a mover o quadril do modo mais sensual que eu pude, roçando e pressionando o pênis dele. Por vezes, ele se encaixava na minha entrada e eu ameaçava descer, Sebastian nessas horas, prendia a respiração aguardando que eu descesse mas eu não fazia isso. Eu rebolava mais demorado e me contraía. Estava realmente muito bom, eu mesmo não conseguia me controlar muito, estava muito excitado mas queria provocar um pouco mais.
_Bocchan …- Sebastian gemeu e segurou com força o meu quadril tentando me empurrar para baixo.
Mordi seu lábio inferior e o puxei um pouco, depois lambi o local. Então Sebastian segurou a minha nuca e me puxou para um beijo lascivo.
Não resisti mais e comecei a descer, fazendo o membro ereto do meu namorado vencer a resistência da minha musculatura e entrar em mim.
Gemi diante da invasão lenta e excitante. Cheguei até o final e comecei a me mover para cima e para baixo.
_Ahahhhaaaaaa ah haha — Gemi mais conforme o ritmo aumentava.
Ondas se formavam na água da banheira e ameaçavam transbordar.
Apertei os ombros de Sebastian e depois o abracei forte, enrolando os braços em torno do seu pescoço, eliminando qualquer espaço entre os nossos corpos. Ele também me abraçou pela cintura e me ajudava com os movimentos, dando golpes com o quadril para cima.
_Bocchan… muito barulho — ele também estava ofegante.
Não respondi mas comecei a me mover com mais ímpeto e dessa vez a água começou a transbordar.
Gemi alto, incapaz de contê-los. O membro dele estava indo muito fundo e tocava meu ponto. Meu mundo voltou a ser Sebastian.
Mas algo estava incomodando, e muito. Tínhamos ficado muito tempo na água e ela tinha esfriado. Mesmo com o sistema de aquecimento a água da banheira estava um gelo e eu comecei a tremer de frio.
Sebastian percebeu e me perguntou. Acho que ele como demônio não tem muita noção dessas coisas.
_A água está fria — respondi tentando controlar o queixo batendo.
Então Sebastian me tirou da banheira, me carregando no colo, voltei a enrolar as pernas no seu quadril e ele me enrolou na toalha gigante e felpuda. Me depositou na cama e puxamos o acolchoado por cima de nós.
Voltamos a nos beijar e o clima tinha esfriado um pouco. Mas Sebastian me beijava tão gostoso e me acariciava de modo tão delicioso que não ia demorar para a gente pegar fogo novamente. Mas Sebastian parou um minuto e ficou extático.
_O que foi? — perguntei.
_Nada — me respondeu e voltou a me beijar.
Acariciei suas costas, movendo meus lábios em sincronia com os dele, sentindo sua língua entrar na minha boca e se enroscar com a minha.
Mas de novo ele parou. Parecia que estava ouvindo alguma coisa.
Fazia anos que nenhum inimigo meu invadia a minha propriedade para tentar me matar. Mas à pouco tempo aquele maldito demônio havia invadido então é claro que eu fiquei apreensivo.
_O que foi? — repeti a pergunta — Está ouvindo alguma coisa?
Sebastian inclinou um pouco a cabeça para o lado, como se estivesse apurando a audição.
Apertei um pouco meus braços em torno do seu pescoço e ele respondeu.
_Acho que sim.
“Inimigos!” — pensei.
_O que é? — perguntei já um pouco nervoso.
_Nada de demais.
_Nada? Alguma coisa é! O que você ouviu?
Sebastian sorriu.
_Você não vai querer saber — e tentou me beijar mas agora minha curiosidade já estava desperta.
_Claro que quero. O que era?
Sebastian deu alguns selinhos nos meus lábios e depois respondeu.
_Grey está gemendo.
Arregalei os meus olhos.
_Gemendo???
_Sim — respondeu.
Podia ser de dor, Grey poderia estar doente e passando mal mas pelo sorriso e olhar pervertido do Sebastian eu soube na hora que era outro tipo de gemido.
Uma curiosidade pervertida tomou conta de mim.
_Com quem ele está?
_Hummm — Sebastian fez um suspensezinho — Acho que o companheiro dele.
Quase ri.
_Quero ver — declarei e empurrei Sebastian para que saísse de cima de mim.
Sebastian se surpreendeu.
_Ver?
_É claro. Vamos dar uma olhadinha — pisquei um olho e Sebastian sorriu.
_Bocchan… você anda tão pervertido!
Dei um selinho nele e me levantei. Não me vesti nem nada, apenas me enfiei num roupão e o Sebastian fez o mesmo.
Abri a porta lentamente. Os Charles estavam acomodados em quartos vizinhos.
Andamos até o quarto do Phipps que era o mais próximo, aproximei minha orelha da porta mas não ouvi nada. Fiz sinal para o Sebastian também aproximar e ele o fez, depois negou com a cabeça — não havia ouvido nada também.
Abri a porta devagarinho e as suspeitas se confirmaram, o quarto estava vazio.
“Então Phipps está mesmo com Grey”
Fechei a porta e fui até na do lado.
Dessa vez eu ouvi uns gemidos baixos vindos de dentro do quarto.
Abri a porta devagar, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Sebastian estava colado nas minhas costas, os olhos tão vermelhos que não eram humanos mais. Pelo jeito ele também gostava de espionar.
Então eu vi.
Grey estava nu sobre a cama, de quatro enquanto Phipps arremetia no seu traseiro, de modo rude e violento. O menor gemia, afundando o rosto no travesseiro no qual estava abraçado enquanto mantinha o traseiro para o alto, à mercê do maior.
Mas Phipps não o deixava sufocar os gemidos, puxava seu cabelo para trás, afastando o rosto de Grey dos travesseiros.
Olhei brevemente para Sebastian e pude ver como ele estava ficando excitado com a cena.
_Gemi mais, Grey. Geme! — mandou Phipps, dando novo ímpetos às estocadas violentas.
_Phipps… — murmurou o menor.
_Geme! — o tapa estalou na nádega de Grey, deixando-a vermelha.
Phipps também estava nu e segurava com força na cintura de Grey. Eu podia ver os dedos afundados com força na carne do outro e imaginei que fosse doloroso mas Grey parecia estar gostando.
Grey também movia o quadril, indo de encontro ao membro do outro.
Então Phipps arranhou as costas de Grey, deixando linhas vermelhas e fazendo o outro arquear as costas e jogar a cabeça para trás. Acho que foi o que o maior queria, Phipps enrolou a mão na mecha de cabelo de Grey e o puxou para cima fazendo o menor ficar ajoelhado.
Phipps continuou estocando com força, abraçando Grey por trás e mordendo o seu pescoço.
_HAAAAAAA — Grey gemeu alto.
Começou a rebolar rápido e levou as mãos para trás, agarrando as coxas de Phipps, garantindo que o outro não parasse os movimentos.
Percebi que Sebastian ajeitou o membro por baixo do roupão. No mínimo estava duro e o membro começava a incomdar.
_Mais rápido, Phipps. Eu quero forte — gemeu Grey.
_Cala a boca. Você não pede nada — brigou Phipps, mordendo com força o pescoço e os ombros do menor.
Eu podia ver claramente as marcas de dentes na pele muito clara do outro.
Phipps cobria cada mordida com beijos e lambidas mas nunca deixava de morder e sugar com força a pele do outro que gemia e se contorcia de prazer.
Entendi então o que Grey quis dizer quando falou para Finny que o Phipp era bruto e inflexível. Ele dominava completamente o menor.
Eu também estava excitado.
_Vamos para o quarto, Sebastian — falei voltando a fechar a porta.
Sebastian sorriu provocantemente e massageou o meu traseiro, aproveitando para segurar o meu quadril e roçar o seu membro no meu traseiro.
Aquilo era uma promessa deliciosa.
E nunca chegamos tão rápido para a nossa cama como hoje.
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