Desejos Vitais - Amor e Morte...
6 Decisões
Notas iniciais
Mais um capítulo dessa história. Bem, esse será focado mais em algumas decisões dos personagens e vamos logo resolver o primeiro triângulo amoroso, não é? O outro fica para o próximo.
Desculpem-me a demora, desculpem-me os erros que encontrarem pelo texto e divirtam-se, espero! (Risos).
Boa letura a todos.
Decisões
Capítulo 5
Depois que o advogado saiu, Shaka resolveu arrumar suas coisas numa mala. Ikki não conseguiria dissuadi-lo em sua decisão, e quando ele tomava uma decisão, não voltava a trás nem se Buda pedisse.
Estava dobrando suas roupas, quando ouviu a campainha. Franziu as sobrancelhas, curioso, e caminhou até a porta para abri-la, se surpreendendo ao encontrar Aiolia.
O grego tirou os óculos escuros que usava, e sorriu para ele.
- Oi, Shaka, posso entrar? – Falou com cordialidade.
O loiro afundou os dedos na nuca, gesto que sempre fazia quando ficava nervoso ou confuso.
- Ah, claro. A casa não é minha, mas acho que não há problema. – Respondeu, dando passagem ao outro médico – O que faz aqui?
Aiolia abriu os braços e riu.
- Somos amigos, doutor Phalke, e me preocupo com você, esqueceu? – Volveu se sentando no sofá. Shaka fez o mesmo, ficando à sua frente.
- Aiolia, sei que não viria aqui apenas pra me ver, mesmo por que...
- Calma, Shaka – cortou o grego -, por Zeus, deixe à defensiva. Você não está mais naquele inferno, esqueceu?
O loiro suspirou longamente.
- Você tem razão. Desculpe-me.
- Não há problema. Mesmo porque, você não está totalmente errado; minha visita tem um propósito nada ortodoxo, se é que posso dizer assim.
A curiosidade brilhou nos olhos do indiano.
- O que quer dizer?
- O hospital Ross o quer de volta. – Declarou o outro médico – O querem como chefe da pediatria. O que você me diz?
- Por que isso?
- Sei que você deve estar pensando que é uma forma de evitar um processo por demiti-lo, mas...
- Não, Aiolia, não é o que estou pensando. – Cortou Shaka – Meu contrato de trabalho dizia que o hospital teria o direito de me demitir se algo em minha conduta médica ou pessoal entrasse em choque com os valores da instituição. O que não entendo é o porquê de me chamar de volta e ainda me dar um cargo como esse...
- Você conhece o doutor Vaskália, o novo diretor?
- Tivemos pouco contado. – Respondeu Shaka – Nunca me interessei pelas reuniões sociais do hospital e só nos vimos algumas vezes em reuniões profissionais, mas o que isso tem a ver com ele?
- Ele acha que será bom para a imagem do hospital, tê-lo de volta. Afinal, certamente, sua inocência será provada. Parece que seu advogado, além de generoso, é muito competente.
Shaka corou com a observação de Aiolia, que possuía certa ironia, mas resolveu não responder, ou melhor, não poderia responder o que queria.
- E então, o que me diz? Preciso levar uma resposta ao Saga. – Insistiu Aiolia.
- Eu aceito em parte. – Respondeu o loiro analisando tudo muito rapidamente – Aceito voltar, mas somente como pediatra. Não quero nenhum cargo além de médico.
Aiolia sorriu.
- Tudo bem, acredito que ele vá aceitar. O importante é tê-lo de volta, e não só pela imagem do hospital; você é um ótimo médico, meu amigo. – Falou o grego se erguendo.
Shaka também se levantou.
- Obrigado, Aiolia.
O rapaz colocou a mão em seu ombro, num gesto de carinho.
- Você sabe que pode contar comigo sempre. – Disse. Shaka sorriu meio constrangido e assentiu com a cabeça.
Ambos caminharam para a porta.
- Como vai a Marin? – Perguntou o loiro casualmente.
- Louca para lhe fazer uma visita, mas esteve todos esses dias muito ocupada como chefe da enfermaria. – Informou o grego descontraído – E então, será que você poderia se apresentar amanhã?
- Claro que sim. Minha agenda não anda muito cheia! – Riu da própria tragédia.
Aiolia assentiu, entrando no carro.
- Bom vê-lo bem! – Disse, recolocando os óculos escuros.
Shaka apenas maneou a cabeça, e ele partiu.
Enquanto via o carro serpentear pela estrada, um pensamento passou pela cabeça do pediatra:
“Como será que ele me encontrou?”
------ Amores vitais -----
Já passava das dez quando Ikki chegou ao escritório. Antes passara no prédio da corregedoria para saber como estava a apuração do atentado contra o médico. Shiryu lhe dissera algo não muito convincente, já que não poderia divulgar informações, mas lhe informara que Shun estava cuidando daquele caso. Pensou em passar no apartamento do irmão, mas desistiu, ao se lembrar que teria uma reunião com o juiz e o promotor do caso às 14 horas.
“Prepare-se para se estressar, Ikki Amamiya...” Pensou com amargura, enquanto entrava no elevador. Além de tudo, ainda estava amargurado com a idéia brilhante de Shaka de ir para um hotel. O que aquela anta budista estava pensando? – resmungava – Será que era tão evidente seu interesse por ele? Ou aquilo se dava a reciprocidade dos seus sentimentos? De qualquer forma, aquela relação era algo que nunca aconteceria. Estava muito bem ao lado de Hyoga, era uma relação que conseguia manter sob controle, mesmo com os ataques emocionais do russo. Shaka não, o médico não era alguém que conseguiria controlar, além do mais, não achava que o loiro fosse capaz de se envolver com ele, por mais atraído que estive.
Aquilo deveria ser mesmo terrível para o médico. Ele havia acabado de perder alguém que amava. Ver-se apaixonado por...
Espera, Ikki, o que você está pensando? Quem falou em paixão? Shaka não parece ser uma pessoa capaz de se apaixonar ou perder a cabeça. Todos seus gestos são calmos e medidos; ele parece incapaz de se desesperar...Não! Se bem que na noite anterior...
Em meios a suas divagações, o elevador parou e ele obrigou-se a sair, já arrancando o terno e jogando sobre a cadeira assim que entrou na sala.
- Bom dia, Hyoga. – Disse de forma indiferente. Ah, sim, para completar seu dia perfeito, ainda havia Hyoga! Seu amigo, seu amante, a pessoa com quem se comportava como um bom filho da puta. Ele não tinha o direito de se interessar por Shaka depois de todos os avisos que o namorado lhe dera, aquilo era mais que traição!
O russo ergueu os olhos para ele, e Ikki pode perceber suas olheiras. Encarou-o nos olhos.
- O que aconteceu, pato? – Perguntou cruzando os braços.
Hyoga suspirou.
- Não aconteceu nada, Ikki. Tive insônia.
- Não pense que pode me enganar. – O moreno se aproximou e afagou os cabelos macios do loiro – Sinto que você está tenso, e só pode ser por causa de uma coisa, o Shaka.
- Você me disse que não havia nada entre vocês. – Tornou Hyoga desconfortável – Mas, sinto muito, Ikki, ter outra pessoa sob seu mesmo teto é demais pra mim, acho que devemos...
- Pato, me escuta... – Ikki ergueu-lhe o queixo, mirando as safiras magoadas que eram seus olhos.
- Escutar o quê, Ikki? Está muito claro que... que ele o atrai...
- E qual o problema nisso? – Desesperou-se o mais velho – Você nunca se sentiu atraído por outra pessoa?
- Se está voltando a insinuar que eu e o Shun...
- Calma, Pato, eu não toquei no nome do Shun. – Revidou o mais velho – Mas acho que você novamente caiu na própria armadilha.
Hyoga engoliu em seco.
- Você é um advogado brilhante, Ikki. Eu mais que ninguém sei disso, mas vamos parar com esses jogos. Se quer se livrar de mim, não precisa ficar inventando histórias, mesmo por que... o Shun ama o Mime. – O russo não conseguiu disfarçar a amargura na própria voz.
- E é o Mime que o impede de ficar com ele? – Ikki irritou-se profundamente. De maneira bem estranha se sentia traído pelo amante – O que fui para você todos esses anos, Hyoga?
- Espere um minuto! – O loiro se ergueu indignado – Pelo que me conste é você quem quer se livrar de mim! Eu e o Shun somos amigos, só amigos, sempre fomos, isso muito antes de você existir em minha vida, não queira dividir espaço com ele!
- Eu não estou querendo dividir espaço com ninguém! Mesmo porque, o Shun é quem eu mais amo nessa vida, e se se quer cogitasse que ele mantivesse algum sentimento por você, eu nunca teria interferido!
- Eu sou tão pouco importante pra você! – Irritou-se Hyoga.
- Não, Pato, você é muito importante pra mim, você é meu companheiro, meu amigo, meu homem há mais de dois anos, mas, parece que você não me conhece e nem sabe o que quer!
- Eu quero você, Ikki, sempre quis você. – Declarou com um suspiro. Recostou-se na mesa e cruzou os braços – Mas parece que você já não me quer, não é mesmo?
O moreno se aproximou dele e o puxou pela cintura, contra seu corpo, depois lhe afagou os cabelos rebeldes, afastando a franja que caía sobre o rosto bonito do loiro.
- E alguém seria capaz de não querer você, Hyoga? – Perguntou, descendo os dedos para segurar o queixo do mais jovem. Hyoga o ergueu instintivamente, esperando os lábios quentes do moreno. Ikki o beijou lentamente, saboreando seus lábios, sentindo o russo estremecer e fechar os olhos. Contudo, naquele momento a mente ágil do loiro dizia que não deveria se curvar daquela forma à habilidade sensual de Ikki Amamiya.
Afastou-se, empurrando-o levemente.
- É melhor dar um tempo, Ikki. As coisas entre nós dois estão confusas.
- Sim, eu sei. – Conformou-se o moreno e, respirando fundo, resolveu ser sincero – Não posso negar, pato, eu me sinto atraído por ele, muito atraído, mas não foi por isso que o levei pra minha casa. Acredita em mim, eu nunca faria isso com você, com a gente. Minha relação com o Shaka é totalmente profissional.
- Não duvido disso, Ikki – Hyoga suspirou -, mas até quando?
O moreno passou os dedos entre os fios dos cabelos negros.
- Eu não sei, Hyoga. Mentiria se dissesse que sei. – Confessou e encarou os olhos claros do amante – Mas quero que saiba que você é muito importante pra mim.
- Eu sei... – O russo respirou fundo se afastando, e Ikki colocou as mãos nos bolsos.
- Hyoga, eu fui sincero em relação aos meus sentimentos, acho que deveria fazer o mesmo.
- O mesmo? – Hyoga perguntou confuso – Do que você está falando?
- Dos seus sentimentos pelo Shun, eu não sou idiota e nem insensível para não perceber isso.
- Você quer usar isso como desculpa para me deixar, mas não precisa, Ikki, eu estou caindo fora! – Irritou-se o loiro.
O mais velho bufou perdendo a paciência (não era mesmo seu forte).
- Escuta, russo, eu nunca precisei de desculpa pra nada em minha vida! – Regougou – E saiba que não é nada agradável saber que o homem que amei durante tanto tempo na verdade gosta do meu irmão!
- Será que algum dia você me amou mesmo, Ikki? – O loiro sorriu com ironia – Sejamos francos...
- Nunca deixei de ser franco uma só vez na minha vida, pato. – Volveu o moreno magoado – Sua mágoa não justifica que duvide disso. Sempre fui extremamente sincero com você e você comigo, nossa relação sempre foi limpa. Por isso mesmo, estou dizendo que o Shaka me atrai, e isso não aconteceu no momento que ele foi para minha casa, isso aconteceu no momento que o vi e você sabe, você não é bobo e nem ingênuo.
- Pois agora me poupe de sua sinceridade, eu não preciso dela. – Suspirou Hyoga cansado – Acho que realmente terminou, Ikki...
O moreno apoiou-se numa mesa deixando escapar um suspirou pesado.
- Eu não queria que as coisas terminassem assim. – Disse – Antes de qualquer coisa você é meu sócio e meu amigo...
- Nunca deixarei de ser nem uma coisa e nem outra. – Hyoga caminhou até a mesa e pegou sua pasta – Vou tirar alguns dias de folga, vou fazer uma viagem curta, preciso assimilar tudo isso. – Disse tentando ao máximo conter suas lágrimas. Seu coração estava tão partido e confuso que ele só tinha vontade de fugir – Você pode cuidar de tudo em minha ausência não é? Conto com você pra isso.
Frio, profissional.
- Você sabe que sim...
- Obrigado.
- Hyoga, me desculpe, eu... eu não queria magoá-lo. – Pediu Ikki profundamente tocado. Hyoga sabia que não era fácil para o moreno se desculpar.
- Não precisa se desculpar, ninguém tem culpa em histórias como a nossa, Ikki. – Suspirou pesadamente – Preciso de um pouco de tranqüilidade, ficarei fora da cidade durante o final de semana, mas deixarei o celular ligado, qualquer problema me procura.
- Hyoga...
- Ikki, não diz mais nada. – Interrompeu o russo com um sorriso melancólico – Mesmo porque nada será capaz de fazer esse momento melhor ou pior.
Chegou perto do ex-amante e beijou-o delicadamente nos lábios.
- Fica bem. – Disse e saiu. Entrou no elevador apertando o botão e quando o veículo começou a se movimentar, apoiou a cabeça na parede e deixou que as lágrimas molhassem seu rosto. Estava acabado, seu amor de dois anos e todos os sonhos que cultivou de um dia ele ser completo terminados. E o pior de tudo era que o único sentimento que pulsava em seu peito era a frustração, como se tudo que pensou ter vivido nunca tivesse existido de fato.
O sorriso de Shun se formou em sua mente. Ele sempre esteve ao seu lado, seu amigo para todas as horas, até ele conseguiu perder com seu egoísmo e suas tolices.
Voltou para seu apartamento e fez as malas rapidamente antes de tomar um banho, vestir jeans, tênis e um pulôver claro. Dirigiria cerca de 300 km até sua casa em Vermont. Precisava de silêncio e paz para assimilar tudo naquele momento e não iria importunar ninguém com suas dores.
Suspirou pesadamente enquanto entrava no carro, imagens do passado invadindo a sua mente, o dia em que comprara aquele apartamento por exemplo...
- Aqui está meu novo lar! – declarou triunfante.
Shun deu um giro de 360 graus mirando a imensa sala.
- É, não é nenhuma espelunca! – Comentou provocativo – Agora precisamos saber se você terá bom gosto para decorá-lo.
- Ah, que ousadia sua fazer um comentários desses! Você sabe que tenho bom gosto! – Reclamou o loiro.
- Sim, claro que sei que tem bom gosto! Você está flertando com meu irmão... – As palavras de Shun embora tentassem demonstrar divertimento soaram diferentes para ele.
- Você se incomoda com isso?
- Não, claro que não! – Sorriu o mais jovem ruborizando – Vocês são ideais um para o outro!
- Não exagera também, Shunny! – Hyoga se aproximou e afagou os cabelos do mais jovem, Shun fugiu do toque, sem jeito.
- Estou falando sério! – Riu tentando parecer descontraído – Você e Ikki são muito parecidos embora não percebam isso! Ambos são obstinados, discretos, têm ideais parecidos.
- Não me diga isso! Seu irmão é um furacão. – Riu o loiro se atirando no único móvel que tinha no apartamento até aquele momento: um imenso sofá no meio da sala.
- E você tenta parecer um bloco de gelo, mas não é. – Shun deixou transparecer um sorriso lindo e radiante – Pra mim não precisa mentir, Hyoga, eu conheço todos os seus defeitos e também as suas virtudes...
No presente, Hyoga afundou a mão no cabelo os desalinhando enquanto a outra segurava o volante. Como conseguira ser tão burro e cego durante tantos anos?
Tirou o telefone do bolso e apertou um botão ligando para Shun, mas o aparelho caiu na caixa postal. Suspirou e resolveu deixar a mensagem.
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- Shun? Shun?
O jovem de cabelos castanhos percebeu que o colega o chamava, passou as mãos no cabelo sem jeito, estava completamente distraído durante a reunião.
- Sim, Shiryu, me desculpe. – Pediu – Do que estávamos falando mesmo?
- Não estávamos falando nada, Shun, a reunião já terminou há alguns minutos e você continuou aí sentado com esse olhar perdido. Está acontecendo alguma coisa?
- Não, não. Está tudo bem. – Respondeu sem jeito – Só estou um pouco cansado, dormi muito tarde ontem.
- Eu também. – Falou Shiryu – Mas tem certeza que não há mais nada? Como estão você e o Mime?
- Estamos muito bem. – Declarou o mais jovem incomodado, realinhando os cabelos atrás da orelha em um gesto que demonstrava nervosismo – O Mime é um anjo em minha vida, Shi, sou muito feliz ao lado dele...
- E? – Shiryu conhecia Shun desde que o mais jovem entrou no departamento e como bom observador reconhecia cada atitude do amigo.
- E o quê? – Indagou sem realmente entender.
- Desculpe-me, meu amigo, mas você não me parece muito feliz.
Shun apoiou os cotovelos na mesa e depois a testa nas mãos.
- Eu não consigo tirar o Hyoga da minha cabeça. – Confessou – Ontem, depois que você saiu ele esteve em meu apartamento... Eu sei que é errado, Shi, o Mime me ama, é uma pessoa maravilhosa, faz questão de realizar todos os meus desejos...
- Mas você ama o Hyoga... – Concluiu Shiryu puxando uma cadeira e se sentando ao lado do amigo.
Shun ergueu o rosto para encará-lo.
- E do que adianta amá-lo? O Hyoga nunca se importou com meus sentimentos, nunca! O que ele fez ontem foi uma prova disso...
- E o que ele fez?
- Ele me beijou. – Falou com amargura – Sei que o Ikki deve ter dito algo a ele, porque ambos vieram com a mesma conversa, mais ou menos a mesma! Tudo que ele faz é pelo Ikki, é o Ikki quem ele ama, e nada lhe dava o direito de brincar comigo como fez ontem.
- Sim, entendo. – Disse Shiryu aborrecido – Mas o que pretende fazer, Shun?
- Viver. – Respondeu o menor – Viver como tenho vivido até agora, tentando ignorar esse sentimento que me atormenta há tanto tempo que já nem consigo separá-lo de mim...
Uma lágrima desceu pelo rosto de Shun e ele, envergonhado, enxugou-a rápido com as costas da mão.
- Agora vou trabalhar. – Informou pegando o leptop de dentro da bolsa e começando a conectá-lo – Ah, Shi, eu já mandei aquelas fotos para o Deba examinar, ele pode nos dar boas pistas.
- Certo, Shun. Eu também vou indo, tenho muito que fazer hoje ainda. Você vai ficar legal não é?
- Sim, eu ‘to legal, de verdade. – Sorriu – Obrigado!
Shiryu assentiu com a cabeça deixando a sala.
“O seu cheiro de orvalho ainda está no meu corpo e por mais que me lave ele não sai, pois impregnou a minha alma...”
A mensagem apareceu instantaneamente quando entrou no MSN. Shun sorriu, mas seu sorriso foi um pouco angustiado e nervoso. Pegou o telefone, ligaria para o namorado, entretanto, assim que o ligou apareceu à mensagem que Hyoga havia deixado na caixa. Sua mão tremeu e por um momento ele hesitou, pensando que não deveria ouvir. Venceu seu autocontrole, apertando o botão e colocando o aparelho no viva voz para escutar melhor:
“Shunny, eu sei que você não deve querer me ver e nem falar comigo, mas... estou muito arrependido do que fiz, quero dizer, não do que fiz, mas d e como fiz, entenda. Estive cego para os seus sentimentos e ontem estava muito confuso, me perdoe... eu só quero que saiba que... não importa o que aconteça, você sempre será meu melhor amigo e eu te amo...”
Shun fechou os olhos buscando força interior, estava se sentindo cansado e angustiado, precisava apagar a mágoa que sentia do amigo do seu coração. Não queria perder a amizade de Hyoga por mais que fosse doloroso conviver com ele. Amava-o e queria que ele fosse realmente feliz, assim como seria também, em breve estaria morando com Mime, estudando em Harvard e deixando aquele amor definitivamente enterrado no passado.
---- Paixão e morte ----
A reunião entre Ikki, o juiz e o promotor do caso foi tensa, e ele realmente estava nervoso quando estacionou o carro na garagem da sua casa. Fazia um frio glacial àquela noite, e a somatória do dia estressante e do rompimento com Hyoga o abalara de uma maneira que ele não pensou que faria. Estava cansado e emocionalmente esgotado.
Estranhou encontrar todas as luzes apagadas e engoliu em seco.
“Eu mato esse loiro teimoso se ele se atreveu...” Interrompeu os pensamentos entrando na casa e acendendo a luz. Caminhou até um papel cuidadosamente dobrado sobre a mesa de centro.
“Doutor Amamiya,
Desculpe-me, mas essa situação estava insustentável. Estou no hotel Hilton, qualquer novidade sobre o caso me informe.
Obrigado por tudo.
Shaka”
Qualquer novidade sobre o caso. Essa frase deixava claro que o indiano não queria nenhuma proximidade com ele que não fosse profissional.
O moreno bufou, amassando o papel com raiva e o jogando no chão. Fez o caminho de volta a garagem, entrou no carro e deu a volta em direção ao centro da cidade.
Continua...
Notas finais
Meninas obrigada por acompanhar e pela paciência.
Abraços afetuosos.
Sion Neblina
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