Desejos Mortais - Além do céu e do Inferno.
3 Desespero.
Notas iniciais
A garota acordou assustada, já estava anoitecendo, e seu corpo começava a queimar. Levantou e saíu daquele lugar, o céu já estava começando a ter estrelas, e o desespero tomou conta dela. Ela não sabia onde estava, e não queria mais matar, sentiu o cheiro de bondade vindo da blusa do anjo, como queria que ele tivesse matado ela. Seu corpo ardeu com mais força, mas nada aconteceu, ela sentia a mesma dor de sempre, mas não sentia ele dentro dela... O que está havendo?
Seus olhos arderam, e sangue começou a escorrer, mas ele não estava ali, por que não estava ali? Ela ouviu os gritos em sua mente, e se preparou para a sua chegada, mas não veio. O despero voltou, O QUE ESTAVA HAVENDO?
Pare de me bloquear, sua maldita. – ela ouviu a voz dele em sua mente -
Te bolquear? Não estou fazendo isso... Estou?
Luna Luna, se não me deixar entrar, vai ser pior...
Mestre... Eu não estou fazendo nada!
Desgraçada!... Espere, é o bloqueio! Ele fez um bloqueio em você, Estevão fez isso! Retire o bloqueio agora Luna!
Um bloqueio? Eu... Não!... Não vou tira-lo, não quero você dentro de mim! Ele disse... Ele disse que posso te impedir!
Mas o que?! Se você não retirar esse maldito bloqueio, vai ser muito pior sua maldita, e você sabe disso!
Não! Não! Não! Vai embora!
Ele gargalhou em sua mente.
Desgraçada.
E então aconteçeu, ele rompeu o bloqueio e a invadiu, seu corpo queimou, e levitou... Aquilo nunca tinha acontecido, ele tinha usado muita força, o corpo da garota estava prestes a explodir, mas de repente ele parou. E ela já não tinha mais consciência, só podia sentir aquela dor devastadora.
Eu disse que ia ser pior.
°°°
– Ora, ora, ora Estevão, eu nunca esperaria isso de você! – disse Salbes calmo como sempre, mas ele podia sentir a ira na voz do seu superior –
– Eu... Perdão Salbes! Eu não pude mata-lá... Ela ainda resiste á ele, ainda tem chances de ser uma boa pessoa, ela...
– Cale-se – ele disse severo – Ele á domina Estevão, e você sabe disso... Ela vai matar todos nós, ele sabe nosso ponto fraco irmão! Mate-á mais rapido possível, se não... Eu mesmo farei! Por que só nós dois somos capazes Estevão, e você sabe disso.
O anjo assentiu em silêncio, e sentiu um aperto no coração. Salbes pode sentir o sentimento de seu irmão.
– Quem diria, Estevão o anjo sem sentimentos... Com dó! – ele balançou a cabeça negativamente e arrancou uma pena da asa de Estevão, fazendo o arcanjo gritar de dor – Você sabe o que aconteçe com anjos que se apaixonam por humanos, não sabe? – Estevão assentiu enquanto a dor ainda estava em seu corpo – Imagine oque aconteçe com um anjo que se apaixona por um... Demônio!
Salbes fez a pena dourada de Estevão pegar fogo somente com um olhar. O arcanjo ainda sentia dor, o ponto fraco dos anjos, era com toda a certeza, suas asas. A dor não era comparada a nenhuma dor humana, pois era deveras... Muito pior.
Estevão assentiu ofegante e se levantou.
– Eu vou cumprir a missão irmão... Nem que custe a minha vida.
°°°
A menina destruía o corpo de uma mulher, engolindo o sangue que jorrava pelas veias, e sentindo aquela sensação boa, a garota não gostava disso, mas não podia fazer mais nada, se o bloqueio não tinha sido forte o suficiente, somente força de vontade não serviria para nada.
Levantou limpando o sangue do rosto, a blusa branca já estava vermelha, e nessa noite ele estava insaciável, 17 almas ela já tinha dado á ele, e de nada serviria... Ele queria mais, e mais.
Mas então aquele calor voltou, e no fundo da sua consciência ela pode senti-lo... Ele veio para mata-lá... Para finalmente cumprir sua missão.
A menina se virou, e viu as asas reluzentes, que iluminaram o beco. Ela soltou uma gargalhada, e deixou a cabeça cair de lado.
– Vendo você assim... Me dá até saudades das minhas asas... As minhas lindas asas negras! – ele disse escondendo o enorme ódio que o dominava -
– Você que escolheu perde-lás... Irmão. – disse Estevão calmo –
– Eu acho que não... Você as arrancou com tanta vontade não é... Irmão?
– Eu sempre desconfiei de você Lúcifer... Desde o início! Você era um filho querido para ele... Por que escolheu esse lado?
– FILHO? – ela gargalhou – Eu não queria ser um mísero filho dele – Estevão estremeceu – Eu queria ser ele. E hoje sou, sou o Deus da morte, da dor, do medo, da fome, o Deus, que os humanos idolatram, mesmo sem saberem disso.
– Nem todos sabem, mas muitos sim... E esses que sabem do verdadeiro Deus, mudarão essa realidade... Irmão.
– Não. Me. Chame. Assim! – e então começou, a menina praticamente voou na direção de Estevão –
Seu corpo estava em chamas, e queimou o anjo quando encostou suas mãos nele, mas Estevão não se moveu, grudou a menina pelo pescoço, e não a soltou. Sentiu sua pele já derreter com a temperatura do corpo dela, mas continuou apertando.
O anjo levantou voou, elevando os dois corpos para o céu, ele iria mata-lá.
A estaca reluzia, e os olhos totalmente negros da menina viram aquilo, o demônio sabia oque estava aconteçendo. A estaca estava diferente... Aquilo era uma caça ao demônio! E o anjo poderia matar a garota somente encostando nela. Com esforço a menina levou suas mãos até as asas de Estevão, enquanto eles caíam rapidamente, ela arrancou três penas com força, o arcanjo quase perdeu a consciência, ele mal podia gritar de tanta dor, mas não iria perder. Era só cravar a estaca, só crava-lá.
Mas o demônio gargalhou, e arrancou agora, várias penas, Estevão soltou a garota e sentiu seu corpo desabar, ele já não tinha mais forças. Quando caíu no chão, ouviu um barulho estranho, e a dor aumentou, ele havia quebrado alguma coisa. Mal podia se levantar e havia perdido a estaca em algum lugar, ouviu um riso baixo e passos, mas ele não estava vendo direito. Ele iria arrancar suas asas.
Sentiu a menina levanta-lo pelos cabelos, e já não podia fazer quase nada... Mas juntou suas forças e recolheu suas asas, caíndo então, na completa escuridão do sono.
°°°
– DESGRAÇADO! – aquela voz grossa saía da menina – Maldito... Conseguiu recolher as asas!
O anjo estava caído ao chão, sua perna estava quebrada, e suas mãos estavam queimadas, mas já começavam a se curar... O demônio sabia que o único jeito que havia para derrotar um anjo, era anrrancar-lhe as asas, e queimar pena por pena com fogo divino. Ele não podia mais produzir aquele fogo, mas arrancar as asas dele seria bom... Ah, como seria! – era isso que ele pensava.
Ele já estava sem forças, e logo iria amanhacer, era a última lua cheia do mês, e não poderia mais invadi-lá... Até poderia, mas já tinha gasto muita energia, invadindo ela, se quebrasse o trato, provavelmente a menina morreria... E claro, tinha mais corpos para dominar, mais almas para recolher, muitos de seus servos o aguardavam... Mas ela com toda a certeza era a mais forte... A garota só precisava descobrir a sua força, e isso logo iria aconteçer... Quando ela desse completa liberdade para ele. Quando isso aconteçesse, não teria humano, anjo ou demônio, que poderia para-lá.
Sentiu a menina expulsa-lo... O sol já estava nascendo, olhou rapidamente para o anjo caído ao chão e sorriu, logo poderia mata-lo.
Luna recobrou os sentidos, seu corpo estava dolorido. Mas a menina perdeu a respiração quando viu Estevão aos seus pés, sua perna estava quebrada, e sangrava muito, suas mãos estavam praticamente derretidas. As lágrimas caíram, ela havia feito isso com ele. Olhou para os lados, logo as pessoas começariam a sair de suas casas. Pegou a estaca que estava um pouco distante e a guardou.
Com esforço levantou o anjo, jogou o mesmo com cuidado sobre seus ombros, e sentiu o peso dele querer derruba-la, mas a menina era forte, e não iria deixa-lo alí. Continuou andando com dificuldade, seu corpo implorava para que ela o largasse ali. Andou por horas e horas, até que estava em uma floresta, soltou o anjo sobre as folhas secas e se sentou a menina chorava de dor, mas tinha que ajuda-lo. Ela sabia que ele quase havia a matado, mas não se importava, por algum motivo desconhecido, mas ela não se importava.
Só queria ve-lo bem, vivo.
Luna colocou no lugar a perna do anjo, logo estaria curada, rasgou a blusa que ele havia dado para ela e enfaixou as mãos dele, juntou algumas folhas, e fez um montinho fofo, e apoiou a cabeça do mesmo ali, parou por alguns segundos para olhar o lugar, as árvores eram grandes e muitas pareciam ser centenárias, o lugar era úmido e cheirava a terra molhada, o céu estava cinza, logo iria chover. Ela mal se lembrava de como tinha chego ali. Resolveu andar um pouco, Após andar muito, achou uma casinha pequena e caindo aos pedaços, entrou com receio, mas logo viu que não havia nada ali, como o resto desse lugar. Voltou o mais rápido possível, e encontrou Estevão no mesmo lugar.
Respirou fundo e o levantou, seus braços e pernas tremeram, mas ela continuou firme e forte, até que chegou à pequena casa e colocou ele no chão, seu corpo desabou e sentiu a escuridão dominá-la.
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