Descoberta Fatal
1 Capítulo 1
Sou Giulia. Quando tudo aconteceu, tinha 17 anos. Ruiva, olhos claros e curiosos. Baixinha e atenta. Minha visão de família era bem rígida. Sim! A minha era aprovada. Éramos uma família perfeita. Lá em casa não havia tempo ruim. Minha mãe chama-se Eulália e papai chama-se Robson. Minha irmã mais nova é a Tess. Felicidade era conosco.
Minha única dúvida era quanto ao trabalho de meu pai. Minha mãe era dona de casa mas era formada em arquitetura, uma ótima arquiteta. Havia dado um tempo, logo após o nascimento de Tess. Mas meu pai... Fazia muito mistério sobre a profissão. Sentada na confortável sala, mobiliada com muito bom gosto e requinte, indagações surgiram em minha mente. Sempre fui curiosa, mas esta dúvida cruel me despertara algo mais... medo. Uma brisa leve soprou em meus ouvidos, olhei para a janela e lá estava ele. U Saiu de um luxuoso carro preto. Modelo do ano e muito caro. Sempre fui fascinada por carros. Meu namorado que o diria. Em dois meses o fiz trocar de automóvel seis vezes. No banco traseiro do A4, um homem carrancudo e de expressão de dar medo. Meu pai entrou em casa nervoso. Olhos fulminantes, suando frio e muito irado. Nesses dias ninguém ousava contraria-lo nem fazer pergunta alguma. Supostamente trabalhava em uma multinacional. Que multinacional? Resolvi ousar. Perguntei quem era aquele homem, com a desculpa de que havia me fascinado por seu carro. Papai olhou-me com olhos furiosos e disse que já fazia o bastante botando comida dentro de casa e nos dando luxo com tanto trabalho. Aquilo me magoou profundamente. Subi as escadas correndo e tranquei-me no quarto. Deitada na macia cama box, chorei compulsivamente. Meu pai nunca havia sequer alterado seu tom de voz comigo, nem com ninguém. Agora mais do que nunca, iria descobrir seu segredo.
Depois de passar a tarde inteira trancada no quarto, resolvi descer para o jantar. Mamãe percebeu meu rosto avermelhado e meus olhos inchados de tanto chorar. De cara assustou-se. Papai se explicou e me pediu desculpas, alegando problemas na EMPRESA. É claro que aceitei né, ele é meu PAI. Porém meu intimo queria a verdade... Somente a verdade.
Eram 23:48, a casa estava em penumbra e silêncio absoluto. Ouvi ruídos vindos das escadas. Porque aquele degrau insistia em rangir? Botei as pantufas e lentamente saí. Pude sentir o frio da madrugada, sinal de que a porta dos fundos estava aberta. Desci as escadas pé por pé, tomando cuidado extra com AQUELE degrau. Observei dois vultos passando pela janela. Concerteza um deles era meu pai. Os segui cautelosamente, afinal, não podia ser vista. Estava trêmula, meu coração batia descompassado e eu tinha muito medo. Ouvi a conversa toda. Não queria acreditar no que meus ouvidos recebiam como som. Papai! Meu pai! Um narcotraficante e assassino de aluguel. Aquilo era tremendamente horripilante. Chorava baixinho e entre soluços e lágrimas me deixei cair na grama. Havia sido descoberta. O homem que acompanha meu... Acompanhava Robson, eu não tinha mais pai. Aquele ser horrivel que era chamado de Facão veio sorrateiramente e...
Descarregou seu revolver, disparou quatro tiros a queima roupa.
Afinal, testemunhas não sobrevivem para contar a história.
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