Descobrindo o que é Amar

15 Ciúmes – Capítulo 15


Mesmo me sentindo mais a vontade ao lado do Gabriel, eu ainda não conseguia me concentrar enquanto ele estava ali, olhando para mim ou me tocando.

Para minha sorte, a primeira e a segunda aula eram de química, matéria que ele tinha me dito que gostava muito. Nessas aulas ele ficou mais quieto prestando atenção e eu pude relaxar um pouco.

Voltei para dentro de minha cabeça, comecei a pensar e a refletir sobre o que tinha acontecido naquela manhã. Tudo o que eu senti enquanto ele me tocava. Comecei a me da conta do quanto ele estava sendo carinhoso comigo e a profundidade da reação do meu corpo a esses carinhos. Putz! Meu corpo se apaixonou pelos carinhos dele, pela sua voz, seu toque. Era algo surpreendente! Decidi que devia explorar mais isso.

Como sempre alguns pensamentos pessimistas surgiram em minha cabeça: “Se está bom assim, deve ter algo errado!”. Esse tipo de pensamento sempre surge, aff, estou cansado deles! Parece uma herança da época medieval, onde tudo que gerava prazer, ou alegria, era considerado ruim. Herdamos isso e às vezes temos essa mania pessimista, por exemplo:

“– Acordei feliz hoje, nossa, acho que algo de ruim vai acontecer, muito estranho essa felicidade.”

“– Meu(minha) namorado(a) me tratou bem hoje, hummm, algo errado ele aprontou.”

“– Liguei e ele não atendeu o celular, já sei, ele não me ama mais, vou ligar 50 vezes seguidas até ele atender.”

Bom, enfim, decidi que eu ia esquecer meu lado pessimista e ia me concentrar em analisar as outras coisas que tinham acontecido hoje.

Pensei em todas as palavras que o Gabriel tinha me dito assim que ele chegou, o quanto ele sofreu, suas angústias. Comecei a perceber, que mesmo com todos os problemas ele estava se esforçando para buscar sua felicidade. Meu coração apertou depois de relembrar as suas lágrimas. Naquela hora seus olhos demonstravam uma solidão, uma carência. Então, refletindo sobre tudo isso, surgiu um novo sentimento em mim. Muitos poderiam dizer que fiquei com pena dele, mas não, o sentimento não era esse. Na realidade eu não conseguia da um nome a essa emoção, eu só tinha certeza do que ela causava em mim: uma vontade enorme de abraçar o Gabriel, olhar em seus olhos e dizer que ele não está mais sozinho, colocar sua cabeça em meu peito, apertar seu corpo junto ao meu.

Percebi que eu também sentia essa falta de “algo desconhecido” como ele falou. Aparentemente somos um castelo lindo de vidro, nossa vida parece estar perfeita, alegre. Mas por dentro só nós mesmo conhecemos nossas rachaduras.

O Gabriel estava começando a melhorar minhas rachaduras, o que faltava em mim. Ele estava tentando me dar carinho, me fazer sorrir. Mas e eu? Eu estava correspondendo? Só dizer que ia conhecer ele melhor e ficar parado não ia mudar nada. Cheguei a minhas conclusões: eu também vou tomar iniciativa! Eu quero que ele sinta as mesmas coisas que ele me faz sentir. Eu me preocupo com ele também, quero vê-lo sorrir, na realidade... eu acho que estou mesmo é gostando dele.

— Daniel? Daniel? Daniel ta aí? Planeta terra chamando, acorda pra realidade menino! – Era a Fernanda me chamando.

Ual! Nem percebi, mas as aulas tinham acabado e já estávamos no intervalo.

— Dani, você que é bom em biologia, me tira umas dúvidas aqui, por favor? – A Júlia ao me perguntar se debruçou sobre a minha mesa. Não pude deixar de olhar para seus peitos, nossa, eles ficaram bem ao alcance de minha visão. Dava para ver até o sutiã dela. Sempre gostei de peitos e os da Júlia eram muito lindos.

— Limpa a baba que já está escorrendo até aqui guri! – Uma voz de repreensão me deu uma bronca. Era o Gabriel, seu olhar estava fechado. Acho que foi a primeira vez que eu o vi realmente chateado.

— Para de besteira Gabriel, ele é muito lindinho e educado, não faz esse tipo de coisa! – A Júlia partiu em minha defesa. Segunda vez no dia que escuto essa palavra ou suas variações: lindo. Estranho, dessa vez não me pareceu tão esquisito como antes.

Fiquei sem saber o que fazer, não soube o que falar para o Gabriel, e também não podia negar ajuda a Júlia. Acabei indo até a mesa dela tirar suas dúvidas. O Gabriel passou pelas minhas costas segurando a mão da Fernanda e saiu da sala meio irritado.