Notas iniciais
Apreciem!

Dorian não regressou na noite seguinte, nem tão pouco na que veio depois o que deixou a pobre Juliet temerosa quanto a sua conversa com lady Candance. Ela tinha absoluta certeza de que Dorian não voltaria mais para vê-la, e se voltasse provavelmente não passaria do que aconteceu da última vez. Mas mesmo assim, lady Candance incumbiu a jovem apenas de servir as mesas dos cavalheiros naqueles dias, cumprindo com sua palavra quanto ao pedido de Gray, embora este não tivesse dado com as caras. Enquanto Juliet serve as mesas naquela noite vestindo um vestido vermelho bastante decotado mostrando suas preciosas mamas que eram forçadas pelos nós do espartilho a saltarem para cima, lady Candance acompanha a desenvoltura da jovem para com os cavalheiros, e percebe que ela busca agradar gentilmente a todos como havia aprendido com lady há duas noites quando passaram em claro.

Candence também estava inquieta por conta da ausência de Gray no prostíbulo, sabendo que se tal cavalheiro desistisse do acordo que lhe propôs ela teria de responder pessoalmente ao senhor Rochester por estar afastando a menina Juliet dos clientes mais interessados em seu corpo, e companhia. Juliet se encaminha rumo ao balcão em busca de mais bebidas e fita a face de Candence:

– Ele não virá não é? –pergunta a garota ao se aproximar da mulher.

– Paciência Juliet, tenha paciência. –responde Candence.

– Dorian não pretende voltar lady, ele não virá... –ela insiste.

– Sirva as mesas Juliet, apenas sirva as mesas. Eu me preocupo com o senhor Gray. –logo ela se afasta deixando Juliet inquieta.

Porém, assim que seus lindos olhos cruzam com a porta, ela vê seu cavalheiro atravessar pela mesma como sempre elegantemente vestido, com um terno cinza e chapéu. Seus olhos negros fazem uma busca pelo local, até pousarem sobre Juliet, e então ele esboça um sorriso invisível de canto de boca e logo segue seus passos a procura de uma boa mesa. Juliet busca por Candence por todo o prostíbulo usando os olhos como ferramenta e então avista a mulher apenas gesticulando para que ela não se aproxime da mesa até ser chamada pelo cavalheiro.

Juliet segue naturalmente com sua obrigação de servir as mesas tentando não demonstrar sua impaciência enquanto Dorian é servido por outra dama, que também lhe faz companhia. Juliet gira em torno daquela mesa durante quase toda a noite, recebendo apenas alguns olhares de Dorian que parece fazer questão de prolongar sua tortura como se soubesse que ela o esperava naquele noite. A mulher sentada sobre o colo de Gray, espalha beijos sensuais por toda extensão de seu pescoço enquanto sua mão invade o colete que o cavalheiro veste, buscando tocar-lhe a pele. Quando passa por algumas meretrizes, Juliet ouve a conversa que gira entre tais:

– Gostaria que ele me escolhesse. –diz uma delas mordendo o dedo indicador enquanto encara o jovem.

– Nunca tive a oportunidade, mas ele é tão maravilhoso quanto dizem? –a outra ri.

– É o tipo de cliente que faz você amar esse trabalho. –e segue a primeira.

– Ele é realmente muito atraente.

– Um amante delicioso.

– Eu me fartaria com o corpo inteiro do senhor Gray. –uma terceira moça se uniu á dupla anterior.

– Você já fez isso Emily! –ri a primeira.

– Sim e faria de novo. Ele é mesmo uma perdição, eu faria hora extra pelo senhor Gray. –todas sorriem o que irrita Juliet e faz com que ela se afaste.

Ela passa por uma mesa onde dois cavalheiros bebem enquanto apreciam a dança das dançarinas seminuas sobre o palco, e sente quando um deles a puxa para perto e faz com que ela derrube a bandeja com dois copos vazios. Juliet tenta afastar, e é mantida pelo sujeito que já aparentava estar bêbado.

– Senhor, eu preciso limpar esta bagunça. –diz ela tentando ser gentil.

– Deixe que outra limpe, me faça um agrado menina. –diz o homem passando suas mãos ásperas sobre a perna de Juliet, e em seguida conduzindo-a rumo a um dos seios da mesma apertando-o bruscamente.

– Eu não sou uma menina. –ela responde não gostando de ser tratada como uma Lolita.

A tara que aqueles homens tinham por garotas mais jovens, era algo repulsivo até mesmo para as próprias meretrizes mais antigas do prostíbulo, mas claro que era algo cujo elas não podiam fazer ou dizer nada a respeito ou eram castigadas pelo seu senhor.

– Ah sim, você é... –ele diz mostrando os dentes. – Uma delicia de menina. Vamos, me deixe ver o que você tem aí. –diz tentando puxar o decote da moça.

– Não senhor, não é assim que deve se comportar em nossa casa, temos regras... –Juliet tenta ser dura para manter o respeito. – Se deseja uma companhia deve pedir por ela educadamente. –ela tenta se desvencilhar das mãos do homem que insiste em segurá-la firme.

– Ora, não seja indelicada, me faça um agrado. Vamos, você me parece gostar... –ele diz enquanto puxa a mão de Juliet para perto de seu membro.

– Não... –Juliet dá um salto para trás e esbarra em alguém.

– Algum problema? –diz o sujeito que fazia a segurança do estabelecimento.

O homem sentado a mesa ergue os olhos analisando a altura imensa do grande negro em pé ao lado de Juliet, e imediatamente fecha seu sorriso, e se recompõe.

– Não Django. –diz Juliet. – Este senhor apenas deseja a companhia de uma moça, mas eu acabo de lhe informar que não estou disponível esta noite, por tanto apenas pedirei que espere que lady Candence lhe conceda uma dama senhor. –ela se dirige ao sujeito já mais calmo a mesa.

– Certo eu vou esperar. –ele concorda mostrando não querer problemas com o enorme Django.

– Ótimo. –responde o negro logo encarando a pequena Juliet.

Ela se vira e pede licença aos homens a mesa, e se afasta vendo duas moças logo se aproximando para limpar a bagunça feita pelo cavalheiro. Django segue a pequena Juliet com o olhar de um guardião como se fosse seu dever cuidar daquela menina com aparência de anjo, e depois se afasta encontrando lady Candence.

– Obrigado Django. –diz ela tocando-lhe o peito duro.

– Lady. –ele se curva como um criado e depois se retira voltando seu posto.

Nesse momento Candence avista Dorian em sua mesa com a linda Margarete em seu colo, tentando chamar sua atenção. Este por sua vez, faz um singelo gesto para a lady que se aproxima e ouve o que o cavalheiro tem a dizer.

– Boa noite Mr. Gray! –diz ela.

– Boa noite lady Candence.

– Tudo está do seu agrado?

– Imagino que sim, ao menos pelo que vejo... –diz ao sentir os dedos carinhosos da meretriz sobre seu pescoço.

– Se está se referindo ao nosso acordo, estou cumprindo com minha parte perfeitamente Mr. Gray.

– Ótimo lady Candence, por que pretendo viajar amanhã mesmo, e ainda preciso de uma companhia. –os olhares atentos de Margarete pousaram sobre a conversa.

– Podemos falar mais sobre isso em particular se preferir Mr. Gray. –diz Lady não querendo deixar as demais prostitutas informadas da sorte grande de Juliet.

– Claro, será um prazer. –diz ele sorrindo para Margarete.

– Por favor querida Margarete, vá atender ao cavalheiro na mesa próxima ao palco e peça para Juliet levar bebida para a sala vermelha. –sala vermelha era uma espécie de escritório do senhor Rochester que era usada por Lady Candence em sua ausência.

Margarete torce os lábios sem gostar da troca que teria de fazer e logo faz o que a “mãe” lhe pede, mas não sem antes avisar Juliet do recado. Assim que Dorian e Candence atravessam o salão, Juliet os segue com os olhos curiosos, e depois apanha a bebida e vai até a sala vermelha. Quando chega a porta a moça ouve o inicio da conversa do cavalheiro com a dama e espera ainda do lado externo.

– Ainda pretende levá-la com você Mr. Gray? –diz Candence sem parecer interessada.

– Sem dúvida lady Candence. Juliet é uma preciosidade, e tenho certeza que fará bem diante dos meus convidados na casa de Paris.

– Oh, então é para lá que pretende ir?

– Sim, tenho negócios a tratar.

– Pois bem, e quando devo preparar minha menina?

– Hoje mesmo, partiremos amanhã.

– Certo, como sabe senhor Gray nestes casos para a segurança de minhas meninas, é necessário que mais um integrante seja adicionado nesta viagem.

– E quem seria? – ele pergunta franzindo a testa.

– Um de nossos seguranças pessoais. Entenda que precisamos de uma segurança para nossas moças, algo que garanta que não teremos problemas futuros.

– Como roubar uma de suas filhas? –ele ri com desdém.

– Sim, Mr. Gray.

– Por mim está ótimo.

– Pois bem... –neste momento lady avista os olhos curiosos de Juliet atrás da porta. – Ah, então que deixemos nossa preciosidade se juntar a nossa pequena reunião. –ela sorri e gesticula para Juliet entrar com as bebidas e assim ela o faz ainda meio sem jeito.

Ao ver a moça na mesma sala, Dorian esconde-se por trás de um olhar extremamente frio enquanto fita a face da moça usando batom vermelho e maquiagem carregada. Algo no rosto dela o desagrada, mas não se trata das feições da moça e sim aquela maquiagem pesada que tirava toda a sua inocência a qual ele apreciava. Juliet entra com o olhar baixo, mas logo recebe um olhar negativo de Lady e torna a erguer o nariz mostrando-se superior e segura, bem diferente daquela menina frágil. Algo incomoda Dorian, mas ele ignora pois sabia que quando estivesse totalmente sob o domínio de Juliet, ela andaria, se portaria e se vestiria de acordo com o que ele desejasse.

Notas finais
No próximo capítulo a viagem!