Desejos

2 Capítulo II – Olha quem resolveu aparecer!!


Assim que desceram do avião as amigas se vêem completamente perdidas na sala de desembarque, até uma das duas tem a ‘brilhante idéia’ de seguir os outros passageiros, com essa estratégia conseguiram pegar os carrinhos de bagagem e as próprias malas junto com as caixas das mudanças, só essa brincadeira ocupou 6 carrinhos.

- “aff, bem que nossos pais nos propuseram vir junto para ajudar na mudança, mas nãããooo... tínhamos que bancar as adultas” — =_=” diz Kiori já fadigada assim que pensa em como vão levar todos esses trambolhos para o carro, se sente mais cansada ainda quando se toca que não sabiam andar no aeroporto, como iriam achar Yutaka?

- “ai aiii! E agora Kio-chan?! São muitas coisas!... nhyaa quero ir logo pra casa” – T_T diz May chorosa.

- “com licença, vocês falam português?” – pergunta uma moça que aos poucos se aproximava das amigas, as mesmas puderam observar que alem de falar português, os olhos castanhos arredondados, os cabelos curtos e ruivos e a pele alva a denunciavam que definitivamente NÃO ERA JAPONESA!

— “sim sim! ^^ Olá!” – cumprimenta May

- “ahhh!! Que bom! É tão bom ver brasileiros! Prazer! Meu nome é Raissa, mas podem me chamar de Minako. Sou Carioca, vim morar para cá ano passado, e vocês?”

- “O prazer é todo nosso! Meu nome é Kiori e esta é minha amiga May! Sou daqui, no entanto fui morar para lá quando era pequena, mas a May-chan nasceu lá, ela é Capixaba” – as garotas ficaram conversando animadamente até a bagagem da mais nova amiga chegar e assim poderem sair da sala.

-“ahhhh!!! Tem um quiosque de sorvete ali!! Vamos lá Kio-channn??” – pergunta May toda animada e com os olhinhos brilhantes.

-“ehh... eu tenho que achar o Yutaka-chan, porque ce não vai com a Minako lá? Quero um de chocolate =P, qualquer coisa meu celular está ligado no meu bolso” – ela tem essa maravilhosa ideia sabendo da fascinação por sorvete pela amiga, a mesma é aceita e as duas vão comprar os sorvetes enquanto Kiori procura o rapaz, no qual estava muito difícil pois só se lembrava daquele menino gordinho e bochechudo que conheceu aos seus 5 anos de idade.

Na sua procura acaba vendo um homem alto e magro que usava um boné branco, regata, calça jeans e óculos enormes de sol, desnecessários na opinião dela, pois eram 5 da tarde e o sol já estava se pondo, foi então que se lembrou das palavras de Yutaka no msn: ‘Vou estar disfarçado, não pergunte porque, é surpresa! Procure uma pessoa que esteja fora das normalidades’.

- “Yutaka-chan?” – perguntou receosa para o homem que havia visto quando ele olhou e sorrio seu coração deu um pulo e dançou tão rápido que parecia que estava em um ‘ataque fangirl’ (afinal que tipo de monstro ainda ñ sentiu esse ataque repentino, mesmo que seja meio que reprimido dentro de si?), tinha vontade de gritar, pular sorrir que nem boba e abraça-lo para nunca mais soltar.

- “Kiori-chan!” – o rapaz abre os braços e ‘voa’ na amiga a abraçando forte, suspendendo-a no ar e não a soltando até lembrar que estavam em um local publico e deveria manter a descrição – “Olha só para você! Está muito linda! Quem diria que aquela menina de pernas finas e cheia de sardas iria virar essa musa!” – ele larga a menina e a faz dar uma volta para vê-la melhor.

- “ahh! Olha quem fala! Olha só pra você! Ta magro, forte... e muito alto! Caraca to me sentindo muito baixinha perto de você!” – ela acaba ficando triste por agora dar no queixo dele já que antes o mesmo era mais baixo que ela.

- “hahahahaha, então vai ficar decepcionada quando ver o resto do pessoal, acho que o único que está da mesma altura que se conheceu é o Takanori”

-“hahahahhahahaha! Coitadinho Yutaka-chan! Como você é mal!” – xD eles voltaram a se abraçar e ficaram assim até que...

- “caham... er... Kio-chan desculpa, mas... to interrompendo?” – tímida May chega com um sorvete em cada mão.

- “ah! Não não! Imagina, May-chan! Yutaka-kun esta é a minha melhor amiga… May” – feita as devidas apresentações os dois fizeram reverencias rápidas e se apresentaram formalmente.

-“muito prazer, Uke Yutaka”

-“o prazer é todo meu” – ela olha o rapaz fixamente, aquele nome ela já havia escutado em algum lugar, mas onde? Nem ela sabia.

-“ano...May-chan, cadê a Minako-chan?”

-“ah! O tio dela veio busca-la, mas ela me deu o seu telefone, depois ligamos para ela!”

-“hm, ta bem então!”

-“Então meninas? Vamos?” – Yutaka abre um belo sorriso enquanto pergunta para as garotas, aquele sorriso mexeu profundamente com May o que a fez suspeitar ainda mais que conhecia aquele homem de algum lugar.

-“ah! Claro! Nossas coisas estão ali e...”.

-“NOSSAAA!!!” – assim que ele vê todas aquelas coisas se surpreende, realmente estava presenciando a mudança de duas mulheres – “você tem certeza que não tem uma casa aqui Kio-chan?” – pergunta empurrando os carrinhos com as garotas e seu motorista que chamou para ajudar também.

-“hmm...se não me engano as telhas estão em uma dessas caixas né May-chan”

-“sim Kio-chan, nessas que o Yutaka-sama está empurrando estão os tijolos”

Ambas riram divertidas ao ver a expressão que o rapaz fez, pois pelo peso que estava empurrando realmente podia garantir que ali tinham MESMO tijolos. Após o caso passado e dentro do carro até ele riu e conversou com ambas animadamente enquanto o motorista dirigia até a casa onde Kiori morou quando era pequena, no meio da conversa May sempre dava um jeito de perguntar o que ele fazia da vida mas ele sempre fazia alguma evasiva ou dava respostas que soavam ambíguas, o que fazia a garota ‘ferver’ por dentro pois costumava fazer a mesma coisa.

Quando chegaram à residência o rapaz e o motorista ajudaram as moças a levarem as bagagens para dentro, Yutaka se assustou quando ouviu um grito enorme vindo da amiga o que o fez correr para o lado de dentro e logo viu a cena mais fofa do mundo, Kiori estava agarrada à empregada velhinha que há anos limpava e arrumava a casa à espera da vinda da menina, vendo aquilo ele sorriu ternamente, se alegrando com o simples pensamento de que “ela não mudou nada”.

- “senhor? Senhor! Já acabei de colocar as bagagens das senhoritas dentro da casa” – após libertar o patrão de seus devaneios o motorista volta para o carro esperando a próxima ordem.

Nem acabou de liberar o motorista e o celular vibra em seu bolso.

- “Moshi moshi? Hã...hai! ela já está em casa, você precisa ver o quanto esta bonita, sim ela não mudou na personalidade continua a mesma e...” – quando ele ia termianr a frase ouve-se outro grito acompanhado de frases como ‘doce...doce’ – “viu?! Pois é, ai droga! O ensaio! Esqueci completamente! Já estou indo parai, não se atreva a falar isso com eles heim? Quero fazer uma surpresa para ambos, não ela não sabe sobre nós, ok xau!” – assim que ele desliga Kiori vem correndo com a cara mais feliz do mundo.

- “Yutaka-chaann!!! A Nana vai fazer akeles doces maravilhosos que eu tanto gosto!!! Ce vai ficar pra comer com agente né? — *-*~

- “ano...desculpe Kio-chan, ce sabe que eu amo os doces da Nana, mas tenho que sair, acabo de receber uma ligação da empresa, mas... tome este é o meu celular, quando você estiver mais folgada me liga para reunirmos com os outros, ta?”

-“ah...tá bem! Mas...eu gostaria de ver logo o Yuu-chan e o resto dos meninos” – falou triste mas sorrio assim que ele lhe deu um beijo na testa e lhe disse que de noite ligava para ela para combinarem tudo, assim que o amigo foi embora ela entrou novamente na casa e começou a ‘explora-la’, vendo cada canto de sua infância, cada lugar da casa lhe trazia lembranças muito boas, ela não conseguia parar de sorrir.

-“Kio-chan? Ah! Ai está você! Caramba to te procurando há horas!” – diz May com uma expressão de impaciência no rosto.

-“o que foi May-chan?” – o.o

-“Dá pra você ser um pouquinho mais hospitaleira e me mostrar o meu quarto???”

-“ah! É! Gomen ne” — ^^”

As moças passaram a tarde toda e uma parte da noite organizando todos os seus ‘bagulhos’, Nana, a empregada, estava sendo o mais prestativa que sua idade lhe permitia, afinal... uma velhinha de 50 e poucos anos não podia mais fazer tantos movimentos bruscos.

Com a correria da mudança Kiori pode perceber que realmente não daria para ver o resto dos amigos ainda naquele dia, o que era uma pena, mas vamos respeitar todos tem limites e suas pernas já estavam em seu ápice. Deitada em sua cama Kiori pega o celular e o papelzinho que tinha no bolso e disca para Yutaka para avisar-lhe que não iria dar realmente para encontrar eles.

- “ah! Tudo bem Kio-chan, vocês já esperaram 15 anos o que é um dia a mais? Isto é, se você já estiver organizada para amanhã.

- “ah! Estou sim! Eu e a May-chan já acabamos de arrumar tudo e ‘construir’ a nossa casinha...

- “hahahahahahahahahahahahaha... você não tem jeito mesmo, Kio-chan”

-“hahahaha, eu sei... mas voltando, já arrumamos tudo, só tenho que ir à empresa que vou trabalhar amanhã para organizar umas coisas, mas à tarde já irei estar livre o que acha de levá-los à sua casa? Ai, você poderia traze-los todos juntos ou recomendar que chegassem juntos, lembra que é surpresa, heim?!”

-“claro que não esqueci, estamos montando isso há meses não é mesmo? Pois é, ta... amanhã às 5:30? Ok!... te pego ai na sua casa meia hora antes daí é o tempo que eles chegam, aham... combinado, beijos”

Assim que ambos desligam a moça chega o seu celular e vê a foto de Aoi na tela, sorri como uma boba, como é que J-rockers conseguiam ser tão... lindos? Principalmente o guitarrista-base que tanto gostava, é o que ela sempre pensava, mas logo voltou à realidade quando alguém bate na porta de seu quarto.

-“Kio-chan, a Nana-sama quem saber se você quer comer Guioza, Sashimi ou Tamagoyaki no jantar.

-“quero tuddoooo!!!” — *-*

-“nossaaaaa como você é comilona, Kio-chan!” – xD com uma gota na cabeça, May logo é contradizida pela sua barriga que ronca alto, afinal, ela também não comer nada alem do sorvete e dos doces de Nana naquele dia.

As amigas riram alto pelo ‘furo’ que May acabou dando sem querer, assim que se acalmaram a mesma foi levar a noticia para a senhora que quase tem um treco com a noticia porque teria que correr para que tudo ficasse pronto até o jantar, deixando a idosa trabalhar May sobe novamente até o quarto da amiga e a encontra ouvindo ‘Reila’ deitada na cama com os olhos fechados e... CHORANDO!?

Reila...

Deatte kara doredake onaji kizu wo oi
Doredake sasae atta?
Kimi ga tsurai toki ni wa hoka no dare yori
Boku dake ni oshiete hoshikatta
Jijitsu ga me ni yakitsuku
Mugon de fudou no kimi wa nani mo omou
Riyuu nado iranai sa
Tada boku no kimi wo kaeshite kurereba


- “Kio-chan...” – ela sobe na cama e abraça a amiga forte – “o que você tem tomodachi?”

“snif....snif...” – mais uma vez as palavras lhe faltavam, o choro e o aperto no peito a prendiam de tal forma que ela não conseguia ao menos balbuciar o motivo principal daquelas lagrimas, é claro que era quase que evidente, a moça ainda não havia se recuperado... das duras palavras que recebeu do ex-namorado, alguém para quem foi completamente fiel e dedicou todo seu amor e carinho... como ele tinha coragem de dizer – “Eu não estou nem ai... Nunca estive...snif... Você é muito... ingênua se pensou realmente que...snif... e-eu te amava... Vai pro Japão... Te fode...” – ela encolhia-se no colo da amiga repetindo aquilo e voltando a chorar novamente conseguindo dizer em soluços que fora Diogo que lhe disse isso antes de partir.

Nokosareta boku yori mu ni natta kimi wa
Dorehodo tsurai darou ka
Mada nanimo hajimattenai no ni
Mada kimi ni kono kotoba ietenai no ni doko e

Reila...
Kimi no na wo yonde mite mo
This voice does not reach you...
Reila...
Me wo akete?? uso da to waratte misete yo...

Ashita wa doko e yukou
Kimi ga nozomu nara doko e demo yuku yo

Kimi wa itsumo sou boku ga omou hodo
Dokoka e itte shimau
Mata boku wo nokoshi hitori de hashitte yukunde
Mou todokanai mou todokanai
Yatto kimi ni aeta no ni
Gaman shiteta mono ga subete afurete
Namida ni natte koboreta

-“Aquele monstro… ai Kio-chan, não chora, por favor... calma amiga, estou aqui contigo” – ambas se abraçam apertado, May afaga os cabelos da amiga com carinho enquanto isso – “sempre estarei”


Reila...
Ienakatta kono kotoba wo
Reila...
Ima koko de kimi ni utau yo
Reila...
Dare yori mo kimi wo aishiteru
Reila...
Aishiteiru. aishiteiru...
Futari ga ita heya ima mo sono mama
Kagi mo kakezu ni

Um silêncio incômodo se instalou no ambiente, May abraçava a amiga firme até que a mesma saciasse a sua necessidade de derramar aquelas lágrimas sofridas, realmente... era uma pena enorme que uma moça tão bonita como Kiori sofresse por um homem tão canalha, só de lembrar das palavras as entranhas de May se contorciam, ela tinha vontade de pegar o 1° vôo para São Paulo só para arrebentar com a cara daquele desgraçado. Controlou-se e ficou ali até Kiori se acalmar um pouco mais ao som de Reila...


Itsudemo kimi ga kaette koreru you ni
Zutto matteru yo wakatteru kedo
Ima de mo kimi ga doa wo akeru sugata ga mierun da
Ashita wa kitto kaette kite kureru kana

-

“Moshi moshi? Uruha? Olha, to meio indisposto para sair de casa... pergunta pro resto do pessoal se o ensaio de amanhã pode ser na minha casa, por favor?... aham espero... ah! Que bom! Espero vocês às 5:30 em ponto ok? Ta! Venham todos juntos, os instrumentos tragam só o de vocês... é a minha bateria já voltou do conserto, Matta ne.

-

Kiori acorda com dificuldade, suas pálpebras pesadas e ardentes pediam para ficar fechadas, mas ela estava curiosa para saber que peso era aquele que estava envolvendo sua cintura, quando conseguiu abrir os orbes castanhos viu que o peso era May, foi então que flashs da noite passada começaram a surgir na sua cabeça, chorou tanto que acabou dormindo no colo da amiga, ficou feliz por ela não ter saído do seu lado, mas ao mesmo tempo ficou preocupada – “será que ela comeu algo?” – pensou.

-“obrigada May-chan” – falou baixo olhando para a amiga que ainda estava adormecida, com cuidado voltou a se deitar fitando o teto pensativa.

-“hm...Kio-chan?” – a moça acorda sonolenta e vê Kiori ao seu lado pensativa, boceja e pergunta como ela está.

-“melhor...”

-“tem certeza mesmo? Você ainda ta com aquela carinha triste” – ó.ò

-“tenho... só estava pensando, em tudo sabe? Da minha vida aqui antes... da minha ida para o Brasil... aquelas mudanças todas que aconteceram como uma bomba... e em todas... você sempre tava comigo... mesmo por aquela tela do computador... e depois aquelas outras mudanças... desta vez você já estava perto de mim fisicamente... e agora essa... May-chan... eu fico muito feliz... porque... até conhecer você eu não sabia o que era amizade verdadeira... agora eu sei... obrigada por ser minha amiga...muito obrigada...”

-“sabe, Kio... uma amiga muito sabia minha... me falou uma vez... ‘ não se agradece por coisas que vem do coração’, lembra?” – ela sorri largamente e abraça a amiga forte.

- “lembro... e como lembro...” – ela a abraça também e sente seu coração se alegrar novamente – “hm... olha só a hora... 4hrs da manhã... =_= horário de verão é fodis, viu?!”

- “xiii... xD aham, vamos dormir mais um pouco... daqui a pouco seu despertador toca.

-“ta...^^...quando acordar-mos vai ser um dia e tanto”

-“aham... bom dia...Kio-chan” – diz virando-se para o outro lado da cama

-“bom dia May-chan” — ...

-

“Desde então sempre fingindo ser forte, fez esquecer a única verdadeira face.
É importante pra de vez em quando aliviar e confiar nos outros
Dor...Quando você quer chorar, encare o grande céu azul e grite em voz alta
Que você quer esquecer você mesmo, assim você pode continuar sendo quem você é.”

[Miseinen (Tradução) – The Gazette]

Continua...