Descobrindo O Verdadeiro Amor.

12 Capítulo 12 - Como Me Calar?!


Notas iniciais
Eu deveria ter segurado para amanhã, mas admito, não consegui.
Eu não paro de escrever - acho que é porque estamos em nossas últimas emoções - e eu estou simplesmente comovida com esse capítulo. Só peço para que vocês não odeiem Alexander, ele teve seus motivos - ou Não xD - e compensará no capítulo de amanhã!
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Agradeço aos reviews de:
> Daniella Kelly
> allison
> Rê Lovegood
> Sweet Potter
> Haruka Lina
> Hina
> Isabelle

Capítulo Doze – Como Me Calar?

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Duas semanas se passaram e foram as semanas mais felizes da vida de Isabelle Marie Rêveur-Knight. Mesmo vivendo na mais plena paz, os dias não eram tediosos e nem previsíveis. As únicas coisas com horários fixos eram a cavalgada matinal de Alexander – às vezes até Isabelle ia -, o horário do almoço e do jantar.

O resto era apenas questão de querer ou não.

Havia dias em que ele se sentia extremamente disposto e queria mostrar tudo à sua esposa, e também havia dias em que ele ficava cansado e ambos acabavam ficando na sala de visitas. Enquanto ele desenhava e estudava em seu caderno de esboço, Isabelle lia um dos vários livros dele.

No entanto, eles nunca caíam no siêncio profundo ou ficavam sem assunto. Os empregados se surpreendiam. Nunca haviam assistido à uma união tão harmoniosa e perfeita entre dois nobres.

E, apesar de dias calmos e diferentes, todos terminavam da mesma forma: perdida nos braços de Alexander.

De três coisas Isabelle tinha a absoluta certeza: A primeira delas era que – sem dúvidas – ela era a mulher mais feliz da Inglaterra. A segunda, era que Alexander lhe amava ao menos um pouco. E a tercerira, era que todo este amor deu seu resultado.

No entanto, era impossível se perguntar até quanto isso duararia.

- Sua graça! – O empregado entrou nervoso na antessala do quarto de Isabelle. – Oh, sua graça. – Fez uma reverência.

- Há algo de errado, Hawkis? – perguntou fechando o livro.

- Creio que sim sua graça... Não sei se a senhora soube que o patrão teve uma noiva que o deixou no altar antes da senhora... Bem, desde então ele a proibiu de voltar à Knightley.

- Sim, eu soube – ela suspirou ao perceber que ele se referia a Otella. Levantou-se do sofá imaginando do que se tratava.

- Bem, ela voltou e se recusa à ir embora sem antes falar com o duque.

Isabelle não ficou surpresa. Sabia que era somente uma questão de tempo para ficar frente a frente com Otella. Já esperava que ela viria para falar com Alexander e implorar por seu amor de volta. Há alguns dias, The Times e Gazzet publicaram:

Falece Sua Excelência William Godrick Birdwell, o Duque de Bristol, por um ataque do coração enquanto discutia acaloradamente na Câmara dos Lordes. Sua esposa, que espera um filho, ficou inconsolável.

Sem herdeiro para assumir a sua cadeira no parlamento, o lugar será passado ao seu sogro, Visconde de Calthrust, até que seu filho venha ao mundo e atinja a maior idade. Caso isso não aconteça, um novo lorde será eleito.

- Merda! – praguejara Alexande, ao ler o jornal. – Enfim ele conseguiu o que queria.

- Acho que não entendi, Alexander – Isabelle disse.

- Otella, supostamente me amava, eu sou rico, jovem e bonito. Por que ela se casou com o Duque de Bristol? Porque ele estava com um pé na cova. Como isso a beneficiou? De modo algum. O único beneficiado foi o seu pai!

Isabelle passou a entender o que ele dizia.

Seu tio obrigou a filha a se casar com o Duque de Bristol e a gerar um herdeiro dele – ou melhor, não gerou nada porque quase todo mundo calculara que se tratava de um bastardo — somente para assumir o lugar da criança que ainda nem nasceu. Ele a manipulara assim como fizera com o casal que ansiavam por se vingar dos dois.

- Está tudo bem. Eu a recebo – a esposa disse.

Mesmo sabendo que essa seria uma das maiores provações de sua vida.

Foi com dificuldade que a francesa se dirigiu à sua sala de visitas, não sem antes parar enfrente à um espelho e constatar que estava tão esplêndida quanto Otella poderia estar. Não que ela quisesse competir, ela só não queria voltar a se sentir inferior.

Ela respirou fundo antes de adentrar na sala com um ar de superioridade que ela esperou ser capaz de disfarçar seus medos e receios. Quais eram eles? Que Alexander voltasse a se apaixonar por aquela mulher de aparência etérea.

Em quatro semanas, Otella não mudou muita coisa.

Continuava a mesma figura bela que Isabelle conhecera e aprendera a temer. Exceto por algo. Algo que ela não tinha antes: uma marca roxa no seu maxilar. Parecia que alguém havia batido nela.

Mas isso não a impediu de demonstrar surpresa com a presença de Isabelle.

- Vocè? O que você faz aqui? – ela perguntou surpresa.

- Seu pai não te contou? – Isabelle perguntou, olhando para o seu machucado.

- O quê?

- Que eu me casei com o Duque de Knightley. Sou a nova Duquesa. Isabelle Marie Knight...

- Ele não me falou nada.

Isabelle deu de ombros.

- Sinto informá-la que meu marido não se encontra em casa agora. Ele deve ter saido para resolver alguns problemas, mas como já está escurecendo, ele deve voltar a qualquer momento. O que foi isso em seu rosto?

Ela levou a mão enluvada ao machucado arrocheado, parecendo subitamente envergonhada. “Mas se tratando dela, não sabemos o que é mentira, ou o que é verdade” pensou ela. Desde que se conhecia por gente, Otella sempre fora uma ótima atriz.

Otella voltou a se sentar no sofá, fitando o chão como se não conseguisse olhar para Isabelle.

- Você deve estar achando que eu mereço isso, não? Minha vida está um inferno... Achei que, talvez, Alexander pudesse me ajudar – ela murmurou em tom afetado.

Isabelle engoliu em seco e se conteve diante a vontade de mostrar simpatia à ela.

“Ela não presta!” lembrou-se.

- Quando papai me forçou a casar com Birdwell, achei que ele pararia de tentar controlar a minha vida – ela murmurou. – Mas enganei-me. Ele havia traçado planos e armadilhas para que meu falecido marido, que Deus o tenha em sua glória, e eu nem consegui me livrar de suas ordens controlando cada uma de minhas respirações. Você sabe o quanto ele é monopolizador...

“Quando meu marido morreu, há dois dias, pensei que me livraria dele para sempre. Afinal, ele havia conseguido o que ele tanto queria! Pensei que ele me deixaria em paz e que eu poderia suplicar para Alexander não se casar com sua ‘noiva’... Mas papai me mandou para voltar para casa”

“- Não! – eu protestei. – Fiz tudo o que o senhor me pediu e tudo o que eu quero agora é voltar para Alexander. Eu o amo! Quero me casar com ele e ser feliz ao lado dele!”

“Essa foi a primeira e única vez que ergui meu tom de voz para ele. Bem na minha frente, meu cavalheiresco pai se modificou. Ele se transformou em um monstro cuspidor de fogo e deu-me um soco no maxilar... Temendo a minha segurança e a do meu filho, resolvi fugir de casa. Como eu não tinha ninguém a recorrer, resolvi vir pedir ajuda da única pessoa que me faz sentir segura...”

- Alexander? – Isabelle supôs.

- Por favor, Isabelle. Sei que brigamos. Sei que fui uma tirana com você. Sei que a magoei muito... Mas, por favor, o que eu peço é que vocês me ajudem a não deixar meu pai me encontrar... Sei que vocês o odeiam tanto quanto eu o odeio agora. – Ela pausou e limpou a garganta. – Tudo o que eu peço... É que me deixem ficar aqui.

Isabelle não acreditou em metade das palavras da história que Otella lhe relatou. As lembranças que guardava dela eram as piores e falavam mais alto. E ela tentava não guardar ódio e rancor, mas era difícil. E quando Otella ergueu o olhar para encarar a francesa, ela percebeu realmente que aquele era somente um pretesto para ficar mais perto de Alexander e acabar seduzindo-o. Ela percebeu pelo brilho de malícia contido naqueles orbes azuis.

Ela sempre soube da natureza violenta do pai, disso Isabelle tinha certeza, pois ela sempre assistira quando ele batia na sobrinha francesa. Ela não sentia nada! Tudo o que ela realmente queria era roubar Alexander de sua prima.

- Eu acho que não...

“... Vai dar, Otella” Isabelle ia completar.

-... Há motivos para não aceitá-la aqui, Lady Birdwell – Alexander completara se anunciando na sala de visitas, vestido com seu traje de montaria.

Isabelle olhou para ele com horror. O quê, exatamente, ele ouviu das conversas das duas e como ele se atrevia a tomar decisões sem consultar a opnião de sua esposa?

- Certo, Isabelle? – perguntou, agora.

A francesa não acreditou que ele a havia aceitado assim. E havia feito isso sabendo que Isabelle não era tão insensível a ponto de dizer na frente de Otella que não a queria ali nem que ela estivesse morta, e muito menos colocá-la para fora de casa como se ela fosse um cachorro vira-latas.

Isabelle era melhor do que Otella e não teria coragem de destratá-la, por mais que desejasse e quisesse.

- Claro – ela concordou quase sem voz.

– Elizabeth, arranje um quarto para Lady Birdwell, por favor – Alexander mandou à governanta, e fez um sinal para que Otella a seguisse.

A viúva sorriu agradecida ao ver Alexander ali. Mesmo que seu semblante estivesse falsamente débil pela morte de seu marido, ela o abraçou como em gesto de gratidão. Nunca antes Isabelle quisera tanto ter uma arma para matar alguém em sua vida. Belo jesto de “Gratidão” o dela.

E ele estava tão atordoado que nem a empurrou ou olhou para Isabelle.

Ele parecia surpreso demais para qualquer reação.

- Obrigada – murmurou.

E foi um alívio quando ela o soltou e foi embora com a governanta. Pareceu que só então ele despertou do choque e se deu conta que Isabelle ainda estava ali. Olhar para ela se tornou a coisa mais dolorosa que ele já fez. Ele não entendeu o porquê ela lhe olhava com tanta reprovação e mágoa refletidos nas lágrimas e em seus olhos.

- O que foi? – ele perguntou.

- E ainda me pergunta o que foi? – ela murmurou com a voz embargada.

Sacudiu a cabeça sem acreditar e, com um olhar de tremenda reprovação para ele, foi para as escadas, para subir até o seu quarto. Seu peito doía muito. Era como se mil facas estivessem espetando o seu coração e a dor lhe dava muita raiva, fazia com que as lágrimas não parassem de rolar pelo seu rosto.

Ele lhe seguiu até o seu quarto, e quando Clarinda sentiu o clima tenso resolveu se retirar e esperar ordens de sua patroa. Parecia que iria chover com raios e trovões naquele quarto.

- O que foi? – Alexander perguntou, realmente sem entender.

- Você ainda me pergunta o que foi?! – gritou ela, se virando para ele. Ela suspirou tentando clarear sua mente, mas tudo o que ela queria dizer naquele momento, saiu sem pensar. – Você quer saber o que foi?! Como você pôde aceitar que sua EX-NOIVA fique sobre o mesmo teto que sua ATUAL ESPOSA?! Tem ideia de o quanto isso soa absurdo?!

Ele pareceu ficar irritado ao vê-la erguendo o tom de voz.

- Ah, e o que você queria que eu fizesse?! A deixasse sozinha e desamparada com um bebê no colo por ai?! – questionou cruzando os braços.

- Bem, ela ainda tem o papai dela, certo?! Ah, e não se esqueça que agora ela tem dinheiro e terras para suprir todas as suas futilidades, pois herdou tudo de Lorde Birdwell! – brigou Isabelle.

- Só um insano deixaria que ela voltasse a morar sob o mesmo teto daquele maluco! Isabelle, não vê como ela é uma vítma como nós? – perguntou ele.

- Não... Eu não vejo... Você ouviu a história dela? – Isabelle perguntou cruzando os braços para conter a raiva e ele fez sinal que sim. – É tudo mentira! O pai dela jamais encostou um dedo nela quando ela o contrariava, porque sempre sobrava para mim! Ele a obrigou, sim, a se casar com Lorde Birdwell, mas ela não mostrou muita resistência, sabe por quê?! Porque ela tinha a plena certeza de que era só estalar os dedos que você voltaria para ela!

Alexander ficou furioso com a resposta dela, pois Isabelle ensinuava que ele estava sendo manipulado por Otella.

- Você não tem uma visão clara das coisas. Está dando vazão à sua mágoa que você nutre dela, Isabelle – ele falou com a voz dura e fria. – Quando você se acalmar, conversaremos depois.

Ele lhe deu as costas, mas isso foi um erro.

Isabelle estava impulsiva e descontrolada, aparentemente, o duque se esquecera dos surtos psicóticos que sua esposa sofria quando acuada, amedrontada ou enraivecida. No caso, enciumada. Ela nem percebeu quando pegou uma escova de cabelo pesada e atirou contra ele gritando:

- Não dê as costas para mim!

Felizmente, o projétil não o atingiu – afinal, Isabelle sempre foi ruim de mira -, mas ele ficou irritado por estar sendo o alvo da raiva dela. E virou-se querendo matar aquela mulher. Era por isso que Alexander passara a odiar as mulheres: são seres emotivos, impulsivos, passionais e – esta em particular – agressivas.

- Não dê as costas para mim – alertou ela mais uma vez e se aproximou dele para murmurar: — Eu sei que não estou deixando meus sentimentos falarem por mim, monsieur! O que está falando, são minhas memórias doloridas de todas as coisas que ela me fez e a experiência de saber que ela só está aqui para seduzí-lo; para induzí-lo à ficar com ela.

- Isso é ridículo – ele desdenhou com repulsa.

- Não é nada ridículo! Você não está vendo agora? Quem é que você está defendendo Alexander? Eu sou a sua esposa, compreenda-me! – Ela chorou, agarrando o braço dele. – Eu sou a sua esposa e você quer acolher em sua casa a única mulher que você amou! Você tem ideia do quanto isso é insensível e ridículo?! Eu conheço Otella. Ela gosta de manipular as pessoas como se fossem uma das bonecas chiques que ela brincava quando pequena! Veja agora, estamos brigando! Depois das duas semanas mais perfeitas de minha vida, estamos tendo nossa primeira briga!

Ele permaneceu rigido por um tempo. Até que, com frieza, ele soltou seu braço dela e se afastou um pouco para levar a mão à cabeça, como se sentisse muita dor de cabeça.

- Um: nunca mais jogue algo em mim; dois: deixe de ser tão paranóica – ele murmurou com frieza e cada palavra foi calculada. – Vou para o escritório. Odeio mulheres que fazem escândalo à toa. Você deveria tomar um chá e parar de surtar por nada.

Isabelle não acreditou naquilo quando o viu se afastar. “Escândalo à toa”? “Surtar por nada”?

- Tudo bem então. Acomode a sua futura amante sob o nosso teto! – Isabelle disse quando ele foi para a porta, ele parou para ouvir. – Mas saiba, que eu já passei por isso uma vez e sei como é dividir o mesmo teto com Otella, por isso, sei que eu não vou suportar muito tempo nessa casa. Decida então: ou ela vai ou eu vou.

Ela o viu balançar a cabeça com incredulidade e não responder. Ele deixou o quarto somente com o mumúrio de “Que Ridículo”.

Isabelle não acreditou nisso. O que será que ela havia significado para ele? O que será que aquelas noites e aqueles momentos por Knightley haviam significado para ele? Será que ele realmente lhe amava um pouco ou estava apenas se aproveitando do sentimento que ela nutria por ele?

Ele iria mesmo voltar para Otella depois de tudo o que ela lhe fez?

- Deus! Ele deveria estar louco de raiva pela ousadia dela e não tão calmo quanto agora! – ela gemeu.

Não aguentando mais, Isabelle se jogou na cama e deu vazão às lágrimas. Seus soluços vinham da alma enquanto, salgadas e espessas, elas inundavam seu rosto e seu travesseiro. Clarinda e seu filho entraram naquele momento. Ambos ficaram preocupados com a tristeza profunda em que sua patroa se encontrava.

- Ela vai tirá-lo de mim – ela gemia e soluçava com frequência. – Depois de todo o meu esforço para curá-lo... Ela vai tirá-lo de mim!

Dois dias... Foi o período exato em que Isabelle conseguiu suportar Otella.

Ainda no dia em que brigaram, Alexander procurou por sua esposa, mas Isabelle se recusou a recebê-lo em seu quarto, havia trancado a porta que ligava os dois quartos, e, para deixar bem claro que ela estava irritada com ele e que não queria vê-lo nem pintado de ouro, ela não desceu para jantar.

Clarinda disse que isso era uma burrice, pois deixar Alexander jantando sozinho com Otella, não era o melhor meio de impedi-lo de ficar com outra.

- Só estou facilitando as coisas para eles – Isabelle respondera amarga. – Sobre o quê eles conversaram?

Isabelle sabia que sua criada de quarto estivera presente, ajudando a servir o jantar à eles, por isso o perguntara. Por um lado, ter uma grande amiga tão fiel quanto Clarinda tinha os seus benefícios. E, caso Alexander percebesse alguma coisa, Isabelle preferiria arrancar todos os cabelos da cabeça à revelar que ainda se importava com ele.

- Grande parte do jantar foi silencioso, mas Lady Birdwell olhava muito para Sua Excelência – respondera a empregada, sentando-se à cama. – E houve um momento em que milady pediu para que Sua Graça esquecesse do que ela havia lhe feito, e ele respondeu que já esquecera.

- Cretin! – Isabelle socara o travesseiro.

No dia seguinte, Isabelle tomara café da manhã com Otella. Não era costume de Alexander tomar café da manhã em casa, ele costumava tomar na casa de umas pessoas muito modestas que eram seus amigos, ele ia lá desde que era um garoto e nem era o Duque do lugar.

- Você não acha que está comendo demais, Isabelle? – Otella provocara em um tom amável, mas censurador. Tudo era falso, pois ela não se preocupava com sua prima. – Até onde eu sei, Alexander não gosta de mulheres muito gordas...

- Para você, é Sua Excelência Knight – Isabelle comentou em tom amargo. – Vou deixar uma coisa clara, você é somente uma visita nesta casa e não está aqui como se fosse da família dele. Segundo, pare de fingir que se importa, sei que se eu engordar será uma benção para você... Afinal, poderá ter o que está procurando: meu marido!

Otella pareceu surpresa, mas Isabelle conhecia sua prima bem o suficiente para saber que era apenas fingimento. Sendo assim, enquanto ia passar manteiga no pão, Otella segurou seu pulso e disse sem a máscara de boa moça arrependida:

- Não sei que tipo de bruxaria você fez para que Alexander se interessasse por você... Mas saiba que eu vou tê-lo de volta – ela murmurava ameaçadoramente. – Custe o que custar, ele será meu de volta. E se você ainda estiver viva para nos atrapalhar: ou nós iremos fugir ou te mataremos!

Ofendida, Isabelle ergueu-se da cadeira com ultraje no olhar.

- Você me dá nojo – murmurou desistindo de comer na companhia dela.

Cansada de ouvir as besteiras da prima, Isabelle decidiu evitá-la a todo custo. No entanto, depois de dois dias sobre o mesmo teto, encontrando lembretes constantes de que Otella a mataria para ficar com Alexander, e seu marido permanecer tão duro em seus ideais quanto a esposa, ela já estava cansada de lutar.

Chorava quase que frequentemente, e chorava ainda mais só de pensar em como ela chegara naquele ponto, mas nunca deixava isso transparecer quando ela – por acaso – se encontrava com Alexander. Dois dias antes ela era a mulher mais feliz do mundo. E agora estava ali, vendo o que tanto temia, bem diante de seus olhos.

Foi infeliz quando ela, por acaso, encontrou-se com Thomas. Ele chorava e correu para ela assim que a viu.

- O que foi meu amor? – perguntou ela tentando secar as lágrimas dele.

Quando passou a mão pelo rosto do garotinho de cinco anos, ela percebeu a marca avermelhada que ele tinha em uma das faces que geralmente eram coradas.

- Alguém bateu em você? – ela inquiriu com indignação.

- Eu tava brincando nos jardins, como sempre faço, senhora – ele contou chorando. – Quando Lady Otella disse que eu deveria estar trabalhando porque eu sou filho de uma empregada e não destruindo as raras e belas flores de Knightley. Então ela me bateu.

Isabelle ficou irritada, em primeiro lugar: que tipo de mulher esperaria que uma criança de cinco anos começasse a trabalhar?! Segundo: que tipo de monstro bateria em uma pobre criança?!

- Não se preocupe, meu amor – disse Isabelle pegando a mão dele. – Vamos cuidar disso agora.

Ele relutou, mas Isabelle o convenceu de que isso era o melhor a se fazer. Perguntou a um dos criados onde estava Alexander e ele respondera que ele estava no escritório, e que Otella havia acabado de ir para lá.

- Ótimo, assim eu confrontarei os dois – ela cogitou indo para a sala.

Antes ela nunca entrou no escritório porque Alexander não ia tanto para lá. Geralmente ele passava grande parte de seu tempo andando pela casa ou por suas terras em presença dela. Ao entrar no escritório, deparou-se com a pior cena de sua vida.

Ele estava lendo um livro e ergueu o rosto para Otella que estava bem à sua frente. Talvez tenha sido de repente, mas ela o beijou.

Foi a cena mais degradante e dolorosa que Isabelle poderia ter assistido. Ela nunca sentiu tanta dor antes. Nem mesmo os pesadelos que tinha de ver Alexander nos braços de sua prima fora pior do que aquilo. Porque aquela era real. Nos sonhos, era fácil despertar e sentir alívio, mas aquela cena era real e estava ali.

Thomas também vira.

- Eu sabia! – ela murmurou em voz alta, fazendo com que Otella se afastasse de Alexander.

O duque olhou para a esposa traída assustado, como se estivesse se perguntando quando ela entrara em seu escritório. Mas ela tinha os olhos cheios de lágrimas e começava a chorar. Soltara a mão de Thomas que agora olhava para ela sem entender. O que uma criança de cinco anos era capaz de compreender?

- Isabelle! – ele arfou, mas ela correu para longe, não queria encarar seu e muito menos sua odiosa prima!

- Ela conseguiu o que queria. Que faça bom proveito agora – pensou correndo para os estábulos.

Pediu seu cavalo para o cavalariço e este lhe arrumou. Como percebeu que sua patroa estava descontrolada, ofereceu-se para acompanhá-la. A última coisa que o homem iria querer era que a esposa de seu patrão sofresse um acidente e que ele fosse acusado de irresponsável.

- Não será necessário. Eu só preciso me acalmar. Voltarei mais tarde – avisou-lhe.

E correu para longe...

No entanto, ela nunca mais foi vista naquele dia.

Notas finais
The Times e Gazzet - não sei como se escreve o último - foram dois "jornais" da época. Há livros que citam o The Times, e o Gazzet, mas eu não tenho certeza de que época são esses jornais.
Outra coisa, eu não sei se a cadeira na Câmara dos Lordes é por hereditariedade também - acredito que não - mas coloquei assim para poder atingir meu objetivo. Sorry!
Outra coisa: #OTELLAvaca!