Desejos libertos
14 O dia - Parte 2
Notas iniciais
Era aproximadamente onze horas da noite quando ouvi o barulho da chave destrancando a porta, estava cochilando na cama e me levantei num pulo. Mais cedo da noite, logo depois do meu banho, Dimitri havia entrado no quarto e me entregue algumas peças de roupa com a orientação que eu as vestisse; como estavam dobradas eu não vi como eram num primeiro momento, apenas peguei a pilha dos seus braços e me tranquei no banheiro — afinal não ia dar chance que ele me obrigasse a me trocar na sua frente.
Lá dentro comecei a inspecionar as roupas e quase infartei — “O que ele acha que eu sou???” — pensei conforme ia desdobrando as peças e as esticando no ar à minha frente — “Vai me obrigar a me vestir de mulher????”. Contrariado, comecei a me vestir incrédulo — “Não acredito que estou fazendo isso!!!”.
Terminei de me vestir e me olhei no espelho: uma saia rodada com babados e digna da Lizzy, exceto pelo comprimento, mal cobria minhas coxas finas, era alguns centímetros mais longa atrás, mas na frente não cobria quase nada; puxei o tecido para baixo tentando alongá-la um pouco, sem êxito! Assim que eu soltei o tecido, ela voltou ao comprimento original — era vergonhoso! E para piorar, não tinha roupa íntima! A parte de cima não era nem um pouco melhor, consistia em um colete curto até mesmo para mim, deixava um bom trecho da minha barriga de fora e ainda era decotado, com babados descendo pelo decote e preso na frente por dois botões de brilhante. A roupa toda era em preto e violeta — as cores daquele demônio cretino! — feita de seda e renda. Ainda tinha algumas peças pequenas: luvas negras até o cotovelo e meias cuja trama parecia uma rede, cobria até um palmo acima dos meus joelhos; completava o traje um par de botas de cano longo e cadarço.
Tinha deitado na cama aguardando o momento fatídico e acabei cochilando, de modo que foi assim que ele me encontrou.
Dimitri abriu a porta e eu já estava de pé na beirada da cama, puxava um pouco a saia para baixo e mantinha as pernas bem juntas, tentando esconder o que havia por baixo.
_Você está esplêndido, Ciel — seus olhos brilhavam pela luxúria, as pupilas negras dilatadas e circundadas pelo violeta brilhante, ele veio na minha direção e eu não pude me conter, me encolhi: um pouco de medo, afinal eu ia morrer naquela noite, não é? Dimitri me abraçou, me apertando de encontro a ele — já estava excitado pelo que eu pude sentir.
Empurrei ele para que me soltasse.
_Essa roupa é ridícula. Você podia me poupar de morrer desse jeito — segurei as pontas da saia, enfatizando o “desse jeito” mas ele sorriu satisfeito.
_Deixe de besteira. Você está delicioso! — disse ele apalpando o meu traseiro por baixo da saia, senti meu rosto pegar fogo e engoli em seco.
Dimitri me conduziu para fora do meu quarto, era a primeira vez desde ontem de manhã que eu saía. Ele mantinha as duas mãos sobre meus ombros, me conduzindo à sua frente, eu já não oferecia resistência nenhuma, não havia saída para mim, o único que poderia me salvar seria Sebastian mas ele já não estava comigo, então não tinha o que fazer…
Ele me encaminhou até um dos quartos de hóspedes da mansão, quando ele abriu a porta para que eu pudesse entrar quase não acreditei: ele havia mudado completamente a decoração. Tudo estava em preto e violeta, seda, veludo e renda. O ambiente gótico estava na penumbra, iluminado fracamente por tripés com velas nas mesmas cores. Havia uma cadeira de madeira escura de assento alto, ao invés de apoio para os braços, havia dois semi-círculos — “Apoio para as pernas” — identifiquei, entendendo para quê servia aquela cadeira. A cama também era diferente, a cabeceira era feita de barras de metal decoradas com arabescos, correias estavam fixas ali, descansando sobre os lençóis de seda negra. No criado-mudo ao lado da cama, vários objetos estavam dispostos lado a lado, não quis olhar muito para aquilo, já sentindo o que eu ia sofrer.
Dei alguns passos dentro do quarto e estaquei. Dimitri apertou um pouco meus ombros, visivelmente emocionado, senti ele respirar fundo e ergui o olhar para cima e para trás para que pudesse ver seu rosto. Ele estava orgulhoso pelo seu feito.
_Veja Ciel. Olha o que eu fiz só para você.
Não respondi nada e ele me empurrou mais para dentro, fechando a porta. Ele me abraçou por trás enquanto eu passava os olhos pelo ambiente, tentando captar todos os detalhes do último lugar que eu ia ver antes de morrer — “Acho que eu tenho esse direito não é?” — pensei amargurado — “Não pensei que meu fim fosse ser assim. Sempre achei que minha alma seria devorada por Sebastian, depois que eu conseguisse minha tão sonhada vingança contra aqueles que destruíram minha família.”
_Está tão calado. O que foi? Não gostou? — ele depositou um beijo no meu pescoço — Fala alguma coisa!
_Não tenho nada para falar — respondi seco.
_Tudo bem então. Vamos logo com isso não é? — ele me virou de frente à ele.
_Já decidiu se quer do jeito fácil ou difícil?
Me mantive impassível.
_Faça do jeito que você quiser.
Dimitri sorriu maliciosamente.
_Era tudo o que eu queria ouvir — falou logo antes de colar seus lábios nos meus, eles estavam muito quentes e o contato era desagradável.
Suas mãos de longas unhas, apertavam minha cintura e pressionavam meu quadril contra o dele, me fazendo sentir o volume na sua calça. Ele entreabriu os lábios e forçou a língua entre os meus lábios, pedindo a passagem que eu neguei.
_Abra a boca Ciel e me beije direito. Você quer o pior? — ameaçou.
_O que pode piorar? — o desafiei.
_Posso te dar pouca ou muita dor. Pode ser rápido ou muito demorado. Pode haver sangue ou não — me respondeu calmamente como se estivesse pedindo para eu escolher entre bolo de chocolate ou morango.
Dimitri não me deu chance de resposta. Colocou meus braços em torno do seu pescoço e voltou a me beijar, mais uma vez o obedeci, abrindo meus lábios e deixando que a língua dele entrasse na minha boca, tinha gosto de sangue — “O que ele andou fazendo?”
_Me beije Ciel! — sussurrou, me puxando mais para ele.
Resolvi, sem esperanças, obedecê-lo de vez. “Quem sabe, desse jeito, a morte venha rápida?”
Movi meus lábios nos seus, retribuindo o beijo indesejado. Beijava-o de modo automático, Dimitri não parecia perceber a minha apatia. Me apertou mais e gemeu na minha boca. Quando o beijo terminou, ele se afastou centímetros do meu rosto e sorrindo, soprou sua névoa tóxica no meu rosto, ela entrou pelo meu nariz e eu senti meus pulmões queimarem; ofeguei me sentindo sufocado.
_É assim que eu o quero Ciel. Obediente, ofegante e corado. Ah Ciel, vai ser tão gostoso. Você vai ver! — ele acariciou meu rosto, depois meu pescoço, eu estava mole pelo efeito do seu poder, começava a me sentir quente e meu membro formigava — “Eu não quero isso!!!!” — pensei mas não falei nada, nem quando começou a acariciar meu peito, encontrando e beliscando forte meus mamilos sobre a seda e renda do colete.
Voltou a me beijar, agora com mais ímpeto e eu, surpreendentemente, correspondi me sentindo excitado — “Não sou eu! É a névoa!” — de todo modo, já não tinha quase nenhum controle sobre meu corpo, tanto que quando ele me pegou no colo, e me depositou sobre os lençóis, um gemido baixo escapou dos meus lábios, sendo recebido com o sorriso mais malicioso que eu já vi.
_Isso, Ciel. Não resista. Vou te dar a melhor morte de todas. Melhor do que a que ele poderia te dar.
Dimitri deitou-se sobre mim, eu ofeguei não achando de todo ruim sentir o peso dele, se encaixou entre as minhas pernas, beijou meu pescoço e começou a esfregar seu quadril no meu. Comecei a ficar duro, ele percebeu e riu; desceu beijando meu peito, abriu o colete que já não cobria muita coisa, lambeu e mordeu com força meus mamilos, alternando-os entre seus dentes.
_Aaahaaa — o gemido escapou e eu cobri minha boca tentando me controlar. Dimitri puxou meus braços, me forçando a descobrir a boca, sem parar de mordiscar.
Continuou a descida, beijando minha barriga lisa, me fazendo suspirar e gemer. Chegou no meu quadril onde levantou a saia minúscula, expondo meu membro rígido, ele sorriu para mim como se dissesse: “Está vendo o que eu consigo fazer com você?”, era verdade, ele conseguiria fazer o que quisesse comigo e eu não poderia fazer nada para impedi-lo.
O demônio abaixou a cabeça ainda sorrindo e lambeu toda a extensão do meu pênis, me fazendo jogar a cabeça para trás e gemer alto, então o colocou inteiro na boca e sugou. Meus gemidos aumentaram progressivamente conforme ele me chupava mais rápido, meu ventre se contraiu com o orgasmo iminente.
Ele começou a sugar mais rápido e mais forte, os ruídos molhados de sucção enchiam o quarto, eu ia gozar logo. Inconscientemente levei minha mão à sua cabeça que se movia para cima e para baixo entre minhas pernas e enrolei seus longos cabelos violetas nos meus dedos. Senti o orgasmo vindo com força total.
_Se...Sebastian! — gemi de olhos fechados, a qualquer segundo eu ia me derramar.
Dimitri mordeu meu membro; não foi muito forte mas eu estava sensível e a pontada de dor foi o suficiente para bloquear o orgasmo — gemi frustrado. Ele levantou a cabeça, visivelmente contrariado, puxou meus cabelos, levou o rosto até perto do meu.
_Como ousa chamar o nome dele nessa hora??? Só o meu nome deve ser dito — sacudiu meu cabelo, fazendo minha cabeça seguir o mesmo movimento — Vamos, diga o meu nome!!!
Fiquei em silêncio. Uma pequena parte da minha consciência, a que eu ainda tinha controle, se negou a dar esse prazer à ele.
Ele me lançou um olhar furioso quando percebeu que eu não ia gemer o nome dele. Ergueu-se sobre mim.
_Cansei. Vai ser do jeito difícil! — sentenciou. Então puxou meus braços para cima e os amarrou nas correias que pendiam da cama, amarrou meus tornozelos também.
_Você vai ver como eu posso ser cruel. Quis te dar uma morte prazerosa, mas você desdenhou de mim, chamando aquele ser na minha frente. Agora vai sentir cada segundo até eu absorver toda a sua alma.
Dimitri sentou sobre o meu quadril, fechou os olhos e se concentrou, vi quando a névoa se despregava do meu corpo e ia para o dele. Pouco a pouco eu sentia que recobrava os pensamentos. Tentei me controlar para enfrentar a morte corajosamente, mas internamente eu estava aterrorizado, principalmente quando ele abriu os olhos e os fixou em mim — estavam mais brilhantes, suas presas estava bem maiores e sua pele que antes era muito pálida, começou a escurecer quando as veias adquiriram a cor preta.
Nova névoa, agora negra, me envolveu, senti uma dor lancinante atingiu o meu peito. Arregalei meus olhos e minha boca se abriu num grito mudo. Algo esmagava meu coração, meus pulmões também estavam oprimidos e eu lutava para respirar sem sentir o ar entrar. Pontos de dor, semelhantes a agulhadas, cobriam minhas pernas e braços e eu sentia pontadas no cérebro. Abri minha boca, puxando o ar que não vinha. Meu coração batia descompassado com a descarga de adrenalina correndo à solta pelas minhas veias. O desespero tomou conta de mim e eu tentei me debater, mas minhas forças estavam falhando, algumas lágrimas escorreram quentes pelo meu rosto. Algo saíam de mim, algo branco e azul claro cintilante, se misturava com a névoa negra e ia para Dimitri, que me encarava deliciado, saboreando minha alma que pouco a pouco me abandonava.
No último instante, quando eu já não aguentava mais, fechei meus olhos definitivamente, o rosto das pessoas mais importantes para mim passaram rapidamente pela minha mente, uma sucessão de rostos: minha mãe, meu pai, Lizzy, minha tia, até mesmo dos meus empregados e, por fim, o rosto de Sebastian ficou fixado na minha retina. Seria a última imagem que eu veria antes de morrer.
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