Descobrindo o Amor

3 Capítulo 3 - O Casamento


Já eram 15:30hrs, e Pedro estava esperando Bernardo já fazia 1 hora. Eles combinaram de experimentar os ternos pro casamento. Eles estavam com 1 mês até o casamento, e ainda não tinham encontrado nada. Pedro estava indo embora, quando viu Bernardo chegando.

– Hey

– Hey! Desculpa a demora. Peguei um trânsito horrível, e tive que voltar em casa correndo.

– E ai… Como é o apartamento? Ficou com ele? E a localização é boa?

– Ele é ótimo, sim eu fiquei, e… Localização não é das melhores. Fica longe de tudo, ma o local é bem tranquilo. Gostei.

– Ah que bom… Afastado.

– O que tem?

– Nada não. É que falávamos que iríamos morar juntos, numa casa afastada. — Pedro da uma risadinha. — Os planos mudam, as pessoas mudam, tudo muda.

– Pois é… Enfim, vamos? Temos que ver isso logo. Não aguento mais a Lara reclamando, que eu ainda não vi isso.

Depois de mais de uma hora escolhendo, Bernardo e Pedro chegaram numa conclusão, e finalmente compraram. Os dois foram “almoçar”, já que nenhum dos dois tinham comido nada, o dia todo.

– O que o casal gostaria de pedir? — Perguntou p garçom.
Os dois se olharam, e Pedro disse:

– Não somos um casal.

– Ah… Me perdoem. É que o cavalheiros estão de mãos dadas, e acabei tirando conclusões precipitadas. Me perdoem.

– Estará perdoado, se o senhor me trouxer um prato de Ravioli de Frango. — Pedro falou brincando, de modo que todo constrangimento fosse pros ares.

– Ótima escolha.

– Irei acompanha-lo no Ravioli de Frango.

– Com licença, cavalheiros.

Os dois se olham, e começam a rir. O telefone de Pedro toca, e ele pede licença pra atender.

– Alô. Sim, eu to com ele aqui sim.
Bernardo larga a bebida, e olha para Pedro sem entender.

– Quem é? — Pergunta Bernardo.

– É a Lara. Ela quer falar contigo. — Pedro entrega o celular para Bernardo.

– Oi, amor. Sim, comprei sim. Vamos demorar mais um pouco aqui. Não atendi, porque está sem bateria. Tá bom, Lara. Tá, tchau.

– O que ela queria?

Bernardo entregou o celular, e deu uma risada.

– O que você acha? Perturbar é claro. Só isso que ela faz.

– Ah sim...

– Então, você gostou da roupa? Você não me disse nada. Como meu padrinho, tem o dever de dar sua opinião.
Pedro sorri e diz:

– Ah… Ficou bacaninha.

– Só? Poxa, tava pensando em dizer que você ficou lindo, mas nem vou.
Pedro fica sem graça quando escuta o amigo falar aquilo.

– É melhor parar, Bernardo.

– Eu posso até parar, mas preciso saber uma coisa. Tá bom?

– Qualquer coisa, pra você me deixar em paz.

– Por que, você fica tão... Sem graça, tão atordoado, sem jeito, quando falo do nosso beijo? Ou melhor... Dos nossos beijos.

Pedro não tem ideia do que responder. Não quer fugir, mas não quer falar a verdade. Ele se vê sem saída. Ele então levanta, caminha até o amigo, e sem pensar o beija. O garçom de antes vê tudo, e fica sem reação.

– Fico assim, porque eu acho que te amo. Ou melhor... Eu te amo sim. Sempre amei, e sempre vou amar. Satisfeito?

Pedro vai embora, deixando Bernardo confuso. O garçom se aproxima, e diz:

– Bem, se vocês não eram um casal antes, acho que agora são.
Bernardo olha pra ele, e diz:

– Vai se ferrar, babaca. — Bernardo joga dinheiro na mesa, e sai sem nem comer.

Bernardo tenta ligar para Pedro, mas ele não atende. Ele liga de novo e nada. Então deixa um recado.

– Hey, me liga. Preciso muito falar com você.
Mas ele não liga.

DIA DO CASAMENTO

O mês passa, e chega o dia do casamento. Bernardo está mais nervoso que a Lara, quando vê que já está na hora. Ele queria ter o amigo perto dele nesse dia, mas desde o ocorrido do restaurante, eles não se vêem. Bernardo não sabe nem se tem um padrinho ainda.

Bernardo teve uma surpresa quando entrou na igreja, e viu Pedro ao lado do altar. Ele correu até lá, e levou o amigo até a sacristia.

– O que houve? — Pergunta Pedro.

– O que houve? O que houve? Você sumiu o mês todo, e agora aparece com a maior cara lavada, como se nada tivesse acontecido. O que acontece com você? Você toda hora some e aparece. E eu não posso continuar assim. Preciso que você decida se você quer ficar, ou se você vai embora. Por favor, se decida. Eu posso lidar com a sua perda, mas não com a sua indecisão. Toda vez que você some, sou eu que sofro.

– Eu sei, tá? Eu sei que eu só te faço mal, e por isso eu vim hoje. Vim me despedir de você. Eu te amo, mas não posso ficar preso nisso pra sempre. Eu me comprometi a ser seu padrinho, e vim cumprir. Mas depois disso, acabou. Não é só você que sofre. Eu sofro muito mais. Eu sofro, porque te amo. Eu odeio te amar, mas não posso evitar Apenas amo.

O pai de Bernardo abre a porta, e avisa que a noiva vai entrar. Pedro sai dali e vai pro altar. Quando Bernardo está saindo, seu pai segura no seu braço e pergunta:

– Tá tudo certo?

– E por que, não estaria? Tá tudo bem sim.

O pai dele solta seu braço, e ele segue pro altar.
A música toca, e Lara entra. Ela veste um vestido longo, com cristais envolta do pescoço, e nos braços ele é bordado a mão. Um penteado sofisticado, com um véu longo. Ela era a noiva mais linda, que Bernardo já tinha visto. Quando chegou no altar, ao lado de Bernardo, ela sorriu pra ele, que permanecia nervoso. Os convidados se sentaram, e o padre começou seu discurso. Bernardo não estava atento a nada. Só ficava olhando de um lado pro outro. Enfim, chegou a pergunta tenebrosa:

– Lara Albuquerque de Medeiros, você aceita Bernardo Rodrigues Avelar, como seu legítimo esposo? Para amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separem?

– Sim.

– Bernardo Rodrigues Avelar, você aceita Lara Albuquerque de Medeiros, como sua legítima esposa? Para amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separem?

Bernardo olha pra todos, e para o olhar em Pedro. Ele está de cabeça baixa, sem expressão. Ele então escuta o padre perguntar novamente:

– Bernardo? Você aceita?

Todos na igreja percebem a demora, e começam a falar. Lara pronuncia um som, que ele não entende, pois está prestando atenção em Pedro, que gesticula os lábios dizendo “aceita”. Ele então decide falar, mas seu pai é mais rápido e fala antes.

– Responde logo, Bernardo.

– Desculpa pai, desculpa mãe, e principalmente você Lara. Eu não queria magoar ninguém, mas pra ser feliz, às vezes acontece isso. Sem querer somos obrigados a magoar.

– O que você está fazendo, Bernardo? — Seu pai pergunta nervoso.

– Me desculpem, mas não vai ter casamento.

Pedro fica surpreso quando escuta. A mãe de Bernardo, se aproxima.

– O que está dizendo? É claro que você aceita.

– Não mãe. Eu não aceito. Eu não posso aceitar.

– Mas por que, não? O que te impede? — Lara pergunta nervosa.

– O fato de eu não te amar. — Pedro sorri. — Me desculpa, mas eu amo outra pessoa. — Ele vira para Pedro, que está chocado com a reação do amigo. — Pedro, eu tentei. Juro que tentei tirar esse sentimento de mim. Tentei ignorar, mas a verdade é que eu te amo. — Todos se espantam com a revelação. — A verdade, é que eu sempre te amei. Sempre. E sempre pensei naquele beijo nosso.

Pedro está emocionado, mas responde:

– Eu também. Sempre te amei.

Bernardo anda até ele, e o beija. Algumas pessoas aplaudem, e outras ficam chocadas e saem da igreja.

– Bernardo! — O pai grita seu nome.

Bernardo olha para Pedro, que está assustado, em seguida olha o pai furioso. Ele sabe que vai vir uma longa conversa. Ou melhor… uma longa discussão.