Descobrindo A Paixão
2 Capítulo 2 Se conhecendo
Notas iniciais
Por Gina
Eu não conseguia acreditar no que tinha acabado de acontecer. Harry tinha me dado um beijo no rosto e saído correndo, e o sorriso que ele deixou direcionado a Hermione... bem, eu não gostei muito disso, mas ao mesmo tempo, eu tinha adorado cada segundo do contato dos seus lábios na minha pele. Senti meu corpo todo derreter só de lembrar daquela imagem. Arrumei a cama dele com cuidado, sentindo o seu cheiro — aquele perfume único, maravilhoso — e depois desci depressa para encontrar o pessoal, que estava na cozinha, com as cartas nas mãos e uma expressão de pavor misturado com curiosidade.
— Pelo jeito, as notícias devem ser boas — falei, me aproximando.
— Excelentes! Não poderia ser melhor — respondeu Rony, com um sorriso enorme no rosto.
— Que ótimo. Pelo visto, todos tiraram notas excelentes nos N.O.M.s, parabéns a todos!
Abracei o meu irmão, que sorria feito um bobo da corte, depois abracei Hermione, que estava tão emocionada que mal conseguia falar, só sorrir para mim. E então, claro, não tinha como não abraçar Harry. Quando os meus braços envolveram o seu pescoço, senti um calor diferente, algo que percorreu todo o meu corpo. Levantei os olhos e vi que Hermione tinha parado de olhar para a sua própria carta e estava nos observando com atenção. Será que essas notas boas estavam fazendo todo mundo se sentir mais leve, mais próximo?
— Espero poder estar ao lado de vocês ano que vem também — falei.
— Se depender de mim, eu te ajudo em tudo, como sempre fiz todos esses anos — disse Hermione. — Diferente do seu irmão aqui, que não lhe dá a atenção que você realmente merece.
— Então é melhor se preparar, Gina — brincou Rony. — Porque a Mione tirou Excelente em todas as matérias, sem exceção.
— Isso é demais! — falei, sorrindo.
Todos na sala começaram a rir comigo, mas eu nem prestei muita atenção. Nesse momento, vi uma coruja se aproximando pela janela, voou direto na minha direção e pousou na minha frente, soltando uma carta que estava amarrada na sua perna. Fiz um carinho na cabeça da ave e ela bateu asas e foi embora.
— Carta de algum namorado, querida? — perguntou a minha mãe, curiosa.
— É do Dino, mãe — respondi, sentindo um certo desconforto.
— Minha menina já está crescendo, recebendo cartas de rapazes... — disse ela, com um tom de voz doce.
— Crescendo até demais, na minha opinião — resmungou Rony. — A sua filhinha já saiu com dois caras em apenas um ano, e eu não gosto nem um pouco dessa ideia.
— Como assim, Gina? Dois garotos? — perguntou a minha mãe, surpresa.
— Mãe, eu tive um relacionamento que não durou muito com o Miguel, um menino da Corvinal. E no final do ano passado, comecei a sair com o Dino.
— E essa história com o Dino é coisa séria?
— Não sei, mãe... ainda estamos apenas nos conhecendo.
Olhei para a minha mãe. Ela sabia, desde sempre, que eu era apaixonada por Harry; nunca escondi nada dela. Ela me olhou com muita seriedade, e eu desviei o olhar para os outros que estavam na cozinha. Percebi que o rosto de Harry estava um pouco avermelhado. Achei que ele não estava gostando muito da conversa — e para ser sincera, eu também não estava.
— Eu só espero que você não se machuque, querida — disse ela, suavemente. — Acho que você é muito nova para sofrer por amor.
— Eu só queria que as pessoas entendessem que eu cresci — respondi, um pouco mais dura. — E parassem de me tratar como se eu ainda fosse uma criança. Com licença, preciso responder a esta carta.
Minha mãe me olhou mais uma vez e deu aquele sorriso que ela sempre me dava quando eu estava com algum problema. Se existia alguém que me conhecia de verdade, essa pessoa era Molly Weasley.
— Acho que merecemos uma comemoração, já que todos foram tão bem nos exames — disse ela, mudando o assunto. — E amanhã é o aniversário do Harry! Querida, por que não convida o Dino para vir comemorar conosco?
— Acho melhor não, mãe. Ele está viajando com o pai. Mas posso mandar uma coruja para o Neville e para a Luna, chamando-os para vir.
— Ótima ideia, querida. Gosto de ver a nossa casa cheia de vocês.
Olhei de novo para Harry. Eu não conseguia ficar muito tempo sem olhar para ele. Dessa vez, ele me olhou de um jeito diferente, mais intenso. Senti uma vergonha imensa, uma vontade de sair correndo como eu fazia antes... mas dessa vez, só abaixei a cabeça. Droga, eu não queria me sentir assim de novo, não ao lado dele.
— Bom, com licença, preciso mandar três cartas — avisei.
— Até mais, Gina — foi a voz dele que eu ouvi responder, suave e calma.
Por Harry
Eu estava queimando de ciúmes e raiva desde o momento em que Gina recebeu aquela coruja com a carta do Dino Thomas. Ele devia ser um cara legal, sim, mas só de pensar nele ao lado dela, eu perdia completamente o controle.
Quando ouvi a senhora Weasley dizer para a filha que esperava que ela não se machucasse, que ela era muito nova para sofrer, percebi que ela sabia de muita coisa. Será que ela sabia também sobre mim? O rosto ficou vermelho de vergonha e eu abaixei a cabeça. Eu era o motivo de todo o sofrimento dela, e eu nem tinha percebido antes.
Quando levantei o olhar novamente, só conseguia enxergar ela. E foi então que os nossos olhares se encontraram de novo. Pela primeira vez, vi o rosto dela ficar todo corado, avermelhado, e ela ficou ainda mais linda: a pele branca dela com aquele tom de rosa fazia com que eu quisesse chegar mais perto, tocar o seu rosto. Ela baixou os olhos e saiu correndo para o quarto.
— Posso ajudar com o almoço, senhora Weasley? — perguntei, tentando me distrair.
— Não precisa se preocupar, querido. A Fleur vai me ajudar hoje.
— Ei, Rony — falei, virando para o meu amigo. — Eu sei que a Fleur trabalhava em Gringotes, mas não sabia que agora também trabalhava aqui na Toca.
— Ela não trabalha aqui, ela está namorando o meu irmão Gui — explicou ele, revirando os olhos.
— O quê? Sério?
— É sério. Parece que o meu irmão finalmente se deu bem na vida.
— Que tal vocês três irem lá para fora? — sugeriu a senhora Weasley. — O dia está lindo, e vocês estão livres agora que já fizeram os exames e foram bem. Aproveitem.
— Vamos jogar Quadribol? — perguntou Rony, animado.
— Podemos, mas precisamos de mais uma pessoa — lembrei.
— Vou chamar a Gina! — disse ele. — Mãe, ela também está liberada por hoje, não está?
— Já disse que a Fleur vai me ajudar, então vocês todos estão liberados — respondeu ela, sorrindo.
Vi Hermione me dar um sorriso cheio de segredos. Subi as escadas devagar, parei na porta do quarto dela e bati levemente.
— Pode entrar, mãe — disse a voz dela, do outro lado.
— Bom, eu acho que não sou a sua mãe... — falei, abrindo a porta devagar. — Posso entrar mesmo assim?
— Claro, Harry. Em que posso ajudar? — respondeu ela, olhando para mim com seriedade, e levantando uma das sobrancelhas.
Ela estava ainda mais linda ali, parada na porta. Por que Merlin me fez ser tão cego? Por que só agora eu tinha percebido o quanto ela era deslumbrante? E o pior de tudo: por que ela tinha que estar namorando outro?
— Você já mandou as cartas para o seu... namorado, e para o Neville e a Luna? — perguntei, tentando disfarçar o ciúme.
— Já, sim.
— Que bom. Então... eu gostaria de saber se você aceita uma revanche no Quadribol.
Ela sorriu para mim, e naquele momento, um sentimento novo, forte, acordou no meu peito. Um monstro que eu jamais tinha sentido antes, e que agora gritava feito um louco dentro de mim. Tive uma vontade enorme de ir até ela, segurar o seu rosto e beijá-la... mas me segurei. Apenas olhei nos seus olhos, que brilhavam com uma intensidade que me fazia tremer.
— Estou sempre pronta para jogar Quadribol — respondeu ela —, especialmente se eu for a sua adversária.
— Pensei que a melhor artilheira da Grifinória gostasse mais de jogar ao meu lado — provoquei, sorrindo.
Os olhos dela brilharam ainda mais.
— Vamos lá, capitão. Eu adoro jogar ao seu lado, sim... mas uma revanche contra o melhor apanhador de Hogwarts me deixa muito mais animada.
Sorri de volta para ela. Como ela podia ser tão incrível? Sim, ela era simplesmente incrível.
— Preciso pegar a minha vassoura — avisei.
— Tudo bem, eu te espero lá embaixo.
Fui até o quarto onde estavam as minhas coisas, peguei a minha Firebolt e notei que a minha cama estava arrumada, muito bem arrumada. Sorri feito um bobo ao lembrar que tinha sido ela quem tinha feito isso. Desci as escadas e, quando cheguei perto da sala, ouvi que estavam discutindo algo.
— O que está acontecendo? — perguntei, olhando para Gina.
— O Rony quer fazer duelo: meninas contra meninos. Ou seja, ele quer jogar com você, e eu fico com a Mione. Combinando assim, nós vamos perder feio — explicou ela, rindo.
Comecei a rir da sua cara de desaprovação.
— Pensei que o desafio fosse só entre nós dois — falei.
— O desafio é nosso, sim, mas isso não inclui eu perder para você, Potter — respondeu ela, com um brilho travesso nos olhos.
Sorri novamente. Eu sentia uma alegria enorme só de estar ao lado dela.
— Rony, vou jogar com a Mione, e você fica com a Gina. Assim fica equilibrado, ok? — sugeri.
— Tudo bem, vamos lá então — concordou ele. — Minha parceira aqui é a maior artilheira da Grifinória, não é mesmo?
— E olha que ela me substituiu muito bem no ano passado, quando eu não pude jogar — completei, olhando para ela.
— Vamos parar de me deixar sem graça e vamos jogar logo — pediu ela, saindo na frente e empurrando Hermione levemente.
— Eu te odeio, sabia? — brincou Hermione com ela, baixinho. — Aliás, me odeio por ter te ajudado a ver tudo isso mais cedo...
— Tudo bem, eu sei — respondeu Gina, rindo. — Mas eu te amo por isso. Foi você que me fez enxergar a irmã maravilhosa que eu sou, afinal.
O jogo estava sendo muito divertido. Gina e eu estávamos como apanhadores, e ela sempre me desafiava, voando rápido e me fazendo rir. Sim, ela tinha crescido, e agora queria realmente ganhar de mim. Ela se tornou uma menina carismática, forte, e com certeza seria uma mulher brilhante.
Quando vi Gina disparar rapidamente para um lado do campo, percebi que ela tinha visto o Pomo de Ouro. Fui atrás dela na mesma hora. Travamos uma verdadeira batalha no ar. De vez em quando, nossos olhares se cruzavam e ela sorria para mim, um sorriso que me fazia perder o ar. Eu tinha que me concentrar, senão iríamos perder, e Hermione iria me matar depois.
— Está dormindo aí, Potter? — gritou ela, me provocando.
— Estou só te dando uma vantagem, Weasley — respondi, sorrindo.
— Se eu fosse você não faria isso não. Estou ficando muito experiente como apanhadora, hein!
— Está tentando tomar o meu lugar no time? Até que não seria má ideia... a Grifinória não perderia nada com isso.
— Esse elogio não é seu, é do nosso capitão — respondeu ela, rindo alto.
— Tenho que admitir que fico mais tranquilo sabendo que você prefere a artilharia a ser apanhadora. Se fosse apanhadora, eu estaria sem emprego.
— Você está tentando me desconcentrar, Harry Potter!
— De forma alguma, senhorita Weasley. Já lhe dei uma vantagem, lembra?
— E agora está me dando uma desvantagem com essas conversas!
Ela saiu em disparada para frente, e eu a segui, chegando bem perto dela novamente.
— Da próxima vez, você vai ter que pegar uma vassoura da escola, já que a sua é muito mais rápida que as nossas — provoquei.
Nós dois alcançamos o Pomo ao mesmo tempo. Nossas mãos se tocaram, e ela parou de voar, me olhando bem nos olhos. Rony e Hermione já vinham vindo em nossa direção e viram tudo acontecer.
— Acho que estamos empatados — falei, ainda sentindo o calor da sua pele na minha mão.
— Revanche mais tarde, então — respondeu ela, sorrindo.
— Ah, sim! Uma revanche... e eu gostaria de um livro como prêmio, se eu ganhar — brincou Hermione, e todos nós começamos a rir.
— Podemos ir para o lago mais tarde? — sugeri. — Assim a Hermione fica lá lendo o seu livro, e nós ficamos na água, porque esse calor está me matando.
— Eu tenho que ajudar a mamãe — lembrou Gina.
— Ela disse que nós quatro estamos livres nesta manhã — disse Rony.
— Bom, então isso quer dizer que eu estou livre. Beleza, com licença, eu vou dar uma volta por aí — avisei.
— Posso ir com você? — perguntou Gina, na hora.
— Eu vou tomar um banho e ver se sobrou algo do café, porque já estou morrendo de fome — reclamou Hermione, fazendo uma careta engraçada.
Rimos todos da cara dela. Eu não estava acreditando que eu e Gina iríamos ficar sozinhos, voando por aí.
— Quer nos acompanhar, Hermione? — perguntei, só por perguntar.
— Ah, não... eu vou começar a ler o meu livro agora. Boa volta para vocês dois — respondeu ela. Ela me olhou, deu uma risada baixa e balançou a cabeça, como se já soubesse de tudo.
Rony passou por mim, me deu um empurrão de leve e sussurrou:
— Eu continuo te odiando, sabia? E não quero ver vocês se agarrando por aí, entendeu?
— Mas eu sou só o amigo dela, o namorado dela está viajando com o pai, lembra? — respondi, tentando parecer indiferente.
— Não me lembre disso, por favor — resmungou ele, e foi entrando na casa.
Olhei para Gina. Ela tinha parado e estava olhando o irmão e a Hermione descerem das vassouras e entrarem. Quando ficou só nós dois, ela virou-se para mim e começou a voar lentamente, bem devagar, como se quisesse que eu ficasse ao seu lado.
— Não precisamos apostar uma corrida agora, não é mesmo? — perguntou ela.
— Claro que não.
— É que o dia hoje está tão lindo... perfeito para dar uma volta sem se preocupar com desafios ou competições.
Ela olhou para mim e começou a sorrir. Sim, o dia está lindo, pensei. Mas você está muito mais linda ainda, Gina.
— É, está mesmo... — falei, sentindo o coração bater forte. — Gina, não quero ser indiscreto, mas... eu gosto muito de você.
Na hora, ela parou de voar, ficou parada no ar e me encarou, surpresa. Eu tinha falado demais, me aproximei um pouco mais dela.
— Você gosta de mim? — perguntou ela, com a voz um pouco trêmula.
— Como não gostaria de você? Eu te conheço há cinco anos...
— Claro... pergunta idiota, essa — respondeu ela, desviando o olhar.
Mas eu sabia que ela não estava pensando nisso. Ela queria saber se eu gostava dela do jeito que ela gostava de mim. E eu não tinha coragem de falar absolutamente nada, porque eu mesmo ainda não tinha certeza do que sentia, só sabia que queria estar ao lado dela, sempre.
— Mas por que essa revelação de repente, Harry? Eu não entendi — perguntou ela, confusa.
— Gina, eu não quero me intrometer na sua vida, só quero que você seja feliz. Como está o seu namoro com o Dino?
— Nossa... será que a mamãe e o papai me deram mais um irmão e não me contaram? — brincou ela, com um tom de voz meio amargo.
— Não me veja como um dos seus irmãos, por favor. Eu só quero o seu bem, a sua felicidade.
— Obrigada pela preocupação, Harry. Mas eu e o Dino estamos bem... na verdade, estamos apenas nos conhecendo. Ele ainda acha que eu gosto do Miguel, ou de outra pessoa qualquer.
— E gosta?
— Não, eu não gosto do Miguel. Para falar a verdade, ele era só um bom amigo. Acho que nunca gostei dele de verdade.
— E o Dino? Você gosta dele?
— Ele é um cara legal, sim... muito extrovertido, divertido...
— O Miguel não era?
— Era também. Mas ele não gostava de perder, e na primeira oportunidade que teve, correu para os braços da Cho Chang.
Ela olhou para mim com os olhos arregalados, como se tivesse percebido que tinha falado algo que não devia.
— Harry, eu não queria tocar nesse assunto... me desculpa, por favor. Eu sei que você gostava muito dela... me perdoa.
— Ei, não esquenta a cabeça com isso — falei, suavemente. — A Cho, para mim, é passado. Fiquei até feliz em saber que ela estava bem com o Miguel, e que você também já tinha parado de ligar para ele. Na verdade, agora eu descobri que você nem se sentia tão atraída por ele assim... Então, é do Dino que você gosta?
— Não sei... eu gosto da companhia do Dino, mas... estamos só nos conhecendo.
— Então o Rony tem razão... — comentei, pensando alto.
— Como assim?
— Eu não acho que você deveria ficar com alguém de quem você não tem certeza que gosta de verdade.
Ela me olhou, e eu já esperava uma resposta forte, uma bronca... porque nos seus olhos havia uma mistura de mágoa, raiva e frustração.
— Você acha que eu devo ficar com alguém que realmente gosto? — perguntou ela, devagar.
— Sim, eu acho. Mas por que está falando comigo desse jeito?
— Talvez porque a pessoa que eu gosto seja... deixe eu procurar uma palavra... sim, cega. E ele ainda me vê como uma criança.
— Então... você gosta de alguém? — perguntei, sentindo uma pontada de ciúme e esperança ao mesmo tempo.
— Sim, infelizmente. Já fiz de tudo para tirar essa pessoa da minha cabeça, mas não consigo.
— Faz muito tempo?
— Há algum tempo... bastante tempo.
— Por que não falou nada para ele?
— Quem lhe disse que não tentei falar?
— Então você falou com ele?
— Não... eu não falei. Pensei que ele poderia perceber isso sozinho.
— Mas ele não percebeu...
— Não. Ele, além de cego, é muito atarefado, sempre ocupado com tudo menos comigo.
— Ele é mais velho?
— Um pouco...
Ela abaixou a cabeça e olhou para o lado, sorrindo de um jeito triste. Eu estava começando a gostar desse jogo de ser apenas o amigo que quer a felicidade dela... mas ao mesmo tempo, eu queria muito pegar ela e pedir para que ela dissesse logo quem era, que eu ia resolver tudo.
— Harry, me desculpa, mas eu não quero continuar com essa conversa. Não vale a pena. Essa pessoa já tem outra pessoa, eu acho... e se depender de mim, ela jamais saberá o que eu sinto.
— Você está magoada?
— Passei um tempo enorme me dedicando a ele, cuidando, gostando... e ele só tinha olhos para outra menina.
Cho Chang... só podia ser ela. Gina ainda estava magoada por causa do beijo que eu tinha dado na Cho, ano passado. Hermione já tinha me dito que ela tinha visto tudo. E eu também não iria gostar nada, nada mesmo, se visse o Dino beijando ela. Começamos a voar de volta, em direção à entrada da Toca.
— E você... realmente já esqueceu a Cho? E não liga mais em saber que ela está com o Miguel?
— Acredite, eu não sofri nada quando vi ela com ele. Não sei o que foi aquilo entre mim e ela... talvez ela estivesse só chocada com a morte do Cedrico, e precisava de alguém. Da minha parte... eu realmente acho ela bonita, sim, mas não existia química nenhuma entre nós, entende?
— Então quer dizer que você nunca gostou dela de verdade?
— Não... na verdade, eu achei que gostava dela. Me sentia bem em ficar com ela, sim... mas não do jeito que eu me sinto quando estou com outra pessoa.
— Ah... então existe outra pessoa?
— Eu acho que sim.
— Acha?
— Sim. Só não quero magoá-la com isso, então estou tentando conhecê-la melhor. Adoro ficar ao lado dela, e estou sentindo algo que nunca senti antes na vida.
— Entendo... — disse ela, com a voz baixa. — E a sua misteriosa tem nome?
— Sim, mas por decreto secreto, não posso te falar. E a sua misteriosa paixão? Tem nome? Talvez eu possa te ajudar a conquistar.
— Não, eu não vou te contar. Ele vai perceber, mais cedo ou mais tarde, que eu estou afim dele.
— Você já está afim dele há muito tempo, pelo que disse... pensei que estava só conhecendo ele.
— Estou... estou conhecendo ele melhor agora. Mas a cada segundo que passa, fico mais afim dele.
— Que bom... cartas são algo que servem para dizer tudo o que sentimos, não é?
— Sim, é verdade... — respondeu ela, corando um pouco. — Falando nisso, eu preciso responder uma carta agora.
— Nos encontramos mais tarde, então.
Fui até ela, e mais uma vez beijei o seu rosto. O seu cheiro estava me deixando louco, era um perfume magnífico, que ficava na minha memória.
— Se eu fosse você... lutaria pela pessoa que você gosta, mesmo que ele seja um cego. Um dia, ele vai perceber a mulher maravilhosa que você está se tornando.
— Obrigada, Harry. Mas ele não gosta de mim... ele gosta de outra.
— Lute assim mesmo.
Olhei bem dentro dos olhos dela e vi toda a mágoa, toda a tristeza que ela tentava esconder. Não poderia ficar ali mais nem um minuto, senão eu iria quebrar tudo e beijá-la, contando tudo o que eu sentia. Virei as costas e deixei ela ainda parada, flutuando na vassoura.
Eu estava feliz com a nossa conversa. Tinha uma vontade imensa de sorrir, de gritar para o mundo. Sim, Gina, pensei comigo mesmo. Eu vou lutar por você. E se eu fosse o Dino Thomas, já me afastaria de você, porque eu estou disposto a tudo para te ter nos meus braços. Eu fui cego, sim, estava atarefado demais salvando o mundo bruxo para perceber o que estava bem na minha frente... mas agora, eu quero um momento de felicidade com você. Acho que eu mereço isso. Gostaria que o Sirius estivesse aqui, ele com certeza saberia exatamente como me ajudar a te conquistar.
Com esses pensamentos, entrei na Toca e subi para tomar um banho. Nem reparei que a senhora Weasley estava na cozinha, olhando para mim com um sorriso enorme, como se já soubesse de tudo.
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