Desejos libertos
44 A festa - Parte 2
Notas iniciais
—Posso dançar com a dama? — o visconde perguntou ao Alois, sorrindo alegremente mas eu podia ver a luxúria queimando no modo como ele olhava.
Alois fechou a expressão, claramente contrariado, mas não foi louco suficiente para negar algo ao anfitrião.
—Claro, visconde. — fez uma mesura suave e deu um passo para trás.
Eu dei também um passo, querendo muito fugir, mas não consegui. O visconde segurou minha mão e me puxou para perto, se posicionando na postura e começamos a dançar.
—Não tem medo do sarampo, visconde? — perguntei querendo pôr medo.
—Sim. Mas você não está contaminada. — sorriu.
—Como sabe que não?
—Tenho meus métodos, querida.
Assenti e dei um sorriso mínimo. Não sabia quais os métodos dele e nem estava tão interessados neles. Suspirei, tinha que tentar tornar esse tormento um pouco produtivo ao menos.
—Ouvi dizer que tem um amigo misterioso, visconde. Onde está? — inclinei a cabeça para o lado, minha franja caindo um pouco mais sobre meu olho do contrato.
—Ahh ele apenas virá para a segunda parte. — sorriu e me apertou nos braços. O modo como ele dançava era diferente do Alois, ele sempre tentava roçar o corpo em mim e logo eu estava tentando me esquivar, o que tornou a dança um pouco estranha.
—Mas… — empurrei um pouco — Por que ele é tão misterioso?
Visconde me puxou um pouco mais, e segurou meu rosto.
—Vai conhecê-lo em breve. Já está quase dando a hora… — ele começou a se aproximar ainda mais, e eu fui ficando desesperado.
—Quer conhecer uma coisa? -murmurou perigosamente perto
—O-o quê? — gaguejei, verdadeiramente nervoso.
—O meu quarto. Acho que você é bonita demais para ficar aqui, livre. Vamos subir, podemos conversar, eu te ensino alguns jogos. — sorriu ainda mais malicioso que antes e sua mão, que estava na minha cintura desceu um pouco em direção ao meu traseiro.
—A-acho melhor não, visconde. Sou muito tímida e, na verdade, acredito que irei embora logo. Não posso deixar o Ciel sozinho por muito tempo.
—Ahhh siiim — falou sonhadoramente — O conde Phantomhive é tão adorável…
—Sim… — concordei tentando sair do abraço do visconde antes que ele realmente descesse as mãos e começasse a me apalpar — Ele está doente e bem, é até um risco eu ficar aqui, posso contaminar até mesmo o senhor — falei, o empurrando fraco.
—Não me preocupo mais com isso, você está limpa de qualquer microrganismo do sarampo — falou como se fosse algo fácil de se ter certeza.
—Como sabe disso? — arqueei a sobrancelha, repetindo a pergunta, altamente desconfiado mas o visconde apenas sorriu e não respondeu diretamente.
—Apenas sei, pequeno rouxinol — desconversou e deu um pequeno beliscão no meu queixo, a outra mão segurou no meu pulso, um aperto firme e decidido — Agora venha comigo, irei lhe mostrar algo muito prazeroso.
O visconde me puxou e eu travei meus pés no chão, para me mover ele teria que me arrastar e isso atrairia a atenção das pessoas em volta, estava me valendo de que ele não iria querer isso no baile. O loiro olhou para mim, um sorriso nos lábios mas a contrariedade e irritação bem presente no olhar ferino.
—Me solte, visconde! — sibilei, sentindo o perigo palpável ali.
—Quanto mais arredio é o passarinho, mais prazer dará a captura. Venha, pequena mandarim, irei te levar aos céus — fui puxado novamente e mais uma vez, travei meus pés. Olhei em volta.
“Onde estava aquele maldito demônio quando mais se precisava?” — me perguntei mentalmente, tentando inutilmente achar o Sebastian. Só então me dei conta que a iluminação do salão havia diminuído drasticamente, estávamos mergulhados numa semi penumbra mesmo com as velas queimando nos castiçais e luminárias. Era algo estranho e anti-natural, como se o ar estivesse denso e escuro mas ainda assim era possível distinguir todas as pessoas.
—Mas… o que está…? — não consegui terminar a pergunta, sinto uma mão atrevida me enlaçar a cintura.
—Visconde? Que homem sagaz o senhor é, querendo somente o senhor dançar com a pequena dama. Não ficaria contrariado se eu a tirasse para dançar uma vez, não? O conde me recomendou cuidar da pequena prima já que não pôde fazê-lo por si mesmo. — Sebastian sorria, aquele maldito sorriso sedutor e irresistível, capaz de convencer qualquer um.
Senti o visconde relutar um pouco em me soltar.
—Mas eu já a escolhi. Não vai querer você, um mordomo, escolhê-la, não é?
—Jamais ousaria pensar tão alto e desejar o paraíso — Sebastian pousou uma mão sobre o peito e fechou os olhos momentaneamente. Agradeci mentalmente por estar escuro e não ser possível ver meu rosto corado, tudo o que já havíamos feito era suficiente para que nossa passagem para o inferno estivesse garantida por muitas vidas.
—Acredito que ela não queira isso — teimou o visconde, apertando meu pulso.
—Será apenas uma dança, visconde. E se ela o escolher — Sebastian frisou bem essa parte — O que será alguns minutos de dança diante de uma noite inteira de jogos? — falou audacioso e ganhou um pisão bem dado no pé. Não era porque nós fazíamos todo tipo de coisa que ele poderia falar daquele modo, insinuando coisas, além do mais, eu estava sob disfarce e aquele jeito de falar era completamente impróprio.
Infelizmente ele não gemeu de dor, apenas um leve arquear de sobrancelha indicou que sentiu meu salto pressionando o pé dele. Mas pelo menos o atrevimento dele serviu para algo, o visconde deve ter pensado nas vantagens da oferta, pois logo soltou minha mão e deu um passo para trás.
—Tem razão, mordomo. Apenas uma dança, de qualquer modo, é quase meia-noite. Tenho que alinhar os últimos ajustes. Cuide da minha pequena rouxinol. — falou olhando para Sebastian, depois olhou para mim e levou a minha mão aos lábios, os quais, eu tinha certeza que estavam com uma fina camada de batom rosado — Será minha essa noite, não é, meu pequeno tesouro?
“Se ele me chamar mais uma vez de pequeno, eu mato esse desgraçado!” — pensei ao sorrir timidamente e esconder o rosto nas mãos, balançando a cabeça afirmativamente. “Nem nos seus sonhos, seu nojento” .
—Pode deixar de se esconder, Lucy. Ele já se foi — Sebastian murmura perto do meu ouvido, a intenção nem foi aquela, mas eu me arrepiei imediatamente, tirei meu rosto das mãos e me virei de frente para ele.
—Ainda bem, já não era sem tempo. Homem desprezível! — exclamei ao deixar que Sebastian segurasse minha mão e minha cintura, começando a me conduzir pelo salão.
Sebastian apenas sorriu e eu relaxei, acompanhando os passos. Era mais fácil, porque era com ele, Sebastian poderia ser o meu cavalo no perigoso jogo de xadrez que minha vida era, mas eu sempre estaria seguro naquelas mãos e ele sabia que podia fazer tudo o que quisesse comigo.
Ele parecia tenso e em alerta, olhando disfarçadamente para os lados.
—O que é, Sebastian?
—Temos que sair, bocchan — falou baixo.
—Por que? — olhei em volta também, vi num canto o Alois brigando com o mordomo dele, que permanecia impassível como se o garoto não fosse mais do que uma mosca incômoda rondando ele. Exceto isso, tudo parecia normal, apenas aquela sombridão que escurecia o ambiente.
—Há mais demônios aqui. — percebi pelo tom de voz que ele realmente estava preocupado e claro, o fato de estar com mais dois demônios desconhecidos no mesmo ambiente não me deixava nem um pouco à vontade.
—Onde? Quem são? — perguntei alarmado.
—Aquele moreno com o jovem loiro no canto — indicou com um movimento da cabeça para um canto e eu acompanhei com o olhar, onde estavam Alois e Claude .
—Vi que você dançou com o rapaz. O que conversaram?
—Nada de importante, na verdade acho que ele nem sabe exatamente o porquê de estar aqui — comentei, num primeiro momento eu apenas me lembrava do loiro apaixonado pelo demônio, querendo fazer ciúmes. Mas então me lembrei da parte principal, Alois havia falado o meu nome, dizia que queria me conhecer. — Ele queria conhecer o conde Ciel, só se aproximou de mim por achar que eu sou parente dele — dei um sorriso mínimo e revirei os olhos.
—O que ele queria com o jovem amo? — pude ver a preocupação nos olhos do demônio.
—Eu não sei. Ele só disse que queria conhecer. Que havia ouvido falar...acha que tem algo a ver com o demônio que o acompanha? — eu estava nervoso agora, o que fazia com que eu dançasse ainda pior do que antes. Sebastian apertou minha mão e minha cintura.
—Postura! — exclamou e eu me endireitei, ganhando um discreto sorriso do maior — Não sei, mas na dúvida, é melhor manter distância deles. Não quero demônios rondando o que é meu — falou possessivo e eu sorri um pouco.
A música acabou e nós paramos, olhando em direção à orquestra. Ali estava o visconde, empertigado e orgulhoso, ao lado dele um homem muito alto e longilíneo, uma capa longa e fluída envolvia o seu corpo caindo até o chão. Senti um tremor percorrendo meu corpo e segurei mais forte nos braços do Sebastian, algo de ruim vinha daquele homem, eu podia sentir, me perguntei como as outras pessoas não sentiam o mesmo?
As pessoas em torno de nós os olhavam com admiração, comentando entre eles, a força da tal fragrância inebriante. Encarei o visconde que ainda estava ocupado tagarelando sobre passarinhos,diversão, prazeres e não sei mais o quê, o estranho ao lado dele se mantinha calado, as mãos entrelaçadas junto ao quadril, numa pose casta, o rosto era mantido erguido, mas não adiantava nada, sua capa tinha um capuz que estava puxado cobrindo mais da metade do rosto, sombreando-o.
—Quem é ele, Sebastian? — perguntei preocupado.
Sebastian me apertou nos braços.
—É o outro demônio. Vamos embora daqui — me puxou um pouco.
—Não podemos. Agora é o ponto culminante, temos que ver o que realmente acontece.
Sebastian pareceu refletir, ponderando a possibilidade de continuarmos ali. Eu não sabia que demônio era aquele mas sentia algo muito ruim vindo dali. Lá no centro do salão, o visconde terminava seu discurso de forma animada, no instante seguinte aos aplausos dos convidados, o homem misterioso tomou a frente, abriu os braços num arco amplo, fazendo as longas mangas do manto de agitarem, vi a mão longa, de dedos longilíneos e unhas afiadas e franzi o cenho.
Então uma chuva de pétalas violetas e negras caiu, como se viessem do teto, sobre a cabeça dos convidados. Muitos deles inclinavam os rostos para cima, para que as pétalas caíssem diretamente na pele, onde eram prontamente absorvidas. Junto com as pétalas descia uma névoa negra e violeta. Arregalei meus olhos, eu já tinha visto aquilo. Me agarrei mais no Sebastian.
—Vá para casa, bocchan — falou preocupado, virando o meu rosto para ele, seus olhos mostravam o grau de preocupação que ele estava sentindo e eu tive certeza que era algo sério — Eu fico aqui, investigarei tudo.
—Mas como irei embora? Acha que conseguirei guiar a carruagem? — olhei pra ele em descrédito.
Ele fez um muxoxo.
—Venha, vou te levar embora. Depois dou um jeito de voltar — falou e já foi me empurrando pelo salão, mas estávamos muito perto do centro e as pessoas que não se moviam até aquele momento, começaram a andar e falar todas ao mesmo tempo. A névoa se tornou cerrada, quase envolvendo todos, uma névoa densa que era imediatamente absorvida pela pele. A orquestra recomeçou a tocar, uma música pesada e funesta. Andei mais rápido, tentando achar caminho livre entre as pessoas mas toda hora alguém bloqueava o caminho e andavam cada vez mais rápido, se movendo de modo estranho como se não fossem donas de si.
Olhava apenas para frente, angustiado com aquela névoa nefasta que adentrava o meu corpo, ofeguei ainda mais, começando a me sentir quente, ela estava de algum modo mexendo comigo. Então era isso, o amigo secreto do visconde de Druitt era um demônio e era ele quem causava essas reações nas pessoas. Ia andando, empurrando as pessoas enquanto pensava, juntando as peças do quebra-cabeça, Sebastian vinha logo atrás de mim, mantendo as pessoas afastadas. Olhei pra trás brevemente, ele já não estava muito humano e se mantinha sério, olhando para frente, me virei e acabei tropeçando nessa maldita saia, só não caí porque Sebastian me segurou. Só então realmente prestei atenção no que ocorria ao meu redor: homens e mulheres se agarravam, puxando as roupas, rasgando-as. Barulhos de gemidos, gritos e choros eram ouvidos por todo lado.
—Se-Sebastian… o que? — murmurei diminuindo o passo, aquilo que ocorria na minha frente era algo bestial, o comportamento quase não era mais humano. Muitos deles não tinham expressões felizes no rosto, mesmo que continuassem apalpando e sendo apalpados, as roupas sendo abertas de modo brusco, beijos fortes e mordidas que deixavam marcas. A história de que cada um escolhia um parceiro era um grande engano, aquelas pessoas estavam drogadas pelo poder do demônio e se juntavam à esmo.
Vi uma das meninas que estavam comigo na mesa, a quase ruiva, ela era prensada entre dois homens que a usavam sem carinho algum, ela chorava mas não oferecia resistência alguma.
—Sebastian… — murmurei novamente
—Ande, bocchan — ele me empurrou e eu gemi, ficando excitado. Meu membro pulsou e endureceu tão rápido que doeu.
—N-não posso… — me encolhi, gemendo. Vi o visconde vir na minha direção, a parte consciente do meu cérebro gritava para que eu fugisse mas outra parte fez eu ofegar ao vê-lo se aproximar. Mas ele virou-se para o outro lado, em direção ao Alois, que estava tão assustado e aflito quanto eu, encostado numa parede
—Sebastian… — foi a única que consegui repetir, dei um passo para trás e bati minhas costas contra o peito do Sebastian, gemi e empinei meu quadril.
—Bocchan… — ele olhou para mim e franziu o cenho, eu estava quase derretendo de tão quente, meu membro latejava e doía e eu gemia mesmo sem querer.
—Preciso de você, Sebastian — agarrei a camisa dele, ofegando, eu precisava desesperadamente dele dentro de mim, então Sebastian me pegou no colo e andou em meio àquelas pessoas, olhei de relance e o visconde estava segurando-o pelo braço. O garoto tentava se soltar, lançando olhares apreensivos para o mordomo de olhos amarelos que se mantinha impassível. Fechei meus olhos e gemi, esfregando meu quadril contra o Sebastian, senti ele se contrair, sentindo minha ereção pressionar o estômago.
Sebastian não me respondeu, apenas andou rápido até a porta, cada vez eu ficava mais e mais excitado, gemia me contorcendo, o cheiro dele, as mãos segurando meu traseiro, a respiração batendo no meu pescoço. Me contorci, agarrando os ombros e escondi meu rosto na curva do pescoço do Sebastian, mordendo a pele e puxando entre os dentes antes de soltar. Senti-o gemer e me apertar e gemi:
—Sim… ache um lugar para nós… -murmurei perdendo um pouco a noção da coisas.
Sebastian chegou na porta do salão, já não havia mais nenhum criado ali, forçou a porta — estava trancada. Forçou mais uma vez e, com certeza, iria quebrar os trincos se eu não tivesse murmurado no mesmo instante.
—Eles estão vindo…
Sebastian olhou para trás, vendo uma pequena multidão vindo para cima de nós.
—Vocês não podem sair — várias vozes falaram — O sublime aroma não pode se perder…. aproveitem a festa sem limites… — me encolhi, parte de mim queria repetir aquele mantra estranho, era como se todos tivessem enlouquecido e o fato de nós termos nos aproximado da porta tivesse acionado algum alarme.
Ele me segurou com mais força e se afastou da porta, aproveitando que a turba não estava próxima o suficiente para nos alcançar, correu comigo no colo até uma das paredes, acho que estava pensando em pular a janela, que por sinal, também estavam todas fechadas. Várias pessoas havia dissipado porém, algumas ainda nos acompanhavam com olhares enlouquecidos, nós recuamos, quase ficando encurralados, então vi uma porta por trás de uma cortina, Sebastian também deve ter visto pois se encaminhou para lá e puxou a porta, estava aberta e ele entrou, me depositando no chão, minhas pernas estavam moles e eu me apoiei na parede enquanto ele fechava a porta e passava a chave.
Não era um cômodo propriamente dito, era como um armário ou um depósito, pequeno, apertado e com cortinas e tapetes enrolados. O cheiro doce amenizou mas o estrago estrava feito, eu arfava e meu membro doía, levei as mãos à minha ereção e apertei dando um gemido longo, Sebastian olhou para mim e se aproximou.
—Sebas… — perdi o fôlego, meu peito chiou com a asma atacando e eu o puxei para mim pela lapela do fraque.
Ofeguei ao sentir ele colado à mim, as mãos segurando minha cintura, eu sabia que aquilo era o efeito do outro demônio, mas era o Sebastian ali e eu ergui meu rosto, oferecendo meus lábios para ele.
—Bocchan… melhor não… — ele murmurou e eu senti o hálito dele bater nos meus lábios.
—Agora, Sebastian!! — falei e o puxei tomando os lábios dele num beijo necessitado.
Sebastian correspondeu imediatamente, enroscando a língua na minha, me apertando. Eu me agarrei nele, puxando as roupas do mordomo, abri a camisa rapidamente e a tirei, alguns botões voando para o chão, Sebastian subiu as mãos pelas minhas costas, pressionando os dedos na parte nua depois que o vestido terminava, me arrepiei imediatamente e um gemido baixo escapou dos meus lábios e eu inclinei a cabeça para o lado, expondo meu pescoço
—Me tome, Sebastian… — murmurei, arranhando o seu peito.
—Bocchan, isso é efeito do demônio… — murmurou beijando meu pescoço, arrastando os dentes pela pele branca me fazendo ofegar.
—É claro que é. Você sempre faz isso comigo… — falei sem nem me dar conta de quem ele estava falando e comecei a puxar as saias para cima, erguendo-as. Sebastian segurou nas minhas coxas e me ergueu, me colocando por cima de uma pilha de tapetes, gemi quando ele ergueu as saias, expondo minhas pernas brancas cobertas até a metade das coxas com as meias finas e presas pela cinta-liga. Vi o demônio sorrir, passando os dedos pela pele pálida e subindo até minha ereção presa na roupa íntima.
—Está bem duro, bocchan — falou malicioso, pressionando os dedos longos sobre a mancha úmida onde meu membro havia derramado pré-gozo — Mas não podemos fazer, olhe seu estado: mal consegue respirar .
Estava muito quente, muito excitado e mesmo que chiasse e meu pulmão gritasse de dor para respirar, eu o puxei para mim.
—Cala a boca, Sebastian. Eu quero você dentro de mim, agora! — o beijei vorazmente, travando minhas pernas em torno do quadril dele, começando a rebolar num ritmo rápido roçando nossos corpos.
Sebastian começou a puxar minha roupa íntima, afastando-a do meu corpo e tudo o que eu queria era que ele tomasse logo, precisava disso, meu corpo queimava e eu sentia minha cabeça girar, não sabia que era por conta do efeito daquela névoa ou se era por conta da crise de asma que me impedia de respirar.
Rapidamente abri a calça dele e segurei na ereção aparente enquanto Sebastian mordiscava e sugava meu pescoço, puxando o corpete do meu vestido para baixo, uma mão judiando tão prazerosamente do meu mamilo.
Fechei meus olhos, virando o rosto para o lado, gemendo alto, meu membro pulsava e eu me aproximava rápido demais do orgasmo. Tinha certeza que assim que ele entrasse em mim, eu me derramaria no mesmo segundo. Mas isso não aconteceu, pois no minuto seguinte começou um barulho gigante de vozes, gritos, barulhos de pés andando ou correndo no chão de mármore, baques surdos ecoavam nas paredes, como se corpos estivessem sendo jogados. Sebastian parou as carícias e se ergueu, atento.
—Venha, Sebastian — murmurei manhoso, puxando ele de volta. Mas Sebastian estava realmente em alerta e quando olhou para mim, vi o quão séria era a situação. Ele realmente estava sério e preocupado.
—Fique aqui, bocchan. Tenho uma conta para acertar.
Sebastian se afastou, ajeitando a roupa e saiu pela porta me deixando naquele estado. Fiquei muito irritado e me levantei, ajeitando o vestido e a peruca que estava torta.
Fiquei lá, aguardando, mas o barulho não diminuía, os gritos e choros eram cada vez mais alto e eu resolvi algo arriscado: iria procurar o Sebastian.
Abri a porta e coloquei a cabeça pra fora, o que eu vi nem daria para ser descrito em palavras, só sei que envolvia sexo grupal, estupro, violência e loucura.
Me esgueirei encostado na parede e tossi com aquele cheiro doce que ainda dominava tudo. Coloquei a mão na boca, tentando abafar o ruído embora duvidasse que naquela balbúrdia alguém fosse me ouvir, eles estavam entretidos demais com o que faziam.
Andei pé ante pé, sempre beirando a parede, diminuindo as chances de alguém me abordar pelas costas, olhava para todos os lados, procurando o Sebastian. Tossi novamente, chiando, lutando para puxar o ar, a excitação havia ido embora e agora era apenas a agonia de conseguir respirar, precisava urgentemente sair daqui.
Olhei pra trás, procurando a figura alta e em negro, me pareceu vê-lo mas era apenas uma sombra, avancei mais pra frente ainda olhando para o lado quando me surpreendi ao bater em alguém, tomei um susto e pulei para trás mas o homem me segurou pelo pulso. O encarei, puxando meu pulso, o qual ele não soltou: era o convidado misterioso do visconde, sabia que ele era um demônio e gelei, puxando mais meu corpo para trás, tentando me livrar.
— Me solta agora!! — exclamei e ele riu.
Arregalei meus olhos, eu já ouvido aquela risada, o cheiro doce aumento ainda mais, me sufocando e eu senti queimar, não se desejo ou algo assim, mas como se fosse uma febre interna que queimava meus pulmões e veias.
—Consegue me reconhecer agora, Ciel? Sabia que não me esqueceria — falou malicioso, puxando o capuz para trás.
Um tremor de pavor percorreu meu corpo ao ver o demônio, os olhos com aquele aro violeta em volta da pupila para depois se fundir ao negro profundo da íris, os longos cabelos lisos e violeta. Sorriu ante o meu desespero, mostrando as presas e dentes pontiagudos, quase senti a dor das mordidas que ele havia me dado no passado.
—Dimitri…. — falei o nome dele sem acreditar e ele sorriu ainda mais, soprando o poder dele em mim.
—SEBASTIAANNNN !!! — gritei, lutando contra a lufada de névoa negra e violeta que me envolvia.
—Não vai chamar ele não. Sabia que uma hora ou outra nós nos encontraríamos de novo — ele me agarrou e me puxou para ele como se eu fosse um boneco, mesmo que eu estivesse bem, o que não era a realidade já que eu não conseguia nem respirar direito, eu não conseguiria ter forças para impedir — Você continua tão delicioso quanto daquela vez? — perguntou ao passar a mão no meu traseiro.
O empurrei e esmurrei o peito dele.
—SEBASTIAAANNNN!!! -gritei mais um vez, ou pensei que havia gritado porque percebi que não havia mais fôlego e tudo não passou de um sussurro.
—Meu menino… — Dimitri murmurou e soprou no meu rosto e então eu perdi a consciência.
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