Aflorando

Capítulo 4

- Aqui deveria estar à primeira câmera, a que veria toda a movimentação do corredor, e aqui a segunda, diretamente dentro da cela seis, onde estava o médico. – Shiryu mostrava as fotos tiradas na detenção do departamento de polícia no dia seguinte ao atentado.

- Sim, só que as câmeras foram para a manutenção um dia antes. Preciso saber quem assinou a autorização de retirada. – volveu Shun ajeitando os óculos sobre o nariz – Isso não faz sentido, deixar um presídio sem câmeras.

- Suspeito realmente. – respondeu Shiryu – O diretor disse que não sabia da retirada das câmeras, e em meio a tudo isso, um detento quase foi espancado até a morte.

- Eu fiz as fotos, Shi, eu sei o que aconteceu ali. Houve conivência e pedirei que todos os policiais sejam afastados sob suspeita. Agora preciso saber se o diretor está envolvido, preciso da cópia do pedido de manutenção.

- Você tem os relatórios médicos? – insistiu o chinês.

- Sim. Ele partiu duas costelas, teve o pulmão perfurado o que causou hemorragia interna; o objeto cortante não foi encontrado, passando a milímetros do coração...

- Ufa! Esse cara tem muita sorte em estar vivo. – analisou o policial – Pensei que estaria desfigurado depois de tudo isso...

- Não. – sorriu Shun – Ele continua lindo... – corou com as próprias palavras – Digo... Além da cicatriz que ele deve ter no peito, nem parece que sofreu tudo isso...

- Eu entendi, Shun. – riu Shiryu do jeito encabulado do amigo – Realmente, o doutor Phalke é bonito. Mas não vamos esquecer que é um possível assassino.

- Falou bem, um possível! – riu Shun, pegando outro pedaço de pizza – Estou com fome!

- Estou vendo. – continuou Shiryu enquanto examinava outras fotos – Olha, nessa temos seu irmão!

Shun, ainda mastigando, deixou o pedaço da pizza na caixa, limpando os dedos na camiseta que vestia, como uma criança, o que fez o colega rir, antes de segurar a foto.

- É o Ikki, sim... – estranhou – Quando foi?

- No dia anterior a remoção das câmeras de segurança.

- O que ele estaria fazendo lá?

- Visitando o cliente. – deu de ombro Shiryu.

- Sim, mas não me lembro de ele ter me dito que chegou a visitá-lo no presídio...

Shun se calou ao ouvir a campainha.

- Quem será? Avisei ao Mime que estaria trabalhando. – estranhou e caminhou até a porta.

Engoliu em seco ao verificar pelo olho mágico. Encostou-se a porta, suspirando.

- É o Hyoga...

Shiryu fez um sinal de ombro como se dissesse: O que está esperando? E Shun abriu, vendo o advogado parado, com uma mão apoiada na parede.

- Oi, Shun, eu posso entrar? – perguntou o russo que tinha um semblante cansado.

- Claro que sim, aconteceu alguma coisa? – indagou o mais jovem.

- Preciso conversar... – o loiro se interrompeu ao perceber que o amigo não estava sozinho – Desculpe, deveria ter ligado.

- Eu... eu estou trabalhando... – disse o policial sem jeito – É importante?

- Sim, mas posso esperar. Eu volto amanhã.

- Tem certeza? – os olhos verdes interrogaram os azuis do amigo. Shun não gostava de expressão de Hyoga.

- Claro que tenho! – riu o russo tentando parecer descontraído – Está uma noite fria, vou beber alguma coisa e depois vou pra casa.

- O Ikki...

- Não. – o loiro cortou, olhando fundo os olhos de Shun – Eu não verei o Ikki hoje.

Shun não entendeu aquela declaração, nem queria. Aliás, a única coisa que queria naquele momento era terminar de verificar as evidências encontradas por Shiryu e dormir.

- Então até amanhã, Hyoga...

- Até amanhã, Shun. – o russo beijou o menor no rosto, causando-lhe um leve rubor. Depois foi embora.

Shun ficou um tempo parado de frente a porta, antes de fechá-la e voltar à sala.

-----Desejos Vitais-----

Depois que jantaram, Ikki e Shaka se sentaram na sala. O loiro tomava um chá de alguma folha esquisita, como disse o advogado, e Ikki experimentava um cálice de licor.

- Bem, doutor, chegou o momento. – informou o advogado – Tenho que fazer algumas perguntas para estabelecer minha base de defesa, caso formos a um tribunal.

Shaka respirou fundo, pousou a xícara na mesa, e cruzou os braços.

- O que quer saber?

- Precisamos falar da noite do assassinato do Sawenn.

- O nome dele era Mu.

- Sim, preciso falar daquela noite. – assentiu Ikki pouco paciente.

- Pra você tanto faz, não é? Não é uma pessoa é um caso. – disse o médico – Mas tudo bem, falarei, doutor.

Ikki o mirou detalhadamente por um tempo antes de continuar.

- Fale-me de sua rotina naquele dia. – pediu pegando uma prancheta e lápis. Preferia não começar uma discussão com o cliente.

- Igual a todas as outras. Acordamos por volta das oito, fomos trabalhar, chegamos a casa mais ou menos as sete...

- Chegaram juntos?

- Não, eu cheguei primeiro. – falou Shaka incomodado – Isso é importante?

- Preciso de todos os detalhes. Sei que já passou por isso no interrogatório, mas eu realmente preciso saber de tudo. Por favor, continue... – tornou Ikki friamente.

- Eu pedi comida italiana, porque teríamos convidados naquela noite...

- Quem eram os convidados?

- Um casal de amigos.

- Quem?

- Aiolia e Marin.

- Continue...

- Jantamos. Passamos mais ou menos três horas juntos, até que eles foram embora... – Shaka pegou a xícara e provou o chá novamente – Lavamos a louça e fomos para o quarto... O resto você já sabe...

- Não, Shaka, eu não sei. Preciso que me fale. – insistiu Ikki com cuidado – Até o momento você não me disse nada, apesar de ter falado com a polícia, por quê?

- Não suporto mais repetir essa história. – volveu o loiro terminando o chá e colocando a xícara novamente na mesa, encarando o advogado.

- Sei que é doloroso, mas preciso de cada detalhe que puder me informar.

- Detalhe? Eu acordei no meio da noite e o encontrei morto no chão da nossa cozinha! – as palavras saíram mais altas e emocionais do que o médico queria. Shaka suspirou e fechou os olhos tentando dominar o ímpeto que o assaltou.

- Suas digitais estavam nele, suas mãos sujas de sangue e a arma do crime não foi encontrada! – irritou-se Ikki – Então é melhor começar a ser sincero comigo!

- Você também acha que o matei? – o médico cruzou os braços numa posição de autodefesa que demonstrava pela primeira vez fragilidade – Eu não o matei. Como deve saber, não foi encontrado vestígios de pólvora em minhas mãos.

- Isso não o inocenta. Havia sinais de agressão. Seu sêmen foi encontrado no corpo da vítima.

- Éramos amantes o que queria? – sorriu com escárnio.

- Em nenhum momento você me disse que transaram naquela noite. – advertiu Ikki um pouco incomodado em ter que tocar naquele assunto.

- O senhor está querendo detalhes demais. – suspirou cansado – Não preciso expor minha vida íntima dessa forma. Isso é muito pessoal, doutor Amamiya.

- Expor sua intimidade e do doutor Gyatso não é de forma alguma minha intenção, se estou perguntando coisas desse tipo é porque é extremamente necessário saber cada detalhe, para a sua defesa. Não sinto prazer nenhum com isso. – declarou Ikki sério.

- Sim, transamos aquela noite... – os dedos de Shaka se afundaram em seus cabelos e ele baixou a cabeça – Eu não sei como isso aconteceu...Eu apenas quero acordar desse pesadelo...

- Precisa confiar em mim. – insistiu Ikki – Sou o único que pode ajudá-lo.

- O Mu estava estranho. Andava nervoso e... ele era uma pessoa muito calma...

- Lembra-se de algum fato que possa tê-lo incomodado?

- Ele não gostava de me preocupar. – sorriu Shaka com amargura – Ele dizia que eu tinha mania de querer resolver tudo e admito que sou um pouco dominador...

- Um pouco? – sorriu Ikki, fazendo o cliente sorrir também.

- Sou muito dominador. – corrigiu-se Shaka.

Ikki, sorrindo encabulado, voltou a olhar a prancheta.

- Trabalhavam no mesmo hospital não era?

- Sim, mas em setores diferentes, sou pediatra, o Mu era cirurgião cardiologista.

- Conte-me como era a relação de vocês.

- Calma e harmoniosa. – declarou Shaka firme – Além de amantes, éramos muito amigos e companheiros...

- O doutor Gyatso tinha algum inimigo?

- O Mu? – Shaka riu – Não, de forma alguma, ele era uma pessoa extremamente doce e compreensiva. As pessoas gostavam muito dele. Não havia uma só pessoa que não o amasse.

- E a família dele? Parece que vocês não se davam muito bem.

- Eles não aceitavam muito bem nossa relação, se é que me entende.

- Sim, entendo. – volveu Ikki muito sério – Soube que passaram muito tempo longe do país...

- Sim, passamos dois anos no Tibet. O Mu nasceu no Tibet.

Ikki calou-se e voltou a examinar a ficha que tinha em mãos.

- Eu gostaria de conversar com os amigos que jantaram com vocês àquela noite...

- Você conheceu o Aiolia hoje. Ele é o médico que cuidou do seu irmão. – informou Shaka – Não se lembra?

- Naquele momento, não estava muito bom para nomes... – lembrou-lhe o advogado.

- Sim, compreendo. – assentiu o loiro – Mais alguma coisa, doutor Amamiya?

Ikki encarou o cliente. Chegara o momento, o momento mais difícil daquilo tudo. Era terrível, mas teria que ser feito.

- Preciso que você olhe algumas fotos, Shaka. São fotos do... Mu... morto...

O indiano empalideceu mortalmente enquanto o advogado pegava um envelope.

- Você pode fazer isso? – perguntou Ikki, vendo a hesitação no rosto do mais velho – Não o estou obrigando, mas penso que possa achar alguma coisa nas fotos, que nos ajude...

- Tudo bem. – balbuciou o médico. Ikki colocou as fotos sobre a mesa, mas ainda viradas para baixo. Mirou o médico mais uma vez, percebendo que ele crispava o rosto, tentando esconder qualquer sinal de perturbação.

- Tem certeza?

- Não, eu não tenho certeza. – Shaka se ergueu do sofá, caminhando até a janela. Tentando respirar pausadamente para recuperar a calma – Não sou forte o suficiente. O Mu se envergonharia...

Interrompeu-se ao sentir a mão do advogado em seu ombro. Virou-se lentamente, e seus olhos encontraram os escuros de Ikki.

- Isso não é fraqueza, loiro, você o amava...

- Será que o amava mesmo, doutor? Eu... eu não consigo nem mesmo chorar. Ele morreu e eu nem chorei! Parece que algo me entorpeceu até agora e vejo tudo como se fosse um sonho distante. – o pediatra baixou a cabeça, mas Ikki ergueu-lhe o queixo, voltando a encará-lo.

- Você é forte, loiro, vai sair dessa...

Shaka sentiu-se estremecer, a comoção que se apoderava de si era incontrolável. A possibilidade de voltar àquela cena terrível o desolava.

- Sou patético! Tanto tempo de treinamento no Himalaia para voltar aqui e... – seus olhos marejaram – E eu nem conseguir chorar por ele! Eu nunca o mereci, nunca! A família dele sempre teve razão. – soluços soltaram de sua garganta, junto com as lágrimas que finalmente se derramavam. Ikki, enternecido, o puxou pra si, num abraço apertado, tentando consolá-lo.

- Snn... Não fale isso. Claro que você o merecia, você o amava. – disse afagando os cabelos macios do médico, carinhosamente, enquanto Shaka escondia o rosto em seu ombro, soluçando.

Ficaram assim por alguns minutos. O indiano ergueu a cabeça quando adquiriu maior controle das suas emoções.

Ikki olhou novamente nos belos olhos azuis do médico. Sorriu e afagou-lhe o rosto.

- Chorar faz bem.

- Desculpe-me, doutor. – pediu Shaka envergonhado, afastando-se rapidamente do advogado – Eu... eu preciso dormir, boa noite...

Caminhou em direção ao quarto, sem olhar pra trás. Ikki o seguiu com o olhar, até que ele desapareceu no corredor, então resolveu que era hora de dormir, também.

-----Amor e morte----

O barulho insistente da campainha despertou o agente. Shun espreguiçou-se, consultando o relógio.

- Três e meia da manhã, mas...? – ergueu-se da cama, caminhando a passos rápidos para a sala, acendendo a luz e olhando pelo olho mágico.

- Hyoga?! – espantou-se o mais jovem, abrindo a porta – O que você está fazendo aqui?!

- Eu precisava falar com você, Shun...

O mais jovem piscou. Hyoga demonstrava claramente seu grau de perturbação; seus cabelos estavam bagunçados, e Shun sabia da mania que o amigo possuía de quando ficar nervoso, bagunçar o cabelo.

- O... o que aconteceu, Hyoga? – perguntou confuso – Algo com meu irmão?

- Não, Shun, isso não tem nada a ver com seu irmão. – respondeu o rapaz.

- Então...?

O russo entrou no apartamento. Shun fechou a porta, voltando-se para encarar o amigo.

- Desculpe-me, Shun, mas eu preciso saber...

- Saber? Saber o quê?

- Saber o que sinto...

Sem esperar resposta, o loiro puxou o mais jovem pra si e o beijou. Shun aturdido lutou, se libertando dos seus braços abruptamente, se afastando do amigo.

- Você ficou louco?! – gritou enxugando os lábios molhados com as costas da mão, sentindo o coração descompassado do peito.

- Shun, eu...

- Cale a boca! – esbravejou o mais jovem cheio de mágoa, os olhos marejando embora não quisesse. Nunca odiou tanto sua sensibilidade – Você não tem esse direito, não tem o direito de vir aqui brincar comigo!

Hyoga o encarou confuso.

- Eu não estou brincando, Shun...

- Não? Pelo que eu saiba, você é namorado do meu irmão! – volveu trêmulo – O que você quer, Hyoga? Não basta o que... o que sempre fez comigo?!

O loiro passou as mãos nos cabelos. Passara a noite inteira se indagando sobre seus sentimentos, até que chegou a conclusão que a única forma de se certificar do que sentia era pondo a pele à prova. Talvez tenha sido a ideia mais absurda que poderia ter, mesmo assim ele foi procurar Shun...

- Shun, eu... eu estive pensando sobre nós dois...

- Nós dois? – Shun repetiu incrédulo – E desde quando há nós dois?

Hyoga engoliu em seco.

- Talvez, estejamos mentindo pra nós mesmo. – declarou o russo encarando os olhos magoados do amigo – Acho que sempre existiu, só que... só que estivemos cegos até hoje...

- Está enganado, Hyoga, eu nunca estive cego. – volveu Shun caminhando até a porta novamente e a abrindo – Sai. Sai daqui, por favor...

- Shun, precisamos conversar. – insistiu Hyoga – Meus sentimentos...

- Seus sentimentos estão confusos, só isso. – cortou o mais jovem – Quando você souber o que quer, Hyoga, me procure e conversaremos. Agora, se for para aparecer no meio da madrugada em meu apartamento, falando que deseja tirar a prova dos seus sentimentos, como se eu fosse um brinquedo que você pode manipular como quer, esqueça! Nesse caso, eu não quero nem mesmo sua amizade!

- Não é nada disso, Shun! – desesperou-se o loiro, não queria magoar o amigo, mas fora exatamente o que fez.

- Então o que é? – as lágrimas caíram, embora ele odiasse isso e quisesse esconder.

Hyoga não soube o que responder. O que estava fazendo com seu melhor amigo? Que posição terrível deixara Shun por causa de um mero impulso? O mais jovem tinha razão; estava sendo tolo, egoísta e impulsivo.

- Shun, me perdoe...

- Vai embora...

- Eu só quero dizer que... que você é muito importante pra mim...

- Sai. – Shun deu-lhe as costas. Hyoga baixou a cabeça e saiu, terrivelmente envergonhado, e ainda mais confuso e perdido.

Shun tentou voltar a dormir, mas a alma em confusão não lhe deu sossego pelo resto da madrugada e ele chorou muito até amanhecer.

-----Desejos vitais-----

Quando Ikki acordou, como o esperado, Shaka já estava de pé, preparando o café da manhã. O moreno percebeu que seus olhos estavam inchados e com olheiras, sinais de uma noite insone.

- Bom dia, loiro...

- Loiro? – indagou o médico, rindo para esconder o incômodo – Será que não pode me chamar de Shaka ou de Phalke, qualquer coisa que não seja loiro?

- Até ontem à noite isso não parecia incomodá-lo. – volveu Ikki ajeitando a gravata.

- Até ontem à noite muitas coisas não me incomodavam. Encare isso como uma metamorfose, ontem eu era Henry Jekill, hoje sou Mister Hyde*.

Ikki ajeitou o terno e mirou o médico severamente. Shaka continuou a colocar o café na caneca sem encará-lo, mas sua tensão era clara.

- Chorar na frente de alguém é tão humilhante que você nem consegue me olhar nos olhos, LOIRO? – fez questão de ressaltar a palavra e a ironia.

Shaka parou e suspirou, finalmente encarando o moreno.

- Acho melhor dar um basta nessa situação, doutor. – declarou sério.

- Que situação, Shaka? – indagou Ikki mirando o médico profundamente.

- Eu estou indo para um hotel, senhor advogado. – respondeu, engolindo em seco – Agradeço tudo que fez por mim, mas acho que chegou à hora e retomar minha vida.

- Por quê?

- É melhor assim.

- Por que é melhor assim, Shaka? – insistiu, não deixaria que ele fugisse.

- Para evitar que cometa mais erros em minha vida. – respondeu nervoso – Tome, beba seu café!

Entregou a caneca ao advogado e sairia, mas Ikki o segurou pelo pulso. Shaka baixou a cabeça, incapaz de encarar o moreno.

- Que tipos de erro, doutor Phalke?

- Erros como os de ontem à noite... – confessou – Por favor, doutor, não vamos insistir nisso...

Ikki libertou o braço que segurava, e Shaka se afastou, pegando sua própria caneca e se recostando na pia para beber o café. Ficaram em silêncio por um tempo, até que o advogado se aproximou para colocar a caneca na pia, ficando bem perto do loiro, o olhando fixamente; Shaka ergueu os olhos ressabiados para ele.

- Escuta, doutor Phalke. – começou o moreno – Quando voltar pra casa, nós dois conversaremos sobre isso, certo? Por enquanto, nada de atitudes intempestivas.

O cliente o encarou com muita convicção no olhar.

- Se há algo que não sou, doutor, é intempestivo. Todas minhas atitudes são muito pensadas, tenha certeza disso.

- Ótimo! – sorriu Ikki correspondendo o olhar duro dele com outro igualmente duro – Pois saiba que sou o contrário. Eu quero encontrá-lo aqui quando voltar e que saiba que eu fico tão insano quanto Mister Hide quando contrariado e diferente do senhor, doutor Phalke, faço coisas intempestivas o tempo inteiro.

- Não tente esses jogos comigo, garoto. – advertiu o loiro ainda mais sério.

- Então me desafie, doutor Phalke, pague pra ver e logo terá a certeza que não haverá Wing chun, Shaolin Quan ou Tui shou que me impeça de ensinar-lhe uma boa lição.

Shaka não respondeu. Continuou onde estava, segurando fortemente a caneca em uma das mãos. Ikki se afastou, vestiu o terno e pegou sua pasta, saindo em seguida.

Continua...

Notas finais
Hannah Elric, anjodastrevas, Alexia-Black, ddd, Maya Amamiya, Maga do 4

Beijos a todas vocês e obrigada pelo carinho!

Sion Neblina