Desconhecidos
4 Encontro
Notas iniciais
– Você está muito encrencado, Blazon Hope. – Disse o motorista que usava um chapéu para cobrir seu rosto.
Blazon ainda estava zonzo, estava tentando ganhar consciência e noção da onde ele se encontrava. A última coisa que ele se lembra era de ter lutado com dois homens após ter desistido de atirar no garoto da cafeteria.
Ele estava indo em direção às escadaria quando eles apareceram. Na hora, Blazon achou que eles estavam ali para cobrar o serviço que ele, no caso, não cumpriu. Ele já tinha até uma resposta em mente, iria dizer que o local e a condição climática não eram favoráveis e depois, iria sumir no mundo, porém, antes de conseguir se explicar, os homens vieram para cima, o atacaram.
Tudo aconteceu muito rápido, quando o primeiro veio para cima, Blazon conseguiu desviar e desferir um soco, o segundo já estava sacando uma arma, Hope só teve a chance de se jogar em cima dele e desmaiou, não se sabe como, mas o que ele se lembra só vai até aí, não se lembra do que fez para que o segundo não atirasse.
“Devo estar muito encrencado mesmo” pensou Hope. Ele estava com as mãos amarradas dentro de um carro luxuoso, havia tantos acessórios no carro que se ele tivesse que pagar algum estrago, ficaria devendo a vida inteira. Havia um homem do seu lado, o mesmo que tentou atirar nele no alto do prédio, porém, o motorista não era o mesmo que ele tinha derrubado.
– Percebi que hesitou na hora de atirar no garoto – Continuou o homem de chapéu. – Por quê?
– As condições não eram favoráveis, havia muitas pessoas e...
– Não venha com essa. – Cortou o motorista – Nós sabemos muito bem que você tinha o momento certo e não o fez. Blazon Hope. Esse é o nome de um dos melhores atiradores que eu conheço, essa sua histórinha não cola comigo.
Blazon não respondeu e o silêncio permaneceu por alguns quilômetros, até que resolveu perguntar:
– Para onde estão me levando?
– Acho que que as condições não estão favoráveis para você fazer perguntas – Respondeu o homem misterioso num tom sarcástico. – Mas vou responder mesmo assim. Estou te levando para conhecer uma pessoa. Aliás, você aceita participar do meu jogo?
– Que jogo? – Retrucou Blazon assustado, ele já tinha assistido todos aqueles filmes, tais como “Saw” ou "Stay Alive" e um monte de coisa passou pela sua cabeça.
– Espera, não responde. – Disse ele em meio a gargalhadas. – Você já está participando. Foi para isso que você foi treinado, você é o pagamento que o seu pai me devia.
James Hope fora assassinado quando Blazon era mais novo, o motivo de ele ter se tornado um sniper, foi buscar vingança pela morte do pai. O sangue fervou em Blazon e ele começou a gritar:
– Quem é você para falar do meu pai? Ele foi um grande homem! Que dívida é essa na qual eu sou o pagamento? MEU PAI FOI ASSASSINADO, QUAIS QUER QUE SEJAM OS MOTIVOS DE EU ESTAR AQUI, ELE PAGOU COM A MORTE!
O homem estacionou o carro.
– Chegamos – Disse ele, ignorando tudo que Blazon havia dito.
Eles estavam num aeroporto, pelo que parecia, era pequeno e particular. Havia um avião pronto na pista de decolagem. O homem apontou a arma para Blazon, fazendo um gesto para que ele descesse do carro e as últmas instruções foram para que Blazon entrasse no avião e lá tudo seria explicado.
Blazon já não estava mais raciocinando coerentemente. Ele seguiu as ordens. Foi para a pista de decolagem e subiu no avião, quando ele estava entrando, suas mãos foram desamarradas e os dois homem que estavam com ele no carro, não embarcaram.
O avião que, na verdade, era um jatinho, era tão luxuoso quando o carro. Blazon ficou adimirando os detalhes e tudo aquilo não condizia com a realidade dele. Ele vivia num apartamento pequeno alugado. É revoltante como muitas pessoas têm muito e ele tão pouco.
Ele procurou um lugar para sentar-se no fundo do avião. A cabine de pilotagem estava trancada e havia um compartimento na trazeira, Blazon tentou abrir, mas estava fechado. Depois de alguns minutos sentado, ele já tinha pensado em tudo, ele vasculhou em sua mente os motivos de estar ali ou como fugir, mas não chegou a nenhuma ideia concreta.
Quando ele realmente tinha desistido de tudo e não tentou fazer mais nada até o avião pousar, o compartimento da traseira, abriu-se. De lá, saiu um garoto asiático de uns 15 ou 16 anos.
– Olá, Blazon – Disse ele.
Quando Blazon virou, sua mente ficou mais confusa ainda. O garoto que havia o cumprimentado era aquele da cafeteria, aquele que, supostamente, deveria ter morrido.
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