Notas iniciais
Chegamos ao final de mais uma história, mas teremos ainda um epílogo. Espero que gostem do desfecho da trama, sei que desagradarei alguns (principalmente fãs de certo personagem), mas essa foi a forma que pensei no desfecho desde o começo e não me arrependo.
Obrigada a todos pelo carinho, pelos reviews, recomendações que veio e que poderão vir.
Ah, ficou enorme, mas relevem, é o final XD!
Boa leitura, tomara que gostem!
Sion Neblina

Amor e morte

Capítulo final



Shaka desistiu de ligar para Ikki. O celular do advogado continuava a chamar até cair na caixa de mensagem. Já fazia mais de uma hora que o esperava, então o loiro resolveu fazer logo o que devia, talvez, aquele atraso do moreno fosse providencial. Depois explicaria tudo, mesmo que o advogado ficasse aborrecido por deixá-lo de fora daquela decisão.


Agora entendia tudo e precisava encontrar as provas, os laudos das autópsias feitas por Mu, que haviam desaparecido desde sua morte. Sabia onde eles estavam guardados e os resgatariam. Sem eles, sua denúncia não passaria de suposição, mas ao encontrá-los, haveria a exumação dos corpos e a confirmação do crime.


Dirigiu-se ao estacionamento e entrou no carro. Ainda havia algumas coisas que não encaixavam muito bem. A tentativa de assassinato no presídio era uma delas e só compreenderia tudo quando descobrisse quem estava por trás dos crimes. Tudo era muito estranho, sinistro.


Shaka deu a partida ainda pensativo; se queriam matá-lo naquela época, por que as coisas mudaram agora? Aliás, o que havia mudado? Ele continuava sendo uma ameaça, então por que continuava vivo?


Suposições sem fim passavam por sua cabeça; o irmão de Ikki... Ele era o corregedor responsável por investigar os fatos no presídio, por que sua vida estava em risco? Ele nada tinha a ver com o Ross. Será que temiam que Shun, ao descobrir os policiais responsáveis por sua transferência indevida, acabasse chegando ao esquema do hospital?


Uma cadeia: poder, dinheiro, vida e morte...

.

Aquela constatação o entristeceu e ele pisou forte no acelerador. Precisava chegar aos laudos o mais rápido possível, entretanto, o advogado não saia da sua cabeça, onde ele estaria? Dirigia tranquilamente pela estrada sinuosa com a viatura policial o seguindo de perto, precisava despistá-los. Acelerou o carro o máximo que pode e fez uma curva fechada, surpreendendo quem o seguia. Ainda ouviu a sirene sendo acionada, mas agora ficaria complicado para os tiras apanhá-lo, já que Shaka Phalke era um motorista muito habilidoso.


Entrou por algumas ruas estreitas com o intuito de confundir seus perseguidores e então voltou à estrada principal. Dirigiu por um tempo até chegar onde queria. A enseada.


Shaka saiu do carro a passos rápidos e correu pela pequena e abandonada propriedade que ficava ali perto, na verdade, uma cabana de pesca caindo aos pedaços. Atravessou o portão e chegou ao quintal. Suspendeu a respiração por um tempo mirando o poço, estava muito escuro e ele teria que usar a lanterna do seu aparelho celular se quisesse ver alguma coisa. Segurou a corda gasta presa a um carretel enferrujado e desceu. O poço era estreito e ele precisou se apoiar nas paredes para não cair rápido demais. Ao chegar ao fundo, ligou a lanterna e começou a procurar pelas cavidades no barro. Um odor salubre inundava o local o nauseando, mas firmemente, o médico procurou até encontrar o que queria. Estavam ali, dentro de um saco plástico preso por um elástico, os laudos das autópsias realizadas no Ross Hamilton Hospital por Mu Gyatso.


O cardiologista sabia que Shaka as encontrariam, como ele dissera certa vez, aquele era o lugar ideal para se esconder um corpo! Falara aquilo em tom de troça, quando eles encontraram aquela cabana perdida. Bem, Mu não havia escondido um corpo, e sim as provas de um crime.


Shaka colocou o saco dentro da camisa e segurou o celular-lanterna entre os dentes, apoiando os pés nas paredes e dando impulso enquanto subia pela corda. Quando já estava próximo à saída, tateou com a mão as frestas para conseguir deixar o poço. Respirou aliviado ao sentir a brisa fresca da noite sob seu corpo coberto por um suor gelado.


A lua cheia derramava sua luz sobre a cidade enquanto o médico andava a passos rápidos para o carro. Agora precisaria ir à polícia e denunciar todo o esquema. Seria o fim de um pesadelo, mas isso não traria Mu de volta, nada o faria.

Lágrimas amargas chegaram aos seus olhos com tais pensamentos, e ele entrou no carro dando a partida, iniciando o percurso de volta ao centro da cidade. O celular tocou, o médico encostou o carro para atendê-lo, suspirando aliviado, era Ikki.


— Ikki! Já estava preocupado — falou ao atender.


— Olá, caro colega — Não era o advogado. Seu coração falhou. Ele conhecia aquela voz e a forma que as palavras foram pronunciadas despertou uma ânsia estranha em seu íntimo.


— Você...? — murmurou chocado, sentindo os olhos marejarem.


— Acho que você tem algo que eu quero.

O coração do pediatra disparou. Não... Não era possível... Então era verdade? Em fim seu plano dera certo e o vilão se revelava, mas não podia acreditar.


— Algo que você quer? — repetiu chocado demais para reagir.


— Não se faça de tonto, sei que a essa altura já deve ter descoberto por onde andam os laudos que o Mu escondeu. Vamos fazer o seguinte, você me dá o que eu quero e eu lhe dou o que você quer.


Shaka apoiou a mão na testa, sentindo-se num abismo escuro. Calou-se sem saber o que pensar. O homem do outro lado da linha se calou, mas o pediatra ouviu sons de discussão e, ao que parecia, alguém estava apanhando. Seu coração batia alucinado agora, pois reconhecia dentre as várias vozes, a voz do seu advogado.


— Fale com ele ou eu o mato agora mesmo! — ouviu o bandido dizer.


— Vai à merda! — escutou a voz destemida do moreno.


— Ikki! — ele quase gritou sentindo o sangue gelar nas veias — Ikki, fala comigo! — implorou.


Um momento de silêncio. Ao que parecia, o moreno pode ouvi-lo, pois o médico percebeu um suspiro e ouviu sua voz em seguida:


— Shaka, sou eu, fique calmo, estou bem... — o advogado tentava manter a voz pausada e tranqüila. — Loiro, ouça, seja lá o que eles queiram, não faça, eles vão me matar de qualquer jeito... Vá à polícia!


Ouviu novos sons de agressão e a voz de Ikki desapareceu, deixando-o ainda mais angustiado. O assassino de Mu falou novamente do outro lado da linha:


— Bem, Shaka, uma troca justa, não é? Você me entrega as provas que podem me mandar para a cadeia e eu devolvo seu amante, o que acha?


— Tudo bem, eu... Eu entrego as provas, mas se você fizer algo a ele...


— Bem, acho que não está em posição de fazer exigências...


— Eu mato você — completou o médico e ouviu uma gargalhada sarcástica do outro lado da linha.


— Essa sua fúria me excita, loiro. Encontre-me num lugar especial, seu antigo lar de amor, as 11h00min, estarei ansioso para conversarmos.


A ligação foi encerrada. Shaka rapidamente ligou o carro e manobrando mudou de direção. Precisava agir rápido, muito rápido, se quisesse ver Ikki novamente.

***Desejos vitais***

Shun estacionou o carro atrás do prédio e caminhou a passos rápido para a recepção. Falou com o guarda que estava de vigia àquela noite e pediu autorização para entrar. O homem corpulento interfonou para o único escritório que ainda funcionava àquela hora.


— Doutor Mime pede que suba — falou o vigilante e Shun sorriu logo passando por ele e tomando o elevador.


O escritório de Mime ficava na cobertura do prédio e o agente ficou contando os botões do elevador enquanto esperava. Quando o veículo parou, Shun percebeu que o local estava escurecido, era estranho todas as luzes apagadas se o diretor da empresa ainda estava ali. Caminhou a passos hesitantes em direção a frágil luz que saía da sala do ex-namorado. Estivera algumas vezes naquele lugar, ainda assim, estava um tanto apreensivo.


— Mime? — chamou batendo na porta, mas ninguém respondeu. Empurrou-a devagar, colocando a mão na arma instintivamente. Aparentemente o escritório estava vazio.


— Mime? — repetiu e sentiu mãos se fecharem em seus braços. O policial virou-se abruptamente, encarando os olhos do empresário.


— Eu o assustei? — indagou Mime percebendo os olhos espantados do rapaz mais jovem.


— Claro que sim, eu... eu estava procurando por você... O... o que aconteceu? — indagou confuso.


— Shun, eu preciso te mostrar uma coisa que descobri — falou o loiro, algo nervoso.


— Sobre?


Mime passou as mãos nos cabelos, como alguém que procura uma forma mais fácil de iniciar um assunto doloroso.


— Eu comecei a pesquisar desde que você entrou no caso e... Estou assustado, se o que estou pensando for verdade...


— Calma, Mime, fale devagar, por favor — pediu encarando o loiro.


— Shun, há algo muito errado no Ross...


— No Ross? Como assim? — o agente começou a prestar especial atenção. O Ross Hamilton Hospital era uma das instituições mais prestigiadas de Boston e também o local que trabalhavam o cardiologista Mu Gyatso. Caso houvesse algo errado acontecendo ali... Bem, mas por que Mime investigaria o hospital? O que aquilo tinha a ver com seu trabalho de corregedor?


— Venha e veja — falou o loiro como se adivinhasse seus pensamentos.


O empresário guiou o policial para a sua mesa e pegou uma pasta entregando-a a ele. Shun examinou várias guias de encaminhamentos médicos de protegidos da fundação Vahala para o Ross Hamilton Hospital. Na mesma pasta tinha as guias de óbito dos pacientes.


— Como assim? Esse... esse homem tinha uma leve arritmia e morreu de... insuficiência cardíaca? — o policial encarou o ex-namorado sem entender.


O empresário andou pela sala nervoso.


— Eu... eu acho que eu estava mandando ovelhas para o matadouro, Shun... Há algo muito errado nessas mortes... não foram naturais.


— Você comentou isso com alguém?


— Sim, eu exigi uma investigação da diretoria do Ross, falei diretamente com o diretor e depois disso... — respirou fundo — comecei a receber ameaças de morte por telefone. Shun, eu... eu estou assustado, verdadeiramente assustado.


— Temos que ir à polícia — replicou o mais jovem.


— Mas, Shun, eu não tenho provas, são apenas desconfianças. Eu desconfiei somente porque o número de óbitos devido a problemas pequenos começou a subir. Mandava alguém com gastrite e no dia seguinte a pessoa estava morta!Deuses, isso é um pesadelo!


— Por isso mesmo temos que ir a polícia, somente eles podem investigar e descobrir toda a verdade — volveu o policial aflito. A coisa era bem pior do que ele pensava.


Mime voltou a se aproximar da mesa e tirou um envelope, entregando-o ao ex-namorado. — Eu até iria, mas... eles deram um jeito de me calar.


Shun entreabriu os lábios ao ver que havia fotos no envelope, foto suas com Mime, em vários encontros em que tiveram; fotos dele saindo da corregedoria e fotos do dia da agressão no estacionamento. Não se recordava dos seus agressores terem-lhe fotografado preso e amordaçado daquela forma.


— Estou com medo, Shun — continuou Mime —, eles estão ameaçando você e... comigo eu até suportaria, mas com você...


O loiro tocou o rosto do policial — Eu ainda te amo, Shun... — murmurou de forma sedutora. — Não quero vê-lo machucado, eles... eles ameaçaram torturá-lo, estuprá-lo e matá-lo, eu... eu morreria se algo acontecesse a você...


— Mime, não...


— Shun, eu perdôo o que fez, eu sei que você tinha algo inacabado com o Hyoga, mas acho que agora já teve provas suficientes de que eu o amo muito mais do que ele. Eu estou disposto a sair de Boston, esquecer todo esse pesadelo, mas você tem que vir comigo...


Shun arregalou os olhos. — Mime...não podemos resolver as coisas assim...


— Como não? Shun, eu te amo, estou desesperado, não quero perdê-lo, não quero vê-lo machucado! — Mime o abraçou com força e, depois de um tempo aturdido, o agente o afastou.


— Não é hora pra isso, precisamos levar essa pasta à polícia! Não podemos resolver isso sozinhos e nem simplesmente esquecer, Mime! — falou revoltado — Pessoas inocentes foram mortas! Isso não pode ficar em pune!


— Mas Shun é sua vida e minha vida que estão em jogo! — replicou o empresário. — Será que vale à pena nos arriscar assim?


— Esquecer seria é deixar a vida de mais inocentes em risco e isso não farei! — disse o policial de maneira decidida.


Mime respirou profundamente, maneando a cabeça de lado.


— Tudo bem, eu concordo — o loiro voltou à mesa e pareceu desligar o computador, voltando em seguida, para o lado de Shun. Nesse momento, o celular do agente vibrou; o mais novo examinou a tela do aparelho onde aparecia uma mensagem de texto.


“SE DESEJA VER SEU AMANTE E SEU IRMÃO NOVAMENTE, VENHA À CASA DE GYATSO”.


Shun mordeu o lábio inferior empalidecendo e imediatamente tentou ligar para Hyoga, mas o advogado não atendia ao telefone, tentou o celular de Ikki e aconteceu o mesmo. Mime encarou seu rosto aflito.


— O que aconteceu?


— Eles estão com o Ikki e o Hyoga! Eu preciso ir!


— Não, Shun, isso é uma armadilha! — falou Mime aflito. — Você não vai!


— Eu tenho que ir, se eu não for eles matam os dois!


— Então eu vou com você e nem adianta reclamar! — falou Mime autoritário.


— Mime, isso é mais perigoso do que pensa — falou temeroso, não estava disposto a arriscar mais uma vida.


— Dane-se, eu amo você, não vou deixá-lo sozinho agora! — volveu o loiro decidido.


O agente respirou fundo para se controlar, mas já tremia. O medo que sentia com a possibilidade de ver aqueles amava machucados levava-lhe uma angústia profunda.


— Está bem — concordou em fim —, mas você vai me prometer não sair do carro! Eu vou entrar na casa e, se não sair em meia hora, você chama a polícia e sai do local, certo, Mime?


— Por que não chamamos a polícia agora? — questionou o empresário.


— Porque eles vão matá-los se eu fizer isso! — explicou nervoso verificando a arma. — Confie em mim, eu não deixarei que mais ninguém saia machucado dessa história.


Mime concordou e eles seguiram para a casa de Gyatso, onde finalmente aquele crime seria esclarecido, pensava o agente.


***Desejo vitais***

Shaka mirou a fachada da casa, sentindo o coração disparado no peito. Caminhou a passos lentos, observando o local, parecia completamente vazio. Circundou a casa por um tempo, e entrou pela porta dos fundos. Tudo estaria exatamente igual, não fosse pelas fitas amarelas isolando o local e o desenho feito no chão, demarcando a posição em que o corpo de Mu fora encontrado. Shaka sentiu uma vertigem e fechou os olhos, respirando fundo para apaziguar seu espírito. Precisava de todo seu autocontrole agora.


As lembranças o golpeavam; Mu cozinhando, seu riso, seu jeito sempre sereno, seu abraço. Tantos momentos vivenciados naquele lugar que agora estava vazio e funesto.


— Eu me lembro da última vez que entrei aqui — a voz grava falou atrás de si e Shaka fechou os olhos levemente, ouvindo a arma sendo engatilhada. — Parece que ainda sinto o cheiro do tempero e do vinho...


O pediatra permaneceu no mesmo lugar sem mover um músculo, já que seu algoz estava próximo demais. Podia sentir-lhe o hálito na nuca.


— Trouxe o que pedi?


Indagou a voz grave do seu inimigo. O médico retirou os laudos de dentro da camisa e entregou a ele.


— Onde ele está? — exigiu saber Shaka, referindo-se a Ikki.


— Ele está muito bem acompanhado, não se preocupe — devolveu o assassino.


Um ódio visceral crescia dentro do loiro levando lágrimas aos seus olhos.


— Foi você quem o matou. Era você o tempo todo — falou de forma amarga. — Ele era seu amigo, ele confiou em você...


— Ele foi tolo é verdade — disse Aiolia. — Mas confesso que minha intenção não era matá-lo, eu só queria que ele parasse de mexer no que não lhe dizia respeito. Eu fiz tudo para que ele não precisasse morrer, mas o Mu era insistente. Primeiro o ameacei por telefone e o que ele fez? Levou o caso a diretoria do Ross. Não sabia ele que eu tinha aliados lá; depois, como única opção, eu preparei aquela armadilha pra você, mas nem isso adiantou


Shaka prendeu a respiração enquanto o homem continuava falando atrás de si, bem perto ao seu ouvido de maneira que ele diria... Insinuante.


— Eu dispensei o pediatra que o substituiria no plantão — continuou Aiolia —, fiz a Marin lhe receitar anfetaminas em altas doses. Sabia que se algo acontecesse a você, Mu ficaria desolado... — murmurou enfiando o nariz entre os cabelos da nuca de Shaka e aspirando seu perfume. — Mas confesso que estar dentro de você foi a melhor coisa que me aconteceu na vida... Se eu dissesse que me apaixonei, você acreditaria?


— Você é louco... — balbuciou Shaka aturdido.


— Não, não sou — riu Aiolia. — Poderia justificar o que fiz, dizendo que sou sociopata, algo assim, mas a questão foi somente uma: ambição e nada mais. Mu foi apenas uma pedra que tirei do meu caminho assim como removerei todas as que tentarem me incomodar.


Aiolia relembrou a noite do jantar naquela mesma casa. Ele e Marin chegaram por volta das oito horas. Shaka e Mu já os aguardavam. O cardiologista parecia muito cansado, mas foi amigável e gentil como sempre. Ele e Marin seguiram para a cozinha enquanto Aiolia e Shaka arrumavam à mesa conversando amenidades. O jantar fora sugerido pela enfermeira, para que relaxassem um pouco. Levaram vinho e tiveram uma noite especialmente agradável.


Saíram da casa por volta das dez da noite, mas ficaram esperando do lado de fora. Pela janela do quarto, ele assistiu a “performance” de amor do casal e a forma como eles caíram quase que instantaneamente no sono depois do orgasmo — Marin havia colocado um poderoso sedativo no licor consumido depois do jantar e esse agiu como o esperado, depois de uma hora. — Os dois então voltaram a casa; ele tirou Mu da cama e o levou para a cozinha, deitando-o no chão, mirou e atirou no cardiologista adormecido. Um tiros a queima roupa direto no coração. Mu Gyatso estava morto.


Logo depois, deixaram a arma no quarto do casal, tendo o cuidado de fazer o pediatra segurá-la, colhendo suas digitais; eles então, deixaram a casa e livraram-se da garrafa do licor. Ficariam apenas esperando as notícias tranquilamente no dia seguinte. Os vizinhos alertaram a polícia do tiro e Shaka foi encontrado ao lado do corpo com as mãos sujas de sangue. Como não havia sinal de arrombamento ou furto de nada, o pediatra imediatamente fora detido como provável assassino.


— Como foi seu despertar naquela manhã, Shaka? — sussurrou sádico. — O que pensou?


O loiro vivenciou aquela madrugada estranha em que acordou e encontrou o amado morto no chão da cozinha. Seu desespero foi terrível, ele não sabia o que pensar, então, a polícia chegou e a série de interrogatórios, acusações, exames, pareceu não ter fim. A arma foi encontrada em seu quarto, com suas digitais, mas sem nome e sem registro. Ele era, para todos os efeitos, o principal suspeito do crime.


Aiolia sentiu a repentina fragilidade no pediatra e com a mão livre o envolveu pela cintura. — Minha intenção não era machucá-lo, a idéia de incriminá-lo não foi minha. Aliás, eu não gostaria de machucá-lo, mas sabia que você fuçaria as coisas, então, o melhor mesmo era acabar com você.


— No presídio.


— Sim, mas a culpa foi do Mu, ele me disse que deixaria algo com você, era algo que poderia nos incriminar e precisávamos detê-lo.


— Ele falou isso? — espantou-se o loiro.


— Não diretamente, mas disse que se algo lhe acontecesse, eu deveria ajudá-lo. Disse que não queria me envolver, mas deixou comigo a senha do seu computador. Eu deveria passar as informações que estavam nele para você e juntamente com as informações que ele deixou contigo, saberíamos o que ele descobriu. Ele foi esperto, caso um de nós dois fosse morto, o outro poderia contactar as autoridades. Ele só não esperava que eu fosse um dos caras maus...


Shaka fechou os olhos com força, sentindo as lágrimas o inundarem, a confiança de Mu na amizade de Aiolia o condenou.


— Por que maldito? Ele era seu amigo! Ele confiou em você! — indagou entre dentes e mentalmente interrogava-se: Por que ele não confiou em mim?


— Sobrevivência, Shaka — respondeu Aiolia. — Estava em jogo nossas vidas, ou você acha que se isso viesse à tona pegaríamos algo menos que a pena máxima?


— Tráfico de órgãos. Vocês estavam fazendo tráfico de órgãos dentro do Ross...— concluiu Shaka com amargura.


— Na verdade era apenas um comércio como outro qualquer. O esquema começou na ala de cardiologia. Era muito fácil, foi algo brilhante que começou com um pequeno incidente...Não foi intencional, aconteceu e quando percebemos, já não havia como voltar.


— Incidente?


— Sim. Recebemos um paciente muito rico, muito rico mesmo e com um sério problema no coração. Ele, no entanto, estava fora da fila de transplantes por causa da idade avançada, mas você sabe, homens muito ricos, mesmo muito velhos, não querem morrer e.. Bem, ele nos ofereceu uma razoável fortuna se conseguíssemos um coração para ele — continuou Aiolia. — Por sorte, no dia da sua internação, um paciente com um coração saudável foi detectado com morte cerebral. Conseguimos o coração para ele e recebemos uma pequena fortuna por isso. Aquilo foi tentador demais; não resistimos! Daí pra frente, já comercializamos uma quantidade considerável desse órgão vital das pessoas que morriam no Ross. Era algo muito lucrativo, mas você sabe que a venda de órgãos é ilegal...


Shaka engoliu em seco.


— O Mu descobriu...


Aiolia estalou a língua lamentando. — Cometemos um erro. Resolvemos expandir o esquema e comercializar órgãos no mercado negro, entenda que a tentação do dinheiro fácil nos dominou como chaga cancerígena, só que nisso, vacilamos feio! Vendemos órgãos que não tínhamos...


— E?


— Shaka, não seja ingênuo, nesse tipo de negócio precisamos satisfazer os clientes. Precisávamos encontrar os corações. Corações perfeitos, jovens e sadios. Corações que ninguém sentisse falta. Até então, nós comercializávamos apenas órgãos de pessoas com morte cerebral diagnosticada, mas... naquele momento, precisávamos encontrar doadores e não havia nenhum paciente morto. Ou encontrávamos os órgãos que vedemos ou... Você sabe, traficante é sempre traficante.


— Você matou o Mu por dinheiro... — afirmou amargo — eu nunca o perdoarei...


— Não foi por dinheiro. Ah, o Mu! Tão bonzinho! Saga deu-lhe um cargo, ser chefe da cardiologia deveria deixá-lo ocupado e ficaríamos com o caminho livre, mas nossa tentativa foi um fiasco! Ele passou a se interessar ainda mais pelos nossos... doadores!


— Os indigentes enviados pela Vahala.


— Xeque! — sorriu Aiolia e afagou o rosto do loiro com a arma fria, o encarando nos olhos — A Vahala nos enviava seus pobrezinhos como ovelhas para o meio de lobos. Isso atiçou nossa ambição e começamos a vender outros órgãos como rins, pâncreas, etc. O Saga não gostou de saber disso, na verdade, ele ficou horrorizado, mas já estava envolvido demais para recuar e precisávamos dos três corações para entregar aos nossos clientes ou seria eu a morrer, afinal, era eu quem tratava diretamente com os “anjos da morte”, nome que dávamos para os negociantes de órgãos. Mas o Mu... Ah, o Mu, ele estranhou aquelas mortes súbitas e resolveu acompanhar os fatos sem que soubéssemos. Já andava desconfiado de que havia algo errado na cardiologia do Ross e fez as malditas autópsias.


— Brown, Smith e Williams... — murmurou Shaka


— Isso. Ele estranhou quando pacientes aparentemente saudáveis foram declarados mortos depois de alguns dias internados. A ficha que fizemos foi muito amadora, claro! Nunca pensamos que alguém fosse descobrir. Esses pacientes passaram por procedimentos simples e nossos laudos inventados declaravam que eles morreram por falência do coração, muito amador! — riu Aiolia. — Então o Mu investigou e descobriu ou desconfiou do esquema. Bem, antes que ele fosse às autoridades e se instaurasse uma investigação, eu resolvi detê-lo.


Uma lágrima desceu pelo rosto de Shaka; talvez se Mu houvesse falado com ele ao invés de Aiolia, talvez... se ele não quisesse protegê-lo tanto.


— Eu sempre admirei e invejei o Mu — continuou o médico de cabelos castanhos. — Vocês formavam um casal tão incrivelmente feliz e harmonioso, coisa que eu e a Marin seguindo a norma nunca conseguimos — disse apertando mais a cintura do pediatra contra seu corpo e roçando os lábios em sua orelha. — Vocês se amavam e se respeitavam tanto...Uma pena terminar como terminou...


— Pessoas como vocês não sabem o que é amor, Aiolia! Vocês são doentes e nunca serão felizes! — cuspiu com amargura sentindo o gosto salgado das lágrimas em seus lábios.


— Você que pensa. Hoje, Marin e eu pedimos demissão do Ross, temos uma conta fora do país e viveremos felizes para sempre em algum paraíso fiscal enquanto você e o Mu estarão apodrecendo dentro de um caixão — volveu pueril.


— Seus cúmplices não deixarão que isso aconteça, quem entra em algo desse tipo nunca consegue sair, seu imbecil — tornou Shaka com desprezo.


Aiolia riu.


— Saga está morto, eu mesmo o matei e joguei seu carro dentro do lago Paine, cuidarei dos demais com facilidade, você era o único em meu caminho, Shaka, você e aquele corregedor enxerido que deve estar morto uma hora dessas também, assim como seu advogado...


— Onde está Ikki?


— Está perto, a Marin está cuidado dele e do sócio muito bem, não precisa se preocupar, depois que ela os queimar vivos dentro daquele chalé, daremos um jeito para que pareça um acidente... Será poético... dois amantes se reencontrando... dormindo juntos e esquecendo o gás ligado... kabum! — Aiolia riu com vontade e o sangue de Shaka gelou, precisava salvar Ikki, mas antes, precisava salvar a si mesmo.


— Bem, acho que já conversamos demais, meu amigo — falou Aiolia e o empurrou, fazendo-o cair de joelhos — Agora tenho que matá-lo...


Os olhos azuis de Shaka o encararam. Aiolia umedeceu os lábios e se perdeu mirando o rosto de anjo do indiano. Será que... talvez, se tentasse...


— Você seria capaz de me perdoar, Shaka? — indagou num murmúrio confuso.


— Quê? — volveu o loiro surpreso.


— Eu amo você, não menti quando disse que estar dentro de você foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida... Talvez... apenas uma possibilidade, tudo que fiz no final não tenha sido por dinheiro... Foi por você.


— Você é louco! — cuspiu o pediatra enojado e chocado ao mesmo tempo.


— Sou, sou louco, sou ambicioso, sou um psicopata... mas por você, serei capaz de me transformar no melhor dos homens...


Shaka não acreditou no que ouvia. Aquele homem matou a pessoa que mais amou na vida. Será que ele acreditava mesmo que poderia ser perdoado? Mirou o misto de loucura e desejo nos olhos de Aiolia e não entendeu se aquilo era real ou uma brincadeira sádica do médico, de qualquer forma precisava arriscar se quisesse sair vivo dali.


— O que você quer de mim?


— Outro momento, apenas mais um — Aiolia se aproximou dele e segurou-lhe o queixo com delicadeza — não sou tolo a ponto de pensar que você pode me perdoar — sussurrou docemente. — Você mesmo disse que nunca me perdoaria e eu sei que não tem medo da morte... Mas posso fazer as coisas serem menos dolorosas, se me conceder um momento...


Shaka fechou os olhos com a proximidade do assassino, sentindo-se nauseado, pensou em Ikki tentando achar força para continuar.

.

— Não quero sentir dor — sussurrou.


Aiolia umedeceu os lábios, olhando dentro dos olhos do loiro, então sorriu e tomou-lhe os lábios num beijo intenso e quase rude. Mataria Shaka, mas antes faria questão de reviver aquele momento que não parava de povoar seus sonhos desde que tivera o médico. Usou o peso do próprio corpo para deitá-lo no chão de madeira da cozinha. Shaka sentiu um arrepio ruim pelo corpo ao perceber que estava no mesmo lugar onde encontrara o corpo de Mu e uma explosão de adrenalina fez seus músculos reagirem. Rapidamente, segurou o pulso do assassino e o torceu fazendo Aiolia gritar e tentar se livrar, mas já era tarde, com agilidade, o loiro segurou-lhe os braços e uma luta corporal se iniciou pela posse da arma. Aiolia aturdido lutava para continuar com a arma em mãos, mas Shaka, apesar dos anos longe do serviço secreto, ainda era um militar e levava vantagem.


Do lado de fora, Shun seguia a luz tremulante que era vista na casa, dando a volta, seguiu para o único cômodo iluminado.


— Solte a arma! —gritou o agente empurrando a porta e entrando na casa, observando a luta entre os dois homens.


Um tiro foi disparado e o policial se protegeu atrás de uma bancada, Shaka ainda lutava pela posse do revólver, o que impedia Shun de disparar. Outro tiro foi ouvido enquanto um tentava golpear o outro. O loiro finalmente conseguiu arrancar o calibre 38 das mãos de Aiolia, e o agente aproveitou para chutá-lo longe enquanto apontava sua automática para o médico.


Aiolia ergueu as mãos e Shaka saiu de cima dele, pegando a arma que estava no chão, guardando-a na cintura.


— Você está bem? — Shun perguntou, encarando o loiro que assentiu positivamente com a cabeça.


— Ah, que sorte, os dois juntos aqui — sorriu o criminoso com sarcasmo. — Bem, se a Marin não receber um telefonema meu em 10 minutos, vai matar os dois advogados. Acho que vocês dois os querem vivos, não?


Shun e Shaka se entreolharam — Eles estão na casa do Ikki, Shun — falou o loiro nervoso. O policial percebeu que a camisa branca que ele vestia estava machada de sangue no ombro.


— Está ferido?


— Só de raspão, não se preocupe, temos que ir, Ikki está em perigo.


— O Hyoga também. Ouvi toda a conversa de vocês, serei sua testemunha. A polícia já deve estar a caminho...


Shaka tirou um pequeno gravador do bolso. — Obrigado, mas não precisa, eu já me certifiquei para que a confissão do Aiolia chegue à polícia.


— Comovente, mas eu já sabia que provavelmente você estava gravando nossa conversa — riu Aiolia. — Entretanto, morto, você não conseguirá entregar nada a polícia.


— Não sou eu quem vai morrer, Aiolia e nem apodrecer na cadeia! — grunhiu o médico.


— Por que não me mata agora, Shaka? — provocou rindo o bandido — Sei que é o que deseja...


— Não o ouça. — Disse o policial enquanto empurrava o bandido para a saída. — Chamarei reforços para ir atrás do meu irmão e do Hyoga. A essa altura, o Mime já deve ter chamado à polícia...


— Mime? O dono da Vahala? — Shaka encarou o agente apreensivo.


— Ele não tem culpa. Estava na lista de execuções também, porque estava cobrando explicações sobre as pessoas desaparecidas. O esquema era muito maior do que o Aiolia quis que soubesse. Quase toda a diretoria do Ross está envolvida e praticamente toda a equipe médica.


Shaka franziu as sobrancelhas confuso. — Não temos tempo a perder, vamos!


O percurso deles foi interrompido por três disparos. As balas alvejaram o médico. Shaka arregalou os olhos e viu Aiolia cair com os olhos vidrados, morto instantaneamente.


— Não com tanta pressa — a voz sarcástica se fez ouvir e o pediatra e o policial olharam em direção à porta. De arma em punho, Mime adentrava o local com um sorriso nos lábios. — Ah, Shun, eu tentei protegê-lo tanto! Fiz de tudo para que esquecesse esse caso e você... Que teimosia hein?!


Os olhos verdes do agente se arregalaram e ele empalideceu.


— Mime, você...


— Você acreditou mesmo naquela história de “eu não sabia de nada”? Ah, Shun, eu sou um empresário muito bom para ser vítima de um golpe desses. No começo realmente Saga e Aiolia faziam as coisas sem me consultar, mas no momento que eu descobri... Quis minha fatia do bolo.


— Você é... Não pode ser! — murmurou o agente chocado — aquelas pessoas confiavam em você!


— Ah, Shun, eu quis protegê-lo o tempo todo — tornou Mime sério. — Eu o amo de verdade, isso é algo até um tanto masoquista, já que você nunca valorizou esse sentimento. Não é uma paixão doentia como a do falecido Aiolia pelo pediatra. Eu sonhava mesmo em tê-lo por meu companheiro, tanto que quase enlouqueci quando aqueles policiais imbecis tentaram matá-lo naquela emboscada. Sim, eu não tive nada a ver com aquilo. Nem com o acontecido no estacionamento, foram eles! Mas os telefonemas e mensagens foram minha última tentativa de tirá-lo do caso. Sempre soube com quem estava lidando e não queria vê-lo machucado. Quando o chamei no meu escritório essa noite, quis me passar por uma possível vítima para ver se isso o convencia, foi minha última e desesperada tentativa de evitar o pior, mas você não quis me ouvir, então... Bem, do meu computador, eu mandei essa que será sua última mensagem recebida e quando você e o médico forem encontrados mortos, eu não terei nada a ver com isso.


— Monstro! — gritou Shun, os olhos se enchendo de lágrimas. A decepção, a dor, a raiva se mesclando em um surto louco dentro de si.


— Posso ser um monstro, mas sempre quis protegê-lo, todavia, sua teimosia não tem fim! Mas sabe? — Mime riu irônico. — No final, isso foi até bom. Depois que você me chifrou com aquele loiro imbecil, acho mesmo que mereça morrer... Por minhas mãos!


Shun deu um passo para trás enquanto o ex-namorado avançava. Shaka observava atento cada movimento de Mime; precisava sair dali e salvar Ikki, não tinha tempo a perder.


— Como pode dizer que me amava? Você vai me matar — Shun baixou o olhar para o chão —, Mime, o que você se tornou por uma ambição sem medidas?


— Não. Foi uma ambição bem medida. Muitos dólares envolvidos — desviou a mira do revolver para Shaka. — Vou matar primeiro esse aí que na verdade sempre foi nosso grande problema. Realmente pensei que depois da morte do Gyatso tudo estaria resolvido, mas havia você e a obsessão desse idiota aí — fez um gesto indicando o corpo de Aiolia. — Tem um último pedido, Shaka Phalke?


Shun encarou o médico e depois o ex-namorado. — Não o mate, Mime, você... Deus, você não pode ser um assassino frio!


O empresário sorriu. — Shun, meu amor... — aproximou-se do agente e tocou-lhe o rosto — O que eu fui para você, era somente pra você, entende? Mas, depois de tudo... Bem, agora eu vou matá-lo, mesmo amando-o... — e beijou os lábios do agente, pressionando a arma contra seu abdômen.


Shun fechou os olhos com força, esperando pelo disparo, mas ele não veio, o que aconteceu foi que Mime tentou intensificar o beijo, forçando passagem para dentro da sua boca, forçando-o a empurrá-lo com força. Sem esperar por isso, o bandido se desequilibrou, isso foi o suficiente para que Shaka agisse e empurrasse-o no chão.


— Shun, fuja! — gritou enquanto olhava para Mime que se recuperava atordoado e apontava a arma em sua direção.


Tudo aconteceu muito rápido. Shaka viu Mime erguer a mão armada, seus olhos se arregalaram e depois se fecharam resignados; em seguida ele ouviu os disparos.


Quando o médico abriu os olhos novamente, deparou-se com os olhos âmbares vidrados, a arma no chão. Shun segurava sua arma com as duas mãos; trêmulo e com os olhos arregalados. Lágrimas molhavam o rosto do policial, ele acabara de matar aquele que durante dois anos fora seu namorado.


O corpo do empresário tombou ao lado de Aiolia e o agente largou a arma.


— Não... Mime... — balbuciou Shun, enquanto guardava a arma no coldre — por quê? — Ajoelhou-se ao lado do ex-namorado, deixando que as lágrimas caíssem. — Por que fez isso?


— Shun, não é hora para isso, precisamos encontrar o Ikki! — advertiu Shaka nervoso — A louca da Marin vai matá-los se não fizermos nada!


Como se saísse de um transe, Shun se ergueu e correu junto à Shaka para fora da casa. O pediatra não tinha condições de raciocinar nada naquele momento, só queria encontrar Ikki e tirá-los das mãos daqueles malfeitores. O médico deu partida no carro a toda velocidade em direção à casa do advogado, enquanto o corregedor entrava em contato com a polícia e pedia ajuda.


Em Boston sirenes começaram a ser ouvidas em todas as ruas.


Ikki e Hyoga estavam presos e amordaçados, sentados num sofá sendo vigiados por dois homens armados. Marin olhava o relógio o tempo inteiro nervosa, andando de um lado a outro. A presença dos bandidos contratados por Aiolia lhe causava medo. Não era uma criminosa, ao menos, não aquele tipo de criminosa e tinha horror a violência e armas de fogo, por isso o medo e a ansiedade a tomava.


Aiolia não ligava, o que teria acontecido? Será que ele e Shaka...? Sim, tinha ciúmes do pediatra. Depois de tudo que aconteceu, sentia que o desejo do marido pelo amante de Mu, que sempre existiu, aumentou e aquilo a angustiava. E se ele tivesse proposto a Shaka fugir com ele em seu lugar? Aiolia estava apaixonado por ele, isso era um fato, mesmo que não fosse uma paixão convencional, era uma espécie fetiche, nada mais.


Discou o número do esposo, mas o celular chamou até cair na caixa, resolveu que não havia mais porque esperar.


— Vamos, meninos, a hora chegou — falou aos reféns. — Tenho um remedinho para vocês aqui — abriu uma pequena caixa de isopor retirando as seringas — Vocês não vão sentir nada!


Hyoga e Ikki lutavam para não entrar em pânico, mas presos e amordaçados era meio impossível. A enfermeira aplicou o sedativo e em alguns minutos, os dois caíam desacordados. A mulher pediu para que os capangas os despissem e levasse-os para a cama. Eles obedeceram deixando os advogados apenas com as cuecas.


— Agora precisamos ir — disse ela nervosa tentando ligar mais uma vez para o celular de Aiolia. — Acendam as velas e comecem o incêndio.


Os homens se movimentaram às suas ordens. Então Marin ouviu as sirenes das viaturas e ficou lívida como papel. Os dois homens que vigiavam a porta entraram no chalé acuados.


— É a polícia! Você mentiu pra gente, dona! Disse que não tinha chance de dar cana! — dizia os marginais nervosos. — Onde está seu marido?


— Eu não sei, eu não sei! — gritava Marin desesperada, olhando ao redor, completamente perdida. O que estava acontecendo? Onde estaria Aiolia?


Logo as viaturas cercavam a casa e ouvia-se alguém falando num megafone para que os bandidos se entregassem.


— Eu vou me entregar! — gritou Marin e caminharia para a porta, mas foi detida por uma dos criminosos que colocou a arma em sua cabeça.


— Você não vai a lugar nenhum, agora é refém também!


— Não! Soltem-me, seus imbecis! — gritava e se debatia. — O Aiolia! Eu tenho que encontrá-lo!


Enquanto isso, sorrateiramente, Shaka e Shun seguiam pelos fundos da casa, furando o cerco das viaturas. Os bandidos, concentrados como estavam nos policiais, não perceberam a movimentação sendo surpreendidos por Shun que ordenou que saltassem as armas.


Um deles tentou reagir, sendo alvejado pelo agente, o outro deu para trás segurando Marin como escudo.


— Se vocês não me deixarem sair eu acabo com ela! — gritava.


— Vá em frente, essa piranha bem que merece! — falou Shaka sem piedade.


O marginal tremeu acuado entre o policial armado e o contingente do lado de fora, acabou soltando a arma e Marin que caiu de joelhos no chão chorando. Shaka se aproximou dela, a mulher ergueu os olhos castanhos e acabou presa no olhar azul do médico.


— Eu sinto muito... — ela disse chorando.


— Eu sinto muito mais que você, Marin — disse amargo. — Não vou matá-la, pois quero que apodreça na cadeia, como provavelmente aconteceria comigo.


Deu-lhe as costas e nesse momento a polícia entrava no chalé e algemava os bandidos. Com extintores de incêndios, eles deram fim ao fogo que se iniciava.



Shaka e Shun correram até Ikki e Hyoga que continuavam desacordados. Ainda assim, os abraçaram aliviados. Logo os para-médicos eram chamados para tentarem chama-los a consciência.



Quando Ikki acordou, sentindo uma forte dor de cabeça como se despertasse depois de uma noite de bebedeira, encontrou os olhos de Shaka sobre si. Sentiu o cheiro de fumaça e percebeu a movimentação dentro da sua casa. Imediatamente, sua mente rápida tentou recordar-se dos acontecimentos anteriores, mas perdeu a capacidade de pensar ao mirar os olhos úmidos e apaixonados do médico.


— Meu amor, eu tive tanto medo de perdê-lo... — murmurou o pediatra afagando o rosto do mais jovem.


— Hum... gosto que me chame assim — sorriu Ikki e o loiro entendeu de imediato que ele estava dizendo, pois nunca se mostrara muito carinhoso e sempre tentou manter certa distância emocional. Lembrou-se que era assim também com Mu e isso doeu.


— Desculpe-me por ter sido tão cretino — pediu baixando o olhar.


— Cretino, você?


— Eu lutei o tempo todo para não admitir que... Ikki... Eu sempre fugir dos meus sentimentos, porque... Eu sempre tive muito medo de perder o controle, perdoe-me — confessou com lágrimas nos olhos numa mistura de dor, vergonha, culpa e alívio. A culpa pela morte de Mu não o deixava e a possibilidade do moreno também se ferir por sua causa, tornava tudo pior.


— Ei... — Ikki segurou-lhe o queixo. — Está tudo bem... agora me dá um beijo...


Shaka colou seus lábios aos dele e deixou que as lágrimas escapassem. Ikki se sentou e o abraçou. — Está tudo bem, loiro, agora está tudo bem — afagou-lhe os cabelos e então, percebeu, mesmo ainda zonzo, a mancha de sangue na camisa do médico. — Você está ferido!


— Estou bem, pegou de raspão... — replicou o médico, mas o ferimento estava mesmo dolorido.


— Mas Shaka, você precisa de cuidados, você... — foi interrompido por outro beijo. É, aquele loiro tinha aprendido rapidinho formas de calá-lo.


— Estou bem, a ambulância está aqui, já, já faço um curativo nisso — sorriu abraçando-o novamente com força, completamente aliviado por tudo ter terminado bem.


Ikki então quis saber de tudo e Shaka começou a narrar todos os fatos que o levaram ali.


Shun e Hyoga permaneciam abraçados, não se moveram um centímetro desde que o loiro despertou, até que um policial se aproximou dizendo que precisaria do depoimento de todos. O russo ainda sentia a cabeça girar devido ao sedativo e o produto usado para acordá-lo. Não demorou a imprensa chegar, agora juntavam-se o barulho de sirenes das ambulâncias e os fleches de fotógrafos. A única coisa que eles queriam era sair dali o mais rápido possível.


Shiryu junto à equipe policial afastou os jornalistas fazendo um cordão de isolamento de frente a casa. Depois, levou as vítimas ao local onde estavam as ambulâncias. Todos foram atendidos e examinados. Constatado que estava tudo bem, seriam colhidos os depoimentos e eles seriam liberados.


Horas depois, Shaka estava sentado numa maca enquanto uma enfermeira saturava o ferimento em seu braço. Ikki, envolvido em um grosso cobertor, se aproximou dele e o encarou com um meio sorriso confortador.


— Agora terminou não é mesmo? — disse sentindo um profundo alívio no peito.


— Sim — murmurou o médico. — Mas é tão triste pensar que por dinheiro fomos traídos por aqueles que chamávamos de amigos... Ainda é difícil acreditar.


O moreno afagou-lhe os cabelos. — Eu sei que dói, mas temos que superar e continuar vivendo. Você fez tudo que pode...


Uma lágrima desceu pelo rosto do loiro e Ikki a colheu com o polegar. A enfermeira se afastou após terminar o curativo e o advogado se sentou ao lado do médico e o beijou.


— Vamos sair daqui? — Shaka sugeriu.


— Essa é NOSSA casa — sorriu Ikki. — Temos até uma horta agora, esqueceu?


O loiro riu. — Não, não esqueci, mas hoje ela está muito movimentada, eu prefiro ir para um quarto de hotel.


O moreno lhe estendeu a mão concordando e eles resolveram sair dali.


–------//--------

Shun estava ao lado de Shiryu que anotava algumas questões referentes ao ocorrido. O agente já havia informado sobre a morte de Mime e Aiolia e explicado sobre o esquema de tráfico de órgãos.


— Shun, eu nunca pensei que você pudesse ser tão corajoso, você se arriscou muito, sabia? — elogiou Shiryu.


O mais jovem riu. — Não diria corajoso, Shi, e sim, curioso!


— A curiosidade matou o gato — ouviu a voz irônica de Hyoga que se aproximava com seu jeito sedutor. Shiryu sorriu e arranjou algum pretexto para deixá-los a sós. — E então? Agora espero que o senhor pare de se meter em encrencas, agente Shun Amamiya.


— Bem, eu preciso estudar um pouco para me envolver em encrencas ainda maiores então acho que ficarei fora de ação por uns tempos — sorriu provocativo.


Hyoga tocou-lhe o rosto com carinho o olhando nos olhos.


— Senti muito medo de não vê-lo mais... Eu te amo, Shun, acredite...


— Eu acredito, Hyoga — o agente o abraçou forte, fechando os olhos e ficaram assim até serem... bruscamente interrompidos.


— Muito bem, agora que os dois se entenderam, que tal me explicar o que está acontecendo? — a voz grave e imperiosa de Ikki se fez ouvir e os dois se afastaram como adolescentes pegos em flagrante por um pai repressor.


Shun riu sem jeito. — Ah, irmão, algumas coisas mudaram e... Bem, precisamos conversar!

*** Desejos vitais***


Os dias que se seguiram foram movimentados. Abriu-se investigação no Ross Hamilton Hospital. A equipe médica foi afastada, vários médicos presos, inclusive o vice-diretor.


O corpo de Saga foi retirado do lago Paine e Marin aguardaria o julgamento na penitenciária local. A imprensa não parava de comentar o escândalo do tráfico de órgão e de como Mu Gyatso tentou detê-lo se tornando o mártir que os jornais sensacionalistas tanto gostavam.


Várias pessoas fizeram homenagens ao médico acendendo velas e deixando flores na porta da casa onde ele morreu. O nome Phalke também ocupou as manchetes durante muito tempo. Todos ansiavam por uma entrevista com o pediatra, mas Shaka se recolheu em reclusão enquanto aguardava o julgamento. O julgamento ainda aconteceria, somente por questões legais.


Shun e Hyoga estavam no apartamento do policial. Tiraram alguns dias de folga depois dos difíceis acontecimentos e aproveitavam os momentos juntos como se fossem os últimos.


— Já recebeu a carta de Harvard? — indagou o loiro entregando uma taça de sorvete ao mais novo e se sentando ao seu lado no sofá.


— Não. Já me sinto ansioso, será que eles vão me aceitar?

— Claro que vão, você é brilhante! — falou Hyoga dando um suave beijo nos lábios do amado.


Shun sorriu e afagou o rosto do namorado.


— Você está pronto agora, Hyoga?


— Pronto pra que, Shun?


— Lembra-se de uma conversa que tivemos uma vez sobre se entregar ao amor?


— Ferrou! Namorar o melhor amigo nos coloca em situações embaraçosas! — riu o russo ficando vermelho com a lembrança. — Sim, me lembro.


— Você me disse que não sentia o Ikki completo na relação de vocês, mas que não poderia cobrar porque de certa forma, você também não se entregava completamente desde o passado com Isaac.


O advogado se recostou melhor no sofá olhando para o teto. — Isaac foi meu primeiro amor, Shun, ser traído por ele me marcou muito e eu havia decidido não cair mais na armadilha da paixão. Mas com você é diferente... — passou o polegar no rosto macio do amante — Com você é amor e não estou nem um pouco preocupado se dará certo ou não, quero apenas viver o agora.


— Hyoga, por que você é tão burro?


— Quê? — murmurou o russo chocado.


— Demorou demais a descobrir que sou o homem da sua vida, só podia ser loiro! — provocou Shun e foi puxado e jogado no sofá, rindo sem parar.


— É espertinho? — tornou Hyoga divertido — Então vou te mostrar do que um loiro é capaz!


O agente sorriu e, esquecendo o pote de sorvete sobre a mesa, aceitou os beijos e carícias do namorado, se entregando aos seus braços.



Dias depois, Shaka e Ikki finalmente conseguiram voltar para o chalé. O pediatra observava a pequena horta que começava a brotar no quintal da casa e um sorriso ocupou seu rosto. A vida retornava, continuava, mesmo sem Mu.

Um profundo aperto tomou seu peito ao pensar no cardiologista, mas logo sentiu braços fortes envolverem sua cintura e suspirou de prazer, espantando a tristeza e deliciando-se com a proximidade daquele corpo quente e rígido.


— Hum... teremos legumes frescos na primavera! — brincou o moreno mordiscando-lhe a orelha.


— Minha entrada em sua vida fará dela mais saudável, doutor — virou-se o enlaçando pelo pescoço.


— Mais ativa também... — murmurou o advogado roucamente, descendo os lábios pelo pescoço do médico.


— Hum... adoro exercícios matinais... — murmurou o loiro e deixou-se guiar para o quarto, onde amaram-se loucamente.


Deitados na cama, a cabeça de Shaka apoiava-se no peito forte de Ikki, enquanto o loiro depositava pequenos beijos na pele amorenada e tinha os cabelos trigueiros afagados pelo moreno. Ficaram nessa brincadeira até que o médico suspirou e relaxou sobre a superfície rígida do tórax do advogado, sentindo o torpor do sono querendo invadi-lo. Ikki então, esticou o braço e pegou uma pequena caixa dentro do criado-mudo.


— Shaka, vamos a um lugar agora à tarde — disse suavemente.


— Onde? — quis saber o médico manhoso.


— Acho que você deve algo a uma pessoa...


Shaka ergueu uma sobrancelha. — O que?


— Você confia em mim?


— Sim, confio, muito — falou com convicção.


— Então apenas me siga.


— Para qualquer lugar, doutor — falou antes de tomar-lhe os lábios. — Mas depois, agora quero apenas dormir em seus braços.


Ikki sorriu e permitiu que ele descansasse.


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Quando o advogado estacionou o carro, o loiro mirou o local estranhando. O que eles estavam fazendo ali? Seu coração disparava no peito e ele, instintivamente, apertava o pequeno baú de madeira entre mãos. Ikki havia pedido que ele o levasse, pois Shaka, alguns dias antes, lhe confidenciara a história do rubi, porque, no mais profundo de sua alma, aquela história ainda o perseguia, era como se devesse alguma coisa e não conseguia se livrar dessa sensação. Acreditava piamente que Mu estava bem e que nada o cobrava, mas era algo mais forte que sua razão. No fundo se sentia em falta com o falecido amante.


— O que estamos fazendo aqui? — indagou sentindo um nó na garganta. Encarou o advogado que continuava com seu semblante tranqüilo e fechado, enquanto abria a porta do carro e saía. Shaka fez o mesmo sendo atingido pela brisa fresca de início de primavera que beijava aquela enseada.


— Vim falar com o Mu — respondeu Ikki com uma surpreendente tranqüilidade.


O loiro franziu a testa. Era a primeira vez que o moreno se referia ao seu ex-companheiro pelo nome. Antes ele era apenas “Gyatso”, um caso, nada mais que isso, mas agora havia uma entonação diferente ao pronunciar apenas o primeiro nome do cardiologista morto.


— E o que você quer falar com ele? — indagou apreensivo, embora a voz permanecesse calma.


O moreno se aproximou do médico e deixou escapar um meio sorriso ladinamente sedutor. Com cuidado, retirou do bolso da jeans que vestia, uma pequena caixa de veludo. — Quero dizer a ele: Mu, obrigado por ter tomado conta do loiro até eu encontrá-lo. Sei que vocês se amaram muito, mas agora ele é meu, mas eu respeito tudo que vocês viveram, sei que foi forte e verdadeiro e que sua lembrança sempre estará no coração do Shaka, mas entenda, agora ele é meu. Por isso, trouxemos algo para você, para que seu coração não fique solitário nessa viagem que empreendes... — abriu a pequena caixa de veludo e nela, Shaka pode ver uma pequena pedra azul, uma safira, em formato de coração.


O médico abriu os olhos ao limite não acreditando no que via. Seu coração acelerou e ele sentiu-se trêmulo.


— Você... você não... — não conseguiu dizer o que pensava, porque estava surpreso demais para falar alguma coisa coerente. — Ikki, eu.... obrigado! — abraçou o moreno, deixando que as lágrimas descessem por seu rosto sem mais nenhum receio de deixá-las cair.


O advogado apenas sorriu e o acolheu nos braços, deixando que ele chorasse em seu ombro.


Depois que Shaka se acalmou, ambos foram até a velha árvore que começava a exibir folhas verdes já brindada pela primavera e, colocando as duas pedras dentro do baú, o depositaram entre suas raízes, bem fundo.


O loiro fez uma oração, agradecendo por todos os momentos em que ele e o cardiologista forma felizes, dizendo que agora Mu poderia descansar em paz e que ele, Shaka, também viveria em paz.


De olhos fechados, sentindo a brisa fresca da primavera, ele percebia a presença cálida de Mu que se depositava em seu coração, local onde ele sempre viveria. Sorriu satisfeito, sabendo-se abençoado por ter tido a chance de conhecer e conviver com alguém tão especial quanto Mu Gyatso Salwenn. Tinha certeza de que ele estava bem, muito bem.


Enquanto observava o loiro de joelho de frente a árvore, Ikki, inconscientemente, agradecia por tudo ter chegado ao fim e mais, agradecia a Mu por ter, de certa forma, trazido Shaka à sua vida.


— Vamos? — falou o loiro se erguendo e enxugando o rosto com um sorriso.


— Vamos — devolveu Ikki suavemente, envolvendo os ombros do amado.


— É engraçado — tornou Shaka enquanto caminhava e olhava para trás — Eu nunca tinha visto essa árvore assim, verde. Sempre que vínhamos aqui, ela estava ressequida, mas agora.... parece que finalmente a primavera chegou.


— Para você também, Shaka — sorriu e beijo-o no rosto. — O frio foi embora, agora virão as flores.


— Ikki, eu te amo — falou sem mais nenhum receio de se expor, agora viveria intensa e apaixonadamente.


— Eu também te amo muito, loiro.


Beijou-lhe os lábios e seguiram felizes para começarem, a partir dali, uma nova história.

Fim


Notas finais
OBSERVAÇÕES:
1 Eu amo o Aiolia (embora ele se ferre em muitas fics minhas hehehehe).
2 Saga é meu vilão de praxe então aqui quis mudar as coisas para não deixar as coisas óbvias demais.
3 Não sei escrever ação muito bem, então perdoem se as cenas ficaram toscas.
4 O envolvimento do Mime não estava previsto desde o início da fic, pensei de última hora é verdade.
BEIJOS ESPECIAIS A TODOS AQUELES QUE ACOMPANHARAM, AOS QUE DEIXARAM ALGUM COMENTÁRIO DE INCENTIVO PRINCIPALMENTE, MAS AOS SILENCIOSOS TAMBÉM, e se não for pedir muito, peço que comentem o final, seja com críticas, dúvidas, sugestões ou protestos XD! Recomendações e elogios são muito bem vindos também ** cara de pau mode on***
A todos vocês que sempre deixaram um feedback meu mais sincero carinho!
Anjosdastrevas, Nina Corttinelly, Bia Elric, maah_belee, grazita, Maya Amamiya, Jukie, MillaSnape, virgo nyah, KitsuneKiki, Alexia-Black, jak_ariana, Marcio_Uchira, ddkcarolina, Larrissa_Traum, JuHaruno, ShakaAmamiya, Meguari Uchiha, vivisctn, yuy, Maga do 4, Keronekoi, Matsumoto-chan, _-_Patysinha_-_,Litha_chan, Kao, darkyumi, Álefe, Agathachan, guima, Hanajima, Pandora Hiei, Aiko chan.
OBRIGADA DE CORAÇÃO ATÉ O EPÍLOGO!
Sion Neblina