Desculpa se não quero Te amar
1 Capítulo 1
Notas iniciais
BJS
Andar na rua se tornou algo parecido com um final de novela.
Sabe?
Todos se beijando, se abraçando. Casamentos, filhos.
E se você está pensando que eu sou uma megera que odeia a felicidade dos outros, tente imaginar isso...
Vai no supermercado, e a mulher do caixa parece não estar nesse mundo. Você vai ao cinema e tudo que ouve são barulhos de beijos e gemidos. Você vai fazer uma corrida e não dá porque estão todos caminhando de mãos dadas.
ISSO MESMO.
Um belo de uma atraso de vida. Eu só me pergunto o que Charles Nevout, o cientista criador desse "GPS do amor" (risos), tinha na cabeça ao criar isso. E o que... as pessoas têm na cabeça que não percebem no que se transformam.
Zumbis. Sem vontade própria.
Não aguento ver pessoas que conheço, pessoas que tinham personalidade, se tornarem meros robôs apaixonados.
E tudo que não quero é que meu "par" decida me encontrar. Porque ele vai ter uma bela de uma decepção. Nada de amor à primeira vista, nada de me jogar nos braços dele e sair por aí fazendo coisas idiotas.
Se for você, se estiver lendo isso, me entenda:
Não.
Me desculpa, mas eu não quero te amar.
Postado por Júlia Almeida — Há um ano
3986 Comentários
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Fazia um ano que eu postei esse desabafo no meu blog. Admito que eu estava muito irritada quando escrevi esse texto, eu não argumentei direito, não coloquei tudo que eu queria. Depois não quis apagar. Então tive que escutar.
A maioria dos comentários foi algo como:
"Sua P@%...*@%# Você não sabe de nada."
"Isso é inveja, acho que esse seu par nem existe."
"Não há ninguém para você, por isso se irrita tanto"
"Enquanto isso, na cozinha..."
Alguns raros, que eu me importava em debater respeitosamente:
Erasmo: "Júlia, entendo seu lado. Mas desde que minha Ana me procurou, minha vida mudou completamente.Veja, nós temos vontade própria, sim. Só escolhemos estar sempre com alguém que nos completa. Admita, as pessoas estão mais alegres, as taxas de criminalidade caíram drasticamente. Nós todos já sabíamos que o motivo de grande parte dos problemas desse mundo, lá na raiz, era a falta de amor entre as pessoas. Amor verdadeiro. Alguém só nos ajudou a encontra-lo. Qualquer sofrimento se torna suportável quantos temos alguém que se importa de verdade. "
Júlia: "Erasmo, seu argumento quanto a criminalidade é muito pertinente. Mas do que abrimos mão para ter essa queda de violência? Será que está mesmo sendo você mesmo? Toma as decisões que geralmente tomava antes de conhecer sua Ana? Acredito sim, que quando se ame de verdade deva mudar muito, mas algo que te acrescente. O que vejo são pessoas deixando de lado suas vidas, viajando para onde o localizador apontar que vive seu par. Estão vivendo esperando a hora que possam localiza-los. Entende? Estão deixando de se importar com outras coisas. "
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***
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Enquanto batuco freneticamente meu pé contra o chão, um casal da mesa ao lado se beija apaixonadamente. Completamente grudados, planejando deixar tudo para trás e fugir.
Eu realmente não estou interessada em ouvir a conversa deles, mas não é algo que eu possa escolher. Acredito que até do banheiro dê para ouvir suas vozes eufóricas. E parece que ninguém mais no bar, além de mim, liga para isso.
Emily tinha ido pegar as bebidas enquanto Kamila jogava sinuca com um bando de homens estranhos que estavam babando por ela.
As duas tinham se tornado minhas amigas rapidamente. Nos conhecemos através da postagem que fiz no blog. Me surpreendi com seus comentários, concordando com cada palavra que eu havia dito. Foi uma surpresa boa, e aos poucos fomos nos conhecendo mais. Não tínhamos muito em comum, mas possuíamos o mesmo princípio: Nada de encontrar o Amor Verdadeiro.
Aqui vai uma descrição um pouco superficial sobre as duas, nada que vá fazer você conhecê-las de verdade. Eu não acredito que seja possível esmiuçar as características de uma pessoa, não sem usar algumas centenas de páginas:
Emily é uma das pessoas mais fáceis de conversar que eu já conheci. É incrivelmente simpática e tem um carisma gigantesco. Ela trabalha no setor de vendas de uma livraria, sua simpatia agrada muito os clientes. É comum que voltem lá só para ter novamente um bom papo com ela. Ela é baixinha e tem a pele morena, com cabelos castanhos e cacheados que vão até a cintura. Emily ama o trabalho, e uma das coisas que ela mais teme é, caso se apaixone, deixar seu amado emprego de lado.
Kamila é o posto dela. Enquanto Emily é sempre meiga e atenciosa, Kamila solta fogo pelas narinas. Ela é o tipo de garota que você não vai querer enfrentar. Gosta de uma maquiagem carregada, que, com seus casacos de couros e botas, completam o visual de Motoqueira. Cabelos loiros no ombro, repicado e a pele clara. Alguém com os nervos à flor da pele.
− Amores, sinto dizer, mas estou de saída. − Kamila se aproximou da nossa mesa, envolvendo Emily e a mim com os seus braços.
− Mas já? − Queixou-se Emily. − Acabei de voltar com as bebidas.
− É, mas nós ficamos aqui sempre. Hoje, aquele gato ali. − Ela inclinou o rosto para um cara, com o mesmo estilo de vestimenta que a dela, que nos lançava um olhar penetrante. − Está dando mole, e eu não vou abandona-lo.
Olhei para Emily, compactuando um pensamento. Sempre vínhamos para cá, mas a Kamila sempre ia embora com algum cara. Claro, jamais diríamos isso em voz alta.
− Você devia fazer o mesmo, Júlia. − Incentivou. − A Emily eu entendo, ela tá se guardando para o convento... Mas e você? Temos 25 anos e temos que fazer o que podemos. Agora. Não Amanhã.
Uma das maneiras de Kamila fugir das chances de dar de cara com seu consorte* é dormir apenas uma vez com os homens, depois nunca mais vê-los novamente.
− Obrigada, mas pode ir. − Resmunguei. É uma boa técnica, a dela, mas eu ainda prefiro xingar pela internet. Assim manterei minha imagem suja.
− A gente se vê amanhã. − Disse, mandando beijinho e saindo pela porta. Agarrada ao Sr. olhos penetrante.
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− É verdade? − Emily perguntou, depois de um tempo. − Que eu pareço estar indo para o convento?
− Claro que não. − Suspiro. − Você só é bem diferente dela. Acho que nem sei como somos amigas. Devíamos estar nos matando, mas... veja? Somos quase As Patricinhas de Beverly Hills.
− Mas sem toda aquela coisa pomposa. − Riu. − E eu sou a Brittany Murphy, obviamente.
Nós rimos e começamos a conversar sobre filmes.
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