Desejos libertos
30 A entrega
Notas iniciais
Ele passou os dedos nas mechas do meu cabelo e eu não me contive mais. O agarrei, abraçando forte e o beijando. O bocchan enrolou os braços no meu pescoço e se derreteu na minha boca, intensifiquei o beijo até que ele estivesse profundo e erótico. Passei minhas mãos pelo seu tórax, apertando-o e ele começou a acariciar minhas costas, passando os dedos por toda a extensão. Seus toques eram inocentes e vacilantes, como se não tivesse muita certeza do que devesse fazer, e isso estava me deixando louco.
Beijei seu queixo e me encaminhei para o pescoço fino e delicado. Ele estremecia a cada beijo depositado. Virei seu rosto para o lado, devagar, para que me desse mais espaço para as carícias. Dei leves lambidas alternadas por pequenas mordidas, deixando a pele clara com rastros vermelhos.
_Aaahaa — o bocchan suspirava e gemia baixo.
Mordisquei a sua orelha e ele se arrepiou por inteiro.
Lentamente eu comecei a desbotoar sua roupa e a abri expondo seu peito pálido, ele tentou puxar a camisa e se cobrir mas eu segurei seus braços, mantendo-os na lateral do corpo. Segui beijando seu pescoço ao mesmo tempo que minhas mãos passeavam pelo seu tórax. Beijei seu estômago e seu abdome. Agora ele arfava e começava a se contorcer. Olhei-o, ele estava muito excitante com aquele rosto corado e os olhos semi-abertos e lacrimosos. Voltei a subir lambendo a pele arrepiada.
_Sebastian — gemeu e se contorceu. Me puxou para cima e voltei a beijá-lo. Agora ele parecia mais atrevido. Introduziu a língua na minha boca e eu a suguei segurando sua nuca.
Seu beijo era lento e eu percebia que ele tentava vencer a vergonha e me dar um beijo de língua como eu tinha feito com ele. O abracei mais forte e me deitei sobre o seu corpo. Ele era muito menor do que eu e isso o tornava delicioso; eu estava me segurando para não erguer as pernas dele e o penetrar de uma vez. Meu membro latejava e eu sentia o pré-gozo molhar a minha roupa.
Ele ondulou o corpo no meu e eu deslizei um braço para segurá-lo pela cintura. Meus dedos escorregaram para dentro da sua roupa íntima e ele deu um pequeno grito quando sentiu meus dedos nas suas nádegas. As apalpei e apertei, queria introduzir um dedo e iniciar logo a preparação mas o bocchan estava ainda muito travado então deslizei a mão para a frente e segurei o seu membro. Comecei a movê-lo, o manipulando ritmicamente até que estivesse completamente duro e ele ofegante
Me afastei um pouco. Apenas o espaço suficiente para que eu pudesse me despir.
Comecei a desabotoar a minha camisa e assim que eu a tirei percebi que o bocchan fechou os olhos, muito vermelho e cobrindo o rosto com as mãos.
“Tem coragem de se entregar mas não tem coragem de me ver nu” — ri internamente.
Peguei a sua mão direita e a deslizei sobre o meu peito.
_Sebastian!!! — me repreendeu, envergonhado e tentou puxar a mão.
_Me toque, bocchan. Eu gosto disso! — eu tinha noção que minha voz tinha baixado de tom e agora estava mais grave.
Ele abriu os olhos lentamente e deslizou os dedos, dessa vez, por vontade própria. Fechei meus olhos, me deliciando com aquele toque vacilante e inocente. Me lembrei da nossa primeira vez, ele também estava nervoso naquela ocasião mas não tanto quanto hoje.
_Isso! — o incentivei enquanto tirava o cinto e abria a calça. Empurrei a peça para baixo e me livrei dela rápido. Ele ainda acariciou meu baixo ventre mas depois deixou a mão cair no colchão.
Então o toquei sobre a roupa íntima, apertando o seu membro sobre o tecido. Ele cobriu a boca com mão e voltou a gemer. Me abaixei e lambi seu pênis sobre a roupa.
_AAAHHHH — gemeu alto e tentou esconder o rosto com as mãos mas eu não deixei.
Voltei a lamber e a mordiscar o tecido então puxei a peça para baixo, expondo o membro latejante e duro do bocchan. Eu já não estava muito no controle então logo eu o abocanhei fazendo ele gritar em surpresa, suguei toda a extensão e o Jovem amo jogou o quadril para cima, não querendo perder o contato. Voltei a descer a cabeça o engolindo novamente e fazendo ele gemer alto.
Após alguns minutos o chupando, comecei a beijar seu baixo ventre, mordisquei seu umbigo e fui subindo, trilhando seu corpo com beijos e lambidas. Ele tentava controlar os gemidos mas não conseguia. Beijei sua boca novamente, um beijo longo e profundo, então resolvi brincar com seus mamilos.
Eu queria cobrir todo o seu corpo com meus beijos e com minhas carícias. Escorreguei minhas mãos pelo seu peito até chegar aos mamilos então os belisquei de leve mas foi o suficiente para ele parar o beijo e gemer alto, mordendo o lábio inferior.
_N-não faça isso, Sebastian — sussurrou.
_Não é gostoso? — perguntei sussurrando também, perto do seu ouvido e enviando uma nova onda de arrepios pelo seu corpo.
_S-sim, m-mas faz eu me sentir quente.
Sorri. Senti meus dentes crescerem um pouco, ficando mais pontiagudos.
_E isso não é bom? — beijei seu pescoço e apertei novamente os mamilos, os dois juntos de uma vez.
_Aahhhhhaha — ele jogou a cabeça para trás, expondo a garganta. Ataquei-a, mordiscando, as pontas agudas dos meus dentes arranharam a pele.
_Sebastian.
Eu estava explodindo. Precisava daquele garoto.
Continuei mordendo e beijando seu pescoço e ombros, desci pelo peito e tomei seu mamilo esquerdo entre os lábios, suguei e senti seu corpo estremecer, ele passou de leve as unhas nas minhas costas e aquilo foi muito gostoso, meu membro pulsou em resposta e eu continuei a prová-lo. Cada vez mais ele me abraçava forte e enterrava mais as unhas nas minhas costas.
Depois de alguns minutos eu me afastei e olhei feliz para o resultado: seus mamilos estavam vermelhos e inchados e muito, muito sensíveis. Passei as costas dos dedos nos botõezinhos, aproveitando que essa parte da mão não é tão suave como a palma e consegui obter o que queria.
_NNNgghhhh — o gemido foi contido pela sua mão que cobria a boca, os olhos estavam semi-abertos e o bocchan estava a tentação em pessoa.
Contive a minha transformação.
Continuei torturando a pele delicada dos seus mamilos, fazendo-o gemer muito.
Beijei o estômago e o ventre. Dei uma única chupada no seu pênis, longa e forte e segurei suas coxas, erguendo-as um pouco.
_Tenho que te preparar, bocchan — avisei para o garoto trêmulo e corado que eu tinha nas mãos. Ele apenas assentiu e eu ergui mais as coxas, levando-as em direção ao peito e tirando seu quadril do colchão.
Eu agora o tinha totalmente exposto à minha frente e salivei com gula quando vi a sua entrada. Era pequena e rosada, ele todo era rosado nessa região. Delicioso.
Lambi o local e ele pulou, sorri com a reação obtida e dei outra lambida mais demorada, passando lentamente a ponta da língua na entrada em movimentos circulares.
_Se-Sebastiaannn, ahhhaaaaaaaa — seu gemido foi longo e terminou num soluço. Olhei para ele e o vi completamente entregue, as mãozinhas apertavam com força as pontas do travesseiro que tinha sob a cabeça e um fiozinho de saliva começava a escorrer da boca.
Dei outro ímpeto à carícia, mordendo as nádegas e beijando o local, forçando um pouco a entrada com a língua. Eu percebia que suas pernas tremiam mais quando eu sugava e foi o que eu fiz repetidas vezes. Fazendo-o gemer cada vez mais alto.
_Eu já não posso mais, Sebastian. É demais para mim — choramingou puxando o ar.
Afastei meu rosto e introduzi o primeiro dedo. Ele remexeu o quadril, tentando se afastar do invasor mas eu o tinha bem seguro pelas pernas. Empurrei o primeiro dígito até a segunda articulação e tirei um pouco, deixando apenas a pontinha do dedo lá e voltei a empurrar. Fiz isso por três vezes e quando percebi que ele tinha relaxado um pouco empurrei todo o dedo, logo juntando o segundo.
_Haaaa nggghnn — Bocchan gemeu, reclamando um pouco, puxei seu pênis para trás e comecei a sugá-lo quando inseri o terceiro e os movi no seu interior, alargando-o o suficiente para que eu pudesse entrar.
Eu mesmo já não aguentava mais. Meu membro estava muito duro e doía.
Retirei os dedos e abaixei suas pernas — uma de cada lado do meu corpo — e me posicionei, segurando a base do meu pênis e encostando a ponta na sua entrada. Ele contraiu a musculatura, tenso. Deixei meu corpo cair sobre o corpo do meu pequeno conde e apoiei o peso no meu antebraço direito que estava apoiado ao lado da sua cabeça. O beijei para distraí-lo e forcei a sua entrada.
_HHuunnnnngggn. Dói, Sebastian — gemeu quando a glande entrou. Ele apertava minhas costas com força e acredito que as unhas tinham rasgado minha pele pois senti algo líquido e quente escorrer.
_Dói porque você está tenso bocchan, tente relaxar — dei vários selinhos na sua boca — Seu corpo já conhece o meu, é só relaxar.
Beijei-o com paixão e comecei a masturbá-lo, tentando fazê-lo esquecer-se da dor. Ele sempre foi apertado e agora, que estava todo contraído, era quase um suplício tentar penetrá-lo de tão apertado que estava e eu tive que me controlar porque a minha vontade era dar uma estocada violenta e me enterrar de uma vez nele.
Mas não foi isso que eu fiz. Fui com calma, entrando aos poucos e dando tempo para que ele se acostumasse com cada centímetro meu.
Depois do que me pareceu uma eternidade, eu finalmente tinha conseguido colocar tudo. Sequei algumas lágrimas que escorriam pela face do bocchan, seu rosto estava um pouco contraído no que eu imaginei que fosse dor. Mas isso ia passar logo, eu só tinha que encontrar o ponto certo.
Tirei até a metade e voltei a entrar arrancando um gemido alto do bocchan. Comecei a estocar e aos poucos ele foi relaxando, sua expressão já não era de dor mas também não era do prazer que eu sabia que conseguia dar à ele. Mudei a direção dos movimentos do meu quadril.
_HHHHHAAAAA SEBASTIANNNN — gritou quando eu acertei o seu ponto, mordeu o lábio inferior tentando contei um novo grito quando eu o acertei novamente, seguidas vezes.
Eu também gemia e minha respiração estava curta e apressada.
Então o bocchan enroscou as pernas em volta do meu quadril e moveu o próprio de encontro ao meu, tentando intensificar o contato.
_Você faz eu me sentir quente. É tão bom! — gemeu com voz entrecortada.
Foi nesse momento que eu me perdi.
Tive a impressão que eu soltei um som que não sei se foi um grunhido ou um rosnado, não tenho certeza. Minha única certeza foi que eu segurei suas coxas com força, enterrando meus dedos na carne macia e comecei à estocar com força nele, fazendo seu corpo estremecer e balançar com a força e velocidade aplicadas. Escorreguei minhas mãos até a sua cintura firmando-o no lugar e continuei bombando violentamente.
Ele gemia, quase gritando, arranhando meus braços e se segurando com força nos meus punhos.
Eu estava no meu limite, mas estava me segurando para não gozar antes dele. Mirei as estocadas sempre no mesmo ponto, vendo-o se contorcer de prazer debaixo de mim, até que o líquido esbranquiçado escorreu do seu pênis, levei minha mão até o local e o masturbei brevemente, pegando ainda o finalzinho dos últimos jatos, lambuzei meus dedos e os levei à boca saboreando o gosto do meu bocchan. Ele tem um gosto ótimo, é doce e suave. Deixei um resquício do seu sêmen na minha língua e o beijei, obrigando-o a sentir o próprio gosto.
Foi desse jeito que eu me permiti atingir o meu limite, segurando firmemente a sua cintura, beijando a sua boca e o estocando violentamente.
Ainda permaneci dentro dele até as nossas respirações se normalizarem um pouco, então me retirei lentamente e me deitei ao seu lado. O puxei para mim e ele veio dócil.
Estava lânguido por causa do orgasmo recente e um pouco sonolento. Abriu um pouco os olhos e sorrimos um para o outro.
_Você é ótimo, Sebastian. Vamos fazer outras vezes — falou sorrindo e caiu no sono quase imediatamente.
Arqueei minhas sobrancelhas, o bocchan normalmente é tão pão-duro com elogios que ouvi-lo dizer dois quase em seguida é praticamente um evento.
O apertei mais nos meus braços e ele se aconchegou à mim. E se não estivesse adormecido eu iria tomá-lo novamente.
Assoprei as velas que iluminavam o quarto e ele mergulhou numa escuridão relaxante, agora o único som audível era a respiração do bocchan que ressonava baixinho.
Fechei meus olhos, tentando descansar um pouco e acabei adormecendo como antigamente, abraçado ao bocchan.
*****
O Jovem amo dormiu o resto da noite sem acordar nenhuma vez e de madrugada eu achei melhor ir para o sofá. A noite tinha sido ótima mas eu não tinha certeza do que ele pensaria quando acordasse no dia seguinte.
Assim que amanheceu eu desci para começar a preparar o desjejum do bocchan — iria fazer um bolo de chocolate com direito a raspas e chocolate e cerejas marraschino.
Quando subi novamente ele ainda estava dormindo, encostei a porta do quarto e puxei as cortinas para deixar a luz matinal entrar.
_Jovem amo, acorde — chamei suave. Ele tem o sono leve e logo acordou.
Coçou os olhos sonolentos e bocejou duas vezes antes de se sentar na cama.
_O senhor está bem? — perguntei.
_Sim — respondeu sorrindo e estendeu os braços para mim, achei que quisesse que eu o carregasse mas assim que eu me aproximei ele me puxou e me beijou.
A primeira coisa que pensei foi que ele tinha recuperado a memória mas pelo seu olhar e o jeito que corou, percebi que ainda era o bocchan de dez anos.
O dia transcorreu relativamente bem. Ele estava bem mais agarrado à mim. Era fofo e romântico e nem um pouco parecido que o bocchan que eu estava acostumado, embora eu esteja gostando bastante dele nesse novo jeito.
“Talvez seja a minha chance de convencê-lo a vestir algumas fantasias. Primeiro de neko, depois de maid, depois de dançarina e depois…” — interrompi o pensamento quando senti o bocchan sentando timidamente no meu colo. Ele tinha largado o texto que estava lendo na sua mesa e veio até mim que estava numa outra poltrona. Sentou-se sobre as minhas coxas e cruzou as pernas.
_Acho que está na hora de um intervalo, não acha Sebastian? — ele passou os braços pelos meus ombros. Larguei o livro que eu estava lendo e abracei sua cintura.
_Quer um lanche? — perguntei, ainda não estava na hora do chá mas talvez ele quisesse um outro pedaço do bolo do café da manhã.
_Não — respondeu e olhou para baixo.
_O que foi?
Ele ergueu o olhar e segurou o meu rosto.
_Quero que me beije — pediu mas não deu tempo que eu o beijasse. Foi mais rápido e colou seus lábios nos meus.
Nos beijamos longamente, sem pressa alguma. Bocchan acariciava minha nuca, enrolando os dedos no meu cabelo e os puxando suavemente quando o beijo começava a ficar mais exigente. Minhas mãos passeavam pelas suas costas e coxas.
Com o passar do tempo o beijo se aprofundou e minhas mãos ficaram mais afoitas mas o bocchan as segurou antes que eu a pressionasse sobre o seu membro.
_Ainda não, Sebastian. Ainda não estou pronto — sussurrou como se fosse uma desculpa.
“Talvez ele ainda esteja dolorido” — pensei, diminuindo a intensidade dos beijos até que fossem apenas selinhos.
Naquela noite não aconteceu nada, por mais que eu quisesse. Mas ele me pediu que o abraçasse até que dormisse.
****
Dois dias se passaram desde que nós fizemos amor.
Era uma manhã agradável, bocchan ainda estava dormindo e eu estava na cozinha, correndo para terminar de rechear com creme de chocolate os profiteroles que eu tinha feito mais cedo — a segunda fornada porque a primeira o Bard conseguiu queimar até todos os bolinhos terem se tornado carvõezinhos redondos.
A primeira coisa que ouvi foi um grito alto, larguei a manga de confeiteiro que estava usando para rechear os bolinhos. Seguiu-se outro grito.
Era o bocchan com certeza. Saí correndo da cozinha e subi as escadas.
_AAAAAAAAAAAAAA — um novo grito desesperado — ALGUÉM, ALGUÉM ME AJUDE!!!!
Num segundo eu estava na porta do seu quarto, ainda ouvi ele gritar.
_POR FAVOR… ALGUÉM… QUALQUER UM!!! MALDITOS, VOCÊS SE ARREPENDERÃO!!!!
O desespero estava patente na sua voz. Abri o quarto e entrei de uma vez, esperando encontrar alguém lá — um bandido ou um dos seus inimigos.
O quarto estava escuro com as cortinas ainda puxadas e vazio. Não havia ninguém estranho lá. Meus olhos se deslocaram rapidamente para a cama.
Bocchan estava ajoelhado na cama, uma mão apoiada no colchão e a outra estendida à sua frente como se pedisse ajuda. Seus olhos estavam muito abertos, arregalados de pavor e espanto e totalmente vidrados.
_PARE ! PARE, POR FAVOR! ALGUÉM ME AJUDE!!!!
Fui até a cama, ele não parecia ter me visto, como se estivesse preso num pesadelo. Me lembrei imediatamente daquelas palavras e daquele tom de voz.
_Senhor Sebastian… — tomei um susto e olhei para a porta, Bard, Finny e Mei rin se aglomeravam na soleira, todos com expressões preocupadas. Finny segurava com força o braço do Bard.
Olhei para o Jovem amo, ele continuava gritando por ajuda e gemendo de dor, segurando um ferimento imaginário na barriga. Entendi o que estava acontecendo.
_Está tudo bem — falei, embora eu mesmo não tivesse muita certeza — O Jovem amo está recuperando a memória. Está sonâmbulo revivendo tudo o que havia esquecido.
_UUUAAAAHHHHHHHHHHHHH — gritou mais uma vez e deixou a cabeça cair em direção ao colchão.
_Vão. Vão embora. Eu cuido dele — expulsei os empregados do quarto e os fiz descerem para que não tivesse chance de ouvirem nada.
Fechei a porta.
_Bocchan??? — chamei uma vez sem ser atendido — Bocchan????
Ele olhou para mim, os olhos ainda fora de foco.
_Sou eu, bocchan. O Sebastian.
O Jovem amo se encolheu em terror.
_Sou o Sebastian. Você se lembra de mim? — falei com calma, estendendo a mão e tentando tocá-lo mas com receio de fazê-lo.
_Sebastian???
_Sim.
_Você vai me ajudar? — perguntou sôfrego, olhando para os lados, com medo que alguém mais nos ouvisse, tudo fruto do seu delírio.
_Vou. Sempre.
Ele me estendeu a mão e eu a segurei. Me sentei na cama e ele se aproximou de mim.
_Tem que me tirar daqui. Logo eles voltarão. Vão me matar! — seus olhos brilhavam com o terror que sentia.
_Está tudo bem. Você já está fora daquela jaula. Acalme-se.
Passei meus dedos nos seus cabelos.
_Não. Eles ainda estão aqui — insistiu.
_Não estão. Você já ordenou e eu já matei todos.
_Matou todos?
_Todos.
_Ainda bem.
O puxei mais até que estivesse no meu colo e o abracei. Ele entrou numa espécie de transe. Calado, estático mas com os olhos dançando nas órbitas, vendo um filme que só ele podia ver, revivendo a sua tragédia.
“Por que ele não podia simplesmente se lembrar? Por que tinha que ser assim?” — perguntei para o nada.
Às vezes ele se remexia e choramingava, então eu o abraçava mais apertado e murmurava palavras de conforto no seu ouvido. Algumas vezes ele apenas se calava, outras, ele murmurava o meu nome e me abraçava mais. Acho que de alguma forma ele sabia que eu estava ali, protegendo-o.
Aguardei pelo fim do seu delírio.
“Que tipo de bocchan surgirá então? Depois que tudo tiver acabado?”
“Voltará a ser como antes?”
“Será o garoto sorridente, fofo e romântico de dez anos de idade?”
“Ou será ainda uma terceira personalidade?”
Fale com o autor