Desconhecido

7 Capítulo 7 - Reconhecimento


Notas iniciais
"Não há medo quando se espera ser traído. O aterrorizante é quando a traição é inesperada!" - Aizen (Bleach)

A Doutora Esquisita e o Mister Black, os apelidos que eu dei para o casalzinho Yin Yang, me endireitaram na cama com cuidado e mesmo com tudo aquilo eu ainda consegui sentir uma dor imensa nas costas, mas controlável. O traidor se aproximou mais de mim quando viu a cara de dor que eu fiz:

- Creio dizer que isso foi provocado por mim, indiretamente é claro. Arrastar uma pessoa pelo caminho não é um bom meio de locomoção.

- Você ainda tem a cara de pau de vir falar comigo depois de tudo o que fez.

Um sorriso apareceu no rosto dele o que me deixou com mais raiva ainda do que eu estava, como ele conseguia sorrir pra mim como se fossemos amigos. Tentei mexer a perna, mas parecia que efeito do corte daquela noite ainda estava em ativa.

- Isso é passado, vamos esquecer o passado.

- E se eu não quiser?

-Acho bom você esquecer o passado, porque agora o seu futuro vai ser bem pior.

Ele deu um sorriso irônico que me fez ter vontade de fazer que nem nos filmes e tentar arrancar alguma parte do corpo dele com o dente, o que ele queria dizer com ficar bem pior? O Mister Black soltou as algemas que estavam me prendendo nas pernas diminuindo a pressão nos meus tornozelos, a sensibilidade da perna estava voltando pouco a pouco, pelo menos eu já conseguia mexer os dedos dos pés.

- Ai ai, essas crianças de hoje em dia. – A Doutora Esquisita tinha uma voz melódica que parecia que ela estava cantando.

- O que você quer dizer com isso?

- Nada demais pequenino, espere aqui que seu café da manhã já vai chegar.

Ela deu um giro no mesmo lugar e saiu daquele quarto saltitando e cantarolando junto com o Traidor e o Mister Black. Ela era muito estranha, mas agora que eu estava sozinho precisava pensar em um plano pra escapar daquele lugar. Eu já estava conseguindo mexer o pé bem o bastante e tentei botar ele pra fora da cama, mas as algemas nos meus pulsos impediam qualquer movimento a mais que aquele.

- Se eu fosse você não faria isso.

O Mister Black tinha entrado na sala sem que eu conseguisse perceber, como ele fez aquilo? Agora ele já estava do meu lado colocando minhas pernas de volta para a cama usando apenas uma das mãos sem fazer o mínimo esforço, ele estava praticamente me carregando com uma só mão.

- Não faça eu me arrepender de ter soltado suas pernas.

- Desculpa, eu só queria alongar um pouco.

O carinha aproximou mais o rosto dele do meu e olhou profundamente nos meus olhos com aqueles olhos penetrantes, ele era medonho.

- Você realmente acha que me engana?

Quando eu ia dar uma resposta um pouco (muito) mal educada, a Doutora Esquisita entrou na sala arrastando um carrinho com rodas típico de restaurantes chiques, mas ao invés de ter várias bandejas em cima dele, tinha apenas uma bandeja e ela estava fechada.

- Café da manhã! – Ela gritou como se fosse algo muito feliz.

- Me deixa ajeitar a cama.

O Mister Black começou a apertar um monte de botões em um aparelho que tinha preso a cama e ela foi se ajeitando sozinha me deixando sentado ao invés de deitado, alta tecnologia. Ele saiu de perto e foi sentar em uma cadeira do outro lado da sala perto de uma porta de madeira um pouco grande demais para aquele lugar.

- Abra a boquinha, o aviãozinho vai entrar.

Eu não tinha percebido, mas a Doutora Esquisita tinha aberto a bandeja e tinha cereais com leite em uma tigela e algum líquido de cor verde em um copo, antes que eu pudesse falar alguma coisa ela já estava enfiando a colher com cereais na minha boca. Comecei a mastigar enquanto tentava falar ao mesmo tempo:

- Quem... São... Vocês?

- Come primeiro pequenino, depois agente conversa sossegado.

Não ia dar em nada discutir com alguém naquele estado, então eu resolvi fazer o que ela mandava, mas eu estava com medo daquele líquido no copo.

xxXxx

Terminei de comer os cereais, minhas mãos ainda estavam amarradas a cama, mas pelo menos meus pés estavam soltos. A Doutora Esquisita pegou o copo com o líquido verde estranho e veio com ele em direção a minha boca.

- Espera, o que é isso?

- Não é veneno, se você está pensando...

O tal do Mister Black era tão esquisito quanto a Doutora Esquisita e ele sempre costumava falar nas horas mais improváveis, o que sempre acabava produzindo arrepios no meu corpo.

- É apenas um suplemento alimentar porque você ficou um bom tempo desacordado num soninho bom e profundo. – Ela falava fazendo uns gestos estranhos com a mão.

Resolvi tomar aquele possível suplemento alimentar, mas o gosto era tão ruim que eu cuspi tudo sem consegui engolir nem uma gota daquele troço. Quase me entalei quando tentei falar:

- Tem certeza que isso é um suplemento, parece mais com veneno...

- Tenho sim e se você não beber tudinho, vai acabar caindo no soninho de novo!

A Doutora Esquisita saiu pra pegar mais daquela bebida horrível e o Mister Black continuava estatua lá no canto da sala como se nada tivesse acontecido. Agora que eu tinha percebido que eu não estava com as minhas roupas de quando tinha sido capturado pelo Traidor, mas eu estava usando uma daquelas roupas de hospital muito incômodas e vergonhosas.

Cerca de 5 minutos depois a doutora voltou com outro copo cheio daquele líquido verde, tapou meu nariz com uma mão e foi derramando devagar na minha boca pra eu engolir sem me entalar. Terminei de beber tudo e era como se um elefante tivesse pisado na minha boca, a mulher se levantou, tirou uma chave de algum lugar e tirou as algemas que prendiam meu pulso, agora eu estava completamente livre, ou quase.

- Porque me soltou?

- Porque essas algemas devem estar apertando muito seus pulsos, mas não faça nada complicado para não se machucar.

- Antes de ir dava para responder algumas das minhas perguntas?

- Tudo bem, ainda tenho um tempinho de sobra e como você foi bem educado e fez tudo certinho, merece isso!

- Onde eu estou?

- Só posso dizer que aqui é algo como um acampamento permanente.

Permanente? Como assim permanente? Eu ia ficar ali para sempre? Impossível! Agora eu estava desejando mais que tudo sair daquele lugar estranho, com aquelas pessoas estranhas e o traidor.

- O que eu estou fazendo aqui?

- Atualmente, recuperando um pouquinho da sua energia.

- Porque só tem eu nessa sala cheia de camas?

- Porque aqui é uma enfermaria e ninguém ficou doentinho.

Aquilo explicava boa parte do que eu tinha pensado ou imaginado, mas a última pergunta que eu queria fazer estava pulsando na minha cabeça e eu tinha medo da resposta. Engoli em seco tomando forças para fazer a pergunta.

- E... Quanto tempo eu fiquei desacordado?

- Cerca de um mês e meio.

Ela deu risada e eu entrei em estado de choque sem conseguir pronunciar nenhum som sequer, a minha voz tinha sumido, eu não conseguia piscar e nem mexer um dedo. Um mês e meio desacordado desde aquele incidente, logo a Nell veio na minha cabeça, como ela estaria?

- Só isso? Então adeusinho!

Ela sorria de lado como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo, mas agora estava explicado porque eu mal consegui ficar em pé e porque o Mister Black tinha conseguido me levantar sem nenhum esforço. Olhei para minha mão e eu conseguia ver todos os meus ossos detalhadamente através da pele, eu estava em pele e osso.

Eu estava sozinho naquela sala enorme, apenas a luz da minha cama estava acesa, girei meu corpo pondo as pernas para fora da cama. Pus os dois pés no chão procurando equilíbrio, o chão estava tão gelado que produzi arrepios em meu corpo todo, mas quando eu tentei ficar em pé minhas pernas tremeram e eu caí sentado no chão. Só deu tempo de eu sussurrar:

- Quarenta e cinco dias...

Então meu corpo caiu para trás deitando no chão e eu perdi a consciência de novo.

Notas finais
Espero que gostem desse capítulo o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.