Desejo platônico
1 O começo de tudo
Notas iniciais
Quando uma garota adolescente, que gosta de K-pop, entediada e viciada em internet; passa o dia em seu quarto, ela criará um fake (se essa garota for eu).
Well, não sou interessante, sou idiota, vivo mais no meu mundo no que no mundo real, me interesso bem mais por fake, músicas, tudo que me faça esquecer quem sou eu, por que existo, ou coisa do tipo. Não que eu seja aquelas garotas magrelas, feias pra caramba, sem sal, infantil... Mas também não sou popular, bonita, gostosa. Enfim, tenho 16 anos, meus fakes são minha ferramenta de comunicação com o mundo, gosto mais de Rock do que de K-pop, mas enfim, sou meio gay, me visto de maneira estranha, uso maquiagem pesada, tudo que não interessa.
Acho que vou entrar no fake do Kyu, faz tempo que não entro lá...
Tenho uma família nele (no fake, não no Kyu ¬¬), uma mãe, irmã, sobrinhos, sobrinhas. Ah, eu costumo me envolver com o mundo on, então meu primeiro amor foi um fake do HanGeng, e merda, fiquei por dois dias ouvindo Blue Tomorrow do Super Junior, chorando pra valer, me deprimindo, cheguei até me cortar, mas isso não importa mais. Ele amava outra pessoa, essa pessoa ia se casar, enfim... Uma conversa com a minha 'irmã', ela coloca a família inteira, só vejo janelinha laranja do MSN piscando. Mas naquela hora, quem me chamou atenção foi o meu sobrinho DongHae. Conversamos, e desde então, conversávamos direto, ele era tão fofo, sei lá... Quando conversávamos, eu me esquecia do Han, me esquecia de todos, de mim mesma, da minha vida, de tudo...
O que poderia ser essa sensação?
No colégio eu tinha um caderno só para anotar coisas do fake e talz, passava o intervalo com meus amigos, ficava cantando SuJu, mas a cabeça estava no Hae, não sei por quê... Eu o chamava de Hae, meio íntimo, mas ele me passava essa confiança. Ele era todo gayzinho, carinhoso, e eu seco, mas no fundo sempre quis teclar coisas melosas, mas não conseguia, pois me fazia de forte, achava que se cansaria de mim, se eu mudasse... Well, depois de umas duas aulas, fui pra casa, entrei no fake, conversei com o Hae, ficamos... Sim, nós ficamos. Acho que esperei tanto por isso, e foi tão perfeito, criativo, sei lá... As palavras, o estilo dele escreverm absolutamente tudo era perfeito. Então eu dormi e sonhei com isso, que merda. Por quê? Era só um fake...
No outro dia, claro, com a mesma ansiedade, fui pro colégio, voltei, falei com o Hae, nós transamos... Descobri que ele gostava do Kyu, claro, o Kyu sentia o mesmo, porém ainda estava machucado demais pra dar certeza sobre algo, isso poderia prejudicar a relação dos dois... Mas o Hae era tão perfeito, então o Kyu queria ter contato com ele, todos os dias, sempre...
Eu nunca fui de ficar de gayzisse, mas era tão estranho o que o Hae provocava em mim... Quando transamos, nossa, o jeito dele colocar em palavras, me fazendo ficar excitada, querendo ter aquela pessoa de verdade, mesmo não sabendo quem era, mesmo não sabendo se poderia existir pessoa ou não... Não, não sou louca, mas é que eu não acreditava que uma pessoa tão carinhosa, com a ortografia boa, atenciosa aos detalhes e tudo mais, pudesse existir.
No outro dia, uma noite em que ficamos sem nos falarmos, eu chorei, não de desabar em lágrimas, mas chorei, talvez eu já estivesse apegado a ele, o querendo pra mim, de alguma forma, e isso doía tanto, tanto, tanto... Eu olhava o céu, a noite, estrelas, e ficava pensando: -Hey, você aí que dá vida à uma pessoa que eu já gosto... Será que você pensa em mim? Será que um dia vamos nos conhecer, e você vai me achar boba? Será que você sabe o que provoca em mim e o quanto me tornei dependente de ti? Apareça logo... Eu, eu... Eu te amo- Nesse momento, minhas lágrimas caíram com tal tristeza, dor e vontade, algo triste, inalcançável... Mas em algum lugar do meu cérebro, do meu mundo, de mim, dos meus sentimentos, dos meus desejos, eu teria você comigo, pra mim... Mesmo que apenas por uma tarde...
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