Descobrindo A Paixão
1 Capítulo 1 Me apaixonei
Notas iniciais
Por Harry
Estava saindo com Dumbledore da casa do professor Horácio; por alguma razão, o diretor queria levar o professor de volta para Hogwarts — provavelmente para que ele nos ensinasse Defesa Contra as Artes das Trevas. Eu não sabia por que a minha presença era tão importante, mas notei que o professor Horácio era muito amigável, especialmente depois que descobriu quem eu era. Por que todo mundo me trata assim, como se já me conhecesse? Eu só queria não ser notado, queria poder desaparecer. Para ser sincero, nem mesmo sabia para onde estávamos indo — só pedia a Merlin que não fosse para a casa dos Dursley.
— Senhor, para onde estamos indo?
— Eu voltarei para Hogwarts, é claro. Tenho algumas coisas para resolver. Agora, você vai para a Toca; tenho certeza de que seus amigos, o senhor Weasley e a senhorita Granger, estão ansiosos para vê-lo.
— Hermione já está lá? Por que sou sempre o último a saber das coisas?
— Harry, por que tanta impaciência? Tudo tem o seu tempo.
Olhei para ele e continuamos andando. Odiava essa sensação de ser sempre a última pessoa a ficar por dentro do que acontece. O silêncio tomou conta de nós.
— Professor, por que o senhor precisou de mim hoje? Acho que não ajudei em nada durante essa visita ao professor Horácio.
— Você foi a peça principal de tudo isso, Harry. Tenho certeza de que Horácio ficou encantado com a sua presença. Bom, acho que já chegamos a um lugar seguro — segure o meu braço, por favor.
— Diretor, o que aconteceu com a sua mão?
— Algo que, infelizmente, não podemos ficar discutindo aqui na rua. Uma história aterrorizante, devo dizer, mas não tenho tempo para lhe contar agora. Vamos, segure o meu braço.
Fiz o que Dumbledore pediu e, mais uma vez, senti aquele puxão forte; em instantes, já estávamos nos arredores da Toca. Senti uma vontade enorme de vomitar, como sempre acontecia com a teletransporte. Dumbledore seguiu até a porta, bateu duas vezes, e logo ouvimos a senhora Weasley fazendo as verificações de segurança que o Ministério exigia de todos os bruxos. Quando a porta se abriu, vimos ela com uma expressão de pânico.
— Pelo amor de Merlin, Alvo! Por que chega tão tarde?
— Tive alguns assuntos para resolver com o Harry.
— Harry, querido, como você está? Vejo que está magro e abatido... Vou preparar algo para vocês comerem agora mesmo.
— Não se preocupe comigo, Molly. Já estou voltando para o castelo, tenho questões importantes para tratar.
— Que pena, diretor. Arthur já está chegando, seria bom se o visse.
— Sinto muito, mas não posso ficar. Vim apenas trazer o Harry. Diga ao Arthur que envio lembranças e que nos encontraremos no castelo, no dia e na hora combinados, tudo bem?
— Claro que sim. Espero que tenha uma boa viagem de volta, diretor — vá com cuidado, por favor.
— Obrigado, Molly. Bem, Harry, aqui você está em boas mãos. Comporte-se, e nos veremos daqui a um mês, certo?
— Certo, senhor.
Ele se virou, caminhou até a porta, abriu-a, olhou para os dois lados, depois voltou o olhar para nós, acenou com a cabeça e saiu. Em um segundo, não víamos mais o homem com óculos de meia-lua.
Assim que Dumbledore partiu, a senhora Weasley veio até mim, me abraçou novamente e me levou até a cozinha.
— Está com fome, não é? Vou preparar algo gostoso para você comer.
Sentei-me à mesa e observei ela se mexer entre as panelas.
— Como estão todos na Ordem da Fênix?
— Querido, estão tempos difíceis, não há como negar. Estamos todos sobrevivendo como podemos.
— As coisas não estão fáceis, não é mesmo?
— Não, de forma alguma.
— E o senhor Weasley, como ele está no Ministério?
— Um caos... o Ministério inteiro está um caos. Arthur tem sido muito corajoso. Mundungus pediu demissão logo depois que vocês invadiram o lugar... uma loucura, na minha opinião. Mas já falei tudo o que podia, principalmente para o Rony e a Gina.
Sorri em silêncio, imaginando a bronca que os dois devem ter levado.
— Li no Profeta Diário que Mundungus realmente saiu de lá.
— Ainda lê esse jornal, é?
— É a única forma que tenho de saber o que está acontecendo por aqui, senhora Weasley.
— Entendo, querido. Tome, aqui está a sopa de ervilha e um pouco de pão. Coma tudo.
Peguei o prato e me servi; como sempre, estava delicioso. Depois de comer dois pratos, levantei-me para lavar a louça.
— Nada disso, rapaz! Suba já para o quarto que era do Fred e do Jorge; suas coisas já estão todas arrumadas lá.
— E onde estão eles?
— Aqueles dois malucos... foram morar em cima da loja de truques que abriram no Beco Diagonal, sem nem mesmo me pedir permissão.
— E o negócio está dando certo?
— Pelo que ouço dizer, sim. O Rony e a Mione já falaram com você sobre isso? Amanhã eles contam tudo. Agora, suba e descanse; tenho certeza de que está exausto.
— Como estão o Rony, a Mione e a Gina? Dumbledore me disse que a Mione já está aqui.
— Sim, ela chegou ontem à tarde. Os três estão bem e estavam muito ansiosos para vê-lo.
Não entendi por que perguntei da Gina. O fato é que passamos muito tempo juntos no ano passado, e desenvolvi um carinho muito forte pela caçula dos Weasley. Só de pensar nela, meu coração começou a bater mais rápido, sem que eu soubesse o porquê. Subi as escadas e fui até o quarto, onde minhas coisas já estavam arrumadas. Vi que a gaiola da Edwiges estava aberta; alguém estava cuidando dela — com certeza não foi o Rony.
Escolhi uma das camas, vesti o pijama e me deitei. Minha cicatriz começou a arder, e eu sabia que isso nunca era um bom sinal. Foi com esse pensamento que acabei dormindo.
Acordei com um peso em cima de mim. Não sabia o que era, e também não estava muito consciente, pois minha cicatriz doía muito mais do que quando fui dormir. Sabia, com certeza, que Voldemort estava planejando algo, mas eu queria esquecer tudo isso e ser apenas eu, aproveitando o resto das minhas férias. Coloquei os óculos e vi que era o Rony, em cima da cama, me olhando.
— E aí, cara! Mamãe me contou que você chegou ontem à noite. Como está?
— Melhor agora que minhas férias finalmente começaram.
Virei-me para o lado e vi Hermione entrando no quarto com um sorriso lindo. Ela veio até mim e me deu um abraço apertado.
— Oi, Harry! Como você está? Quando chegou?
— Ontem à noite. E você, quando resolveu aparecer por aqui?
— Faz dois dias. Meus pais não queriam me deixar vir; mesmo sendo trouxas, eles percebem que algo muito errado está acontecendo.
— É mesmo, cara. Minha mãe também pirou semana passada, disse que eu e a Gina não temos motivo nenhum para voltar a Hogwarts.
— Que loucura! Enquanto Dumbledore estiver lá, nada vai nos acontecer.
— É aí que está o problema... ninguém sabe até quando ele vai ficar.
Nesse momento, Gina entrou no quarto, segurando uma bandeja com quatro copos de suco de abóbora e alguns biscoitos.
— Mamãe está lá fora com a Fleur, então resolvi trazer algo para vocês comerem. Posso participar da conversa?
— Claro que pode, Gina — respondi rápido.
— Não, não pode — resmungou Rony.
— Rony! — ela o repreendeu.
— Você pode se juntar a nós, sim, Gina, sempre que quiser — completei.
Meu coração disparou de novo, e eu não fazia ideia do porquê.
— Mamãe me contou que você saiu com o diretor ontem — disse ela.
— É, fomos até a casa do professor Horácio. Acho que ele vai ser nosso novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas.
— Que bom! Já estava ficando preocupada, pois ainda não tínhamos ninguém para essa matéria.
— Você está começando a falar igual à Hermione, hein, Gina? — brincou Rony.
— E ela está seguindo um bom caminho, sim — eu disse, sorrindo.
Harry não entendia, mas sentia algo diferente perto de Gina: era como se um calor suave invadisse todo o meu corpo, meu coração batia forte e eu ficava sorrindo feito um bobo para ela. Da última vez que me senti assim foi com a Cho Chang, e eu achava que era amor — mas não durou muito. Tão perdido nesses pensamentos, nem percebi que eles começaram a discutir algo entre si.
— Diz alguma coisa, Harry! — chamou Rony.
— Desculpa, Rony... dizer o quê? — respondi, confuso. — Sinto muito, mas não estava prestando atenção na conversa de vocês.
— Não liga para ele, não — disse Hermione. — Ele só está sendo idiota de novo.
— Não sou idiota! — defendeu-se Rony. — Só estou tentando proteger a minha irmã de fofocas. Olha só, Gina: você já namorou dois caras em um ano, e posso garantir que não gostei de nenhum dos dois.
— E eu estou pouco me lixando para o que você pensa, Rony! — respondeu ela, irritada. Depois, virou-se para mim: — Harry, me ajuda aqui. Você é meu amigo também, tenho certeza que quer a minha felicidade.
Gina me olhou com tanta intensidade que parecia querer me matar, e eu também me sentia assim: não queria de jeito nenhum me meter na briga, mas, no fundo, concordava com Rony. Não sabia por que, mas também não queria ver Gina com ninguém — e uma sensação estranha, como uma fúria contida, cresceu dentro de mim.
— Rony, você não tem o direito de tratá-la como criança — disse ela. — É da minha vida que estamos falando. Bom, já vou indo, desço lá para fora.
Eu não queria que ela fosse embora.
— Gina, espera!
— Deixa pra lá, Harry. Sei que você ia ficar do lado do seu melhor amigo mesmo.
— Me desculpa, mas eu também sou seu amigo, e quero sim a sua felicidade. E eu realmente não estava prestando atenção na briga.
— O Rony só não gosta de vê-la com o Dino Thomas — explicou Hermione. — Ele acha que ela está mudando de namorado muito rápido: primeiro foi o Miguel, e logo depois apareceu aos beijos com esse idiota do Dino.
— Bom, Rony, acho que a Gina já tem idade suficiente para fazer suas próprias escolhas — falei, tentando acalmar as coisas. — Não podemos ficar interferindo na vida dela.
— Vou descer mesmo, então. Mamãe já deve ter voltado e precisa de ajuda — disse ela, com a voz baixa.
Vi tristeza nos seus olhos, e me senti mal. Eu não queria que ela saísse, nem que estivesse namorando ninguém. Concordava com Rony, sim, mas o motivo era outro: eu não queria vê-la com ninguém, a não ser... comigo. Balancei a cabeça, tentando afastar esse pensamento. Como assim, comigo? Mas só de imaginar, senti uma alegria que não fazia sentido. Claro que não podia falar nada, senão ela ia me odiar para sempre.
— Boa resposta — disse Hermione, sorrindo para mim.
— Gina, espera! — gritou Rony. — Eu só queria que você encontrasse alguém melhor do que esses caras.
— E você quer que eu espere até quando, Rony? — ela respondeu, e os dois trocaram um olhar que eu não entendi.
— Não vale a pena discutir — disse ela, por fim. — Com licença, vou ajudar minha mãe.
— Espera, Gina, eu vou com você — falei. — Não liga para o que o seu irmão diz; às vezes ele é muito cego.
— Acho que todos os homens são cegos, sim — resmungou ela, enquanto saía.
Eu queria muito que ela ficasse ali. Mesmo discutindo, sua presença me trazia uma paz que eu não conhecia. Quando ela saiu, Rony me olhou de um jeito estranho, como se estivesse guardando algo para dizer. E logo ele falou tudo:
— Não acredito que você não ficou do meu lado!
— Você viu a cara dela? Parecia a sua mãe quando está brava. Não podia te defender, mas, cá entre nós, concordo com tudo o que você disse.
— Harry, minha irmã está se enganando muito. Sei que vou me odiar por dizer isso, mas tenho que te contar uma coisa.
— Então fala logo. E por que você acha que ela está se enganando?
— Porque ela não gosta do Dino. Ela gosta de outra pessoa.
Uma dor forte no peito me fez olhar diretamente para Rony. Eu não queria acreditar: não queria que ela gostasse de ninguém. Será que isso era só proteção, por ela ser irmã do meu melhor amigo e eu a ver como uma irmã? Ou seria ciúmes de verdade? De qualquer forma, eu precisava saber quem era.
— E de quem ela gosta?
— Escuta, vou te contar porque sei que ela está errada em ficar com outros caras. Não sei se gosto da ideia, mas...
— Você sempre foi ciumento com ela, Rony.
— Sempre serei, sim. Mas quero que ela seja feliz, embora odeie a ideia de ver ela com qualquer cara.
Acredite, amigo, eu também odeio essa ideia, pensei comigo mesmo.
— Então fala logo, quem é o cara?
— Você.
— Como é?
Senti como se um choque forte tivesse passado por todo o meu corpo. Era exatamente o que eu queria ouvir, mas não conseguia acreditar que era verdade — e muito menos que eu estava gostando tanto da notícia.
— Você é cego, ou o quê? — continuou ele. — A Gina é apaixonada por você desde a primeira vez que veio aqui para a Toca.
— Como assim? Ela nunca me disse nada!
— Claro que não! Ela é tímida, tem vergonha, e nunca ia ter coragem de falar. Ficou arrasada quando te viu beijando a Cho Chang, ano passado.
— Ela viu aquilo?
— Sim. Depois disso, decidiu... sei lá, disseram a ela para tentar se aproximar de outros garotos e ser ela mesma ao seu lado.
— E você tem certeza absoluta disso?
— Total. Harry, minha irmã está se enganando ao ficar com outros caras. Talvez você não sinta nada por ela, mas tinha o direito de saber o que se passa no coração da caçula dos Weasley. Não que eu goste da ideia de vocês dois juntos, mas odeio muito mais ver ela com o Dino.
— Por que eu nunca percebi nada antes?
— Talvez porque você estava ocupado demais salvando o mundo bruxo... ou interessado na Cho.
— Ou porque ela se escondia de você — completou Hermione. — Muitas vezes eu aconselhei ela a parar de se esconder, a se aproximar de outras pessoas, até que um dia ela mesma percebesse isso.
— Por favor, Mione, não conta para ela que eu contei tudo ao Harry — pediu Rony. — Mas ele precisava saber.
— Não concordo com isso, Rony — disse ela. — Quem tinha que descobrir sozinho era o Harry.
— Então é verdade, ela gosta de mim? — perguntei, olhando para ela.
— Não quero trair a minha amiga, Harry...
— Pelo seu tom de voz, é verdade, não é mesmo, Hermione?
— Eu já falei para ela várias vezes: pare de se esconder, se envolva com outras pessoas, um dia ele vai perceber.
— Então você é uma das responsáveis por ela tentar se envolver com outros garotos?
— Sou, sim. Mas não adiantou muito, sabe? Porque o primeiro cara com quem ela se envolveu parecia muito com você.
— Como é?
— O Miguel... lembra dele? Os olhos são verdes como os seus, e ela se aproximou dele por causa disso. Ela tentava encontrar você em outros meninos, mas, como sempre, você não percebeu nada.
— Não mesmo... Mas pelo menos agora eu sei. Nunca imaginei que ela gostasse de mim desse jeito.
Sorri para os meus amigos, especialmente para Hermione. Eu estava feliz, e sentia um calor no peito que nunca tinha sentido antes.
— Bom, vou descer comer alguma coisa, porque o que a Gina trouxe não deu para matar a fome — disse Rony, levantando-se.
Sorri ao ver a careta que Hermione fez para ele.
— Você está bem, Harry? — perguntou ela, quando ficamos sozinhos.
— Estou sim. Só tentando entender tudo isso.
— Não era bem assim que eu imaginava a sua reação quando descobrisse que a Gina gosta de você.
— E como você achava que eu ia reagir?
— Bom, pensei que você ia dizer que era uma loucura, que nunca poderia dar certo, que ela é irmã do seu melhor amigo e que você só a via como uma menina... aquela que você salvou na Câmara dos Segredos, e não como a mulher maravilhosa que ela está se tornando.
Sorri para ela; ela me conhecia melhor do que eu mesmo.
— É verdade, ela é irmã do meu melhor amigo. Mas eu não a vejo mais como uma menina, nem como a garotinha que eu salvei na Câmara. Eu a vejo como uma mulher linda... uma mulher maravilhosa, como você disse.
Hermione me olhou, sem acreditar nas minhas palavras. Ou talvez fosse o meu sorriso, que devia estar muito bobo.
— Harry, que sorriso idiota é esse?
— Mione, me escuta... não me mata, mas posso te contar um segredo?
— Claro que pode.
— Não sei bem o que estou sentindo. É como se a minha consciência me dissesse tudo o que você acabou de falar, mas tem algo dentro de mim que está brilhando de felicidade só por saber que ela gosta de mim.
— Você está brincando comigo, não está? Por favor, não a machuque nunca.
— Jamais faria isso, Mione. Mas é sério: estou muito contente em saber que ela sente algo por mim.
— Harry... você está gostando dela, não é?
— Sempre gostei da Gina. Mas, desde o ano passado, passei a vê-la de um jeito diferente.
— Porque ela finalmente te mostrou quem ela é de verdade, e parou de se esconder dentro do quarto toda vez que você chegava.
— Lembra da Páscoa? Eu fui muito rude com ela, mas mesmo assim, com toda a sua doçura, ela só me deu conselhos bons. Tudo o que ela queria era me ver bem, mesmo quando eu não aceitava a ajuda dela.
— Ela me contou que tiveram uma conversa na biblioteca, também.
— Sim, ela me levou chocolate.
Olhei para Hermione e comecei a sorrir, com certeza com uma cara muito boba, porque ela passou a mão nos meus cabelos e sorriu também.
— Eu não acredito que estou vendo tudo isso acontecer.
— Por favor, não conta para ninguém... nem para o Rony. Acho que isso tem que ser eu a dizer, se eu quiser continuar vivo.
— Não deixe o Rony te intimidar, Harry. Se realmente sente algo por ela, lute por ela.
— Mas ela está namorando agora...
— E você vai deixar isso te parar?
— Não. Mas preciso entender direito o que eu sinto antes de fazer qualquer coisa. Não quero machucá-la de jeito nenhum; nunca me perdoaria se ela sofresse por minha causa.
— É só isso que eu te peço: cuidado com ela.
— Mione! Harry!
Olhamos para a porta e vimos Gina parada lá, ofegante, como se tivesse corrido muito.
— O que foi, Gina? Aconteceu alguma coisa?
— É... mamãe está lá embaixo, quase tendo um infarto! Chegaram as cartas de Hogwarts, com as notas dos N.O.M.s. O Rony está tremendo de medo, e ela está tentando acalmá-lo. Tenho certeza de que vocês também querem ver os resultados de vocês.
— Pelo amor de Merlin! Vamos, Harry! — disse Hermione, já se levantando.
— Podem ir na frente — falei. — Eu só vou arrumar a cama e já desço.
— Pode ir, Harry, eu arrumo isso aqui — disse Gina, se aproximando.
— Obrigado, Gina.
Eu tive uma vontade enorme de beijar a sua boca, mas me segurei e beijei apenas o seu rosto. Vi quando ela ficou toda vermelha, e saí correndo do quarto, mas não sem antes sorrir para Hermione, que ainda estava lá. Ela me olhou, revirou os olhos e sorriu de volta.
Sim, eu sentia algo muito especial por Gina, e não podia mais negar isso para ninguém. Agora, só precisava entender direito o que era esse sentimento, e, acima de tudo, nunca deixá-la sofrer por minha causa.
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