Desejos
13 Capítulo XIII - Non ti scondar di me
-“KIORI SUMERAGI!!!” – gritou energicamente May abrindo a porta do quarto da amiga.
-“seja lá o que for...NÃO FUI EU!!!” – T.T disse uma Kiori assustada tirando as mãos do note book e botando-as no alto.
-“não! não foi você!! Adivinha!” – a morena estava com um brilho diferente nos olhos, tão maravilhados e ansiosos que percebem o mesmo tipo de brilho nos de Kiori – “espera...antes me fala...que brilho é esse?”
-“que brilho?” – perguntou a nipônica sem conseguir esconder o sorriso que saia dos lábios.
-“esse brilho de quem está feliz a toa e... OMG!!! Não me diga que você conseguiu falar com o Aoi-kun ontem e deu tudo certo???”.
-“bem...não exatamente” – ela olha para a cara de interrogação da amiga e abre ainda mais o sorriso segurando nas mãos da mesma – “ele falou! Me pediu em namoro!”.
Naquele momento May não sabia o que dizer, seu queixo não conseguia volta ao lugar e a única coisa que conseguiu fazer foi abraçar forte a amiga e dar-lhes os parabéns. Afinal....ATÉ QUE ENFIM!
-“hihihi! May-chan! calma! Você está me deixando sem graça, poxa!” – reclama passando a mão vergonhosamente nas bochechas – “agora, para de fazer mistério e diz logo essa novidade que te fez invadir o meu quarto!”
-“o.k! adivinha quem vai se a ajudante de figurino na turnê do Nameless?”
-“NÃO ACREDITO!!!”
-“SIM!” – agora foi a vez de May sorrir como uma boba e do queixo de Kiori cair, e a cena se repete novamente, as amigas se abraçam e se dão os parabéns, mas agora com a diferença que de tanta alegria ambas não se seguram e começam a pular e gritar de felicidade.
-
-“e foi isso...” – diz o guitarrista dando um tímido sorriso nos lábios ao levantar o olhar para os quatro membros lhe rodeando, o mesmo olhar que ficou fitando o chão durante todo o relato da noite passada.
-“até que enfim!” – ironizou o baixista levantando as mãos pro céu.
-“Reita!” – repreende o líder.
-“o quê?! Há! Sejamos sinceros... já estavam demorando!”
-“pelo menos eu não demorei 6 anos pra pedi-la em namoro!” – alfinetou o moreno sem a intenção de começar uma briga.
-“ora...seu!!” – Reita pulou violento para cima do outro que estava a sua frente e segurou forte a gola da camisa, tendo rapidamente que soltar por intercessão do líder da banda – “CLARO QUE NÃO! VOCÊ DEMOROU 15!”
-“você dois! Parem de agir como dois adolescentes!” – disse um Kai com cara de estrema fadiga – “agora que já sabemos qual é o problema de tanta felicidade de um guitarrista vamos ver qual é o problema de distração do outro!”
-“eu não tenho problema nenhum! Já disse!” – contrapõem-se Uruha sentado em uma poltrona um pouco afastada do resto do grupo.
-“não? Então por que tanta distração Uruha? Das 6 musicas que ensaiamos nesta manhã em todas você errou a nota ou então a coreografia! Sendo que são as suas favoritas!!!!” – o vocalista que até antes estava calado vendo a situação foi em busca de respostas.
-“eu...só estou distraído...” – ao lembrar do motivo de sua distração o maior não pode evitar de corar um pouco e abaixar a cabeça envergonhada fingindo tocar sua guitarra.
-“hmmm...” – Aoi não pode evitar o sorriso e o olhar malicioso que brotaram em sua face, sendo correspondido e acompanhado pelos outros – “é impressão minha... ou tem mais alguém apaixonado nesta sala?”.
-“ora faça-me o favor, Shiroyama! Eu? Apaixonado?” – ainda se sentindo um pouco envergonhado ele passa os dedos nos cabelos aloirados jogando os mesmos para trás, o que lhe dá uma pose de ‘ser superior’.
-“e quem disse que eu estava falando com você?” – ô.o
-“...”- e então senhoras e senhores o ‘ser superior’ acaba se enganando e se auto-revelando na frente de todos ficando sem palavras diante dos sorrisos maliciosos e divertidos dos quatro amigos.
-“caham, então Takashi-chan...que tal nos falar quem foi a bela moça que finalmente fisgou o seu coração?” – pergunta o outro guitarrista passando o braço pelo pescoço do loiro, que apesar de irritado se vê completamente vencido.
-“A amiga da Kio-chan, Minako...”
-“NANI?!” – todos
-“pois é...ela de certa forma já havia chamado a minha atenção...por sempre ter uma feição de mulher forte e decidida, no entanto...o que aconteceu noite passada me fez ver que ela é muito mais do que imaginei” – inconscientemente ele abrir um pequeno esboço assim que começou a falar sobre ela enquanto fitada qualquer ponto mais interessante no chão.
-
Após uma noite agitada, com direito às mais variadas musicas do J-music, o casal de amigos saia da boate rindo alto e completamente suados.
-“uau! Que noite, muito obrigada Kouyou-san!”.
-“não precisa me agradecer! Já disse que não fiz nada demais!”.
-“como não? Você foi uma das únicas pessoas que se importaram e me ouviram num momento em que não estava bem, eu não tenho essa sorte sempre, sabia?” – apesar do sorriso na face da moça o loiro percebeu uma dureza naquelas palavras que para ela soavam como uma coisa normal, isso fez com que sua mente pergunta-se a si mesmo pelo que ela garota já havia passado em sua vida.
-“eh..ano...você...quer uma carona?” – ofereceu ele despertando do seu mar de suposições
-“Aceito!” – disse ela sorridente ao entrar e se sentar no banco ao lado do rapaz.
Ambos se posicionaram em seus lugares e colocaram os cintos de segurança, Minako se limitou a dizer a rua de sua casa e a ligar o rádio, enquanto Uruha saia do estacionamento.
Assim permaneceram, ela acompanhando a letra a música americana que saia do rádio e ele em silêncio tentando conter seus olhos que insistentemente queria fitar a moça, mas tinham que prestar atenção no caminho.
-“naquela casa verde ali...” – aponta a moça para que ele pare.
-“pronto, senhorita, está entregue”
-“obrigada Uruha-sama, por tudo” – ela sorri novamente para ele e quando ia abrindo a porta do carro sente sua mão ser segurada por outra.
-“ora, não ganho nem um beijo de despedida? Tsc tsc tsc, é isso que dá ser cavalheiro nos dias de hoje” – disse ele se fazendo de ofendido, porém seu sorriso entregava que não passava de uma de suas brincadeiras.
-“então me diga digníssimo cavalheiro, caso eu lhe desse este beijo, ainda se lembraria de mim amanhã?” – ela por sua vez não deixou barato e entrou na brincadeira, voltando a se sentar no banco e assumindo uma postura seria.
-“........e como poderia esquecer?” — sinceramente o loiro não esperava esta reação dela, no máximo achava que ia corar e dar um jeito de dizer que teria que entrar, ou lhe dar um beijo no rosto e sair, aquilo o fascinava, o fato de nunca saber como a mente dela trabalhava o fascinava.
Ouvindo aquela resposta, a ruiva aproximou-se dele e beijo-lhe os lábios rapidamente sendo que quando separou a boca da dele falou a frase que rondou a sua cabeça o resto daquela noite e o dia seguinte inteiro.
-
-“Non ti scondar di me?” – perguntou Aoi
-“Adio?” – perguntou Ruki, ambos se entreolhando e estranhando a frase dita pela moça.
-“é francês” – comunicou Reita colocando as mãos nos bolsos da calça – “quer dizer ‘não te esqueças de mim, adeus’”
-“...uau!” – surpreendeu-se o baterista – “bem, não sei para vocês mas para mim está mais do que claro que o nosso ‘corcel’ foi domado da melhor forma possível, rapazes” – não contendo o sorriso ele pega suas baquetas e se dirige para a bateria.
-“feh, quem diria” – Aoi sorri de forma gentil para o amigo e se levanta, também se posicionando novamente perto de sua guitarra.
-“Uruha? Irá se juntar a nós?” – pergunta o menor do grupo ao pegar seu instrumento juntamente com Reita.
-“Macaco quer banana?” – sorri o loiro de forma brincalhona ao se levantar e dar uma alta nota em sua guitarra.
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O resto do dia transcorreu de forma normal para todos, cada personagem em seu devido trabalho e afazeres, menos Minako é claro, pois foi despedida de seu emprego. Mas não foi porque não estava fazendo ‘trabalho braçal’ ou mental que ela não lutou como as outras pessoas daquele batalhador país.
Lutar contra sentimentos também é difícil, lutar para recomeçar também é difícil, lutar para se tornar mais forte e crescer como mulher também é difícil, e foi isso que ela fez o dia todo, indo de firma em firma, editoras, até procurar algum bico procurou, mas nada. A chegada derrotada em casa era horrível, e sentar para refletir só era pior ainda para a sua saúde mental, pois várias coisas do dia passado se somavam as de hoje, e causavam-lhe uma bruta dor de cabeça.
Entretanto, outro fato ocorrido na noite passada a faz sorri novamente, um sorriso tão bobo...e tão alegre, estava se sentindo uma garotinha tendo a primeira experiência amorosa. Que nem era tão amorosa assim, essa era sua mente adulta e estraga prazeres falando e lhe trazendo á realidade novamente.
-“acorda! Acorda! Vamos tomar um banho... e estudar! Isso!” – diz para si mesmo ao levantar da cama e ir direto para o banheiro de sua suíte.
Depois de um longo e demorado banho ela até iria começar a praticar em seu baixo se a campainha não tivesse soado de forma tão irritante.
-“argh! É bom não ser o Ryuuko, do jeito que estou sou capaz de arrancar a cabeça dele!” – pensou a moça sentindo a veia pulsar em sua testa.
-“KONBAN WA MINAKO-CHAN!!” – saúda energeticamente o loiro mais alto sendo acompanhado por um moreno e outro loiro atrás dele.
-“Uruha? Kai? R-Reita-sama? O que fazem aqui???”
-“ahhh, é que nós estávamos passando por perto e resolvemos dar um ‘alô’” – responde o guitarrista num tom um pouco envergonhado – “não é verdade, Kai?”
-“hai! Hai!” – concorda o baterista também com a mesma expressão do amigo.
-“é mentira... eles dois estavam preocupados com você e queriam vê-la” – disse um seco Reita entrando logo após os dois com a sua habitual cara de rabugento e sem ligar para a vergonha no rosto dos outros três.
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-“hey! Hey! Ruki-chan, estou indo deixar a May-chan em casa, você quer nos acompanhar?”
-“é impressão minha ou isso é só um pretexto para você ver a Kio-chan, Aoi?”.
-“ehhh... é claro que sim né?! Duh!”.
-“hihihi” – riu a moça da virada de olhos que o menor deu como quem diz ‘ele não tem jeito’ – “venha conosco, Ruki-sama... Kiori-chan irá fazer um de seus melhores pratos hoje” – diante do sorriso radiante que se seguiu após o convite o ruivo não teve como recusar e entrou no carro do guitarrista.
Ruki até tentou sentar-se no banco de carona, mas ele estava muito bem ocupado pelo violão e alguns papeis do dono, obrigando-o assim completamente contra sua vontade a sentar-se no bando de trás ao lado de May. E como era de se esperar não foi uma situação muito confortável, afinal ambos tentavam não dirigir o canto de seus olhares para a pessoa aos seus respectivos lados.
-“ah! Chegamos!” – disse um rápido Aoi ao desligar o carro e sair como um foguete do mesmo, deixando os dois acompanhantes com duas gotas enormes na cabeça.
-“ano...May! espera!” – pede o rapaz segurando levemente o braço da moça quando ela fez menção de sair – “queria falar com você, sobre....o que aconteceu na casa de praia”.
A morena ficou estática quando ouviu aquelas palavras. Será que ele iria pedir desculpas? Aquele seria o fim para o seu coração se acontecesse, mas... afinal o que sentia de verdade por Ruki? Por nenhum outro rapaz já havia sentido aquele nervosismo, aquela ‘falta de chão’ quando o via sorrir tão misteriosamente, sem falar no forte aceleramento do seu coração quando estava perto dele. Era só admiração por ele ser seu cantor favorito? Ou algo mais? Essas e mais perguntas ficaram rondando a cabeça da garota o tempo todo depois daquele selinho na casa de praia e vinham todas à tona agora.
-“eu...eu não vou me desculpar pelo que fiz, mas não quero que você pense que sou um canalha que se aproveitou de seu momento de fraqueza! Então, se você está chateada eu irei entender e pedirei desculpas, mas não pelo beijo...e sim pelo momento”
-“eu não estou chateada, Ruki-san... para ser sincera isso nem passou pela minha cabeça” – disse ela sorrindo de forma doce e sincera, não deixando transparecer seu alivio.
-“ufa...então posso ficar tranqüilo!” – suspirou o ruivo aliviado – “Eeennntretanto chega de tanta formalidade sim?” – disse mudando a sua expressão para brincalhona ao passar o dedo no queixo da moça e dar uma leve piscada antes de sair do carro e caminhar até a porta da casa onde uma Kiori estava pendurada no pescoço de Aoi enquanto o outro agarrava-lhe a cintura.
-“parece cena de anime” – comenta ele para May que saiu rapidamente do carro ainda com um pouco de rubor na face.
-“sim...dá até para ver os coraçõeszinhos saindo dos dois” — ^^”
-“nheee vocês estão com inveja isso sim” – diz o moreno soltando a namorada para que ela cumprimente os amigos com um abraço. Ruki fez uma breve careta de desaprovação para o comentário do outro e entra junto com as donas da casa pedindo licença como de costume.
-“Pensei que você não viria me ver até acabarem a organização para a turnê” – comenta Kiori puxando o namorado até o sofá.
-“e você acha que eu iria conseguir passar tanto tempo longe de você?”
-“acho que sim, vai passar 2 meses em turnê, não vai?” – a moça insistia em manter um tom de falsa mágoa em seu tom de voz.
-“por esse motivo mesmo que virei te ver todas as noites depois do ensaio” – ele não podia negar que adorava ver aquela expressão sumir do rosto dela e ser substituída por aquele radiante sorriso.
-“ai meu Deus” – coçou os olhos um enjoado vocalista com a cena de tamanha ‘melação’ do casal.
-“chato!” – disse a moça mostrando língua para o amigo, recebendo o mesmo gesto em troca antes que ele se retirasse para ajudar May a preparar os chás – “Yuu-chan, quando vão começar a vender os ingressos para o ultimo show aqui em Tokyo?” – perguntou virando novamente para o amado sentado ao seu lado.
-“hm..não sei, por que? Iria comprar?”
-“lógico!!”
-“boba, não será preciso” – com toda a calma do mundo o rapaz tira a sua carteira do bolso, abre na frente dela e estende-lhe dois ingressos.
Kiori ficou estática, não conseguia acreditar no que estava vendo, tocando e até averiguo se eram verdadeiros colocando contra a luz antes de soltar um grito de completa felicidade e pular no pescoço do Shiroyama para um abraço apertado.
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-“obrigado” — agradece o baterista pelo chá que a ruiva distribuía.
-“de nada, Reita-sama não quer se sentar?”.
-“ah, sim obrigado” – o loiro senta, mas sem desgrudar os olhos do baixo da moça – “o baixo é seu?”.
-“ah, sim! É o Akira-chan” – responde ela sorridente ao tomar um gole de seu chá.
Uruha e Kai não conseguem esconder os sorrisos ao verem um Reita ficar completamente sem-graça.
-“huhuhu, então...Mi-chan, já conseguiu um emprego?” – pergunta Uruha ainda divertindo-se com a vergonha do baixista.
-“não, o fato de ser brasileira pesa muito, a maioria das pessoas me vê com preconceito”.
-“eto...você não havia conseguido a nacionalidade japonesa?”
-“já Kai-chan, mas sei lá... eles vêem logo a minha aparência, e não me dão a chance de mostrar o que eu tenho a oferecer”
-“ano...já tentou trabalhar como DJ em alguma boate?”
-“O QUÊ? Lógico que não!” – surpreendeu-se ela.
-“por que não? Suas mixagens são perfeitas” – continuou Kai agora virando para os dois que não entendiam a conversa – “você ainda não ouviram não é?”.
-“não!” – responderam quase em uníssono.
-“mas... se ela for boa mesmo, acho que um amigo meu vai querer chamá-la para tocar em sua boate” – disse o baixista.
-“perfeito! Minako-chan pode mostrar aquela mixagem que me mostrou na casa de praia?”
-“p-posso” – a ruiva estava com certeza muito ‘WTF?!’ com a rapidez dos fatos e com a simplicidade com que os três demonstravam. Com o apoio de Kai ela tomou coragem e mostrou sua ultima mixagem que fizera com uma música brasileira.
Uruha e Reita ficaram simplesmente pasmos com a habilidade que ela tinha, o som era envolvente, aconchegante, capaz de levar qualquer pessoa ao céu e ao inferno ao mesmo tempo. Assim que a música terminou Reita não falou nada, puxou rapidamente seu celular, discou um número qualquer e assim que a pessoa atendeu do outro lado da linha com uma voz contrariada de sono o loiro foi curto e grosso.
-“escute!” – ordenou dando mais uma vez o play na música.
Quando a música acabou novamente a pessoa do outro lado da linha pediu uma entrevista nas primeiras horas do dia com o gênio na música que compôs tamanha melodia. Não preciso dizer no susto que a ruiva tomou ao ouvir isso da boca do seu ídolo assim que desligou o celular, nem da felicidade que invadiu o seu peito assim que o abraçava forte enquanto os dois outros rapazes trocavam gritos de ‘viva’ e sorrisos.
Nesta noite definitivamente, Minako descobriu que vitórias são sim conseguidas com muito esforço, mas não esforço solitário. Amigos como Uruha e Kai que se importam com o bem estar e que querem ajudar trazem mais satisfação e alegria as vitórias.
Continua...
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