Desejo Mortal

7 Corrida contra o tempo


Passaram uns dias desde que tudo desmoronou. Jess estava melhor, com a ajuda do Daryl, com quem falava algumas vezes, Jensen observava-os da janela, com ciúmes e medo que ele a conquistasse, achava a aproximação deles repentina e achava que Daryl poderia estar a mentir, que poderia não estar realmente a tentar melhor as coisas com ele e com a Jess, por isso não lhe dava grande abertura, ao contrário de Jéssica, que se estava a dar bem com ele. Jensen odiava a maneira como ele a fazia sorrir, odiava as longas conversas entre eles no jardim, sozinhos, odiava quando ela se calava quando ia ter com eles, isso roía-o por dentro. Perguntava-se, indeterminadas vezes, porque é que ela não se abria com ele como se abria com o Daryl.

Jensen esta manha não fez diferente, observava-os da janela, ruido de ciúmes, enquanto eles conversavam. Daryl sentou-se ao pé da Jéssica, serio.

"Posso te fazer uma pergunta, Jess?" perguntou Daryl.

"Claro."

"Porque é que estás tao á vontade comigo? Porque confias em mim, quando mais ninguém confia?"

"Porque acho que toda a gente merece uma segunda oportunidade. Eu estou á vontade contigo porque és a única pessoa com quem consigo ser eu mesma... não tenho que te impressionar, não tenho que esconder o que sinto para não te preocupares comigo...contigo posso dizer o que quiser sem ser criticada ou estudada... sei que não te magoas quando me vês na merda, não precisando de fingir que estou bem, sem ter que forçar um sorriso para fazer de conta que estou bem..."

"Percebo... tu não és assim com o Jensen porque sabes que ele fica mal se estiveres mal também... sabes que ele se preocupa demais..."

"Sim, isso..." diz ela, triste. "Simplesmente nós não precisamos de mascaras, nem de por um filtro..." disse ela. Ele sorriu concordando. "Também não és assim tao má pessoa, Daryl... porque vocês se entenderam? Nunca cheguei a perceber... " pergunta ela, curiosa.

"Acho melhor ser ele a contar-te..."

"Sabes bem que ele não me vai contar... qual é a vossa história? Não sentes falta dele, do teu irmão. Ou vocês sempre se deram mal?"

"Não nos nunca nos demos mal... aleás ele sempre foi o meu pilar, Jess... ele ajudou-nos quando a nossa mãe morreu... eu a vi morrer ele estava lá, comigo, esqueceu a dor dele para me ajudar a ultrapassar a minha... a partir dai ele cresceu, tornou-se frio com as pessoas, excepto comigo, de vez em quando mostrava-se sem mascara. Até quando o nosso pai nos abandonou, pensando nós que ele tinha morrido, o nosso pai é o mesmo... ele pode não te ter dito mas nós somos gémeos... por isso temos poderes de vampiro e bruxos... o nosso padrasto soube que ele nos abandonou e acolheu-nos. Ele é o homem que nos criou, não o nosso pai..."

"Sabes que ele o viu recentemente?" perguntou Jéssica.

"Sim, sei eu também o vi, mas virei-lhe costas."

"Sim, o Jensen também não recebeu bem o vosso pai, como deves pensar... diz-me uma coisa... tiveste que esconder também o caso deles do teu padrasto? Eu não percebi essa situação..."

"Ele teve um caso com a nossa mãe sim... e eu e o Jensen escondemos isso muitos anos mas o nosso padrasto descobriu quando ela morreu. O resto já sabes..."

"Diz-me lá o que aconteceu depois... porque é que se zangaram?"

"És mesmo persistente..." disse ele, olhando para ela, vendo o olhar dela ameaçador e persistente. "Ok... ele roubou-me a única rapariga que alguma vez já gostei...ela escolheu-o mas isso não foi o pior... o pior foi quando ele concordou com o ritual... eu comecei a mudar e andava sempre irritado e comecei a ficar frustrado e desnorteado... e então ela morreu, Jess... quando isso aconteceu eu enfureci e ataquei-o, a coisa ficou feia, eu gritava com ele, culpei-o pelo acontecido e sai da família... comecei a perder as estribeiras e a agir impulsivamente, cedendo ao meu lado selvagem, desumano e destrui muita família, ataquei muita gente... a vida para mim não tinha sentido... eu fui mais longe e jurei vingança a todos eles, comecei a entrar em conflitos com a minha família e a ameaça-los a todos... eles baniram-me dos terrenos deles e eu comecei a ficar cada mais obscuro, juntei-me á tua mãe e o plano era tirar-lhe tudo o que ele sempre quis... tu... eu percebi a maneira como ele te olha, eu observava-os de longe e sabia que não havia nada mais importante para ele... soube logo porque ele não deixou o ritual acontecer, porque tentou impedir... ele ama-te como nunca amou ela... quando descobri o que a tua mãe fez, soube que ela sempre planeou matá-la e que fez de prepósito para ela morrer, conseguindo a minha ajuda... Jéssica, eu lutei contra ela mas perdi... ela lançou-me um feitiço e foi embora..."

"Que feitiço?" perguntou ela, com receio.

"Não sei... ela só murmurou algo como ut ad vitam bits... mas nada me aconteceu a não ser um empurrão contra a parede..."

"Eu já vi sobre isso no diário! Espera aqui..." disse ela, correndo para o quarto. Daryl entrou na cozinha e seguiu-a, atras do Jensen, que estava preocupado.

"O que lhe fizeste?" Pergunta Jensen, irritado. Daryl ia responder mas Jéssica cortou-lhe a fala.

"A minha mãe escreveu sobre um feitiço que eu tenho a certeza de ter lido aqui..." disse ela, vasculhando no diário. Ela parou numa pagina, enquanto lia o que estava escrito. O seu olhar gelou e esbugalhou os olhos. Olhando para Daryl.

"O que é Jéssica? Diz-me." disse ele, serio... ela olhou para o chão e depois para o livro.

"Daryl... é um feitiço de morte... um feitiço que mata numa semana... o feitiço para o desfazer está no outro diário. A minha mãe deve possui-lo. Não te sentes mais fraco? Sonolento? Tens conseguido usar os teus poder ou até beber sangue? Eu vejo-te a beber, mas o que acontece depois..."

"Merda! Desde ontem que o vomito! Desde ontem que o corpo não o aceita... em relação aos poderes, não sei, não os tenho usado..." ele estalou o dedo tentando acender uma chama na ponta deles mas o fez foi faíscas... "Merda!" Disse ele, desnorteado. "Ok, vou lá e é agora!" disse ele dirigindo-se á porta, enquanto Jensen o olhava perplexo.

"Não vais não! Á noite, eu vou contigo e entro em casa!" disse Jéssica, pondo-se á sua frente.

"Não! Não vou deixar tu te arriscares!" disse Jensen, despertando.

"Sabes bem que vou!" disse Jéssica.

"Ok, então eu vou também e eu é que entro lá, enquanto ficam de vigia! E não é para a tua mãe saber! Ela não sabe que sabes da verdade! Não pode sonhar que sabes que é ela que está por detrás de tudo." Disse ele, fazendo-a concordar.

Mais tarde Jensen estava no jardim e Daryl foi ter com ele.

"Ainda vais a tempo de recuar na missão, eu não a deixo lá entrar..." disse Daryl.

"Não, eu vou até ao fim..."

"Ok, tudo bem... diz-me uma coisa... porque não falas com eles? Eu notei neste tempo que nunca lhes dirigiste uma palavra..."

"Eles prenderam-me e mentiram-me para fazerem o ritual mesmo eu estando contra. A eles a vida da Jess não é nem nunca foi nada... eu os odeio por isso..."

"Entendo... está na hora..." disse ele, frio. Levantou-se e Jensen foi atrás. Jéssica já os esperava á porta. eles ficaram pasmados quando a viu.

"Pintaste o cabelo?!" perguntou Jensen.

"Não te preocupes. Esta tinta preta sai quando lavar o cabelo." Disse jess. Passou dois gorros, um para cada um. "Ponham isso e vamos." Disse ela, avançando para o carro. Daryl os guiou até á casa onde estava a mãe da Jéssica, tinha dois guardas á porta. encostaram-se á lateral da casa e Jensen sussurrou. "Eu vou entrar pela janela da casa de banho. Daryl tens que me levantar. E Jéssica se houver algo ligas-me, eu tenho o telemóvel em vibração e assim que o sentir vibrar eu saio, caso algo esteja a correr mal... tenho a certeza que ela não está em casa, senão não metia os cães dela de guarda." Disse ele. "Daryl, cuida dela."

"Sim, Jensen." Disse ele, ajudando a subir á janela, perdendo a vista do Jensen. Eles espiavam no canto da casa se viam algo, enquanto Jensen se dirigiu ao quarto, procurando pelo diário. Passado uns minutos, eles viram a mãe dela a chegar e Jéssica logo ligou para Jensen. Jensen vasculhou apressadamente a gaveta e achou o diário. Mas ouviu um telemóvel tocar, o da Jéssica, o som de pouca bateria e espreitou pela janela, com os olhos esbugalhados, preparando-se para partir a janela e escapar com eles. Daryl fez a Jéssica virar-se para ele.

"Jéssica, vais ter que confiar em mim... eu vou fazer uma coisa que não vais gostar mas se ela nos ver assim vai pensar que somos um casal e então não vai começar a desconfiar. Daryl a puxou para junto dele.

"Não Daryl, pára..." disse ela, tentando se afastar dele, mas ele tinha força e puxou-a para junto dele e beijou-a, forçosamente. Ele tentou afastá-lo, enquanto Jensen observava-os, furioso pela janela.

"Jéssica, se não alinhares eles vão desconfiar... queres salvar o teu traseiro tens que me beijar agora!" disse ele, puxando-a de novo. Ela tentou afastá-lo mais uma vez mas acabou por seguir o plano e deixou-se levar pelo beijo. Ele deixou de a apertar e levou as mãos até as bochechas dela, moldando os movimentos dela aos seus, beijando-a com fervor e com desejo. Ela envolveu-se no beijo e enrolou as mãos no seu pescoço, fechando os olhos. As mãos dele viajaram nas suas costas, com furor, cego de um desejo que ele não sabia que tinha. Ela sentia a adrenalina toda a passar pelo seu corpo, enquanto ele tremia. Sentiu o olhar duvidador da sua mãe a afastar-se deles, achando que eram só um casal, enquanto ela esfregava as mãos nas costas musculosas do Daryl, mas foram interrompidos por um barulho que veio de o interior, Jensen, irritado, tinha dado um murro na mesa e deitado um vaso ao chão.

"Temos um intruso." Disse um segurança para o outro. E entraram. Jéssica afastou-se do Daryl e encostou-se á parede, vendo-o a entrar.

"Como o vamos tirar dali, Daryl?" disse ela, preocupada, entrando em desespero. Daryl tira duas facas e mandou uma á Jéssica, mudando para o lado dela.

"Já mataste alguém?" pergunta ele. Ela abana a cabeça. "Ok, então hoje vai ser a tua primeira vez. São dois, corta a garganta de um e eu a do outro, tenta que eles não façam barulho." Disse ele, entrando pela porta, baixado, ela seguiu atrás dele até a uma pequena sala, onde eles procuravam pelo Jensen. Ele fez um sinal com as mãos e foram aos encontro dele, de cócoras, tentando não fazer barulho.. assim que chegaram perto dele, cada um, encostou a faca ao pescoço deles, rasgando-lhe a garganta. Jéssica viu o Daryl a morder o guarda, rasgando a veia principal que fazia contacto com o cérebro, fazendo-o morrer rápido. Ele fez-me sinal para eu fazer o mesmo e ela abaixou-se, sem hesitar, fazendo-o. Estavam a andar baixo, tentando manter a presença deles indetectável mas tudo foi por água abaixo quando Jensen gritou de dor e Jéssica correu em direcção a eles. Vi-o caindo a um canto e viu a mãe se aproximar dele com uma espada afiada e fina. Ele estava sobre feitiço de dor. Ela correu, rápida que nem uma flexa, num impulso e abaixou-se, agarrando no Jensen, gemendo de dor quando a espada lhe acertou no ombro. Daryl correu para a mãe dela e atirou-a com a sua força vampira contra a parede e antes que ela pudesse se levantar, com a sua corrida vampírica os levou embora, para longe. Tendo ajuda do Jensen para carregar a Jéssica que estava ferida. Pararam quando chegaram á floresta e Jéssica observava o Jensen, frio e irritado, depois de lhe ter dado o livro de feitiços da mae. Ele baixou o casaco e ficou impressionado como é que a ferida dela tinha curado num espaço de dois minutos, enquanto a deles demorava uns dez minutos a curar. "Bem já sabemos que curas bem rápido..." disse ele irritado. Levantou-se e andou até casa, se falar nada aos dois. Quando chegou ele dirigiu-se ao quarto e Jéssica seguiu-o, se apercebendo que ele viu o beijo.

"Eu sei porque estás assim... sabes bem porque ele me beijou..." disse ela, seria.

"Sim, mas também sei que gostaste... consegui ouvir o teu coração a milhas e bastava ver a forma como o beijaste de volta..." disse ele, irritado, não olhando para ela. Ela tinha gostado do beijo mas não o ia admitir, sabia que tinha sido algo do momento... por muito bem que ele beijava não a deixava da maneira como Jensen a deixava. Ela dirigiu-se pera junto dele e forçou-lhe a cara, para ele a olhar nos olhos.

"Eu fiz o que tinha que ser feito para passarmos despercebidos. O coração era da adrenalina de passar pela situação em que estávamos, de resto, não do beijo." Disse ela, aproximando-se dele, puxando-o pelo clarinho para junto dele, beijando suavemente os seus lábios, por uns bons segundos. Afastou-se para ver a sua expressão e percebi que ele continuava bastante irritado, mais do que tinha mostrado.

"Eu vou apagar o gosto dele dos teus lábios!" disse ele, antes de a puxar ferozmente. Beijo-a nos lábios com uma ferocidade que nunca tinha sentido, cada pedaço dela tremia de adrenalina, enquanto ele beijava cada pedaço dos seus lábios. Ele agarrou-a e pousou-a na cama, erguendo-se sobre ela, beijando-lhe o pescoço com tensão. Agarrava-lhe pela cintura, forçando o corpo dela junto do seu, sem deixar um único espaço livre entre eles. Beijou-a como se fosse a ultima vez que a visse, que a sentisse em seu braços. No fim afastou-se e viu a expressão dela, uma expressão desassossegada e baralhada. Ele ficou irritado mas não queria demonstrar o medo de a perder, por isso olhou-a nos olhos, serio.

"Espero que não o voltes a beijar ..." deixou-lhe ele um aviso, enquanto Jéssica ainda estava a lutar para respirar. "És minha e de mais ninguém." Disse ele levantando o queixo dela, olhando nos seus olhos, de bem perto. Deslisou o dedo pelo seu pescoço, enquanto se movia para cima, virando-lhe costas e deixou-a sozinha no seu quarto, sem reacção, ainda a tremer de adrenalina daquele beijo. Ela aproveitou e foi até ao seu quarto para ler o livro que Jensen lhe deu, sentindo o Jensen a voltar de novo para o quarto dele. no diário da mãe, viu que precisava do sangue do Daryl e da bruxa que iria lançar a maldição, que caso não fosse possível que poderia ser da geração seguinte á da bruxa, ou seja a dela. Foi ter com o Daryl e trouxe uma faca da cozinha.

"Já sei como te curar. Deixa ver o teu braço." Ele deu-lhe o braço e fez um pequeno corte, escorrendo umas gotas para uma taça, e de seguida fez igual no seu braço. Averiguou qual era a palavra que tinha sido dita e depois respirou fundo, pondo as mãos em cima da taça. "liberum corpus venena!" disse ela, fechando os olhos. Daryl ficou com uma aura brilhante á volta dele e sentiu-se a recuperar, enquanto Jéssica o observava maravilhada com o que via. Quando a aura desapareceu ele sorriu, esticando os braços. "Tenta fazer uma chama com os dedos." Disse ela. Ele ergueu os dedos e estalou-o, aparecendo uma chama sobre eles. Ele apagou a chama e sorriu para a Jéssica e num impulso abraçou-a entusiasmado e contente, fazendo-a corar um pouco. "Obrigada, Jessie!" disse ele. Ela afastou-se e sorriu.

"De nada, Daryl. Vou para o quarto agora. Boa noite." Disse ela, levantando-se e indo para o quarto, deixando o Daryl entusiasmado, brincando com os seus poderes. Antes de subir escadas, virou-se para ele. "Juízo, Daryl." Disse-lhe piscando o olho. Ele sorriu para ela.

"Sim chefe!" disse ele, num tom cómico. Ela sorriu e subiu para o quarto.

Passaram-se uns dias desde aquele beijo, uns dias calmos, em que Jéssica aproveitou para ir á universidade, congelando a sua matricula, fazendo Jensen o mesmo. Nestes dias eles mal se falaram, as coisas ficaram estranhas e a única pessoa que ela falava era com o Daryl, com quem tinha tido muita afinidade nestes dias, passava tardes inteiras a falar e a rir com ele. Jéssica achava que ele era bem divertido e até era bom amigo.
"Promete-me uma coisa, Daryl..." disse ela. Ele olhou para ela, sorrindo, á espera que ela dissesse o que queria. "Promete-me que não voltas a beber directamente de um humano..." disse ela, sorrindo.

"Tem mesmo que ser?" perguntou ele. Ela lançou-lhe um olhar maligno e ele riu-se.

"Eu prometo a vossa excelência..." disse ele. Esticou-se e deu-lhe um beijo na cara, fazendo-a corar. "Eu vou ser melhor por ti, princesa." Disse ele, sorrindo, um sorriso que a fez sorrir também, era sincero. "Vamos correr!" disse ele.

"Correr?"

"Sim, é libertador! Nunca fizeste uma corrida pelo bosque, uma corrida vampiresca?" ela abanou a cabeça. Ele levantou-se e puxou-a pela mão. "Anda. Vou começar de vagar e tu vais apanhando o ritmo, é só te libertares." Disse ele, entusiasmado.

"Ok, mas pega leve." Disse ela, sorrindo. Ele começou a correr devagar, corrida humana.

"Vai apreciando o cheiro ao teu redor. A erva molhada da geada, o cheiro das flores, tudo." Disse ele, respirando fundo, depois.

Correram ao mesmo ritmo mais uns minutos e depois ele começou a acelerar, sem soltar a mão dela. Aumentou mais a velocidade mas parou quando viu que a Jéssica estava a debater-se. "Jessie, solta-te de tudo, não penses em nada, em ninguém, sente o ar a bater na tua cara, o cheiro da madeira, da geada e das flores, depois corre. Vamos lá a outra ronda." Assim o fez, desta vez ela respirou fundo e começaram a correr um pouco mais rápido, cada vez mais rápido e ele olhava para ela, via ela a sorrir, a apreciar o momento, completamente livre, solta, até que perderam a noção do tempo e quando pararam já era de noite. Ela meteu as mãos nos joelhos, tentando recuperar fôlego, sorrindo de orelha a orelha.

"Isto foi brutal! Senti tudo cada cheiro cada onda de vento. Senti liberdade, senti.me que era capaz de tudo, adorei, Dereck." Depois olhou para ele, que estava encantado a olhar para ela, sorrindo. Ele aproximou-se dela e encostou a mão dele na sua cara.

"Jessie, tu és uma esmeralda... nunca canso de te olhar, cada expressão tua, cada gesto teu me hipnotiza."

"Daryl, não..." disse ela, andando um pouco para trás, ele seguiu os passos dela.

"A tua personalidade, o teu sorriso, tudo em ti me puxa como um íman... acho que me estou a apaixonar por ti..." disse ele, sorrindo, aproximando-se dela, ficando a poucos centímetros dela.

"Não tornes a nossa relação complicada... nos somos uma relação tão fácil..." disse ela, entristecida.

"Jess, continuamos a ser fáceis... não há que complicar. Nós nos entendemos e nos damos bem. Tu própria disseste que com o Jensen é tudo muito complicado, então dá-me uma oportunidade para te fazer esquecer dele. Pensa nisto e no nosso beijo. Eu ouvi o teu coração, não tens como negar que houve faísca... promete que pensas, eu não vou tentar nada." Disse ele, sorrindo, deslizando a sua mão no braço dela.

"Eu prometo que vou pensar, mas vou dormir agora. Vamos?" perguntou ela, afastando-se.

"Sim, princesa, vamos." Disse ele, fazendo uma vénia para ela seguir. E foi atrás dela até casa. Entraram e o Jensen estava na cozinha irritado, ficando mais quando percebeu que ela não estava á vontade quando o viu, suspeitou logo que algo haveria se passado. Ela não lhe disse nada e dirigiu-se ao quarto. vestiu o pijama e deitou-se, pensando no que o Daryl lhe disse, mas levantou-se sobressaltada quando um vulto entrou no quarto, cheirou o ambiente e sentiu o perfume do Jensen, de seguida abriu a luz.

"Tens sempre que entrar no meu quarto assim?" perguntou ela, irritada.

"O que aconteceu entre vocês os dois?" perguntou ele, serio.

"Ele ensinou-me a corrida vampiresca, só isso." Engoliu em seco, com o coração a bombear o sangue mais rápido.

"Estás a mentir." Disse ele, serio. Ele estudou o ritmo cardíaco da Jéssica e soube.

"Seja o que aconteceu é comigo e com o Daryl! Porque és assim? És tão complicado!" disse ela, exaltada.

"E tu não és? Já não te sentes atraída por mim?" perguntou ele, puxando-a da cama, contra a parede. Ela empurrou-o com força e conseguiu afastá-lo uns milímetros. "Ele iludiu-te com coisas parvas e esqueceste assim tão rápido de mim? Que raios de pessoa és tu?!" disse ele, cada vez mais irritado, mas a Jéssica estava mais irritada e largou uma aura dourada, empurrando-o contra a parede oposta do quarto.

"Mas tu pensas que és o quê?! Sai do meu quarto!" disse ela.

"Não, não saio." Disse ele, pondo-se de pé num instante.

"Então saio eu, e não volto a esta casa até que te acalmes." Disse ela, voltou costas e correu para longe, de forma vampiresca, apanhando umas roupas sem parar para as procurar. O Daryl apareceu á porta, despois de ela desaparecer.

"O que se passou? Porque ela foi embora? O que lhe disseste?!" perguntou ele, irritado ao perceber que a culpa era do Jensen. O Jensen olhou para ele, mas saiu do quarto desnorteado, entrando no dele, sem lhe dirigir a palavra. Ele foi para o quarto também, ficando a noite toda sem dormir, esperando por ela, mas ela não apareceu, notava o Jensen bastante mal humorado e sabia que ele lhe tinha tentado ligar. Ele esperou mais um dia depois e nada, começou a ficar preocupada e ligou para ela uma data de vezes mas ia directo ao voice-mail.

No dia a seguir ligou desde manha até á tarde, quando ela finalmente atendeu. "Jessie?! Onde estás?!" perguntou ele, cheio de preocupação.

"Daryl, vem ter comigo ao parque perto da faculdade." Disse ele, notou que ela estava em perigo pela sua voz e correu para lá. Quando chegou ela estava sentada junto á sua mãe.

"Olá, Daryl, pensavas que eu não iria descobrir que lhes tinhas contado tudo?" pergunta ela.

"Deixa-a ir!" disse ele, tenso.

"Será que se eu ressuscitasse a tua querida Inês, tu também a ias deixar ir?" perguntou ela, maldosa, fazendo-o arregalar os olhos.

"O que queres dizer? Isso é impossível."

Não é não... eu posso-a trazer de volta, basta que desistas dela e te juntes a mim. Eu preciso de um bruxo para fazer o feitiço para ficar com os poderes dela." Disse ela, sorrindo, cinicamente. Ele riu-se, gozando com ela. "O que foi não acreditas?" pergunta ela. Levantou.se e destapou um corpo, o da Inês. Ele olhava horrorizada para o corpo dela. "Vamos fazer um teste para te ajudar a decidir. Eu vou fazer o conjuramento para que a Inês volte á vida e ao mesmo tempo vou tirando vida á Jéssica. Tá nas tuas mãos se queres que a Jéssica fique vegetal ou se queres que a Inês renasça. Eu da Jéssica só preciso do coração dela, para bombear o sangue. Por isso se ela estiver sem se mexer melhor para mim." Assim que acabou de falar levantou as mãos e fez o corpo da Inês se mexer, enquanto a Jéssica gritava de dor. O Daryl estava hipnotizado a olhar para a Inês que respirava com dificuldades mas os gritos de dor da Jéssica o fez despertar e sem hesitar puxou a Jéssica para o chão, cancelando o feitiço que a mãe dela lhe deitara. Depois olhou para ela, com a Jéssica nos seus braços. "Porque estas a fazer isto?" pergunta ele.

"Só queria ver se poderia contar contigo, mas já vi que não." Disse a mãe dela, olhando para o Daryl, depois virou os olhos para a Jéssica. "Sabes o que está escrito na profecia?"

"Que a pessoa que mais me amar será a minha ruína, mas eu não acredito em profecias..." disse Jéssica, tentando recuperar das dores.

"Iremos ver se irá se concretizar, mas Jéssica, minha querida, se se concretizar já sabes quem irá ser..." disse ela, desvanecendo com o corpo, morto, da Inês. Jéssica olhou para o Daryl, que a inspeccionava.

"Como sabes que há uma profecia?"

"Estava no diário que roubamos a ela... estava lá um papiro..." disse ela, tentando se levantar.

"Não te preocupes que eu não serei a tua ruína. Nem eu nem o Jensen, nos não éramos capaz de fazer nada..."

"Tu escolheste-me ao invés da Inês, Daryl..." disse ela, ainda sem acreditar, perplexa.

"Sempre irei escolher, eu disse e volto a dizer, eu gosto de ti, minha princesa." Disse ele, puxando a cabeça dela para cima e beijando-a, com ternura e desejo. Rodeava as costas dela com as duas mãos e puxou-a para junto dela. Ela não resistiu e mesmo que quisesse não conseguia, estava sem forças. Os lábios dela percorriam os dela e ela deixou-se levar pelo beijo, retribuindo. Pôs-lhe a mão no pescoço e puxou-o para si, sentindo aquele desejo que sentiu no primeiro beijo deles, aquela atracção que eles tinham cada vez que se beijavam. Ele deu pequenos beijos nos seus lábios e afastou-se. "Vamos para casa, precisas de descansar." Disse ele, agarrando nela ao colo. Ela automaticamente adormeceu no seu colo e ele correu com a sua velocidade extraordinária. Assim que entrou em casa viu o Jensen a andar de um lado para o outro, preocupado. Ele correu para junto deles quando os viu.

"O que aconteceu?"

"A mãe dela, voltou a atacar. Nos precisamos falar, á coisas que me estão a preocupar. Já venho, vou deitá-la. Ela está bem, só precisa descansar." Disse Dereck, andando até ao quarto dela, onde a pousou na cama, tapando-a com uma manta e depois voltou até á sala, mas não sem antes lhe dar um beijo na testa.

"Que se passou?!" pergunta o Jensen preocupado.

"A mãe dela... eu acho que ela vai ressuscitar a Inês... sim, ela vai usa-la... eu não a ajudo por isso vai tentar que ela a ajude..." disse ele, não fazendo nexo.

"Daryl? Tens que ser mais exato."

"Desculpa... ela precisa de um bruxo para conseguir os poderes da Jessie. Ela tentou ver se eu iria escolher a ressuscitação da Inês em vez de salvar a Jessie... mas eu não fiz o que ela queria e salvei a Jessie. Então ela disse que já viu que ela não podia contar comigo... eu tenho a certeza que ela a vai ressuscitar..." disse Daryl, descontrolado, andando de um lado para o outro. "Eu vi o corpo dela, Jensen. Eu vi ela a executar o feitiço para a ressuscitar... merda..." disse ele, serio.

"E quem te disse a ti que a Inês vai ajudá-la?"

"Porque o feitiço deixa a pessoa que ressuscitou completamente dependente do bruxo. Ela vai fazer o que a mãe da Jessie quiser. eu conheço o feitiço, estudei-o quando estava com a Julie." Advertiu o Daryl.

"Merda... Como soubeste onde ela estava?" pergunta Jensen.

"Ela finalmente atendeu o telemóvel. Mas isso não interessa."

"Podias ter-me levado junto..."

"Sabes bem que vocês estavam brigados." Disse Daryl.

"Está bem, está bem... que vamos fazer então?" pergunta Jensen.

"Não sei, mas primeiro quero ver se a Jessie está em choque ou não, por a mãe quase a ter tornado vegetal."

"O quê?!" pergunta Jensen.

"Sim... um feitiço que eu não deixei terminar." Disse ele, serio. "Vou ter com ela. quando ela quiser falar contigo eu chamo-te." disse Daryl, subindo as escada e deixando Jensen sozinho na sala, preocupado. se eu não tivesse brigado com ela nada disto tinha acontecido, pensou ele, antes de subir para o seu quarto.

Notas finais
Irei postar o próximo capitulo em breve ;-)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.