Descobrindo O Verdadeiro Amor.
6 Capítulo 6 - Como minha noiva
Notas iniciais
> KaoriChan
> Juliabertelli
> allison
> Sweet Potter
> Vick_Naomi
> JFerraz
...
Desculpem a demora para postar, mas é que eu ainda estava pensando na história - e pensei em cada coisa! O.O -.
Mas aqui eu estou postando com um belo sorriso no rosto porque eu vou ter muito prazer em escrever o outro capítulo ^ ^ heh.
Beijos,
EUQOPÉ-ELLE3
Capítulo Seis – Como A Minha Noiva.
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Isabelle esticou seu braço e se equilibrou nas pontas de seus pés. Mentalmente, ela praguejava por aquele livro estar em uma prateleira tão alta que alguém baixa como ela não fosse capaz de pegar. Por um instante, chegou até a pensar que o Duque fizera aquilo de propósito. Provavelmente ele descobrira que ela passava tempo de mais explorando os vastos livros que ele possuía e dera um jeito de pôr os melhores nas prateleiras mais altas, afinal, aquele homem lhe dissera que não gostava de mulheres inteligentes.
No entanto, se ele se opunha tanto à ideia de ter uma esposa que lesse bastante, então porque ele passara por ela e pegara o livro que ela estava tendo tanta dificuldade para pegar?
- Monsieur? – ela murmurou envergonhada.
- O Príncipe... de Maquiavel? – ele pareceu surpreso e arqueou uma sobrancelha para ela. – Você não prefere um daqueles livros de poemas bobos ou romances? Esse deve ser muito complexo para você entender.
- Gosto de coisas complexas, monsieur – ela disse coma voz insistente.
- Bem, pelo menos descobri quem era a ratinha que estava mexendo em meus livros – ele provocou entregando-lhe o exemplar.
- Acho que o senhor já me disse que não gosta de mulheres cultas, então por que não me impedes agora? – ela perguntou.
Ele riu. Não. Não era um riso de felicidade, ele não mostrava felicidade alguma – o que era triste -, mas era um riso de sarcástico. Ele gostava de vê-la sendo ousada. Ela fazia uma expressão engraçada sem que percebesse. Seu queixo sempre se erguia de modo desafiador e aparecia um franzido incomum entre suas sobrancelhas.
- Se os livros são um modo de amenizar a dor de suas memórias, quem sou eu para lhe tirar isso? – ele respondeu dando de ombros e indo se sentar em sua poltrona vermelha.
Isabelle por um instante sentiu pena dele, pois em sua voz havia uma nota de quem sabia o que dizia. Provavelmente ele deveria ter lido todos aqueles livros que estavam tão bem arrumados ali – o que eram muitos -... Bem, havia um motivo.
A verdade era que, nesses quatro dias que se passou, ela descobrira um pouco sobre ele. E sobre a personalidade solitária e reclusa dele – o que era um desperdício, lembrava constantemente a si mesma. Ele recusava vários convites para bailes e saraus, e não aceitava outra visita que não fosse as que Aloysia lhe fazia.
Parecia um monstro fugindo do mundo ferino do lado de fora.
Em certo jantar ele começara uma conversa, bem raros esses momentos.
- Você já mandou uma carta explicando aos seus pais a sua situação aqui em Londres? – ele lhe perguntara, mas não havia compaixão ou bondade em sua voz.
- Já... A propósito... Onde está a sua família? Não é muito estranho que uma noiva não saiba nada a respeito da família do noivo? Ou que eles sequer se conheçam? – comentou.
Ela percebeu que o assunto o deixou desconfortável.
- Minha família está dispersa. Como eu lhe disse: minha mãe morreu. Meu pai está viajando por aí, a última notícia que eu tive dele era que ele estava nas Índias, e meu irmão mais novo, Nicolai, está na Academia Militar... Por escolha dele. E isso é tudo o que você precisa saber sobre eles por agora. Não se preocupe – Ele sorriu com sarcasmo. – Vocês terão todo o tempo para fofocar no nosso jantar de noivado.
- Ei, roedora de livros – ele lhe trouxe ao presente e ela despertou quase que de imediato. Fitando-o aturdida. Ele estava com um meio sorriso malicioso nos lábios. – Já que você gosta tanto assim de ler, bem que você poderia bisbilhotar mais um pouco e encontrar certos livros interessantes com truques bem prazerosos para se levar para a cama... Para satisfazer o seu marido, não é?
Isabelle sentiu seu rosto ficar vermelho somente pela insinuação de tal proposta quase indecente e, por puro reflexo, ela acabou lhe atirando o livro que tinha em mãos com a mesma ousadia que ele havia proferido aquelas palavras. Ele pareceu tão surpreso quanto ela, que logo se encolheu e pediu:
- Pardon monsieur, eu sou muito impulsiva. Pardon.
Ele tentou não se deixar levar. Afinal, ele já estava esperando por alguma consequência. Realmente, Isabelle era um bicho que se ofendia com facilidade, mas ele tinha que concordar que fora muito indelicado de se falar daquele modo com uma dama. A mesma que ele lhe tirara a pureza.
“Tentarei não me esquecer disso” murmurou para si mesmo.
- Monsieur, como o meu tio é responsável por mim aqui em Londres, vossa graça não acha que ele pode querer... Anular nosso casamento? Afinal, você não pediu permissão à ele – ela comentou ainda encolhida.
- Seu tio não seria tão louco a ponto de reclamar por você – ele disse com uma certeza que a fez erguer o olhar. – Sua carta um dia vai chegar às mãos de sua família e eles não te deixariam ficar sobre a tutela daquele animal. Sem contar... Que a sua história e a marca em suas costas são o suficiente para comover qualquer júri e encher até o coração mais vazio de um cavalheiro com indignação, milady.
Ela gostaria de acreditar nas palavras dele, mas algo dentro de si lhe disse que não seria bem assim. O homem era louco e sádico. Nem um pouco confiável.
- E já que tocamos no assunto de suas marcas... Como elas estão? Ainda doem? – perguntou, mas havia um tom diferente em sua voz.
- Não, monsieur. Ainda estão muito avermelhadas e algumas estão até roxas, mas Emily me disse que já não sagram mais. Doem um pouco, quando me esbarro com algo, mas estou muito melhor – respondeu-lhe.
- Que bom. O Grão-Duque do Império de Habsburgo vai ter uma recepção amanhã à noite e não podemos perdê-la. O homem se considera um grande amigo meu e não posso lhe fazer esta desfeita. Sem contar que, em seu país, ele é mais elevado do que eu... Achei que seria um bom momento para lhe apresentar como minha noiva – ele comentou.
Isabelle percebeu que não havia qualquer outro sentimento em sua voz que não era a casualidade. Talvez ele apenas não fosse a festas porque era tudo chato e monótono para ele: a música, a dança, as fofocas, os círculos... Talvez ele houvesse se cansado de toda essa extravagância sem sentido.
- E... O meu tio e minha prima não estarão lá? – perguntou com receio.
- Não. Como eu disse, o homem se considera meu amigo e está a par de minha vida. Jamais convidaria as pessoas que eu odeio para uma festa em que sabe que eu estarei lá. Sem contar que... Por Deus! O homem é apenas um Visconde. Nem tem a posição de Conde. Praticamente não vale nada em meu círculo social... Foi uma sorte eu ter posto os olhos na filha de ouro dele – ele falou, mas sua voz foi tomando um tom de rancor.
- Deve ter sido uma sorte o Duque de Bristol ter posto os olhos nela também – Isabelle murmurou para si mesma, mas ele ouviu.
- Por que você não vai escolher qual dos milhões de vestidos elegantes que eu paguei você pode vestir para a festa e escolher seu penteado? Era para você está surtando e dizendo: “só hoje que você me avisa deste evento importante?!”.
- Bem, se isso o agrada, então o farei – ela disse pegando o livro que havia arremessado nele. – Boa tarde, monsieur.
- Boa tarde ratinha – ele respondeu.
...
- Esse vestido lhe caiu muito bem, Lady Rêveur – o criado a elogiou enquanto entrava em seu quarto acompanhado de uma criada que estava ali para fazer o penteado de sua patroa.
A jovem ficou envergonhada. Parecia que o duque havia dado carta branca para Bobley adentrar em qualquer quarto. Ele batia duas vezes na porta, mas não tinha o costume de esperar uma resposta. Isabelle não sabia se encarava esse ato como um gesto de insolência, ou se era somente porque ele tinha a completa confiança de seu patrão.
- Obrigada – agradeceu vermelha. – Eu também gostei.
Era um vestido de tafetá azul claro, mas realçava um pouco o tom da pele pálida da francesa e seus ombros caídos como se fosse uma donzela indefesa. Apesar do corte ser simples, ele vestia tão bem em Isabelle que ela tinha certeza de que ele fora feito para ela. Ele não ficaria tão bom em Aloysia ou Otella.
Ela observou calada enquanto o criado colocava uma bandeja sobre a mesa redonda que ficava entre a espaçosa cama e a lareira do quarto em que ela ocupava agora. Não era muito estranho viver naquele luxo, já que lembrava um pouco do quarto que ela mesma tinha na França, mas era estranho viver no luxo que era de outra pessoa.
E que pessoa...
Seu noivo!
De início, Isabelle pensara que deveria se livrar dele o mais rápido possível, no entanto, agora, ela queria ficar ali. Por algum motivo, sentia uma pena enorme por ele. Solitário, com o olhar triste, desiludido... Um pouco como ela se sentira.
- Então acho que vou descer... – ela disse dando um suspiro.
- Ah, milady, antes que eu me esqueça... – Chamou-lhe o mordomo e ela o olhou da porta. – Peço-lhe encarecidamente... Para que a senhorita tenha paciência com milorde.
- Bem, Bobley, às vezes penso que tenho mais paciência do que ele – respondeu-lhe a garota com simplicidade. – Você deveria dar este conselho à ele, que tal? Já que de uns tempos para cá ele faz com que nossa conversa morra e não dá um sorrisozinho para ninguém.
Ela deu de ombros e se preparou para descer as escadas.
Era estranho, pois não fora daquele modo que Isabelle decidira que iria estar noiva de alguém. Ela sempre sonhara em encontrar o seu amor em algum jantar, baile ou sarau, onde eles dançariam uma contra dança e ririam da falta de jeito que ficava gracioso nela, e recebesse buquês de flores com os mais belos elogios até que o pedido viesse em um passeio romântico pelo parque... Ser cortejada seria um sonho para ela.
No entanto, o duque andava muito frio com ela. Como se ele evitasse lhe tocar ou lhe conhecer. Quem o entende? O homem era um grosso que gostava de se manter afastado das pessoas.
Mesmo assim, ela lutou para sorrir com simpatia, pois teria que aturar aquilo durante toda a noite. Mas o sorriso que ela lutou para pôr em seu rosto, quase morreu quando ela o viu parado ao pé da escada. Não era por decepção, mas por choque. Ele estava muito elegante. Ela nunca vira um sapato brilhar tanto, ou uma roupa de gala servir tão bem em um homem.
Ele lhe estendeu o braço assim que ela terminou de descer e lhe deu os devidos elogios:
- Você está linda.
Ela sentiu o rosto esquentar, mas as palavras quase fugiram.
- Você está... Incrível e... Muito elegante – gaguejou.
- Bem, não é à toa que meus amigos me chamam de Janota Knight – ele deu um meio sorriso sarcástico.
Ela não se sentiu ofendida com aquele sorriso como se sentira em outras vezes, não, havia algo de especial naquele sorriso que o fez parecer mais sedutor. Como assim?, quis saber confusa. Como um homem repulsivo no dia a dia, pode se tornar tão galante em uma festa?
- Então... Acho que podemos ir – ela suspirou, tentando se controlar.
- Espere... Não está se esquecendo de algo? – ele perguntou querendo rir.
- De quê? – perguntou ela, confusa.
Ela passou a mão pelos cabelos e pelo vestido para ter certeza de que não havia se esquecido de nada e repassou mentalmente a lista quase vazia de coisas para fazer na casa de um estranho ou de formalidades quando vai a uma festa com o seu noivo. E ela havia cogitado que nada havia esquecido.
Ele riu e, enquanto ela procurava algo para se lembrar, ele meteu a mão no bolso de sua casaca e puxou uma caixa de joias.
- Uma noiva sem um anel de compromisso? Onde já se viu isso? – perguntou retoricamente. – Esta é uma joia de família, então é melhor tomar cuidado com ela, Lady Rêveur.
Isabelle se virou para o homem e quase sentiu seus olhinhos brilhando com a palavra “joia”. Quer dizer, fazia tanto tempo que ela não ganhava uma... Mas logo depois se sentiu inclinada a ficar envergonhada com sua atitude. Em geral, Isabelle tinha uma fascinação – que bem continha – por joias, mas ela conseguia não se tornar uma compradora compulsiva ou uma mulher gananciosa capaz de fazer qualquer coisa por um diamante caro.
Foi com acanhamento e exaltação que ela pegou a caixinha nas mãos dele e a abriu. O anel era lindo. Era um reluzente diamante que brilhava como Isabelle nunca vira, reluzia em um belo tom de azul e verde e era cercado por esmeraldas e safiras.
Ela olhou para ele e lutou para que seu rosto deslumbrado não o enganasse e o fizesse pensar que era ganância.
- Oh, l’anneau est parfait, monsieur! – exclamou com admiração. – Prometo-lhe que vou tomar muito cuidado com este anel.
- Se me permite – ele pediu tomando-lhe a mão enluvada com a sua e colocando o anel em seu dado anelar.
Naquele instante, a francesa deixou o sorriso morrer, algo que não passou despercebido por Alexander que se viu curioso com isso.
- Algo te aborreceu? – perguntou soltando a mão dela.
- Hm? – fez-se de desentendida. – Ah, não. Foi só um pensamento triste, algo que eu devo evitar esta noite. Então, vamos?
Ele lhe olhou de soslaio e Isabelle quase se ouviu revelando uma pequena decepção que sentia no peito, mas ela não podia dizer a ele, pois sabia que ele não só iria rir de sua cara como também ridicularizá-la por ser uma boba romântica.
Foi em um clima de extremo silêncio que os dois foram para a carruagem e assim permanecera durante um tempo. Mas Isabelle quis tentar conhecer um pouco mais sobre aquele homem que se tornaria o seu marido. Pensou em algo não muito inteligente para dizer, porém, ela sabia que dizer coisas frívolas e estúpidas era coisa que uma mulher como ela não era.
- Monsieur, por que o senhor não gosta de sua família? – se ouviu perguntando.
Ele não deu sinal de ter ouvido a pergunta e continuou olhando pela janela da carruagem. Isabelle quase se sentiu ficar desanimada quando ouviu a voz dele retrucando:
- Você gosta da sua?
- Gosto muito – ela respondeu sem hesitar.
- Por quê?
- Bem... Eu não sei. Este não é o certo? Amo minha mãe por ela ser muito amorosa e paciente comigo, amo também meu irmão por me ensinar a brigar quando necessário... – Ela se viu ficando vermelha quando o seu noivo lhe olhou com curiosidade. E então ela sussurrou: – Tudo bem, eu não fui uma boa aluna e posso dizer que fui reprovada no teste da vida... MAS, amo meu pai principalmente por ele cuidar de mim e me proteger de tudo.
Ele suspirou.
- Talvez aí estejam os erros, querida – ele murmurou. Isabelle quase se sentiu corando ao ouvi-lo chamá-la de “querida”. – Minha mãe não se importava comigo e preferia “cuidar” dos empregados. Meu irmão mais novo mal sabia falar e era fresco de mais para brincar comigo, enquanto meu pai, ao invés de pôr rédeas em sua mulher, ficava bêbado por aí como se eu nem existisse. Ainda pergunta o porquê eu odeio a minha família?
Ela abaixou o olhar e mordeu a parte interna da bochecha.
- Achei que a única pessoa que verdadeiramente me amasse fosse Otella – murmurou ele, com rancor envenenando sua voz. – Mas nem ela...
Isabelle o viu cerrar o punho com força. Era óbvio que ele estava encolerizado com a atitude da ex-noiva. Quer dizer, como ela pudera fazer aquilo com alguém? Marcar um casamento com um homem e não comparecer porque estava se casando secretamente com outra pessoa?
Esse foi um escândalo que a fez ser removida das listas de convidados da alta roda, pois o Duque de Knightley era muito querido por todos. Elegante, rico, bonito e jovem! O homem tinha tudo o que desejasse, desde a terra mais fértil à mulher mais linda da Inglaterra.
- E quando será o nosso casamento? – ela mudou de assunto.
- Em uma semana – ele respondeu sem muito pensar.
Isabelle ficou surpresa.
- Só isso? – perguntou estupefata.
- É. Espero que você não se importe se for apenas um jantar entre familiares e amigos. Sinceramente, eu não suporto multidões e hipocrisia. Coincidentemente ou não, esses dois se têm muito em festas.
A Rêveur apenas concordou com a cabeça. Para ser sincera, ela não se importava muito com festas. Aquele casamento não deveria significar nada para ela, afinal, não havia nada além de interesses envolvendo os dois.
- Oh, que bom. Para ser sincera, às festas me agradam, mas eu não gosto da ideia de ter muitas atenções voltadas à mim – ela murmurou para si mesma.
Alexander olhou para ela e sorriu de canto. Mal ela sabia que, justamente por ser noiva dele, todas as atenções seriam voltadas para ela naquela noite. Ou talvez ela soubesse e estivesse se preparando mentalmente para isso.
Filha de um marquês, talvez ela tivesse tido uma ótima educação. Pelo modo com que ela andava, como se flutuasse, que sorria, com uma simpatia mascarada, e com a elegância que se portava, era mais do que claro que ela fora educada como uma Lady da sociedade e isso fazia com que Alexander se sentisse um tolo por não notá-lo tão nítido quanto estava.
A carruagem parou e ele desceu na frente, para auxiliá-la a descer logo em seguida.
A casa onde o grão-duque estava hospedado, a casa do Duque de Hampshire, era enorme. Não era tão grande quanto à de seu noivo, mas admiravelmente grande. Foi com certa insegurança e timidez que ela envolveu o braço do duque para que ambos adentrassem na festa como um casal.
Ela sabia que ter timidez àquela altura era demais, porém, não era somente um evento social. Era um evento importante e no qual ela seria apresentada não somente como uma indesejável sobrinha francesa, mas como a noiva de Alexander Knight, o duque de Knightley.
- Só agora que você está nervosa? – perguntou ele, querendo rir.
- Oui, monsieur – ela respondeu insegura.
- Oh, por favor, recomponha-se. Não posso apresentar uma garotinha assustada como uma futura duquesa – ele pediu revirando os olhos e suspirou. – Prometo-te que vai ficar tudo bem. Seu tio não vai estar aí e é só você ficar ao meu lado, querida.
- Por acaso chamas-me de “querida” somente para manter as aparências ou para se acostumar com a absurda ideia de que vamos nos unir em matrimônio? – ela perguntou.
- Não sei. Talvez os dois. Vamos. – Ele a conduziu para o salão de festas.
Quando o criado anunciou os dois, a francesa sentiu suas pernas ficarem trêmulas de ansiedade, mas tentou não transparecer. O que era quase impossível quando ele dizia:
- Alexander Charles Arthur Knight, o Duque de Knightley e sua noiva, Isabelle Marie Rêveur, filha do marquês de Bordeaux.
Enquanto ambos desciam a escadaria, ela sentiu que fosse cair. Era impressão dela ou todos a encaravam? Era impressão dela ou as mulheres pareciam surpresas e algumas até estavam querendo estar em seu lugar? Era impressão dela ou os homens lhe encaravam com malícia?
Ela quase que quis se encurvar e ir ao lado de Alexander. Não que ela confiasse nele agora, mas porque eles haviam assinado um contrato de noivado que deixava bem claro aquilo que eles haviam decidido em seu escritório. Aquilo que ela tão cegamente aceitara. Agora era uma obrigação que ele a protegesse de qualquer mal, principalmente de sua família.
Percebendo a insegurança dela, ele pousou outra mão sobre a dela e sussurrou-lhe que tudo ficaria bem. Ela mal acreditou naquele gesto terno, mas percebeu pelo sorriso reprimido que ele mais queria naquele momento era rir dela.
Ele se aproximou de um casal que recebia a todos com um sorriso gentil no rosto. Um homem de pelo menos trinta e sete anos, alto, bem encorpado, de cabelos negros e sorriso sedutor, ao lado de uma mulher baixa, loira e de curvas voluptuosas. Ambos eram lindos, o que a fez ficar um pouco mais acanhada.
- Oh, Knight – o moreno parado ao pé da escada se aproximou e o cumprimentou. – Fazia um bom tempo que não nos víamos, não é?
Alexander deu um meio sorriso, não com vontade mesmo, mas apenas por educação, ou talvez por diversão ao sentir sua noiva com a respiração suspensa. Isabelle lutava para permanecer em sua pose elegante e distinta, mesmo que a mulher do Grão-Duque nem escondesse a curiosidade no olhar enquanto a analisava.
O duque de Knightley concordou com a cabeça.
- Sim, é verdade. Creio que minha vida tenha andado um pouco agitada ultimamente. – “Ou talvez monótona demais”, pensou a francesa. — Bem, mas esta é uma bela recepção.
- Concordo, Eleonora é muito boa com esse tipo de coisa – ele disse mencionando a esposa ao seu lado. – No entanto, ela me parece um pouco tediosa... Convidei Lady Morstan e Lady Buterbly com o intuito de ouvi-las discutindo sobre a rivalidade de suas famílias... Mas nada. Você sabe melhor do que ninguém, Knight, que eu gosto de ver o circo pegar fogo.
- E este é um péssimo hábito seu – suspirou Eleonora abanando-se com seu leque.
Ele apenas sorriu, concordando com a cabeça.
- Falando em escândalos... Eu ouvi direito? Esta adorável dama que vos acompanha é sua noiva? – perguntou com curiosidade.
- Sim, Lorde Theophilus, esta é a minha noiva, Lady Rêveur – apresentou-lhe.
Isabelle fez uma vênia elegante e respeitosa.
- Enchanté, monsieur.
- Francesa? – perguntou o Grão-duque com o mesmo tom de voz de Aloysia. — Bela escolha que você fez. Claro, você sempre escolhe as melhores, não é, Knight? — comentou com uma nota de bom humor, mas Isabelle ficou sem graça. – Encantado em conhecê-la, milady. Sou George Theophilus, o grão-duque do Império de Habsburgo e está e a minha esposa, Eleonora.
A mulher a cumprimentou com uma vênia e sorriu graciosamente.
- Agora, Knight, eu deveria me sentir ofendido por não ficar sabendo que você havia noivado de novo depois de tanto praguejar contra as mulheres? – perguntou o homem.
- Creio que não. Digamos que essa foi uma decisão... Um pouco urgente – respondeu o duque.
O homem lançou um olhar surpreso para a mulher ao lado de seu amigo e depois voltou a encarar o mesmo.
- Para quando está marcado o casamento? – perguntou.
- Para daqui à uma semana. Não será nada extraordinário, sabes que não suporto multidões, hipocrisia e tudo o mais. Será apenas um casamento na igreja de Kinghtley com um jantar entre familiares e amigos – respondeu o Duque.
Por algum motivo, o homem olhou para a figura pequena e morena ao lado do amigo – a mesma que observava o salão com o olhar curioso -, e voltou a olhar para o amigo.
- Bem, espero que vocês não se incomodem se eu me oferecer para ser o padrinho – ele pediu com um sorriso resplandecente.
- Isso seria uma grande honra, monsieur – a francesa disse com os olhinhos brilhando.
George sorriu para a francesa.
Depois de um tempo pondo conversas em dias, Eleonora se ofereceu para apresentar Isabelle a algumas amigas e as duas se afastaram de seus maridos fofocando sobre sapatos e penteados. Não que este assunto agradasse Isabelle, mas ela era muito boa em eventos sociais. Sabia ser agradável.
- Sabe, Knight, eu não quis comentar nada na frente da minha mulher porque, você sabe, mulheres são muito fofoqueiras e eu não queria colocar a sua noiva em uma situação constrangedora... – Começou o grão-duque com cuidado. – Mas se você aceitar, gostaria também de ser o padrinho da criança.
Alexander, que até então estava com um meio sorriso – o máximo que ele conseguia fazer – no rosto, o sentiu congelar.
Criança?!
- Do que você está falando, Theophilus? Que criança? – perguntou o duque, assustado.
- Não precisa fingir para mim. Eu já percebi tudo. Quer dizer, meses atrás tudo o que você mais queria era brincar com as mulheres, para agora estar se noivando com uma? Por Deus, Knight, eu pensei que houvesse te avisado para não engravidar as moças de família... – começou com o seu sermão.
Depois de entender do que o seu amigo estava falando, Alexander realmente quis rir. Tudo bem que Isabelle podia estar grávida, não que pudesse acontecer de uma vez assim – às vezes demorava até mesmo meses e anos -, mas ele sabia que ainda era muito cedo para decidir algo assim.
- Meu Deus, Theophilus, não. Isabelle não está grávida – ele disse rindo.
- Então não entendi o porquê de sua pressa para se casar com a moça – respondeu o grão-duque com um franzido na testa.
- Bem, é uma história muito longa que envolve maus tratos, intrigas, crueldade e... Otella – O último nome saíra carregado de rancor.
- Oh, falando em Otella – o homem limpou a garganta. – Sinto que fiz algo terrível Knight... Mas não me culpe, não sabia que você já havia se noivado de novo e superado a cobra.
Alexander franziu o cenho.
- O que foi que você fez? – perguntou com uma leve irritação na voz.
Não era que o homem estivesse irritado com o grão-duque, mas falar em Otella sempre o deixava irritado.
- Bem...
E no mesmo instante em que o grão-duque procurava palavras para dizer o que ele havia feito de errado, temendo do temperamento de sue amigo, o seu criado anunciou:
- Lady Otella Harry Birdwell, Duquesa de Bristol e seu marido Lorde William Birdwell, Duque de Bristol.
Notas finais
Império de Habsburgo - atual Áustria.
Com "lanneau est parfait", Isabelle diz "O Anel é perfeito".
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