Descobrindo o que é Amar
16 Tomar Iniciativa – Capítulo 16
A Júlia pegou metade do meu intervalo e depois como agradecimento deu um beijo em minha bochecha. Eu pedi licença e sai correndo da sala em busca do Gabriel e da Fernanda. Andei o colégio todo, mas não os achei. Faltava só 4minutos para tocar e eu estava quase desistindo, foi quando vi a Fernanda subindo a escada:
— Cadê o Gabriel, Nandinha?
— Dani ele está lá na entrada da ala infantil. Melhor você não ir lá, não sei qual problema, mas ele tava aborrecido com alguma coisa.
— Ele disse a você que queria ficar sozinho foi?
— Não não, é porque preciso passar na coordenação, mas ele disse que queria ficar lá mais um pouco.
— Valeu Fernanda.
Onde fica essa entrada do infantil em? Que droga, faltam 2min para tocar e eu nem sei onde ele tá. Comecei a seguir um grupo de crianças, na esperança que elas estivessem voltando para a sala. Minha hipótese estava certa, entrei na ala infantil e lá estava o Gabriel encostado em uma parede, olhando para baixo. Me aproximei dele, mas ele não parecia ter me visto.
— Oh cara, porque você sumiu, pensei que a gente ia passar o intervalo conversando. – ele não pareceu tomar um susto com minha presença.
O sinal tocou dando fim ao intervalo.
— A gente? Pensei que você tinha companhia já. – ele falou num tom de ironia.
— Claro que não Gabriel, eu queria era a sua companhia! Você ficou chateado por besteira!
— Pois não parece! Eu me abri hoje com você, tentei me aproximar, mas as únicas coisas que você faz é ficar parado ou olhar pros peitos da Júlia! E outra, eu não estou chateado com ninguém!
— Você não disse que nós íamos aos poucos ao meu ritmo, já mudou de ideia?
— Nós íamos ao seu ritmo, se você pelo menos demonstrasse estar com algum ritmo.
Eu não estava gostando do tom daquela conversa, decidi que já estava na hora dela se encerrar. Aproximei-me do Gabriel, dei um abraço nele e comecei a falar:
— Me desculpe, você está certo! – eu sabia que ele tinha motivos para o estresse, foi um dia bom, mas difícil para ele, os seus nervos deviam estar à flor da pele.
Eu acho que ele não esperava que eu fizesse isso. Assim que ele me escutou, ele me abraçou de voltar e respondeu:
— Não Daniel, me desculpe você. Eu só fico um pouco inseguro, eu nunca tinha dito o que te falei hoje a ninguém. Hoje foi um dia de muitas emoções pra mim. Foi mal mesmo minha atitude infantil, eu vou ter mais paciência com você, prometo.
— Não fique inseguro, eu vou tentar demonstrar mais. Mas vamos para aula que já tocou, antes que alguém de uma bronca em mim.
Não entendi se ele estava brincando, ou tentando competir com a Júlia, mas já que o Gabriel como sempre não pode perder a piada:
— Se você quiser a gente vai ao banheiro agora e eu te mostro meus peitos, garanto que são mais durinhos que o dela!
Eu revirei meus olhos e puxei-o em direção a sala de aula. Pedimos licença à professora e entramos.
Amanhã, sexta-feira, vai ser feriado municipal, então muitas pessoas faltaram hoje e a sala estava vazia. Todos estavam prestando atenção na aula de história. A Júlia e o Jorge já tinham desistido de sentar no fundo e ficamos ali só eu, Gabriel e Fernanda. Comecei a botar em prática meu plano de tomar atitudes. Fui colocando minha mão para trás, pelo canto da parede em direção ao Gabriel, meu objetivo era que ele visse e segurasse a minha mão, mas acabei tocando na perna dele e ele tomou um susto, batendo sua perna contra a mesa. O barulho de sua cadeira chamou atenção de algumas pessoas que olharam para trás, fingi que nem sabia o que tinha acontecido.
— Era para você segurar minha mão, não tomar um susto. – sussurrei para ele.
Então ele fingiu que estava deitando sobre sua carteira e estendeu seu braço até mim, eu peguei meu casaco e botei em cima da mesa, escondendo nossas mãos, que agora já se tocavam. Ele começou a fazer um carinho muito gostoso em minha mão e eu retribuí. Passamos as duas aulas assim até o intervalo chegar.
— Ei Daniel, vamos comigo até o banheiro da piscina, por favor, que eu esqueci minha touca lá no dia da natação.
— Isso é alguma tentativa de ficar sozinho comigo para poder fazer alguma coisa Gabriel? – perguntei desconfiado. – Já disse pra irmos com calma. – eu realmente tinha medo do que poderia acontecer num lugar com nós dois sozinhos.
— Não, é sério vei! Eu juro que a gente só vai lá, pega e volta, você tem minha palavra. – ele realmente não demonstrava estar planejando nada.
Fomos até a coordenação de esporte, pegamos a chave da entrada da piscina e seguimos até lá. Realmente a touca dele estava dentro do armário. Ele pegou e se dirigiu a saída do banheiro.
— Ué, você já vai sair mesmo? – eu perguntei a ele.
— Claro né Dani, eu prometi a você que iríamos ao seu ritmo não foi? E também dei minha palavra que não ia tentar nada aqui dentro.
Ele cumpriu com sua palavra, mas e eu? Cumpri com a minha de demonstrar mais o que sinto?
— Deixe... deixe essa touca ai no banco e venh... venha aqui. – Gaguejei em tudo que eu estava tentando falar, eu nem conseguia olhar nos olhos dele.
O Gabriel primeiro tomou um susto enorme, depois deu um grande sorriso safado e veio em minha direção.
Ele me empurrou na parede, encostou seu corpo no meu e...
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