Desculpa, Se Te Chamo De Amor
5 004 - Parte II
Notas iniciais
Fiquei um tempo ainda olhando o visor do celular. Como ele tinha a coragem de me ligar depois de um mês de espera? Eu não iria, estava decidido! Tudo bem que ele era um homem poderoso, mas não era meu dono.
Coloquei a lasanha no micro-ondas, enquanto esperava fiquei me perguntando o que Carlisle faria quando percebesse que eu não apareceria, comecei a rir sozinha, o micro-ondas apitou e peguei a lasanha, coloquei em um prato e fui pra sala, liguei a TV e comecei a assistir um desenho que passava. Só que uma coisa ainda martelava em minha mente, como ele havia conseguido meu numero?
Neste instante ouvi a companhia tocar me arrumei para levantar, ainda estava de pijama, mas a pessoa insistia tanto na campainha que me estressei e fui logo atender.
– Quem é o... – Congelei quando eu o vi parado na soleira da porta me olhando com cara de poucos amigos, com seu rosto duro e os músculos do seu corpo tencionados, estava sem o seu terno habitual, usava uma calça jeans preta, e uma blusa social também preta dobrada até o cotovelo, com sapatos sociais. – O que faz aqui? – Perguntei temerosa.
– Eu que lhe pergunto Isabela, porque não apareceu aonde lhe solicitei?
– Eu não tinha obrigação nenhuma de ir até lá. – Falei com o resto de dignidade que me restava.
– A partir do momento em que eu peço que você compareça, é pra você estar lá. Consegue entender? – Perguntou chateado.
– Eu não sou nenhuma doente mental, eu entendi. Mas você não é meu dono – falei desafiadora. – O quê? Suas amiguinhas lhe deixaram na mão hoje? – Ele me olhou divertido, e continuou calado, e eu prossegui. – Você aparece um mês depois e acha que pode chegar assim, mandando em mim?
– Está com ciúmes Isabela? – Perguntou sorrindo torto.
–É claro que não. Nunca sentiria ciúmes de um homem como você! – Falei com raiva.
– Um homem como eu? – Perguntou se aproximando calmamente até mim. Que ainda continuava em pé na porta de minha casa. – Me explique Isabella – Falou próximo ao meu ouvido.
– Um homem... – tentei falar, mas ele estava próximo demais, e aqueles olhos azuis estavam me hipnotizando.
– Fale – Falou mais forte. Eu abri minha boca pra dizer algo, mas minha voz não saia. – Você está me matando querida, e nem sabe! – Falou ele próximo a minha boca, logo em seguida me beijou, sua boca quente e seu halito fresco me fizeram delirar. Aceitei de bom grado quando sua língua pediu entrada na minha boca.
Ele foi me empurrando para dentro de casa, e com o pé fechou a porta atrás de si, seu beijo se tornou mais exigente, e violento, ele apertava cada vez mais minha cintura, e eu já estava ficando sem ar. O empurrei com o mínimo de força que me restava, mas ele deve ter aceitado como um incentivo, eu era muito mais baixa que ele, e estava completamente vulnerável com aquele homem forte me imprensando contra a parede de minha sala. Suas mãos passearam pelo meu corpo, enquanto as minhas estavam em seu peitoral definido, ele queria mais que um simples beijo, percebi e senti naquele momento. Eu não posso, gritou uma parte ainda consciente de mim. E suas mãos começaram a entrar por baixo da blusa fina de meu pijama, gemi e ele entendeu como um incentivo para continuar, eu não podia, droga, eu não podia me entregar a um homem como aquele, eu seria mais um brinquedo em sua mão, seria rapidamente esquecida e deixada de lado, substituída. Eu só me entregaria ao homem por quem estivesse apaixonada. O empurrei com um pouco mais de força dessa vez, e ele entendeu o recado e se afastou ainda segurando possessivamente minha cintura, ele me encarou, seus olhos estavam em um azul escuro, pelo desejo.
– Eu.. eu não posso. – Falei meio tremula, e abaixei a cabeça. Ele levantou meu rosto com a mão.
– Porque Isabella – Ele olhava em meus olhos, e em instantes pareceu entender. – Você é virgem! – Afirmou ele, com a voz um pouco mais rouca, seus olhos se escureceram mais, como se fosse possível, quando pensei que ele iria se afastar, ele se aproximou e sussurrou em meu ouvido – Eu te quero muito Isabella. E vou te fazer minha.
Depois disso minha mente se desligou de qualquer preocupação que pudesse ter. Havia me esquecido de tudo, do mundo, dos meus amigos, das mulheres que ele já havia saído, e de como aquele homem quase desconhecido havia me machucado. Não tinha como negar, não tinha como não me deixar levar.
Ele me tomou em seus braços e me levou até o quarto que lhe guiei, ele me deitou na cama, e dessa vez seus toques foram mais lentos, e seu beijo mais carinhoso, como se tivéssemos todo o tempo do mundo. Ele tirou meu pijama calmamente, e foi tirando suas roupas também, sem nunca desviar seus olhos dos meus, e seus músculos definidos me fizeram suspirar. A partir daí era como se eu estivesse em um plano diferente, em realidade paralela, com os toques majestosos daquele homem no meu corpo, eu descobri o que já estava obvio durante esse mês, eu estava apaixonada!
Naquela tarde eu conheci um homem diferente do que já havia presenciado, ele foi extramente cuidadoso, e entre seus gemidos me chamou de – Bella. Logo depois de fazermos amor, ele me abraçou carinhosamente e eu me aconcheguei em seu peito e ainda pude ouvi-lo dizer:
– Durma bem, minha Bella.
(...)
Quando eu acordei demorei um tempo para me situar, mas consegui me lembrar da tarde maravilhosa que havia tido. Me mexi na cama, e não encontrei o corpo másculo que esperava encontrar, sentei-me rapidamente, e meus olhos se encheram de lágrimas. Ele havia ido embora.
Porque eu fui tão Burra? Perdi minha virgindade com um homem, que nem fez questão de estar aqui quando eu acordasse! Uma lágrima traiçoeira caiu, e não podendo mudar que já fora feito, a tarde mais especial de minha vida, fui tomar um banho. Enquanto a água quente caia por meu corpo, eu ainda podia sentir os toques de Carlisle Cullen em mim, havia conhecido um homem diferente naquela cama, mas ele não continuaria o mesmo fora dela. Chorei. Chorei por ter me entregado a um homem sem coração, e chorei ainda mais, por ter me apaixonado por ele. Sai do chuveiro e me vesti, coloquei um short jeans e uma camiseta, quando já estava pronta ouvi a campainha tocar, desci correndo descalça, alegre com a grande possibilidade de ser Carlisle, talvez ele não fosse tão frio como eu havia pensado. Abri a porta com um sorriso que logo murchou quando eu percebi que era Emmett.
– Oi Bella – Falou – Não teria vindo se soubesse que não ficaria feliz com minha presença. – Falou com um sorriso divertido brincando em seus lábios.
– Não Emm me desculpe só estava pensando que era ... Deixa pra lá! – Falei me conformando com a verdade – Entra! – Disse, saindo da entrada e dando passagem pra ele entrar, o acompanhei, e sentamos no sofá.
– Cadê o Jass? – Perguntei estranhando.
– Está resolvendo as coisas na boate – Falou tranquilamente – Arranjei um folga rápida e vim aqui, te ver. – Falou dando aquele sorriso com covinhas. Liguei a TV, e coloquei um filme para assistimos, o filme já era engraçado por si, mas com o Emm por lá isso multiplicava. Enquanto assistíamos voei um pouco para longe dali, me perguntei onde ele estaria? Será que já havia voltado para cama das suas tantas amantes, poderiam até estar rindo da cara da pobre virgem, que acreditou nele ou...
– Hey Bella. O que aconteceu? – Acordei de meus pensamentos bobos, com a voz do Emm, notei que estava chorando. Limpei rapidamente as lágrimas.
– Não é nada Emmett. – Falei tentando me recompor.
– Como assim nada Bella, eu sei que tem algo. – Falou olhando em meus olhos. – Deis de que eu cheguei aqui, você está meio aérea! Se não quiser me contar tudo bem, mas não diga que não é nada, eu posso ver a tristeza em seus olhos Baby. – Disse ele compreensivo. Às vezes ele me chamava de Baby, era um novo apelido.
– Olha não é que eu não queira contar Emm, é que eu ainda não me sinto confortável para falar, entende?
– Tudo bem Bella. Não vou te pressionar! – Disse ele, abrindo mais um dos seus sorrisos com covinhas.
– Obrigada Emm.
– Eu sempre vou estar aqui Baby – Falou risonho. – Para mim você é uma irmã caçula, já lhe disse. – Falou ele, e me deu um beijo na testa. – Sim e onde está a loira? – Falou mudando de assunto.
– Ela saiu com o pai hoje. Mas para quê você quer saber Emmett McCarty? – Perguntei curiosa. Ele soltou um risinho engraçado, e confirmou minhas suspeitas.
– É que... Ah Bella, eu to gostando dela! – Falou pegando logo em seguida uma almofada para cobrir seu rosto. Emmett envergonhado? Algo novo de se ver. Eu comecei a rir, seria mais fácil do que eu imaginava juntar esses dois. – Tá rindo do quê?
– Nada, nada. Só estava pensando em algumas coisas. – Falei segurando o riso.
– Que coisas Isabella? – Falou serio.
– Já disse que não é nada Emm. Esquece – Ele me olhou ameaçadoramente.
– Esquecer é? – Ele foi se aproximando lentamente de mim, e eu já sabia o que ele iria fazer.
– Emmett pare. – Falei, mas ele me ignorou – Emm... – Não deu tempo de terminar, ele começou a me fazer cosquinhas. E eu não conseguia para de rir.
– E agora dona Isabella vai me contar?
– N..ão. – Falei com dificuldade. – Por favor, Emm. – disse desesperadamente, para ver se ele parava, quando percebeu que eu não aguentava mais rir ele parou.
– Só parei porque sou um ótimo amigo e... – Emmett foi cortado por uma voz gélida que vinha da porta da sala de estar.
– Foi só eu sair Isabella – Falou ele, com um sorriso diabólico nos lábios. – Você é bem rápida não é mesmo?
– Não é o que você pensa Carlisle – Falei me levantando rápido do sofá e indo a sua direção, sua expressão estava vazia, e seus olhos estavam tão raivosos que eu fiquei com medo.
– Essa é uma expressão tipicamente usada por pessoas que tem culpa de algo, minha querida! – Falou ele com uma voz tão fria, que eu senti um arrepio na espinha. Enquanto Emm continuava sentado observando tudo. Fiquei com raiva de Carlisle naquele momento, eu pensei que ele havia ido embora e do nada entra em minha casa.
– Carlisle eu pensei que você havia me deixado – Falei com lagrimas nos olhos – Pensei que só havia me usado, e ido embora para sempre. – Ele me olhava ainda sem expressão, nenhuma de minhas palavras, o fizeram mudar de postura. Ele me olhou profundamente por algum tempo, não consegui distinguir se foram 5 minutos ou 5 segundos.
– Mas você está certa. Eu fui embora e não iria voltar! – Falou abrindo um sorriso como se acabasse de dar uma ótima noticia, mas seu sorriso não chegou aos seus olhos. – Você é só uma criança, esqueceu? Acha que eu o quê? Iria ficar com você, faça-me o favor. – Revirou os olhos em completo descaso, as lagrimas que eu tanto segurava caiam sem controle. – Eu só esqueci meu celular em seu quarto, e vim buscar, mas não imaginei que já estaria com outro, para quem acabou de perder a virgindade, você é bem rápida. – Falou com escárnio.
Ele simplesmente me deu as costas, e subiu as escadas de minha casa em direção ao meu quarto. Emm que até agora estava atônito com tudo se levantou e veio em minha direção.
– Bella como você conhece Carlisle Cullen? — Perguntou.
– Depois eu te explico Emm – Falei despejando toda minha dor em formas de lagrimas. O vi descer lentamente as escadas, e me perguntei o porquê de ter me apaixonado por alguém tão frio e sem escrúpulos. Ele parou em minha frente e segurou meu queixo me fazendo olhar para cima, em sua direção.
– Até que você foi bem querida. Mas nunca conseguiria satisfazer um homem como eu. – Ele deu uma olhada rápida para Emmett e eu pude perceber, mesmo que rapidamente seus olhos queimando de raiva, mas logo ele conseguiu se recompor. Ele segurou ainda mais forte meu queixo, que como em meu braço eu sabia que iria deixar marcas. Emm por alguma razão não tinha reação na frente de Carlisle, é como se ele emanasse um poder surpreendente sobre qualquer ser humano, mesmo em um cara do tamanho de Emmett. – Adeus criança. – Falou e se virou mais uma vez pra Emmett – Faça bom proveito, de qualquer forma eu vou ser sempre o primeiro. – Falando isso ele largou-me de qualquer forma na sala e se foi mais uma vez de minha vida. Talvez dessa vez para sempre. Deixando-me de presente marcas profundas e doloridas na alma.
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