Notas iniciais
Oieeee pessoas, Ei..ei.. ainda tem alguém aqui? Sim, eu sei, foi um looongo atraso. Meu desculpem, me perdoem. Eu tive motivos para isso. :( Primeiro foi outro bloqueio criativo que foi mega blaster. Depois outras coisinhas que foram acontecendo e que tiraram um pouco (muito) do meu ânimo. E então, quando resolvi sacudir a poeira e dar a volta por cima, o capítulo foi escrito à conta-gotas. E esse pagamento, hein??? Eu nem ia escrever, não estava nos meus planos mas a maioria dos comentários que eu recebi do último capítulo pediam ele. Então, aí está. Não deixem de ler as Notas Finais, tem informações importantes.

Sebastian estava nas minhas costas, me abraçando por trás, senti sua mão descer pela lateral do meu pescoço e deslizar pelo meu peito. A ponta do seu nariz tocou minha orelha e eu senti seu hálito quente no meu ouvido.

_Acalme-se, bocchan — sussurrou suave e eu estremeci.

_Não dá — respondi num murmúrio.

Eu mantinha meus olhos bem fechados, era a primeira vez que Sebastian se aproximava de mim daquele jeito na frente de outra pessoa e, mesmo que eu estivesse acostumado e adorasse os seus toques, fazer isso na frente de outra pessoa era simplesmente impensável. Eu estava completamente travado.

Sebastian me virou para ele e deu um selinho nos meus lábios. Abri meus olhos e o olhei, Sebastian sorria para mim.

_Não sorria, isso é constrangedor.

_Meu sorriso é constrangedor? — perguntou baixinho, eu sabia que era uma tentativa de me provocar. Puxou a ponta da fita da minha camisa, desfazendo o laço, acompanhei com os olhos a fita caindo até o chão.

_Estar fazendo isso com ele nos vendo. Eu não quero — murmurei respondendo à sua pergunta.

Imediatamente Sebastian parou de sorrir.

_Podemos parar.

_Mas então não saberemos a informação.

_Shiu. Agora não é hora de conversar — a voz do Undertaker se elevou acima dos nossos sussurros e fez me assustar.

Olhei para o funerário, ele havia mudado de lugar e agora estava sentado numa poltrona, as pernas cruzadas e uma mão apoiando o queixo, sua ampla roupa preta não deixava ver mais do que isso. Ele parecia divertido e muito interessado na cena que se desenrolava a poucos metros.

_Isso é horrível, sabia? Por que você não cobra outra coisa? — falei bravo.

Undertaker meneou a cabeça.

_Porque você já está bem grandinho, conde. E como sou eu que tenho a informação, ponho o preço que quiser.

_Maldito — xinguei-o espumando de raiva e vergonha.

Eu sabia que meu relacionamento com Sebastian não era mistério para nenhum dos shinigamis nem mesmo para Undertaker, não depois de tudo o que Dimitri havia dito antes de morrer. Mas mesmo assim, me obrigar a fazer isso com o Sebastian na frente dele era demais.

“Maldito voyeur*!” — pensei voltando a olhar para o Sebastian.

_Não precisamos fazer, se não quiser — me falou — Eu encontro outro meio de conseguir a informação, bocchan.

_Esqueça. Vamos perder muito tempo procurando outra fonte de informações — falei e levei minhas mãos até a sua camisa, começando a desabotoá-la, Sebastian fez o mesmo comigo.

_Vocês sempre conversam tanto assim nessa hora?? — perguntou Undertaker.

_Cala a boca Undertaker — falei e ele riu.

Deslizei minhas mãos pelo peito do Sebastian e ele se inclinou para mim, nossos lábios se encontraram e nos beijamos. Sebastian moveu os lábios sobre os meus e senti sua língua deslizar sobre meus lábios, pedindo passagem mas eu estava tão nervoso que nem me dei conta disso, eu não conseguia acompanhar o seu beijo. Só de imaginar que Undertaker estava ali, sentia minha face corar.

Então Sebastian começou a beijar meu queixo e desceu para o meu pescoço, trilhou o caminho com beijos e lambidas e eu, mesmo com vergonha, ofeguei. Ele me segurou pela cintura e me trouxe mais para si, fazendo com que eu arqueasse o tronco.

Virei meu rosto para o lado para dar mais espaço para o Sebastian e ouvi um suspiro, um suspiro que não era nosso. Abri meus olhos e lá estava o Undertaker, sorria e sua mão estava escondida por baixo da roupa. Eu não queria imaginar o que ela estava fazendo sob os tecidos, embora eu soubesse exatamente o que Undertaker estava fazendo. Travei mais uma vez.

_Bocchan… — Sebastian percebeu minha mudança.

_Não consigo — falei baixinho, empurrando Sebastian pelos ombros para que ele me largasse.

Sebastian segurou meu rosto entre as mãos e aproximou nossos rostos.

_Você confia em mim? — murmurou, os olhos brilhando de malícia.

“Confiar em um demônio a quem se deve a alma?” — pensei — “Mas é claro!” — respondi mentalmente com ironia.

Assenti minimamente com a cabeça e ele voltou a me beijar, fechei meus olhos e tentei me concentrar somente nos lábios e no gosto da boca do Sebastian.

Senti suas mãos percorrerem o meu corpo, apalparam o meu tórax nu já que minha camisa havia sido aberta. Sebastian não tinha tirado ela.

Suas mãos desceram e apertaram meu traseiro, ofeguei mais uma vez e abracei o Sebastian. Ele escondeu o rosto no meu pescoço e mordeu ali, bem na junção com o ombro, enviando ondas de um prazer quente pelo meu corpo — eu gostava quando ele me mordia.

Por um momento consegui esquecer que estávamos sendo observados e que não estávamos no meu quarto. Afastei sua camisa, descobrindo o ombro e arrastei meus dentes pela pele, ele me apertou mais e eu gemi baixinho.

Sebastian começou a abrir a minha calça com uma mão enquanto a outra massageava o meu membro sobre a roupa.

_Hhhggnnn — mordi meus lábios, tentando conter o gemido quando finalmente minha roupa foi aberta e a mão dele se infiltrou segurando meu membro semi ereto.

Sebastian me beijou mais uma vez e dessa vez consegui acompanhar melhor, achei que iria conseguir pagar o preço sem maiores problemas.

_Ahhhh — ouvi o gemido e não era do Sebastian, tomei um susto e abri meu olhos. Era o pervertido do Undertaker, seus olhos brilhavam maliciosos e a movimentação sob a roupa era nítida agora, um fio de saliva começava a escorrer pelo canto da sua boca.

Undertaker parecia um predador, os olhos presos em mim.

_Uggh — um som engasgado saiu da minha garganta e eu apertei os ombros do Sebastian. Estava novamente travado.

_Não olhe para mim. Olhe para o seu namorado — comentou sarcástico Undertaker — apontou com a outra mão para o Sebastian.

Sebastian ergueu a cabeça e olhou para o outro.

_Se você não fizesse tanto barulho, não distrairia o meu bocchan — comentou me pegando pela mão e me levando até uma mesa retangular que havia no salão, passou o braço sobre o tampo de madeira, limpando o local da poeira e afastando um tecido e alguns objetos que havia em cima.

_Não quero nem saber — atalhou Undertaker — Faça com que “seu bocchan”, como você diz, fique concentrado em você e não me olhe. Não gosto que me olhem, vocês só têm mais uma chance.

_Mas que droga!!! — exclamei com muita raiva e vergonha.

Se eu perdesse essa chance, iria demorar muito e talvez nem conseguisse as informações sobre como as mortes ocorreram e sobre o suposto baile.

Olhei para Sebastian e vi os olhos dele brilharem mais do que o normal. Me pegou pela cintura e me pôs sobre a mesa, apoiei minhas mãos nos seus ombros.

_Não podemos correr o risco de você olhar para o Undertaker — comentou o óbvio.

_Não vou olhar — prometi, mais para mim mesmo do que para ele.

_Não podemos correr esse risco — falou e então pegou o tecido negro e rasgou uma faixa — feche os olhos, bocchan — mandou.

_Sebastian! — exclamei mas já era tarde, Sebastian cobriu meus olhos com a faixa e a amarrou atrás da minha cabeça dando um nó.

Me sentir privado da visão me aterrizou, fiquei mais tenso ainda e quando senti braços me envolvendo não pude deixar de dar um pulo.

_Bocchan … — Sebastian sussurrou no meu ouvido — Confie em mim.

Não pude falar nada, estava tão nervoso que tremia. Uma parte da mente gritava para que eu fugisse dali, outra dizia que seria o modo mais rápido e prático para se conseguir a informação que eu tanto precisava.

Sebastian me deitou sobre a mesa, o frio da madeira atravessou o tecido fino da minha camisa. Ele começou a beijar o meu peito, a língua morna deslizando provocante pela pele até chegar num mamilo, o qual rodeou com a ponta da língua antes de mordiscar.

_Hhhnnn — mordi a parte interna do meu lábio inferior e arqueei as costas levando as mãos aos cabelos do Sebastian, apertando os fios.

Sebastian desceu mais, beijando meu abdome enquanto acariciava meu tórax. Percebi que ele havia ajeitado minha camisa de modo que mesmo aberta ela não revelasse muito do meu corpo.

As carícias continuaram, beijos distribuídos aleatoriamente pelo meu corpo. E eu comecei a me sentir quente e excitado, passei a me contorcer um pouco, me movendo inconscientemente em busca do corpo do Sebastian. O contato com o corpo dele era quase magnético, eu precisava daquilo.

_Tire a roupa dele — ouvi Undertaker mandar e meus dedos se afundaram nos ombros do Sebastian mas ele ignorou a ordem e continuou a me excitar.

_Tire a roupa — voltou a mandar.

Sebastian parou de me beijar.

_Não vou fazer isso.

_Esse é o meu preço.

_Você não especificou que teríamos que tirar a roupa — argumentou Sebastian e eu fiquei internamente agradecido.

Undertaker ficou em silêncio e Sebastian voltou a me tocar. Senti ele deitar em cima de mim e beijar o meu pescoço indo em direção à minha boca.

Tudo estava tão mais intenso...muito provavelmente por causa da venda nos meus olhos. Todos os meus sentidos estavam concentrados no que Sebastian fazia comigo.

Enrolei meus braços no seu pescoço e ondulei um pouco o meu quadril. Senti suas mãos descerem pelo meu abdome e escorregarem para dentro da minha calça.

_Sebastiannn… — gemi baixinho quando senti sua mão apertar o meu membro. Sebastian gemeu baixo de volta.

_Isso mesmo — Undertaker falou e eu voltei a travar.

_Cála a boca, Undertaker — Sebastian falou, seu tom de voz havia mudado um pouco, para algo baixo e irritado.

_Hi hi hi hi.

Fiquei furioso com a situação. Aquilo era um absurdo. Um absurdo pelo que eu tinha que passar se quisesse as informações. Meu sangue ferveu.

“Então ele quer um showzinho?” — pensei

“Então ele vai ter”.

Arranquei a venda e segurei o rosto do Sebastian trazendo-o para mim. O beijei lascivamente, fazendo questão que Undertaker visse minha língua entrando e se movendo na boca do meu demônio.

Me sentei e puxei um pouco da camisa dele para os lados, passei a beijar e mordiscar seu tórax, minhas mãos passeando pelas suas costas, se infiltrando por baixo do tecido.

_Isso mesmo… é assim… — ouvi Undertaker sibilar.

Senti a vergonha crescendo mas trarei de sufocá-la antes que me travasse novamente.

Desci minhas mãos até o traseiro e o apertei com as duas mãos espalmadas. Sebastian pressionou o quadril contra o meu. Estávamos sentados frente à frente e eu quase no colo dele.

_Sebastian… — chamei baixinho, a respiração acelerada dele batia de encontro com o meu ouvido e me arrepiava.

_Confie em mim — ele repetiu, não mais que um sussurro baixo, encoberto pelos gemidos incontidos do Undertaker.

Aquele maldito estava se masturbando vendo eu e o Sebastian. Era indecência demais!

Sebastian voltou a me beijar, me empurrando de volta para a mesa. Percebi que ele puxava mais a minha calça para baixo e se encaixava entre as minhas pernas. Passou a me acariciar ali, bem na minha entrada; e inseriu um dedo, girando-o no meu interior. Ofeguei em resposta.

_Afaste a roupa dele, demônio — insistiu o outro.

“Mas que inferno” — pensei desesperado.

Undertaker estava achando o quê? Que era o diretor de uma peça de teatro para ficar nos dirigindo assim?

Eu estava com muito ódio.

_Vamos logo, Sebastian — me remexi inquieto.

_Mas...bocchan — ele ainda inseriu o segundo dedo — Temos que ir com…

Apertei seus ombros, enrolando meus braços no seu pescoço.

_Não importa...apenas faça. Quero ir embora daqui logo.

_Como conversam…

Sebastian retirou os dedos e puxou ainda mais as minhas calças para baixo.

_Tire-as logo — mandei.

_Não quero que ele o veja nu, bocchan — o tom de voz do Sebastian era ciumento e possessivo e fez borboletas voarem no meu estômago.

_Isso não tem importância… — comecei a falar mas fui interrompido pelo Undertaker

_É, isso não tem importância — comentou e ganhou um olhar de ódio do Sebastian, eu queria poder juntar o meu de ódio ao dele mas me lembrei do aviso do funerário, que não era para que eu o olhasse.

Puxei mais o Sebastian e falei baixinho, apenas para que ele me ouvisse.

_Temos que obter essa informação. Então vamos fazer logo o que temos que fazer e pronto.

Olhei nos olhos carmesins do meu namorado e o ciúme estava bem estampado ali.

_Você é meu e eu não gosto que ninguém o veja desse modo — sussurrou de volta e eu vi as presas muito brancas despontando dos seus lábios.

_Ele só vai ver as minhas pernas — argumentei baixinho.

Eu conseguia ouvir os ruídos que Undertaker fazia do outro lado da sala.

Sebastian passou a mão pela minha perna esquerda que era a que ficava de frente ao outro, como se isso fosse um gesto que mostrava que aquilo era dele.

_Mesmo assim.

_Vamos logo com isso. Eu não tenho o dia inteiro — atalhou Undertaker e eu me desesperei.

Puxei Sebastian para mim, o fazendo deitar-se sobre meu corpo, enrosquei minhas pernas ao redor do seu quadril.

_Entre — mandei antes de beijá-lo.

E foi assim que Sebastian me penetrou.

Dizer que aquele foi o melhor sexo que nós fizemos seria uma mentira deslavada. Foi tenso e difícil, com nenhum dos dois agindo naturalmente. Sebastian tinha todo o cuidado para que Undertaker visse o mínimo do meu corpo, toda hora puxando minha roupa, me cobrindo, movendo-se tão lentamente dentro de mim que era uma agonia.

Comecei a beijar seu pescoço dando algumas mordidinhas, apenas para provocá-lo; e isso funcionou, senti ele se contrair minimamente.

_Sebastian… mais rápido — sussurrei.

Quanto mais rápido ele fosse mas rápido terminaria.

_Se eu for rápido ele vai vê-lo.

_Que droga, Sebastian. Nós estamos fazendo sexo na frente dele. Quer algo mais constrangedor que isso???? Mova-se rápido.

Mas ele não se moveu.

Eu tinha que dar um jeito naquilo.

_Deite-se — mandei. Sebastian ainda me olhou contrariado mas minha expressão facial estava decidida. Ele me conhecia muito bem: ou me obedecia por bem ou eu o ordenaria e então ele não teria escolha.

Mas, mesmo assim, ele não se deitou; apenas sentou-se e me trouxe junto para o seu colo.

Meu casaco escorregou e acabou cobrindo o meu traseiro e então eu comecei a me mover no seu membro.

Minhas pernas e braços tão enroscados nele que eu sentia qualquer contração e movimento do seu tórax.

Aumentei o ritmo da cavalgada, movendo o meu quadril em sincronia com o Sebastian, de modo que ele mais se movia dentro de mim do que realmente estocava.

Aquilo realmente ficou gostoso, eu o sentia totalmente dentro de mim e ele tocava meu ponto sensível não com golpes como normalmente acontecia, mas de um jeito diferente, sua ereção pressionava o meu ponto de um jeito que me fazia pegar fogo.

E sem perceber eu já estava gemendo alto, mordendo os ombros e o pescoço do Sebastian. Puxando seus cabelos para que ele me beijasse também, arranhando suas costas.

A intensidade dos movimentos aumentou até que ambos estivessem ofegantes e, de algum modo, não me importei realmente em ouvir os gemidos do Undertaker. Sebastian me segurou com mais força pela cintura e me ajudou na movimentação.

_Eu… vou… — comecei a sussurrar mas Sebastian calou a minha boca com a dele.

Me beijou intensamente, dançando a língua na minha, sugando meu músculo ao mesmo tempo que apertava minhas costas. Me senti esquentar ainda mais, e tanto, que pareceu que ia pegar fogo e então a onda explodiu na minha mente e eu gozei.

Senti meu corpo amolecer e Sebastian me segurou contra o peito. Ainda sentia os últimos estremecimentos do orgasmo tanto meu quanto do Sebastiasn quanto o som do riso quebrou o silêncio da sala. Ousei olhar de canto de olho para Undertaker e o vi com a cabeça jogada para trás, rindo loucamente enquanto seu corpo também se contorcia — ele também havia atingido o limite.

Sorri debildemente, aliviado por ter conseguido pagar o que ele queria. Encostei a testa no ombro do Sebastian e fechei meus olhos. Sebastian me embalou nos braços, tão ofegante quanto eu e ficamos vários minutos assim, até as nossas respirações normalizarem.

_Isso foi muito bom, conde… Quem diria, hein? — sibilou Undertaker naquela voz dele baixa e arrastada. Um arrepio de nervoso percorreu minha coluna.

_Está pago. Agora nos dê licença por alguns minutos — minha voz estava fria e impassível — apenas um truque para esconder o quão envergonhado eu estava internamente. Eu mantinha meu rosto escondido no ombro do Sebastian.

_Claro, claro — o outro falou, ouvi o barulho dele levantando-se da poltrona e dos passos suaves se distanciando.

Respirei aliviado mas então ouvi Undertaker falar longe.

_Não se esqueçam de limpar a mesa!

_Idiota! — xinguei baixo, me afastei do Sebastian e ele me tirou de cima do móvel, me depositando suavemente no chão.

Meu quadril doía um pouco mas ignorei, não era algo tão terrível assim.

Avistei o banheiro no fundo do salão e me encaminhei para lá. Sebastian que se virasse com a bagunça da mesa.



**

Undertaker olhava malicioso para mim e eu realmente odiava isso. Odiava ter que me expôr do jeito que eu fiz. Mas o que está feito, está feito.

Eu me sentava numa cadeira velha, com Sebastian postado em pé atrás de mim e Undertaker sentado à minha frente, com as pernas cruzadas e a expressão mais maliciosa que eu já tinha visto.

_Muito bem. Conte logo o que você sabe sobre os bailes — falei e ajeitei a fita no meu pescoço.

Undertaker ajeitou a franja sobre os olhos, escondendo-os.

_Os bailes acontecem todos os meses. Algum nobre da alta sociedade o promove em sua residência. Normalmente nas residências de campo, é bem difícil acontecerem aqui na capital.

_Segundo as informações as pessoas morreram aqui em Londres- argumentei.

_A maioria morreu em Londres, porque moravam aqui mas isso não quer dizer que elas tenham adoecido aqui.

_Entendo. E a causa das mortes? Os relatórios de autópsia é muito vago.

Undertaker sorriu, parecia deliciado.

_Sim, eram vagos mesmo — riu — Parece que o cérebro delas sofreu uma sobrecarga de alguma substância excitável.

_Excitável? — perguntei, tentando entender.

“Talvez fosse algum tipo de droga. O ópio era uma droga que deprimia do cérebro, por isso as pessoas ficavam sonolentas; mas podia haver uma outra substância com efeito contrário” — pensei.

Undertaker cruzou as mãos logo abaixo do queixo.

_Exatamente. Muito provavelmente as vítimas ficaram agitadas nos dias que antecederam a sua morte, talvez alguma mudança de comportamento…

_Isso tudo já estava nos laudos que a rainha me entregou. Me diga algo novo, Undertaker! — endureci meu tom.

_Ora conde. Eu estou falando o que eu sei.

_Você sabe muito mais do que isso. Pode ir falando. Você pôs um preço exorbitante nessa informação e eu paguei!

Undertaker espalmou as mãos no ar e falou divertido, ele realmente não levava nada à sério.

_Calma conde, calma. Tudo bem. Irei falar. Os corpos pareciam que estavam sob efeito de alguma droga sim, mas não é como se tivessem drogados entende? Não havia marcas de picadas de agulha, nem cinzas no nariz ou pulmão.

_Então como? É algum microrganismo? Alguma doença? — perguntei.

_Doença nenhuma causa isso — Sebastian falou pela primeira vez, olhei brevemente para ele e voltei a olhar para o Undertaker.

_Ele tem razão — disse — É efeito de alguma substância, com certeza.

_E os sintomas?

_Não sei. Apenas alterações comportamentais.

_Quais? — insisti e ele deu de ombros.

Eu sempre sinto como se Undertaker na verdade, escondesse as informações de mim, liberando-as à conta gota.

_Não sei.

_Não é possível — explodi — Você está mentindo!!!! — minha voz se alterou.

_Se você diz… — o funerário levantou-se.

Ele ia embora.

_Espera. Eu preciso de mais informações — abrandei meu tom de voz e ele voltou a sentar.

_Eu realmente não sei detalhadamente as alterações. Mas você pode conversar com o médico que atendeu algumas delas.

Arqueei minhas sobrancelhas, esperando um nome.

_Você pode encontrá-lo no hospital geral, acho que o nome dele é … hum...deixe-me lembrar… ah, doutor Morrinson.

Era o mesmo médico que cuidou de mim quando perdi a memória. O médico fofoqueiro que comentou com não sei quem sobre a preocupação do Sebastian comigo e isso acabou chegando aos ouvidos da rainha, despertando as suspeitas delas.

_E quanto aos bailes?

_Já falei. Ocorrem todos os meses.

_Onde? Quem é o responsável?

_São muitos os responsáveis conde, não sei quem são nem quantos são. Descobrir isso é o seu trabalho, afinal, quem é o cão de guarda da rainha? Você não é? Então pegue o seu mordomo e fareje as pistas.

Minha expressão ficou séria, me levantei rápido, disposto a sair dali o mais rápido possível.

_Conde — Undertaker falou — Acredito que você deva ir falar também com o senhor Aleister Chamber. Com certeza ele pode te pôr em um desses bailes.

Minha alma gelou ao ouvir aquele nome. Aleister Chamber… o visconde de Druitt… aquele conquistador barato e insolente. A última vez que nos vimos, eu estava num vestido rosa, fato esse que não me orgulho nem um pouco.

“O que eu não faço para resolver um caso…” — pensei desolado. Mas dessa vez, seria diferente, eu não me vestiria de mulher de jeito nenhum.

Ajeitei a minha cartola na cabeça e Sebastian ajustou o meu casaco nos meus ombros, peguei a minha bengala.

_Vamos, Sebastian — olhei para Undertaker — Obrigado, Undertaker.

Me encaminhei para a porta e quando já estava com um pé na calçada, ouvi a voz do Undertaker.

_Conde...conde. Eu é quem agradeço, você me lembrou um passado meu não muito distante.

Olhei por cima do ombro para ele e me pareceu um pouco triste, o homem ali havia perdido um pouco a expressão divertida e maliciosa e seus olhos pareciam um pouco apagados através dos frios pratas.

_Você está cada vez mais parecido com o seu pai. Foi quase como se eu o tivesse visto novamente.

Me virei, encarando-o.

_O quê???

Mas Undertaker havia sumido, provavelmente para o fundo da sua funerária sombria.

Olhei para Sebastian.

_O que ele quis dizer com isso?

Sebastian deu de ombros, tentando disfarçar mas eu sabia muito bem que ele havia entendido o que Undertaker quis dizer.

_Acho que ele conhecia muito bem o seu pai. Bem demais.

Dei um tapa no braço de Sebastian.

_Está louco? Meu pai era casado!

Sebastian assumiu uma expressão neutra e levemente irritada, arqueando apenas uma sobrancelha. Abriu a porta da carruagem e eu subi.

_Se o senhor não tivesse terminado o seu noivado, em breve estaria também.

Sebastian fechou a porta da carruagem na minha cara, me deixando com uma expressão confusa e surpresa.

Me sentei direito no banco estofado e o veículo passou a sacolejar nas ruas de paralelepípedos de Londres.

Eu sabia que meu pai e Undertaker frequentavam o mesmo círculo, sabia que Undertaker também vendia informações para o meu pai. Mas daí pensar que eles tinham alguma coisa como eu e Sebastian era demais para minha cabeça. Preferi tentar esquecer a comparação que ele havia feito entre mim e o meu pai.

Eu tinha outras coisas para pensar, coisas demais rodando na minha cabeça: as mortes, a droga, o baile. Eram mistérios demais.

Além de ter que me encontrar com o visconde e com o doutor Morrison.



***

Chegamos ao palácio da rainha à noite já. Os guardas não nos tentaram barrar nenhuma vez, afinal a informação de que nós éramos hóspedes já devia ter sido divulgada entre os empregados.

Um funcionário nos recebeu no saguão principal e nos informou que iria providenciar o jantar.

_Agradeço — Sebastian sorriu — Mas será necessário somente a refeição do Jovem amo. Eu já comi na rua — mentiu e eu dei um sorrizinho pela mentira contada.

_Perfeitamente — o empregado curvou-se minimamente e saiu, muito provavelmente feliz por só ter que arranjar comida para um ao invés de dois, afinal já tinha passado o horário do jantar há horas.

Subi a escadaria sendo seguido por Sebastian. Chegamos ao meu quarto e Sebastian se adiantou para abrir a porta.

Percebi que a expressão dele havia mudado levemente quando pôs a mão sobre a maçaneta mas só percebi o que era quando ele abriu a porta e eu entrei no quarto.

Uma garota me aguardava ali.

Estava vestida com o uniforme, o que sinalizava que era uma das empregadas do palácio.

Fiquei parado, olhando para ela por alguns minutos, antes de conseguir falar.

_O que faz aqui?

A garota abaixou os olhos, submissa e envergonhada.

_A rainha ordenou que eu o servisse — ela se adiantou e tentou pegar a minha cartola e a bengala das minhas mãos.

As afastei rapidamente dela e as entreguei para Sebastian parado logo atrás de mim.

_Não há necessidade. Meu mordomo está aqui para isso.

A menina corou. Era uma garota bonita até; tinha os cabelos entre ruivo e loiro, trançados e presos com a fita branca, o vestido do uniforme era preto e branco e os sapatos de verniz preto. Tinha sardas no rosto, lábios rosados e no conjunto, um rosto harmonioso e delicado. Devia ter mais ou menos a minha idade.

_Mas a rainha ordenou que eu o aguardasse e o servisse no que precisar enquanto estiver no palácio.

Eu sabia exatamente o que a rainha queria mandando uma garota bonita vir me servir, ordenando que ela ficasse no meu quarto me esperando. Olhei para o Sebastian e a expressão dele era horrível, parecia que estava morrendo.

_Bem — dei alguns passos para dentro do cômodo, tirei meu casaco e dei para o meu mordomo — Entendo e agradeço a preocupação da majestade comigo mas, realmente, isso não é necessário.

A garota ameaçou chorar e eu suspirei sem paciência para aquele tipo de cena.

_A rainha ficará brava comigo — explicou numa vozinha fina.

Fui até ela, ignorando o olhar afiado do Sebastian e pousei minha mão no seu ombro.

_Ela não precisa saber. Qualquer coisa eu confirmo que você me ajudou, tudo bem? — falei tentando ser gentil.

_Mas o senhor Grey ficou encarregado de me supervisionar — insistiu.

Foi então que Sebastian saiu do seu estado de imobilidade. Andou até a garota e a pegou pela mão.

_Senhorita, meu senhor agradece muito a sua solicitude em servi-lo mas, como vê, eu estou aqui para isso. Aceite o que o Jovem amo diz, fale que você o está servindo e aproveite o tempo livre para passear, se cuidar, essas coisas que garotas gostam de fazer — Sebastian foi falando e a levando em direção à porta — Se o senhor Grey disser qualquer coisa, diga para ele vir falar comigo. Caso ele crie problemas para você, diga que eu irei falar com ele. Boa noite, senhorita.

Deu um último empurrão e a garota saiu do quarto, então Sebastian fechou a porta e se virou para mim.

Eu fazia muita força para não rir.

Na verdade a situação seria cômica se não fosse trágica.

_Não ria — Sebastian mandou.

A ordem só serviu de combustível; comecei a rir dele.

Sebastian ficou bravo e veio na minha direção.

_Você está se mordendo de ciúmes — falei, secando as lágrimas que o riso havia provocado.

Sebastian enlaçou a minha cintura.

_Estou mesmo. Qual o problema?

_Nenhum — parei de rir, o clima do ambiente havia mudado repentinamente.

_Você a achou bonita, bocchan? — perguntou, apertando mais as mãos na minha cintura.

_Ela é bem bonitinha — provoquei e vi os olhos dele brilharem vermelhos — Mas não é o meu tipo.

Me desvencilhei dos braços do Sebastian e fui para o banheiro. A verdade era que eu queria me prender ainda mais neles e puxá-lo para a cama, mas estávamos no palácio e sob forte vigilância.

_Prepare o meu banho, Sebastian — mandei.

_Pois não, bocchan — respondeu, tirando o fraque e enrolando as mangas da camisa.

Seu olhar era aguçado e provocador enquanto enchia a banheira.

_Será apenas um banho — afirmei.

_Claro. Apenas um banho — Sebastian repetiu e sorriu torto para mim, os olhos começando a tomar o tom avermelhado que tanto mexia comigo.

Sorri de volta e pisquei um olho para ele.

Notas finais
Aeeee Me sinto tão feliz por ter conseguido postar esse capítulo... Não sei se ele está bom. Realmente, eu ando um pouco insegura mas eu amo tanto a Desejos que não passa pela minha cabeça abandoná-la. Bem, vamos ao que interessa né? A tia Black rose criou uma página no face, lá eu posto trechinhos das fanfics, imagens e outras coisitchas yaoi que eu tanto amo. Vamo curtir ela e me fazer feliz? MEU PERFIL: https://www.facebook.com/profile.php?id=100009909871101 MINHA PÁGINA: https://www.facebook.com/pages/Black-rose/630130480451722?ref=hl Comentários? Me gusta mucho