Descobrindo o Amor (em revisão)
11 Capítulo 11 - Dias atuais.
Notas iniciais
— Achei que não quisesse mais ouvir a continuação. — Ela dizia me olhando sorridente, digamos que eu não tinha ficado muito satisfeita com o que tinha sido o possível final, mas ela me garantiu que não terminaria daquela forma.
— Sabe que como sou curiosa. — Sorriu concordando. — E eu não perderia uma historia da senhora por nada. Será que poderia me contar o que acontece depois?
— Há querida, nada me deixaria mais feliz. — Concordando, sorri me aconchegando mais ao seu lado.
"- Mas e agora o que faremos? — As duas moças questionaram a sogra se entre olhando, depois de ela as ter dito, que as economias deixadas pelo seu marido estavam acabando. A tradição dizia que as moças pertenciam a família do marido após o casamento, estão depois da morte dos maridos as duas passaram a morar com a sogra, o que não seria de todo ruim já que as três se adoravam.
— Para ser sincera, não faço ideia. Venham vamos jantar, tenho certeza de que iremos achar uma solução. — As duas a acompanharam, porém, a moça mais jovem a olhou incrédula com sua tranquilidade.
— Como podemos jantar em paz, quando não sabemos se amanhã teremos o que pôr a mesa. Não entendo como a senhora consegue manter toda essa tranquilidade.
— Há querida, já passei por várias situações que me ajudaram a confiar, tenho certeza de que também aprenderá.
Na manhã seguinte as duas jovens viúvas estavam organizando a casa quando sua sogra chegou do mercado, transbordando de alegria, não puderam deixar de notar.
— O que a senhora encontrou no mercado que a deixou tão feliz?
— Tecidos novos talvez, estava mesmo precisando de vestidos, esses que tenho... — Dizia a mais jovem avaliando sua volta.
— Não se trata de tecidos querida, algo muito melhor. — Ela franziu o cenho.
— O que seria então? — Sua sogra sorria enquanto lhes contava.
Ao que tudo indica sua cidade natal, estava restabelecida e com fartas colheitas. Ela pensou então que não seria uma má ideia voltar para sua terra, lá com certeza encontraria conhecidos que a ampararia.
— Nós iremos com a senhora. — Disse a mais velha determinada.
— Não irei mentir, as tenho como filhas e odiaria ter que me afastar, mas não posso pedir que façam tamanho sacrifício. O caminho é longo, vocês ainda têm família, devem voltar para elas. — As duas lhe cercaram em um abraço.
— A senhora é nossa família agora, nunca a deixaremos. — A moça mais jovem concordou firmemente, sorrindo as abraçou de volta.
— Há como sou abençoada de ter ganhado duas filhas como vocês. — Continuaram abraçadas por mais um tempo.
Decidiram então viajar na manhã seguinte, bem cedo, pós como bem sabia o caminho seria longo. Já estavam caminhando a horas, e todas já se encontravam bastante cansadas, mas sabia que se parassem não teriam mais forças para continuar.
— Vamos minhas filhas, temos que continuar antes que anoiteça.
— Estou tentando, mas meus pés já não aguentam mais, será que ainda falta muito? — Choramingou a mais jovem. — E esse calor. — Elas pareciam realmente muito exaustas, então pensou que não poderia fazer aquilo com elas, lhe doía as ver assim, não estavam acostumadas com nada daquilo, e sabia que não desistiriam, então se aproximou decidida.
— Sabe, ainda não nós distanciamos tanto da cidade. Voltem para a casa de suas mães! Que o Senhor as recompense pelo amor que demonstraram por seus maridos e por mim. Que o Senhor as abençoe com a segurança de um novo casamento.
Então como de costume, lhes deu um beijo na bochecha de despedida, as três começaram a chorar, tanto pelo cansaço pela longa caminhada, como por saber que se despedindo ali jamais se veriam novamente.
—Não! Não podemos voltar. — Disseram em uníssono. — Somos família agora, queremos ir com a senhora pra sua terra, seu povo. — Ela, porém com muito pesar no coração continuou firme, não deixando transparecer o quanto queria que ficassem.
—Voltem, minhas filhas... — Suspirando continuou. — Teria eu algo para lhes oferecer? Já estou velha, não terei mais filhos para que possam se casar como diz a tradição, e mesmo se tivesse esperariam até que crescesse? — As duas se entre olharam. — Voltem, conheçam alguém que as fará muito feliz, construam uma família e sejam felizes, ainda são jovens, não suportaria saber que por minha causa passaram o resto da vida infelizes.
Ainda chorando a moça mais jovem se despediu com um beijo voltando para seu povo, esperou que a jovem mais bela fizesse o mesmo, mas ela continuou onde estava.
— Sua cunhada voltou, não vai fazer o mesmo?! — Quando achou que ela iria concordar, ficou surpresa com o que via refletido em seus olhos, determinação.
— Não insista comigo para deixá-la e voltar! Aonde você for, irei; onde você viver, lá viverei. Seu povo será o meu povo, e seu Deus, o meu Deus. Onde morrer, ali morrerei e serei sepultada. Que o Senhor me castigue se eu permitir que qualquer coisa, a não ser a morte, nos separe!
Percebendo que não tinha como a fazer mudar de ideia, lhe abraçou agradecendo por ter sido abençoada por tê-la em sua vida...”
— Será que a gente pode continuar depois? — Dona Ana me olhou sem entender o porquê de tê-la a interrompido. — E que eu percebi que tenho que fazer algo. — Levantando lhe dei um beijo na bochecha a deixando estática, fui então até minha bicicleta.
Quando cheguei na cafeteria não perdi tempo, fui direto para cozinha e como imaginei ela estava lá, sorri.
— Mãe!
— Helena?! Por aqui tão cedo, não deveria estar... — Ficou estática quando lhe abracei sem aviso. — Por que isso?
— Nada, é só que percebi que estava sendo como a jovem mais nova, quando na verdade deveria ter agido como a jovem mais bela. — Me olhou com o cenho franzido.
— Não sei se entendi bem o que quer dizer. — Sorri.
— E que quando o papai se foi, não foi só eu que fiquei sozinha e desamparada. Eu deveria ter sido uma boa filha e não ter te abandonado para ficar no meu mundinho. Me desculpa?
— Há Helena. — Me abraçou. — Eu que peço perdão minha filha, você era tão nova e eu tive que trabalhar, abrindo a cafeteria para nós manter e... — Segurou em meu rosto para continuar. — Você é uma ótima filha, a culpa foi minha por não ter me aproximado, me desculpa. — A abracei novamente, ela sussurrou entre meus cabelos. — Você se parece muito com ele. — Desfiz o abraço para lhe encarar.
— Pareço? — Ela sorriu fazendo que sim.
— Não só na aparência, eu lembro que quando você era bebê eu fazia de tudo para que parasse de chorar e nada, mas era só ele te pegar no colo e você ficava quietinha. — Sorri, ela continuou. — Quando ele saia e não te levava, você não podia ouvir um barulho na porta que saia gritando chamando o papai.
— Sério? — Fez que sim.
— Foi aí que ele resolveu te levar para quase todo lugar, e quando viu que começou a se interessar por sua câmera começou a te levar para tirar fotografias.
— São as minhas maiores lembranças, eu também lembro que eu fingia estar dormindo no sofá só para ele me levar no braço pra minha cama. — Sorri lembrando. — Ele sabia não, é?
— Sim, sabia. — Ela ficou com o olhar pensativo. — Filha, desculpe por não ter ficado tão presente.
— Dona Márcia. – Sorri enquanto dizia. – A senhora é incrível, me criou sozinha e ainda é dona da maior cafeteria do bairro. Quando eu crescer quero ser igual a senhora. – Sorriu.
Muitas vezes eu reclamava como minha mãe estava sendo, mas esquecia de olhar para eu mesma e acabei não percebendo como eu, estava sendo. Abandonamos uma a outra quando deveríamos ter ficado mais unidas.
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