Notas iniciais
Milagres acontecem: consegui escrever um capítulo em menos de uma semana! Sabe o que me motivou? Os comentários, seus lindos! Pode mandar mais, que eu amo. Esse capítulo está meio deprê. Mas faz parte da história. Agora deixa eu falar de uma coisa totalmente off-topic, mas que eu tenho que dividir com vocês. Gente, estou completamente apaixonada pela webcomic Starfighter. Alguém aí já leu? Ela é muuuuuito boa. Para quem curte yaoi, é garantido nosebleed supremo. O casal Caim e Abel é lindo e sabe do que mais? Não tem censura! Ou seja nada de risquinho, tarjinha, mosaico nem nuvenzinha. Lindo de morrer. Quem quiser, dá uma olhadinha no link: starfightercomic.com. Está em inglês mas há traduções em espanhol, só que não em todos os capítulos.

Quatro dias, quatro dias sem Sebastian voltar, quatro dias em que eu não durmo, não como, não faço nada além de ficar sentado no escritório, com a poltrona virada, observando pela janela na esperança de vê-lo. À noite tudo piora, rolo na cama até de madrugada então resolvo levantar e fico perambulando pelos corredores até o amanhecer.

Há dois dias atrás eu vistoriei o quarto dele em busca de alguma pista do seu paradeiro. Não encontrei nada. Ele não tem nenhum objeto pessoal: todas as roupas e objetos foram comprados a partir do momento em que nos conhecemos; a única coisa que encontrei e que não foi comprada foi aquela gata preta que vira e mexe ele fica fazendo firulas para ela, eu nunca havia percebido mas pelo jeito ela mora no quarto com ele, tem até uma cestinha… . Saí do quarto espirrando e coçando o nariz por causa da minha alergia.

Agora observo o céu escurecer pela noite que vem chegando, tingindo as nuvens de laranja, rosa, roxo e vermelho — vermelho da cor dos olhos de Sebastian. A saudade é tão grande que oprime o meu peito. Me levanto e sigo para o meu quarto, encontro Mei-rin no caminho mas ela apenas se afasta ficando junto à parede enquanto eu passo; o sumiço de Sebastian mudou o clima da casa por completo, paira agora um ar triste por todo o canto. Chego no meu quarto e decido tomar um banho, deixo a banheira enchendo e vou buscar minha roupa, volto e ela está cheia pela metade, desligo a água e entro — é difícil não recordar dos momentos que tivemos naquela banheira, ou na minha cama, ou no escritório… tudo lembra ele. Deixo minha cabeça cair para frente, encostando o queixo no peito, meus olhos ardem e eu deixo, pela primeira vez, minhas lágrimas caírem. E, uma vez libertas, elas caem copiosamente e incontroláveis, seguro minha cabeça entre as mãos e soluço.

“Onde está você, Sebastian?”

“Você me abandonou? Por quê?”

“Eu fiz algo de errado?”

“Enjoou de mim?”

As perguntas ficam martelando na minha cabeça e eu não tenho como respondê-las, não sei onde procurar respostas porque aquele maldito sumiu sem dar notícia. Puxo mechas laterais dos meus cabelos na tentativa de que a dor física amenize a dor interna que me dilacera.

A água já está fria quando saio da banheira, me seco e me visto. Estou até ficando bom em me vestir sozinho — dou um sorrizinho triunfante — “Está vendo como não sou um mimado?” — penso em falar isso para o mordomo e provar para ele que sou auto-suficiente mas então me conscientizo do porquê — ele não está lá. Me deito e me preparo para mais uma noite insone. Horas depois me levanto e me encaminho para o quarto dele, a cama está impecável como sempre, pego o travesseiro e o levo até o nariz: tem o cheiro de Sebastian, o abraço e levo comigo de volta para minha cama onde me deito enterrando o rosto no tecido que logo se encharca com as lágrimas que voltam a cair.

_ Venha Sebastian. Venha para mim -sussurro.



***

Acho que consegui dormir um pouco pois quando abro meus olhos já está claro lá fora, não muito, deve ser bem cedo. Me levanto e vou ao banheiro, faço meu ritual: a primeira coisa é me olhar no espelho — a marca continua na minha íris. Mas eu não sei exatamente o que isso quer dizer: ele está vivo? Está morto? O quê?

Decido que hoje eu tenho que fazer alguma coisa além de esperar ele voltar, alguém tem que saber de alguma coisa…

Embora eu odeie pedir ajuda, há ocasiões em que é necessário e essa é uma dessas ocasiões.

Me visto e desço.

_ Venha tomar seu café da manhã, Jovem amo — Tanaka me aguardava no fim das escadas, passei direto por ele, dei a minha resposta padrão:

_Estou sem fome. Vou sair, não me espere para o almoço — comuniquei.

Ele segurou meu braço.

_ O senhor não pode ficar sem comer para sempre. Quer morrer?

Olhei para ele e vi a preocupação que ele estava comigo, mas eu não podia fazer nada: a comida não descia, nem doces me apeteciam mais. O resultado já podia ser visto: minhas roupas estavam cada vez mais largas.

_ Não se preocupe. Estou bem.

Não dei tempo para ele responder.

_ Chame uma carruagem fechada.

Ele fez uma mesura.

_ Imediatamente, Bocchan — se virou nos calcanhares e estava quase saindo quando o chamei:

_ Tanaka.

Ele olhou para mim com olhos bondosos.

_ Nunca mais me chame assim.

Seus olhos se apagaram, ficando sérios.

_ Como quiser. Perdão.

Assenti com a cabeça. Ele saiu pata chamar o transporte.

****

A carruagem parou em frente ao prédio de aparência simples. Estava no bairro chinês de Londres e assim que paramos, dois guarda-costas se aproximaram da carruagem, afastei a cortina para que pudessem me ver.

_ Diga à ele que eu quero vê-lo — falei .

Um entrou no prédio enquanto o outro continuou de guarda. Minutos depois ele voltou e abriu a porta da carruagem para que eu descesse, me escoltou até a porta do escritório luxuosamente mobiliado, meu nariz coçou com o cheiro da fumaça que saía da piteira do chinês sentado no sofá com sua "irmanzinha" enroscada no colo.

_ Oooohhh, que bons ventos trazem o Conde Phantomhive à este humilde escritório?

Dei alguns passos para dentro da sala e o guarda-costas fechou a porta nas minhas costas. Lau ergueu as sobrancelhas.

_ Está sozinho, conde? Onde está o seu mordomo?

Meus olhos se demoraram fechados uns segundos a mais na piscada.

_É por isso que estou aqui. Sebastian sumiu.

A boca dele se abriu em espanto.

_ Mas que desastre. O que aconteceu?

_Não sei.

_Vai ver ele fugiu. Você é um patrão muito mandão.

Ele balançou a cabeça afirmativamente acompanhado da LanMao fazendo o mesmo movimento.

_ Não é nada disso — argumentei.

_ Vai ver ele se apaixonou por alguma mulher e foi viver sua paixão.

_ ELE NÃO SE APAIXONOU POR MULHER NENHUMA — minha voz saiu mais alto do que eu queria.

_Ora como o senhor sabe?

_Não sei — tentei disfarçar a irritação.

_ Ele pode estar morto.

Cambaleei quase caindo.

_ Morto??? — a ideia havia me passado muito rapidamente pela cabeça nos primeiros dias mas eu havia descartado simplesmente por ser demais, mas agora, ela sendo dita por outra pessoa, parecia algo muito provável.

Num instante Lao estava do meu lado, me segurando e me pondo sentado numa poltrona Luiz XV.

_ Oh, vejo que o senhor é muito apegado ao seu criado não é? — ele massageava meus ombros, eu não estava gostando do contato mas meu estômago estava embrulhado e eu lutava contra o enjôo — Pobrezinho, abandonado pelo seu fiel companheiro. ..

_Você não está ajudando — consegui balbuciar.

Mas ele continuou. A LanMao se aproximou e colocou as mãos nos meus joelhos massageando-os também porém logo começou a subir as mãos pelas minhas coxas.

_ Eu sei o que é isso. Ficaria desse jeito se perdesse minha querida irmanzinha. Não é LanMao?

Eles se inclinaram um para o outro sobre a minha cabeça, as mãos da mulher estavam perigosamente perto da onde não deveriam estar.

_ Chega!!!

Consegui me recuperar e pulei da cadeira e me afastando dos dois que já estavam abraçados, a LanMao ajoelhada no assento e tendo apenas o encosto da cadeira os separando.

_ Vocês poderiam se controlar um pouco, pelo menos enquanto eu estou aqui — ajeitei meu cabelo e minha cartola.

_ Muito bem. O que você deseja, conde? — perguntou o chinês, voltando a sentar-se no sofá.

Meu semblante estava sério quando falei:

_ Quero saber se você sabe de alguma coisa sobre o paradeiro do Sebastian. Ouviu alguma coisa? Por acaso o viu? — tentei disfarçar a voz para que ele não percebesse o quão ansioso eu estava por informações.

O homem tragou a piteira, expandindo os pulmões com a fumaça, depois a soltou pela boca. LanMao estava sentada no seu colo novamente.

_ Infelizmente não sei de nada. A última vez que o vi, ele estava com o senhor.

Ele se aproximou novamente de mim.

_Mas por que tanto interesse num criado fujão? Contrate outro mordomo.

Fechei meus olhos. Jamais poderia dizer o porquê do meu interesse nele, porém não consegui disfarçar o rubor que tomou conta do meu rosto. O mafioso deu um risinho.

_ Entendo... Por que não contrata um detetive?

Fechei a cara.

_ Você não entende nada — bati com a bengala no chão para reforçar as minhas palavras — Se souber alguma informação sobre ele me avise imediatamente.

Me virei para a porta e saí à tempo de ouvi-lo dizer para sua acompanhante.

_ Lamentável ver um coração partido. Você viu como o conde está arrasado, LanMao?

Saí batendo os pés com força no piso de mármore, entrei na carruagem e fechei a porta. O condutor virou para trás, me olhando pela janelinha, esperava que eu dissesse o nosso destino.

_Siga para qualquer lugar.

A carruagem se pôs em movimento.

“Morto? Morto? Morto? Seria possível Sebastian estar morto?”

“Quem teria força o bastante para matar o demônio?”

Meus olhos se arregalaram enquanto o pensamento tomava forma: “Um shinigami? Ele teria sido atingido por uma foice da morte? Será que foi aquele depravado ruivo? Ou o chato do Will?” — balancei a cabeça negando a possibilidade, Sebastian não pode morrer, não se eu não ordenar, meus olhos ardiam novamente mas eu engoli o choro.

Bati com a bengala na janelinha e o condutor se inclinou para me ouvir, passei o endereço para ele.

Eu queria à todo custo evitar pedir ajuda àquela criatura, ele não ia me dar nenhuma informação de graça e o pior de tudo: eu seria obrigado a fazer aquilo. Era tão constrangedor e desagradável mas eu teria que me sujeitar a isso: faria Undertaker dar sua melhor risada.



****

Bati à porta da funerária e ela entreabriu sozinha, entrei vacilante — vai saber o que pularia sobre mim? Várias vezes eu encontrei Undertaker dentro dos caixões, ou então encolhido nos cantos mais escuros da loja.

_Hihihihi — dois olhos verde brilhantes surgiram na escuridão por trás de um tecido negro que pendia do teto — Bem-vindo conde. Veio comprar um caixão?

Eu pulei para o lado, já esperava ele surgir de algum lugar mas não pude evitar o susto.

_Não vim comprar nada. Quero uma informação.

Undertaker se inclinou sobre um dos seus caixões, um todo preto envernizado.

_Huuuuuummmm — ele passou a longa unha do indicador nos lábios — Sobre o quê?

_Sebastian sumiu. Preciso saber qualquer informação sobre o seu paradeiro.

_Hihihihihihihi. Sumiu foi? — ele sentou-se sobre o caixão, cruzou as pernas e jogou o corpo para o lado, apoiando o peso sobre o braço direito.

_Você sabe alguma coisa??? — meu coração começou a bater rápido no meu peito.

Me joguei para a frente na ânsia por alguma informação palpável, quase chacoalhei Undertaker pelos ombros mas me refreei no último momento.

_Me diga — minha voz saiu mais fina do que eu queria.

_Conde, conde, conde — ele ergueu a mão e a balançou de um lado para o outro porém eu não a vi, estava escondida na longa e vasta manga do seu manto — isso é uma ótima oportunidade, não vê?

_O quê? — franzi o cenho.

Ele pulou do caixão, vindo em minha direção, dei um passo para trás mantendo a distância.

_Conde, quantas vezes eu tenho que alertá-lo sobre cuidar melhor da sua alma? — ele se pôs nas minhas costas e se inclinou até o meu ombro, os lábios próximos ao meu ouvido esquerdo — Aproveite a distância do demônio e siga sua vida, quem sabe ele some de vez?

Antes que eu percebesse, o agente funerário puxou a fita que prendia o meu tapa-olho, cobri a órbita com a mão rapidamente, mas ele conseguiu ver o brilho da marca.

_Ah, ela continua aí — falou desapontado — Ele continua vivo.

_A minha alma é problema meu — respondi, aliviado pela valiosa informação gratuita “Ele está vivo” — Assim como o destino do meu mordomo. Se você sabe de alguma coisa, me fale agora.

Ele voltou para o caixão, onde se deitou sobre a tampa, deixou a cabeça cair sobre a borda, de modo que ela ficou dependurada de ponta cabeça.

_Eu sei de algo. Mas você já sabe o meu preço — ele sorriu.

Fechei os olhos e respirei fundo, me preparando para o que eu ia enfrentar.

“Pelo Sebastian” — pensei. Tirei meu casaco.

_Sim, eu sei. Vamos logo com isso.



****

Durante a volta para casa eu processei as informações duramente obtidas do Undertaker.

Flashback on

Undertaker continuava deitado, agora de lado, uma perna flexionada assim como o braço que sustentava a cabeça. Eu tentava me recompor.

_ Há alguns dias houve a presença de um outro demônio na cidade.

_Um outro demônio?

_Foi breve. Todos os shinigamis do departamento foram mobilizados. Não era um demônio comum. Assim como Sebastian, ele é muito forte, mas ao contrário dele, este é livre.

Eu sabia o que isso significava: demônios que não vivem à base de contratos para obter as almas, apenas vão capturando aleatoriamente e são o terror dos shinigamis.

_E qual é a ligação dele com Sebastian? — sentei-me sobre um caixão de frente ao meu interlocutor.

_Nenhuma até onde se saiba. Mas demônios não costumam entrar nos territórios um do outro. Como Sebastian estava aqui, pelas leis que os regem, ele seria o dono da área, mesmo sabendo-se que ele não vive assim. Então talvez haja alguma ligação.

“Será?”

_Onde está esse demônio? — perguntei.

_Sumiu. Há cinco dias e antes que qualquer shinigami o interceptasse.

Flashback off.

Estava muito desanimado. “O que fazer agora?”

“Onde procurar o meu Sebastian?”

Notas finais
Será que Ciel conseguirá encontrar o seu Sebastian? Me digam o que acharam. Beijos.