Descobrindo o Amor (em revisão)
14 Capítulo 14 - Dias atrás.
— Não acredito, e toda aquela história de, somos amigos e não posso ultrapassar essa linha. – Débora dizia enquanto andávamos nós corredores da escola e eu lhe contava sobre ontem à noite.
— Eu sei, eu sei. – Chegamos ao meu armário, lhe encarei. – A culpa foi sua.
— Minha, por quê?
— Por ter me chamado para essa festa, e depois me abandonar sozinha.
— Eu já te pedi desculpas. – Se defendeu, sorrindo em seguida. – E não venha me dizer que não gostou. – Apontei para meu rosto. – Tá, isso não foi legal, mas você queria beijá-lo, ou não? – Me olhou com expectativa, segurei um sorriso. – Eu sabia!
— Certo, já chega não, é. – Voltei a atenção para meus livros no armário.
— Acho que não hein. – A olhei sem entender. – Ele está vindo aí, te vejo depois.
— Débora, espera... — Mas ela saiu me deixando sozinha.
— Oi. – Dizia se escorando no armário.
— Oi.
— A gente vai mesmo ficar nisso?
— Nisso o quê? – Levantou uma sobrancelha. – Foi mal. – Fechei meu armário, quando me virei ele estava parado do meu lado. – Sobre o que quer falar? – Se aproximou mais ainda ficando na minha frente.
— Que tal sobre a noite passada?
— Hum, que parte exatamente?
— Helena...
— O quê? — Não consegui conter o riso ao vê-lo olhando ao nosso redor. — O que está fazendo?
— Só pra ter certeza, de que não iremos ser interrompidos. – Brincou. O puxei pelo colarinho selando nossos lábios, ele segurou em minha cintura intensificando o beijo, sorrindo subi minhas mãos para o seu pescoço ficando na ponta dos pés. Quando nos afastamos, lhe abracei colocando os braços ao redor de sua cintura, ele fez o mesmo apoiando o queixo no topo da minha cabeça.
— Estava indo para a cafeteria? – Fiz que não.
— Estava indo visitar sua avó. – Levantei o rosto para lhe encarar. – Quer ir junto?
— Não posso, tenho um evento agora a tarde.
— Um evento?
— Fotográfico, me chamaram para fotografar uma formatura.
— Hum, legal. – Sorri, a contragosto desfiz o abraço. – Eu tenho que ir, mas, se quiser ir lá em casa mais tarde. – Falei cautelosa, eu sei que não devia comparar, mas o André não aceitaria e fiquei com receio de que ele também não. – Pra ver um filme, sei lá, se não estiver a fim...
— Eu passo lá mais tarde. – Sorriu com minha confusão com as palavras.
— Certo, então... – De repente eu não sabia o que dizer. Ele segurou minha mão beijando o dorso dela, sorri, gostava da como eu não ficava desconfortável quando estava com ele.
— Até mais tarde Helena.
Prendi minha bicicleta no estacionamento, quando entrei ela estava como sempre em sua poltrona próxima a estante de livros.
— A Senhora não sabe como estou feliz em ver lá assim novamente. — Disse quando me aproximei, ela me olhou sorrindo.
— Olá querida, que bom que veio. — Apontou para a cadeira em sua frente, me sentei.
— Como a senhora está hoje?
— Muito bem, obrigada por perguntar. Estava indo agora mesmo ao jardim, gostaria de me acompanhar?
— Claro. — Lhe ofereci meu braço para ela se apoiar. Já no jardim, ela falava sobre como as flores eram belas.
— ...E essa aqui se chama mini rosa, não são lindas?
— Sim, muito lindas, mas e essas como chamam? — Elas eram lindas, todas unidas lembravam um buque.
— Há sim, essas são as hortênsias. — Ela sorria as olhando, mas quando nós nos sentamos em um banco percebi que seus olhos agora estavam em mim.
— Mas mudando de assunto, é impressão minha ou você está com o olhar diferente hoje?
— Estou?
— Creio que sim, ô querida por que está corando? — Toquei em minhas bochechas.
— Não faço ideia. — Na verdade eu fazia ideia do porquê, mas estava envergonhada demais para falar o motivo.
— Tudo bem, não precisa me dizer se não quiser. — Sorriu apoiando sua mão sobre a minha, fiz que sim. — Sabe Helena, eu estava conversando com meu neto Marcos e ele me falou de você. — Arregalei um pouco os olhos.
— Falou? — Perguntei, curiosa sobre o que ele poderia ter falado sobre mim.
— Sim. Ele já morou na cidade sabe querida, mas era muito jovem e fico feliz que tenha feito amigos, mais feliz ainda por você está entre seus amigos. — Sorri, não queria ser intrometida, mas sabendo que eu era curiosa ela não poderia esperar que eu não lhe perguntasse nada, então perguntei.
— Sem querer me intrometer, mas sabe que sou curiosa. — Sorriu concordando. — Por que ele teve que ir para longe?
— Bom quando seus pais se foram, sua guarda ficou com uma tia que morava distante. — Não sabia que era órfão, me senti mal por ter perguntado. — Senti muito quando ele se foi, mas com minha idade não pude fazer muito.
— Há, sinto muito. — Foi a única coisa que me veio mente.
— Tudo bem, não precisa ficar envergonhada. — Dei um meio sorriso, me sentir uma intrusa, eu e minha curiosidade em excesso...
Eu já estava em casa me arrumando para o filme, logo ele chegaria, quando desci minha mãe estava na cozinha.
— O que está fazendo?
— A pipoca, pode ir lá se arrumar filha, eu termino tudo aqui. — A olhei sem acreditar, ela estava achando que iria ficar com a gente.
— Mãe!
— O que? — Me olhou dando de ombros, a olhei incrédula, mas não consegui lhe responder, a campainha tocou.
— Oi. — Dissemos em uníssono. — Pode entrar. — Sorri lhe dando espaço. — Você pode ficar à vontade, eu já venho tá. — Concordou se sentando no sofá. Voltei então para a cozinha, pegando a pipoca. — Mãe obrigada, eu vou lá está bem? — Ela concordou e achei que ela tinha entendido que era para subir, mas vi que não.
— Que filme a gente vai ser? — Ele quis saber quando me sentei ao seu lado.
— A gente pode escolher juntos. — Ele concordou e acabamos escolhendo uma comédia romântica, assim ficamos no meio termo para os dois.
— Vem aqui. — Me chamou para sentar-se ao seu lado, segurei a pipoca em minha perna, ele apoiou o braço ao redor do meu ombro, apoiando a cabeça em seu ombro dei play no filme.
Depois de um tempo quase derrubo a pipoca com o susto de ver minha mãe entrando na sala. Me endireitei no sofá.
— Helena, você esqueceu as bebidas. — Fiquei a olhando sem dizer nada, esperando que meu olhar lhe transmitisse algo. — Há oi Marcos, tudo bem?
— Oi senhora Marcia, tudo bem sim. Obrigada pelas bebidas. — Ela sorriu e eu fiquei lá os olhando, não dava para acreditar. — A senhora não gostaria de assistir um pouco? — O olhei boca e aberta, e o que era aquilo em seu rosto, um quase sorriso? Ele estava se divertindo com a minha reação, percebi.
— Há obrigada, acho que posso ficar um pouco.
— O que foi isso? Por que a chamou para assistir também? — Lhe perguntei quando ela foi pegar mais pipoca, ele ria da minha cara. — Para de rir. — Disse cruzando os braços.
— Me desculpe. — Disse me puxando para mais perto. — Ela só estava cuidando de você, tentando se aproximar. — O encarei o admirando por ele ter percebido algo que eu não percebi. — Não fica chateada. — Descruzei os braços, sorrindo um pouco.
— Eu não estou. — E nem conseguiria, não quando ele estava sendo tão atencioso, deitei a cabeça sobre seu ombro. Quando ela voltou tentei agir de uma forma diferente. — Obrigada mãe. — Me olhou franzindo o cenho.
— Pelo o que?
— Por ajudar com a comida. — Ela sorriu, rimos muito assistindo ao filme. Na verdade, não foi tão ruim ter minha mãe com a gente, a tempos eu não a via rir tanto. Antes de acabar o filme, olhei pro lado e ela estava dormindo.
— Volto já. — Ele fez que sim e eu subir para pegar uma coberta, colocando sobre ela em seguida. Quando o olhei ele estava com um meio sorriso. — O que foi?
— Ela tem sorte em te ter. — A encarei por um tempo.
— Não, eu tenho sorte em ter ela.
Quando terminou o filme o acompanhei até sua moto. Ele se apoiou nela e eu fiquei na ponta dos pés para lhe dar um selinho, quando me afastei ele me puxou de volta pela mão, me fazendo colidir em seu corpo, eu podia sentir sua respiração.
— O que foi? — Sussurrei sem tirar os olhos dos seus.
— Eu estava pensando em ir tirar umas fotografias amanhã, quer ir?
— Hum, está me chamando para um encontro? – Brinquei.
— Eu não conheço muito da cidade sabe, pensei que pudesse me mostrar. — Entrou na brincadeira. Coloquei os braços ao redor de seu pescoço.
— Acho que posso abrir um espaço na minha agenda.
— E? — Fiz que sim. Ele sorriu, me beijando em seguida me fazendo esquecer sobre o que falávamos antes. Resmunguei quando ele se afastou o fazendo sorri. E droga, eu estava começando a amar aquele sorriso...
— Boa noite Marcos.
— Boa noite Helena.
Às vezes, quando eu parava para pensar sobre a gente, me parecia errado e ao mesmo tempo tão certo, nós conhecíamos a pouco tempo, mas ao mesmo tempo parecia que nós conhecíamos a anos, era estranho como eu sentia que podia falar sobre tudo com ele, era tudo tão mais simples. Eu não tinha que tentar ser alguém que não era, era só, eu.
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