Desejo Brutal
3 Capítulo Dois
— Velho, você é muito estúpido! – disse Giovana com ódio
— Ahn?
— Não era pra você ter saído do carro aquela hora, cara! Eu sabia que ia dar merda! Você tem que aprender a me escutar mais vezes.
Giovana o pegou pelas mãos e o puxou rua abaixo em direção a casa de Will. Depois de um silêncio que parecia nunca ter fim, Will disse
— Thomas... Quem é Thomas? – Seu rosto esbanjava dúvida, estava atordoado com o que tinha acontecido, mas a curiosidade era mais forte.
— Ah nada, esquece! Eu não devia ter dito isto, ainda bem que você tá bêbado! Melhor pra mim.
— O que... O que foi aquilo? O que tava acontecendo?
— Ah! Nada de mais... Eram só os Tenebris tentando de matar como sempre. E eu, como sempre, te salvando das suas burradas. Cê parece idiota, cara! Ai merda. Esquece isso que eu falei, tá? Ótimo, muito obrigada. Agora entra ai, cala a tua boca, deita e vai dormir, ninguém precisa saber o que aconteceu, está me ouvindo? Principalmente seus pais – ela disse com deboche – Vai logo. Boa noite – e sorriu.
Will não sabia o que fazer, somente obedeceu.
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Will acordou com o sol em seu rosto. Estava com a pior ressaca que já tivera. Os pesadelos tomaram conta de seu sono. Ele sonhou com coisas terríveis.
Havia um bebê, uma criança chorona, que estava sentada no chão, em um quarto escuro e silencioso, onde só se escutava aquele choro manhoso. Parecia triste, mas também parecia não saber o que estava acontecendo naquele momento. E outra imagem apareceu. A criança estava sendo carregada por um homem, era o que parecia. Suas mãos eram velhas e enrugadas, ele vestia um velho manto escuro, com o capuz caindo sobre seu rosto, e o escuro escondendo sua face. Agora o bebê estava calado, parecia chorar silenciosamente. E a cena mudou. A criança estava numa igreja. O homem encapuzado apareceu, e com ele apareceram mais dois homens com mantos vermelho sangue, com pequenos detalhes negros. As mãos velhas e enrugadas do homem envolveram sua pequena cabeça, o homem pronunciava palavras sem sentido, e uma luz imensamente brilhante iluminou a igreja, onde se viam milhares de seres feios e demoníacos rastejando pelas paredes, no silencio...
Sua mãe bateu forte na porta do quarto, a voz de seu pai gritou
— O Que está acontecendo, filho? – A voz do pai parecia um pouco distorcida, era dele, mas também não era.
Ele abriu a porta.
— Nada, pai, foi só um lindo pesadelo – disse com deboche.
Fechou a porta e pegou o celular. 869 mensagens não lidas. Pelo jeito, o pessoal passou a madrugada inteira acordada.
“ Oi gente” – respondeu ele.
“ E ai William! Dormiu pra caramba hein, cara! Haha” Disse Giovana
Havia algo sobre Giovana que parecia estar escondido no cérebro de Will há muito tempo. Era como se seu consciente quisesse saber, mas seu subconsciente não quisesse revelar. Ele simplesmente não o liberava. Então ele simplesmente ignorou esse sentimento...
“ Pior ressaca que já tive, mano”
“ HAHAHA TROUXA. Eu disse pra não beber muito haha” – respondeu Júlio
“ Vamos sair hoje?” – perguntou Mylena
“ VAMOS” – disse Poliana
“ Ah nem, gente, hoje não. Que tal amanhã?” – disse Giovana
“ Amanhã não dá, cara, vou viajar esqueceu?” – Disse Mylena
“ Aaaaaah então tá” – Disse Giovana.
Combinaram á tarde, no lugar de sempre, como sempre.
Will se arrumou. Penteou os cabelos, escolheu a roupa mais Indie do seu guarda-roupas (A única), pôs seu tênis e desceu as escadas. Quando estava na porta de entrada, ele ouviu sua mãe gritar
— FILHO VEM AQUI!!
Ele saiu correndo e, quando chegou na cozinha, nem sua mãe ou pai lá estavam, mas pelas paredes e o teto da cozinha rastejavam cinco coisas com asas minúsculas que saiam dos ombros. Eram cor de asfalto e parecia que o silêncio era um companheiro. Eles avançaram para cima de Will e gemiam, de forma silenciosa, palavras que foram aos poucos se revelando para Will
“ T... Thomas... Thomas, THOMAS!!”
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