Desejo Brutal
4 Capítulo Três
Havia uma caverna ali, naquela caverna ninguém entrava, com medo de que o bicho pegasse quem entrasse. O bicho, era mais conhecido popularmente como “aquela menina”, e ela sempre estava lá, muitos de seus colegas de escola tinham medo dela, enquanto outros a zombavam. Fuxiqueiros diziam que ela conversava com espíritos, falava com as paredes, era doida, falava sozinha. Ela era só uma criança. E naquele dia, ela foi á caverna, não para conversar, mas desta vez, para se despedir. Sua família estava de mudança para um lugar bem longe, mas a menina ficou indignada. Seus “amigos” não deixavam, não a queriam longe. Ela fechou a cara, e gritou “NÃO!”.
No dia seguinte seus pais foram encontrados mortos, e a pequena menina foi para a adoção. No fundo, a menina sabia, mas não queria aceitar, então, viveu com toda essa amargura dentro de si.
O orfanato em sua cidade não tinha mais como sobreviver à crise que sofriam naquela época, então as poucas crianças que tinham foram transferidas para outro orfanato. A menina nunca mais viu seus amigos depois daquele dia.
A menina foi adotada por muitas famílias, mas todas desistiram. Ela sempre se rebelava, seu histórico policial estava bem grande para uma adolescente. Já estava acostumada com a rejeição.
Um dia, um casal, que há muito tempo haviam um filho, agora morto, resolveram adotar um adolescente, e sem saber de nada (o orfanato estava louco para liberar a menina) a adotaram. A mulher não desistia, e a menina cansada, resolveu fugir de casa. Pegou a mochila, pôs todas as sua roupas, comida da geladeira, e na porta de entrada, a luz acendeu sozinha.
— Eu sei o que você vai fazer. Já tive um filho como você. – Silêncio – se você quiser sair, ir a outro lugar, pode ir, mas saiba, que eu vou estar sempre aqui – e sorriu – você pode contar comigo pra qualquer coisa. Eu não quero ser sua mãe, quero que você me considere como uma, quero apenas ser sua amiga. – virou e foi para a cozinha... E algum tempo depois, a porta da frente se fechou. A moça caiu no choro, mas ela sabia que a garota iria aparecer de novo algum dia. Mesmo que fosse no seu tumulo.
Um mês depois, a menina bateu na porta.
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Os pais brigaram por ela na justiça, e conseguiram. Foi a família que a mãe sempre quis, uma família feliz. A menina tinha passado por muito coisa, viu coisas terríveis naquele pequeno período de tempo, viu drogas, prostituição, sobreviveu a chacinas e fez coisas que ninguém nunca faria. Porém, ela estava feliz ali, era uma família de verdade. Sua mãe era sua melhor amiga, seu pai, o melhor conselheiro que já tivera. Até mesmo prendeu a tocar piano.
A menina estava muito bem, até seus amigos resolverem falar com ela novamente.
A menina ficou louca.
As vozes em sua cabeça diziam que, um dia, ela conheceria um menino, e ele deveria ser protegido a qualquer custo. Todo o sofrimento que ele tivesse, ela teria também. Ela saberia quem é, quando o encontrar. E algum tempo depois, ela encontrou Will.
Ela sabia que era ele. Ela sabia o que teria de fazer. Ela sempre sentiu algo negativo vindo de seu grupo, depois de conhecê-lo. Havia algo em alguém daquele grupo de amigos, que lhe dizia para ter cuidado.
Giovana aprendeu a lutar muito bem. Ela sabia se cuidar.
Era começo da tarde. Ela estava se arrumando para sair, e então uma voz em sua cabeça lhe disse que ele corria perigo. Eles moravam perto. Ela pulou a janela de seu quarto, desceu pelo beco, e correu rua abaixo. Quando chegou na casa de Will, ela ouviu gritos. Arrombou a porta da frente, e entrou. Quando chegou lá, haviam três Tenebris, demônios do universo.
— Olhe só, apresento-lhe Giovana, a peste Claritate que protege o menino. – os três riram alto.
— Quê? – A menina havia ficado confusa, como a conheciam? Ela era invisível a eles todo esse tempo.
— Ora, ora... Não está nos reconhecendo, querida?
Então ela viu, os olhos deles, eram os olhos dos pais do menino.
— Mas... Mas o quê...? – Os dois avançaram para cima dela, enquanto o outro tinha ido, contatar seu chefe. Ela correu para o outro lado da bancada, e pegou uma faca dentro da gaveta. A “mãe” de Will chutou o braço de Giovana do ar, que fez com que a faca saísse voando. O outro desceu violentamente do alto, com a boca aberta, em direção o rosto de Giovana. Ela rapidamente abaixou a cabeça, e o Tenebris socou a cabeça no armário e caiu em cima dela. Ela pegou seu corpo molenga e cinzento e o jogou em direção a outra, e ligou o fogão. Com eles distraídos era fácil. Os Tenebris só morriam com fogo. Ela correu para a gaveta e pegou o isqueiro logo em cima do balcão. Agarrou os pés dos monstros e os jogou em cima do fogão. Acendeu o isqueiro, e o jogou na direção deles. O pouco tempo que teve, ela correu para o corredor, mas a explosão foi muito forte, a derrubou no chão, e junto dela. A parede da cozinha.
Haviam levado Will, sua única tarefa era cuidar dele. Agora ela estava presa numa casa em chamas. Se sair dali viva, ela sofrerá as consequências. Mas até lá, toda dor que Will sentir, ela sentirá também. E ela sentiu. Estava sendo torturada.
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