Notas iniciais
Espero que gostem o/

− As Crônicas de Nárnia? Sério?

A conversa com Ronny demorou mais do que eu planejei. Muito mais.

Ronny é insistente e cheio de gás pra criar novas conversas, sempre que eu tentava terminar o papo ele começava outro e me deixava sem opções. É completamente impossível de lidar e estava empenhando em conseguir me fazer perder o dia com ele.

− Oras, você já leu? − Perguntei.

− Não... mas pensei que fosse me indicar Laranja Mecânica, Admirável Mundo novo e etc. É o que sempre me indicam.

− E é por isso que você ainda não gostou de nenhum outro autor. − Voltei a me empolgar no assunto. Eu não podia controlar, quando falavam em livros eu esquecia tudo. − Está indo apenas pelo fator clássico da literatura. Ou então por todos eles terem previsto coisas sobre o futuro. Eu tenho certeza que o que te fez gostar tanto de Júlio Verne não foi só a aventura, ou o quão visionário ele era. Foram pequenas coisas que você gosta que juntas fizeram o livro perfeito. Meu trabalho é identificar essas pequenas partes que fazem seu coração palpitar a cada página.

− É lindo o jeito que você fala. Acho encantador.

− Desde que faça você ler...

− Lerei todos os livros que você quiser se concordar em sair comigo.

−Ronny, não.

− Vamos lá, Emily. − Sussurrou. − Do que você tem tanto medo? − Ele levantou as sobrancelhas, falhando miseravelmente em fazer uma carinha de pidão.

− Não tenho medo de nada. − Neguei.

− Então porque sempre me corta?

− Eu mal o conheço...

− Eu estou aqui. Estou bem aqui, Emily. Basta você querer me conhecer.

− E se eu não quiser? − Murmurei. Ele deixou os ombros cair e focou a visão em algum ponto atrás de mim.

− Bom... − Sua voz era quase inexistente. − Você deveria querer. Deveria ver em mim tudo que precisa.Porque eu vejo em você. Em tudo que fez até agora... percebo como você é especial. Como diz coisas que eu pensava, mas não conseguia definir ou não me sentia a vontade para falar. Como me sinto feliz ao seu lado. Você não sente nada disso?

O vi engolir em seco, vi em seus olhos o medo pela minha resposta. O que eu deveria fazer? O que poderia dizer que não causasse sofrimento nem a mim e nem a ele? A última coisa que eu quero é fazer alguém sofrer. Mas jamais poderei dizer os sentimentos que ele me desperta, ou tudo que acredito estará arruinado.

− Talvez. − Digo, simplesmente.

Pelo sorriso de bobo na cara dele, deve ter entendido tudo errado.

− Com isso eu posso conviver... por enquanto. − Ele respirou pesadamente e continuou. − Se estou indo rápido demais... Tudo bem, nós paramos e eu sigo o seu ritmo. Posso fazer do jeito tradicional. Você sabe... conquistar você.

− O-o que? − Gaguejei. − Você fala disso como se fosse um contrato. Não gosto. Se é para alguém me chamar pra sair, que seja porque me achou bonita... ou engraçada. Que conversou comigo sem segundas intenções, mas acabou gostando de mim, não sei. Qualquer motivo, menos o de um gadget dizendo que eu sou a mulher certa.

− Eu entendo você. Quer que seja tudo espontâneo. Natural.

− Sim. − Murmurei. Convicta.

Meu chefe não reclamou nem uma vez sobre eu estar sentada jogando papo fora. Achei o máximo o novo poder que eu tinha em mãos, mas eu não iria abusar.

− Você tem uma beleza que me fascinaria em qualquer ocasião que nos conhecêssemos... mesmo que eu não soubesse de nada... eu iria falar com você. Eu ficaria te rondando assim que te visse. Então esperaria o momento certo para começar uma boa conversa. E eu gaguejaria muito, com certeza. − Ele riu, constrangido. − Mas não ia desistir até que conseguisse chamar você para sair.

− Mesmo sem saber de nada? − Pergunto, ruborizada.

− Mesmo sem saber de nada. − Ele respirou fundo e se preparou para falar algo. − E você, iria aceitar sair comigo? Mesmo todo desajeitado e patético.

− Eu não acharia patético. − Começo a encarar o chão, interessada nas propriedades do piso. − Mas não foi assim que aconteceu.

− Foi exatamente assim.

− Não. − fixo meus olhos nele. − Você sabia de tudo, sabia quem eu era, sabia o que nos tornaríamos, sabia que eu me apaixonaria por você. Onde está o risco nisso? A incerteza. O esforço para que aconteça e dê certo.

− Eu sai de onde eu moro para me aventurar em um continente completamente desconhecido. Deixei minha família e amigos para trás. Deixei tudo. Por mais que me apoiassem... é impossível não temer. Eu estou me arriscando muito, você nem faz ideia. Estou expondo meu coração para você, mesmo com você o rejeitando. Penso o tempo todo se você aceita-lo algum dia.

Suspiro quando sinto uma pontada no coração. Eu quase me deixo levar quando ele fala desse jeito. Parece tudo tão... verdadeiro.

Quando nossos olhares se encontram, eu não vejo nenhuma superficialidade. Somente... alguém que está sendo corajoso o suficiente para ir atrás do que quer. Sinto minha respiração falhar quando lembro que é a mim que ele quer.

− Tá bem.

− Tá bem o que? − Ele pergunta, atordoado.

− Vou sair com você. − Levanto o dedo indicador quando vejo sua empolgação. − Mas eu escolho quando e onde.

− Tudo bem. − E estampa um enorme sorriso rosto.

Levanto uma das sobrancelhas ao pensar nas ideias de lugares. Se era isso que Ronny queria, eu não iria facilitar nem um pouco a vida dele.

Eu irei ver até onde vai essa sua determinação.

Notas finais
Gostaram? Comentem Bom fim de semana.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.