Descendência - volume um - Alice
2 Capítulo dois: A armadinha para andantes
Capítulo dois: A armadinha para andantes
Depois que saí do hospital, mamãe achou por bem mandar-me o mais rápido possível para a universidade, para que eu me afastasse daquela loucura.
Obviamente, ela estava triste com a morte de vovó, mas isso foi a melhor coisa que nos aconteceu financeiramente falando. A verdade é que a velha tinha cerca de cem mil dólares guardados em uma conta poupança (nessa época era muito dinheiro), isso sem falar, das quatro casas de aluguel que geravam mais de dois mil dólares de receita mensal, fora a casa que morávamos (que sem duvida era a menor). Não é mais segredo para vocês que eu a detestava, esse ódio só se intensificou quando descobri do dinheiro (porque ela regulava desde energia à alimentação quando tinha condições de viver bem), mas, claro, a possibilidade de não precisar dividir quarto com algum estranho, podendo ir morar em um loft no centro da cidade apaziguava meu coração.
Tinha pouca mobília no meu novo lar, uma cama de solteiro, uma escrivaninha, uma estante de livros ainda vazia, um guarda-roupa pequeno e uma geladeira que continha só água e algumas frutas, um homem solteiro podia viver muito bem ali, pena que eu não poderia apreciar o lugar, já que eu precisava estudar muito para obter bons resultados, assim manteria a boa vida por mais algum tempo (pelo menos assim o pensava).
Embora eu pudesse pedir quanto dinheiro quisesse para minha mãe, tinha que enviar as notas fiscais para ela fazer o controle, e isso não me agradava, pois como o típico jovem universitário católico, chato, conservador e falso moralista, eu queria, transar com várias garotas diferentes, beber e me drogar como os outros estudantes, e sabe essas atividades que não davam notas fiscais. Então fui atrás de um emprego, acrescentando outra tarefa a minha vida estudantil e, por acaso do destino, me encaixei perfeitamente numa vaga de garçom em um bar próximo a faculdade para trabalhar três vezes na semana.
Quando as aulas começaram percebi que ali não tinha espaço para gente como eu... A minha turma era muito animada e divertida, se entrosaram automaticamente, inclusive com os professores. Na época também atribui a culpa aos meus colegas por não serem compreensivos e não me introduzirem nas conversas, hoje, pensando direito, não se consegue estender conversa com pessoa que respondem monossilábicamente...
Perante evidente fracasso social fui atrás de outros grupos estudantis, eis o problema, para fazer parte de um grupo, tinha de ser bom em algo, e eu não sou bom em nada até hoje, e enquanto estava vivo era do tipo facilmente ignorado pelo mundo.
Durante o almoço andei a esmo pelo campus, os alunos espalhados pelo gramado, aproveitando a sombra das árvores enquanto riam e brincavam, deixava tudo mais depressivo para mim e, de repente, na minha cabeça narcisista, todos estavam me encarando, alguns até riam de mim, quando na verdade ninguém sequer notava a minha presença. Acelerei o passo em busca de um lugar totalmente vazio, realmente o encontrei, após alguns minutos, era o local mais arborizado dos terrenos da universidade, havia poucos bancos por ali, provavelmente iam construir mais prédios.
Joguei minha mochila no chão e deitei no banco mais próximo, decidido a não assistir as outras aulas do dia e sem vontade de voltar para casa, resolvi ficar por ali mesmo até a hora do trabalho, que era outra coisa incomoda, porque só arrumei aquele emprego para custear uma vida social que agora era óbvio que eu não teria.
Devo ter cochilado uns cinco ou seis minutos, não mais que isso, mas foi tempo suficiente para o céu ficar cinza, os primeiros pingos daquela chuva terrível me acordaram, levantei jogando a mochila nas costas, infelizmente eu estava muito longe dos prédios do campus, de forma que me restaram as árvores de abrigo (esse é o momento que o leitor se pergunta como a minha ignorância não havia me matado ainda, não se escondam de baixo de árvores durante uma tempestade, muito pelo contrário fiquem longe delas) da chuva, que agora se intensificava, corri na direção da árvore mais próxima, quando um raio riscou o céu e a atingiu em cheio com um estrondo, lembro que fiquei branco como cera, as árvores seguintes foram atingidas por correntes elétricas quase que sucessivamente explodindo troncos galhos e folhas. Estar desprotegido em uma chuva elétrica era muito azar para uma pessoa só.
Ao longe eu vi a cruz da capela, que eu não tinha certeza se estava ali antes, era o único lugar que ofereceria abrigo, disparei em sua direção, escutando as explosões atrás de mim seguidas de lascas de madeira me acertando de raspão, a chuva forte deixava minha visão turva e congelava meus ossos, posso dizer que experimentei o desespero daqueles que estão face a face com a cadeira elétrica.
Pulei para dentro da capela quando o ultimo raio que vi antes de fechar as portas do lugar acertou o chão no lugar em que eu estivera a um segundo queimando a grama, aquele definitivamente me acertaria. O alivio momentâneo foi ótimo, acho que já mencionei antes, eu me sinto seguro só de resolver um problema, de forma que eu poderia muito bem pular em um lago de piranhas para escapar de um enxame de abelhas. Cansado, tremulo, com suor e água de chuva se misturando, porém seguro desabei no piso polido do local, tranquilo na toca do leão...
Após alguns instantes tentando acalmar minha respiração, resolvi que os bancos da capela eram mais confortáveis que o chão gelado, quando levantei e virei para o altar me deparei com um homem, não só um homem, um homem belo, o homem mais belo em que coloquei meus infelizes olhos, algo dentro de mim se mexeu, aquilo que só mexia quando estava com mamãe. Ele fitava-me cauteloso, com lábios róseos curvados em um sorriso sem emoção.
— Ora ora ora, o que temos aqui? — sua voz era suave, como o de uma criança, lentamente foi cobrindo a distancia que nos separava, permitindo-me mais visões de seu rosto pálido e corpo esbelto. Hipnotizado por seu semblante, não conseguia me mover, mesmo que meu subconsciente brandasse "PERIGO". — Quem é você?
Estremeci, a minha cabeça não só projetou meu nome escrito em letras garrafais, como também passou diversas cenas da minha infância e adolescência, mas as palavras em si morriam na minha garganta, o magnifico estranho intimidante aproximava-se vagarosamente, pesando a atmosfera, deixando-me quase sem ar.
— Thomas Jhonson Pince... — ele pronunciou analisando-me o rosto — Dezenove anos, covarde, incestuoso, presunçoso e... — ele abaixou e tocou meu rosto — amaldiçoado... — seus olhos negros pareciam desapontados — Por que meu pai deixa esses seres desprezíveis aqui, manchando sua tão amada criação? — me pegou pelos ombros e me levantou sem esforço — Pobre Thom, apesar das alegrias que virão, não pode mensurar a lástima que será sua vida, nem o beijo de proteção o defenderá para sempre daquela mulher, porque ela quer a sua alma podre. Meu irmão odiará isso... Venha, serei piedoso, e devolverei sua alma para o inferno, para ser purificada e devolvida aos céus, antes que seu sofrimento comece...
Ele me segurava gentilmente pelo pescoço agora, não doía, eu estava em paz, paz essa que só aumentava conforme o ar começava a me faltar, era uma sensação muito parecida com aquela que senti na casa dos Burdwell. O mundo era bom e quente...
Aquela foi a primeira vez que senti amor, sim, amor... (posso me orgulhar em afirmar que fui um dos poucos homens que já sentiu esse sentimento puro), esse sentimento recém-descoberto me deixava calmo e um pouco sonolento, o lugar foi escurecendo gradativamente, os bancos da capela, dando lugar as memórias mais felizes, memórias que nem eu sabia que tinha: a primeira vez que mamãe me pegou no colo, a primeira vez que consegui ficar em pé sozinho, os livros e bancos que amontoei para conseguir alcançar o pote de biscoitos que estava em cima do armário, minha primeira bicicleta, os domingos em família, a primeira vez que explorei meu corpo, a primeira vez que tive uma relação sexual e, por algum motivo, o dia em que a pequena Alice roçou seus lábios nos meus...
ALICE...
A sensação de ser sufocado é horrível, acreditem, mas o pior é perceber que você está à beira da morte e sorri como um idiota, os olhos do meu provável assassino faiscaram quando notaram que não estava mais sobre o efeito daquele tupor estranho que ele causava em mim.
— Está lutando contra mim, Pince? — vociferou enquanto estreitava seus dedos em torno da minha garganta.
Eu sabia que eu ia morrer, tinha essa certeza no fundo do meu ser, mas não queria morrer com o bom covarde que fui a vida toda, me debati com força, segurei seus braços, tentando me soltar, seus dedos apertavam-se cada vez mais, não havia jeito, mais dois segundo e eu morreria asfixiado.
Então minha garganta foi liberada e eu tombei, puxando o ar desesperadamente, ainda com os sentidos se esvaindo. O homem estava lá, me encarando tristemente agora.
— Você é um humano miserável, Thom... — foi a ultima coisa que me disse, antes de projetar suas longas asas e eu desmaiar...
Dois grandes olhos cor de avelã (adoro olhos dessa cor) me encaravam com preocupação
— Ei, garoto? — sua voz aflita terminou de me despertar, sentei-me muito ereto, olhando para os lados, atrás de longas asas brancas, mas só encontrei os mesmos bancos gastos e antigos da capela.
A partir daqui vou discorrer mais rapidamente, pela minha vida universitária, pois dela os eventos só valiam a pena ser contados até o dia que conheci aquela garota.
Jessy me encontrou estirado no assoalho de madeira. Ensopado, depois que acordei, me ajudou a levantar, conversamos durante o tempo que levei para me trocar (eu trazia algumas roupas na mochila, para o caso de me distrair com os novos amigos que eu faria e precisasse sair correndo para o trabalho) no pequeno banheiro do lugar e agradecer a preocupação comigo, na verdade, teria sido muito menos cortês se não a tivesse achado bonita. E minha cena com um homem alado, estupidamente belo e assustador? Na minha cabeça cética foi reduzido a um pesadelo de um garoto desesperado e mentalmente exausto.
Jessica Jones tinha aulas de história e matemática financeira comigo, e aparentemente tinha os mesmos problemas de socialização que eu, embora fosse uma moça muito doce e sociável, ela era uma carola, de forma que não tinha outra escolha a não ser sentar-se, alegremente, do meu lado durante as aulas que fazíamos juntos.
A principio conversávamos sobre a matéria (eu só um cara que ela achou caído no chão da única capela da universidade), mas aos poucos começamos a nos dar bem, conversando nos intervalos e estudando juntos. Tornamo-nos um casal quando abracei novamente a religião que passei anos desgostando.
Fui seu primeiro namorado e ela foi a minha, ela me apresentou aos seus pais e, nas férias, lhe apresentei minha mãe, saiamos juntos, íamos à igreja juntos, até trabalhávamos no mesmo antro de pecadores e tudo isso da forma mais casca que vocês possam imaginar (É SÉRIO).
No inverno de 1984, após três longos e felizes anos de namoro eu a pedi em casamento. Pouco faltava para a formatura, eu estagiava, meu loft de solteiro a muito fora substituído por um pequeno apartamento, com um quarto extra para o filho que pretendíamos ter um dia, quem sabe.
Não sei se posso dizer que fui o melhor aluno da sala, mas fiquei próximo e fiz alguns amigos, me formei, consegui um emprego como professor de matemática em uma escola local.
Jessy estava estranha fazia semanas, nem sequer tocava-me, segundo ela para evitar a tentação, e, embora essa informação me inflasse o ego, sentia falta de segurar sua mão e de lhe roubar beijos rápidos. Quando me chamou para conversar, tinha uma expressão tão agoniada que eu, o imbecil, queria só ajudá-la... Tudo bem, tudo bem, estou me demorando demais por aqui, sintetizando, ela me traiu... Não uma vez ou duas, mas diversas vezes, com vários caras em períodos curtos de tempo, dormiu com mais da metade da universidade.
Aquela confissão quase fez minha cabeça explodir, mas não só isso... Ela também estava GRÁVIDA, (desculpe-me o excesso, mas indo me irrito de lembrar quantas vezes respeitei sua "virgindade") pior, ela não tinha ideia de quem fosse o pai! Fiquei com nojo, lembro que faltou pouco para que sucumbisse ao desejo de esbofeteá-la. Que homem inteligente eu teria sido se a tivesse sucumbido a esse ímpeto...
Se parece ruim minha noiva me confessar algo assim, pense no motivo pelo o qual ela não ter me deixado antes... Jessica não trabalhava, fora criada em um regime patriarcal (agora uma observação preconceituosa e totalmente aleatória que deve ter passado na cabeça da maior parte dos senhores: ter uma educação altamente machista não a impediu de ser uma vadia), os pais jamais aceitariam em casa uma mãe solteira, colocariam-na para fora e ela e seu filho morreriam de fome. Quando se ajoelhou implorando-me que casasse com ela fiquei tentando a chutá-la, mas algo pior veio-me a mente.
Se soubesse das coisas que sei hoje, eu a teria levado até a casa dos pais e contado sobre suas atitudes (me sentiria vingado pela boa surra que o velho Jones lhe aplicaria), ido embora, sofrido como um bom idiota e superado, mas não, eu fui fraco, quis me vingar, quis que ela entendesse que tipo de ser humano ela era, quando na verdade eu lhe proporcionei a redenção...
Casamos na data marcada no inicio do noivado, em uma cerimônia familiar, onde conheci meu novo padrasto que era muito parecido com o anterior, outro bêbado vagabundo. Tive o cuidado de não demonstrar o que estava sentindo para Jessica nas semanas que antecederam o casamento, deixando claro que ela deveria ser uma boa submissa.
Nt: Isso não é um romance erótico, se é esse o motivo pelo qual você ainda está lendo, PARE IMEDIATAMENTE, porque você não vai gostar do que virá em seguida.
Nossa noite de núpcias seria no pequeno quarto do meu apartamento, carreguei a noiva nos braços depositei-a com cuidado na nossa cama de casal, voltei para a porta e passei a chave, os vizinhos do apartamento de baixo estavam fora e o apartamento de cima estava vazio, não havia jeito de fugir...
Sentei na poltrona de couro no canto do quarto, e encarei minha esposa:
— Qual foi a minha condição Jessica?
— Sobre o que está falando Thom? — Jessy pareceu aturdida.
— Não me chame pelo nome... — vociferei — Qual foi a minha condição para assumir você e esse bastardo que vai nascer Jessica?
Seu rosto endureceu, tentando esconder o medo que eu via crescer em seus olhos.
— Não fale assim do nosso filho, Thomas! — disse na defensiva.
— Será possível você já ter se esquecido sobre o que me prometeu? — disse sondando sua expressão, vi um lampejo perpassar por seus olhos — Não, não esqueceu. Rápido, não temos a noite toda! Qual foi a minha condição Jessica?
— Obediência total... — sussurrou entredentes.
— E você pretende cumprir?
Ela me olhou como se pela primeira vez considerasse a idéia.
— O que você quer, Thom?
— Obediência total, ou podemos parar por aqui e amanhã eu ligo para os seus pais, para avisar que eles vão ser avós. Claro que talvez eu me esqueça de omitir o fato do filho não ser meu... — seus olhos se arregalaram — Diga Jessica, você pretende cumprir?
— Sim, Thom... — estava beirando as lágrimas.
Assenti, andei até mesinha de cabeceira, peguei minha Kodak recém-comprada, e voltei a me sentar confortavelmente da minha poltrona.
— Tire o vestido.
Seu rosto inundou-se de compreensão quando desceu o zíper do vestido de noiva e eu bati a primeira foto, sacudindo o papel para que a imagem aparecesse, depois jogando-a no chão, assim como fiz com as fotos seguintes, até Jessica estar completamente nua.
Quando deixei a câmera de lado, a ultima pessoa por quem minha jovem esposa queria ser tocada era por mim (provavelmente, ela nunca quis ser tocada por mim), escondia a nudez com as mãos, enquanto se encolhia na cama.
Tomar uma mulher a força é a coisa mais terrível e devastadora que um homem pode fazer, mas não vou me fazer de santo, eu gostei... Apreciei cada segundo, apreciei abrir as suas pernas a força e me enfiar lá dentro, apreciei esbofeteá-la, apreciei ouvir seu choro suplicante e principalmente, apreciei ver em seu rosto um aspecto humilhado e infeliz quando tombei para o lado e dormi tranquilamente. Foi a primeira vez de muitas...
Em sociedade agíamos com um casal perfeitamente normal, eu a tratava bem, me fazia de apaixonado e cuidadoso, mas quando ninguém olhava, eu a violava das formas mais humilhantes, nos locais mais impróprios, sempre tirando fotos dos abusos, ignorando-a em casa, fiz com que ela se sentisse apenas um “depósito de esperma”. Eu tratei aquela garota como a pior das vadias, e eu sei que matei algo dentro dela, sei que vou ter a eternidade para remoer o que fiz naqueles três primeiros meses...
É, caro leitor, os abusos duraram apenas três meses, mas não pense você que foi minha sanidade dando sinal de vida, muito pelo contrário, eu ainda desejava torturá-la, mas a barriga que crescia sem parar e as estrias que apareciam na pele que antes fora lisa, me causavam repudia. Quando parei de procurá-la creio que foi um alívio enorme, notei que foi o momento em que mais se apegou ao ser que estava gerando, de certa forma, acho que ela sabia que era por causa dele que eu não a tocava mais, também não se importava, pois jamais fui homem para ela.
Fiquei frustrado pela falta de sexo, era desumano e asqueroso da minha parte? Era, mas como já confessei, eu gostava, então direcionei minhas atenções à “passatempos” mais jovens de corpos mais firmes. É normal adolescentes terem paixões platônicas por professores, principalmente os muito jovens e bonitos (Sim, eu era um homem bonito aos vinte e quatro anos), mas se espera bom senso por parte dos educadores de não estimularem tais sentimentos, bom senso esse, que eu tinha, pouco, porem tinha, até porque não queria perder meu emprego, tinha uma esposa grávida, que embora maltratada, precisava ser sustentada.
Eu tinha alunas lindas e muito despudoradas, era difícil manter a figura de educador e marido dedicado sendo constantemente assediado por elas. Bom, eu não era o único se sentia tentando pelas garotas, o treinador Harold era muito mais velho e menos atraente, porém mais corajoso e descuidado que eu, todas as moças do colégio, sabiam que ele era um grande pervertido.
Seus alvos preferidos eram as moças de baixa renda, jovens entre seus quinze ou dezesseis anos, bonitas e que precisavam desesperadamente de uma figura paterna, o bastardo do Harold representava esse papel muito bem. Ele se aproximava delas questionando sobre os desempenhos pouco satisfatórios durantes as aulas, as escutava (devo admitir, ele tinha um olho clínico para isso, sempre achava a presa certa, sabe? Aquela que não ia dar com a língua nos dentes), as apoiava e quando elas lhes contavam seus segredos mais íntimos, ele as obrigava a tirar fotos eróticas que depois revelava e usava como moeda de troca para conseguir favores sexuais.
Andando pela escola na minha primeira semana encontrei sua sala do tesouro perdido, durante a faculdade descobri a doce felicidade que uma plantinha verde era capaz de proporcionar, mas como eu não tinha lá muitas posses não podia me dar ao luxo de acender um baseado todo dia, então os reservava para ocasiões particularmente estressantes, aquela semana foi uma delas (mentira, a verdade é que eu já estava viciado naquela merda), mas precisava de um lugar reservado. Enquanto os outros professores estavam distraídos com uma conversa sobre os alunos de determinada sala, que não me recordo agora qual era, me retirei da sala imperceptivelmente, fui direto para o ginásio, pois sabia que a professora de história e o treinador fumavam no depósito de equipamento esportivo. Quando me tranquei lá dentro senti o leve odor da erva, inspirei deliciado e tropecei em uma corda no chão, sentei-me analisando a corda notando que era uma alça estreita, puxei-a, um quadrado moderadamente grande que compunha o piso, foi retirada exibindo uma escada de madeira velhíssima, meu choque foi grande quando vi as fotos de Loise (15), Lorena (15), Melissa (16), Perkins (15) e outras tantas garotas dessa faixa de idade em posições escabrosas, que envergonhariam as coelhinhas da Playboy da época.
Qualquer educador decente teria ido imediatamente até a sala da diretora, entregar o tarado, porém qualquer educador decente não estaria portando dois baseados, muito menos estaria excitado com tais imagens. Então fiz o que a essa altura do campeonato vocês já esperam de mim, me masturbei naquela salinha imunda em todos os sentidos, depois subi, devolvendo o piso ao seu lugar, acendi o cigarro de maconha, fumei e deixei as pontas lá mesmo, passei um perfume forte que tinha na mochila, sabendo que não ia disfarçar nada e fui dar uma volta do lado de fora da escola para curtir a onda.
E aquele se tornou meu passatempo preferido, abrir a salinha e apreciar as novidades que Harold fazia questão de acrescentar toda a semana, Mia (15), Joane (14), Lisa (15), na minha segunda semana, Cameron (17), Candece (14), Juddy (16), na terceira semana, Vivian (14), Mila (16), Natalie (13), na quarta semana...
Olha, eu podia ser um grande imbecil, mas crianças era uma nível que eu não queria ultrapassar. Na outra semana fui lá novamente, não tinha três garotas novas como sempre, havia algo diferente... gêmeas, jovens demais para estar na quinta série, nuas, com os braços e tornozelos amarrados, olhos arregalados de horror para o homem que as fitava por de trás da lente.
Quando você age como um monstro por muito tempo, você só se dá conta de que não era um cara tão ruim quando se depara com alguém pior. Subi rapidamente as escadas do alçapão, fechando-o com o quadrado recortado do piso, avançando pela escola, totalmente perturbado, entrei no cubículo solitário do banheiro masculino, peguei o saquinho plástico onde eu escondia as minhas pontas e virei seu conteúdo no vaso. Depois sentei-me no chão frio e imundo daquele lugar, as lágrimas rolavam sem pudor enquanto eu tentava entender a motivação doentia por trás daquelas fotos. O que levava alguém corromper pessoas tão indefesas e tão jovens? Onde estariam suas mães que não viam esses abusos?
Ser arrebatado pela compreensão mais cruel ainda é difícil de relatar: eu era exatamente igual a ele...
Qual é a diferença entre uma moça de quinze anos totalmente negligenciada e uma criança de onze anos?
Curva, somente isso, ambas não conseguiam se defender, ambas estavam com medo e não sabiam como colocar aquilo em palavras, a diferença é que o corpo pouco desenvolvido de crianças não me agradava, então no auge da minha hipocrisia senti-me escandalizado pela erotização de garotas um pouco mais jovens;
Eu era casado, tirei fotos da minha esposa grávida nas posições mais obscenas apenas por vingança e hoje as usava para poder submetê-la as minhas vontades, enquanto tentava me convencer que se ela era minha esposa não era estupro (na verdade, pelas leis da época não era, mas não quer dizer que não era errado).
Você já pode se considerar um porco por saber de uma coisa daquelas e não reportar para uma autoridade imediatamente, agora saber e se masturbar com as imagens te igualava a pessoa que as tirara.
Quando deixei o cubículo sujo após o fim das aulas, eu estava ensopado por um misto de lágrimas e suor. O processo de deixar o próprio corpo é quase e imperceptível, aos poucos você nota que não está no controle, quando você percebe está sentado ao seu lado, não sei explicar de forma mais técnica, J. faria isso melhor que eu, para evitar confusão vou me referir ao meu corpo com Thom, vai parecer que estou sendo um daqueles excêntricos que se referem a si mesmo na terceira pessoa.
Thom entrou no carro e seguiu por um caminho que eu não conhecia (é importante explicar que eu só não entrei em pânico, porque até ai eu estava acreditando que tinha desmaiado no estacionamento do colégio), chegamos em uma casa normal, com uma cerca branca e um gramado bem aparado, ele abriu a porta do carro e saiu decidido em direção a residência, foi a primeira vez que senti minha corrente.
Saindo do meu tórax, grossa dourada e brilhante havia uma corrente dourada que me ligava ao meu corpo, fazendo-me segui-lo. Ele estava parado na janela muito quieto e concentrado, espiei por cima do seu ombro, o Harold estava sentado no sofá da sala jantando enquanto observava as duas garotas das fotos, trêmulas e sentadas no chão, com o olhar mais carnal possível, uma mulher muito parecida com as meninas entrou no recinto e lhe entregou uma garrafa de cerveja, antes de sentar ao lado das filhas no chão como se colocando entre elas e o marido.
Uma sensação ruim me sacudiu, aquela moça sabia dos abusos, então por que não fazia nada para impedir aquela situação? A resposta para aquela pergunta chegou quando o treinador, notando atitude protetora da esposa, arremessou a garrafa de cerveja na mulher, que a acertou no peito.
Thom parecia lívido, atravessou a rua onde havia uma cabine telefônica me arrastando junto por causa da corrente, discou um número que eu desconhecia, falou rapidamente e voltou para o carro muito nervoso. Apesar de eu ter certeza que aquilo era um sonho, acho que não há nada mais estranho do que sentar-se ao lado do seu corpo, principalmente quando vocês desconhece aquela expressão séria que ele tem no rosto.
— Thom, eu sei que isso tudo é pouco crível, mas é real, pare de agir como se as coisas que acontecem com você não fossem reais, se não você vai enlouquecer! — meu corpo estava falando comigo, um azul muito diferente do tom dos meus olhos, fitava-me, “Alice” — Está frágil e suas atitudes estão quebrando a minha proteção, em breve ela vai conseguir pegá-lo... Sua única salvação é ligar sua alma a minha, rápido me dê ela!
Um disparo interrompeu aquele diálogo peculiar, Thom correu para a porta principal, que voou das dobradiças sem que ele a toca-se; a situação da casa era a seguinte, o verme trazia uma espingarda nas mãos, a mulher que julguei ser a mãe das meninas estava com o peito em frangalhos com as garotinhas ao seu lado pálidas e sem saber o que fazer. Enquanto isso meu corpo heroicamente se lançou em um homem com duas vezes o seu tamanho, que derrubou a arma, rolando no chão trocando chutes e pontapés.
Obviamente, apesar da pessoa que estava possuindo meu corpo ser muito mais corajosa que eu, ainda era o meu corpo e eu não tinha a menor aptidão física para lutar com ninguém, então “eu” estava levando a pior quando o barulho das sirenes começou a se aproximar, o treinador estava em cima de mim, me socando com vontade. Não vou negar fiquei com medo de “me ver morrer” (Céus, até para mim é complicado explicar isso), quando a garotinha menor correu para a arma apontou e explodiu a cabeça do marido da mãe...
Hoje pensando como o bom espectador que me tornei, aquela cena não foi a pior que presenciei, mas sem duvida foi a mais marcante.
Os policiais invadiram o lugar, Thom estava desacordado, porém visivelmente vivo, com o corpo do treinador em cima de mim; dois policiais estavam soltando a arma das mãos da menina, enquanto outros dois se ocupavam de remover o corpo do homem de cima de mim.
Agora um fato interessante no mundo das pessoas invisíveis, um Harold translúcido olhava perplexo para os próprios miolos espalhados pelo chão, suas correntes negras haviam quebrado. A segundo vez que o vi ele tinha o peito desnudo, asas abertas, consegui reparar que elas não tinham o mesmo tamanho e agora eram negras, ele arrastava uma foice aparentemente cega, com o passo decidido na direção da alma perplexa, ceifando-a sem a menor cerimônia, a imagem do treinador se desfez convertendo-se em uma bolinha negra, que voou para a mão espalmada que ele apresentava e queimou.
— Olá Thom, como vai? — fitou-me docemente.
A voz sumiu ao vê-lo, aquela desagradável sensação abaixo do ventre me incomodou, só acenei com a mão livre.
— Adoro vê-lo sem palavras... — sorriu com seus dentes brancos e regulares — a pequena Alice não é fascinante? Tão jovem e já consegue invadir corpos humanos habitados. — ele desviou os olhos de mim, atravessou a sala para junto do corpo sem vida da esposa do treinador, com a mão aberta em um gesto parecido ao primeiro, uma bolinha de luz branca saiu do que restou do seu peito pousando nela e se dissolveu. — É muito triste boas almas terem que sofrer para cuidar das podres. Você tem uma bela corrente dourada ai, não é mesmo?
Ele se aproximou me deixando totalmente tenso e tocou a minha corrente, que foi voltando para dentro do meu corpo puxando-me. Olhei para trás, eu não queria deixa-lo.
— Quem é você? — foi só o que consegui pronunciar.
— Me chame de J... — sua atenção foi desviada — Olá Alice, eu estava quase pensando se devia esconder seu corpo, para brincar com você...
Vê-la depois de quatro anos mexeu comigo, seu cabelo cacheado estava na altura dos quadris, tão vermelhos quanto da primeira vez que a vi, devia ter uns treze anos, a ultima coisa que me lembro foi ela virando para acenar para mim, então fui puxado para dentro do meu corpo.
O que dizem sobre o cheiro sangue nunca deixar o corpo é verdade, eu já estava no meu quarto banho e ainda sentia aquele cheiro de ferrugem. Nas horas anteriores fui interrogado, abraçado e tirei fotos de todas as formas, fui promovido de marido negligente e maconheiro à professor herói. Minha mãe ficara sabendo da minha situação e estava a caminho do meu apartamento, Jessy fora me buscar no hospital, quase tivemos que ficar por lá, pois quando viu a situação do meu rosto quase desmaiou.
Entender que aquilo tudo fora real foi desconfortável, mas para alguma coisa aquela situação serviu, eu não era um monstro, não queria ser um monstro, e já sabia como começar a mudar: minha esposa já no oitavo mês de gestação.
Cair de joelhos na frente de Jessica foi mais tranquilizador do que humilhante, aquelas lágrimas eram sinceras e essenciais para que ela encontrasse em seu coração de uma forma de me perdoar e de fato ela o encontrou. Depois fomos a cozinha e queimamos as fotos que tirei dela, recitando novamente nossos votos de casamento (muito bonito, não?). Eu juro que realmente estava disposto a tentar, queria colocar minha vida no eixo e me tornar um homem descente, mas algo sempre dava errado, na última vez foi quando eu a conheci...
Kim era uma garota negra de longos cabelos cacheados, seios fartos e quadril largo, do tipo que todos se olhavam descaradamente, por ser muito bonita. Sua chegada causou uma comoção entre o público masculino e, apesar do corpo docente ainda estar deveras chocado com o recente escândalo, dos professores também, não por ser bonita, mas por ser extremamente inteligente e atenciosa.
Quando se é professor de matemática, você nunca espera ser adorado pelos alunos, mas sempre tem alguém que tem mais facilidade, e como eu disse anteriormente, a garota chamava atenção, principalmente, academicamente, ou seja, em poucas semanas ela se tornou a primeira da sala, tendo um destaque maior na matéria que eu lecionava.
Viciados evitam a droga a todo custo e era assim que eu me sentia com relação àquela garota, ela era atraente e disponível demais para eu me arriscara ficar na mesma sala, mas eu evita-la não significava que ela iria me evitar...
Eu tinha três salas com mais ou menos trinta alunos cada, então em época de provas eu precisava ficar até mais tarde (sim, eu poderia corrigir as provas em casa, mas não gostava de trabalhar depois de sair do colégio, principalmente, porque era o momento que eu tinha para cuidar de Jessy). Naquele dia, eu sai bem depois do horário das aulas, estava decepcionado com o rendimento de um determinada sala e realmente era só nela que eu pensava, quando notei Kim, encostada no meu carro.
— Boa noite, professor Pince! — saudou ficava levemente corada.
— O que faz tão tarde aqui? — perguntei sem lhe olhar nos olhos.
Ela se mexeu inquieta, desencostando do carro.
— Eu precisava conversar com o senhor...
— Lamento, não falo com alunas depois do período de aula. Até amanhã... — entrei no carro, dei ré e sai do estacionamento.
Kenan nasceu dia 16 de novembro de 1985, era um menino bonito, forte e muito saudável, provavelmente foi a melhor coisa que eu já assumira como meu (minha mãe jurou que parecia comigo, então me ocorreu que as pessoas só dissessem isso por hábito, porque não tinha nem a mais vaga semelhança entre nós, o menino parecia muito com a mãe).
Essa foi a ultima temporada feliz da minha vida, eu era pai, marido e professor, tinha uma vida familiar perfeitamente normal, trocava fraldas, acordava durante a noite para acalmar seu choro, o levava para passear, o alimentava, eu amo meu filho (sim, amo ele até hoje, virou um homem e tanto esse garoto).
Enquanto eu me ocupava em ser um bom pai de família, Kimberly se ocupava em transformar minha paz em dor de cabeça, bilhetes inapropriados eram deixados na minha mesa junto com suas provas e trabalhos, ela me seguia durante o intervalo e esperava eu ir embora. A decisão mais inteligente seria comunicar o assédio a direção, mas eu acreditei que se eu a ignorasse ela me esqueceria, eu não podia estar mais enganado.
O aniversário de um ano de Kenan fomos para a casa de mamãe, nós não erámos um casal com muitos amigos, então era uma festa mais para registro, tivemos balões, fitas, brinquedos e um bolo. Estava sendo um dia perfeito, até a hora de abrir os presentes... Meu filho ganhou tantas roupas da avó materna que nós não precisaríamos comprar nada por pelo menos mais um ano, minha mãe comprou diversos brinquedos, o avô materno deu-lhe uma corrente de prata com um crucifixo, era uma tradição familiar, todos os primogênitos ganhavam um ao completarem o primeiro ano.
Havia um último presente sem cartão, havia uma foto da minha família, havia um “x” feito de batom vermelho riscando o rosto de Jessy e do bebê, também havia uma faca dentro da caixa. Minha esposa ficou em pânico, nos livramos daquele pacote e voltamos para casa no mesmo dia, eu sabia quem havia mandado aquele pacote e eu não podia permitir que a vida da minha família fosse ameaçada por uma garota psicótica.
Esse é o momento onde vocês acreditam que eu fui relatar a situação para diretoria, para os pais ou até para a policia, pois muito se enganam, fui até a raiz do problema. Ao fim das aulas sentei-me quietinho dentro da minha sala, já sabia que ela ia me esperar, então fiquei matando o tempo na minha sala até ter certeza que o colégio estava vazio.
Nunca gostei da noite enquanto criança, por motivos fantasiosos, depois de adulto passei a odiar os dias, por me obrigar a uma interação social com gente que não sentia absolutamente nada por mim, andar pelos corredores escuros atrás de uma possível psicopata me perturbava, mas era reconfortante, (sempre lidei muito melhor com gente maluca que não fazia questão de disfarçar seu quadro psicológico).
— Está me procurando, professor? — escutei sua voz estridente atrás de mim.
Virei-me assustado, Kimberly tinha uma expressão totalmente aérea, as roupas molhadas, trazia um taco de basebol nas mãos, andando devagarinho.
— Por que me ignorou por tanto tempo?
— Escuta aqui garota, isso tem que parar! O que você pretendia com toda aquela caixa? — dei um passo para trás, enquanto mantinha minha voz firme.
A garota girou o taco e acetou a parede com força varias vezes enquanto berrava:
— Eu queria ser notada! Só queria ser notada, mas não! — aumentou a intensidade dos golpes — Você tem que ser tão certinho? Não pode só me olhar como todos os outros? — parou ofegante e olhou-me — Então eu resolvi que eu ia ter sua atenção de qualquer jeito, nem que tivesse que acertar a cabeça do seu bebê com esse taco... — ela começou a rir descontroladamente, voltando a andar na minha direção.
Nunca fui um homem corajoso, então fiz o que qualquer um faria eu corri na direção da saída, escutando seus passos lentos atrás de mim (Isso me lembra de dar outra dica: se uma pessoa quer te pegar, mas não muda o ritmo do passo se você correr é porque não tem como você escapar dela, então mude de tática), dei de cara com portas fechadas.
— Sabe, professor gostei que o senhor tenha fugido de mim, tornou a brincadeira mais divertida... — ela estava a cinco metros de mim — Está com medo?
— O que você pretende fazer? — tentei manter a voz firme.
— Simples... — ela riu — O senhor vai pegar o carro, pegar suas coisas na sua casa, vai voltar aqui, me apanhar e vamos viver felizes bem longe daqui, ou eu vou quebrar a sua cabeça... — olhos violetas piscaram para mim.
Não tenho palavras para dizer o quão chocado eu fiquei, mas claro que comigo não podia ser só mais uma garota psicótica normal. Meu corpo foi retirado do chão por uma força invisível e atraído para a garota, parando a cinco centímetros dela, aqueles olhos me assustavam, e me deixavam mole, era como se algo tentasse rastejar para dentro da minha cabeça: “você me ama, não é?”, “eu sou linda, não sou?”, “você ficará feliz em deixa-la, não é mesmo?”.
— Hum... Uma corrente dourada... — disse ela com seus olhos voltando ao tom normal de castanho. — Não sabia que ainda existiam... — ela agarrou meu pescoço e a gravidade me apanhou novamente — Você tem um filho não é mesmo professor? Corrente douradas passam seus dons pelo sangue... — me empurrou contra a parede e lambeu meu rosto — Você me serve muito mais morto do que vivo sabia? Vamos lá, professor, me dá a sua alma?
Antes que eu tivesse chance de assimilar tudo aquilo, Kim foi empurrada para o outro lado do corredor, batendo a cabeça com muita força na parede, seu corpo escorregou para o chão molemente, antes de uma força invisível virar seu pescoço em um ângulo horrível. Uma luzinha lilás saiu de seu peito e explodiu em vários pedacinhos. Almas de feiticeiras não tem proteção, elas ó deixam de existir...
Acordei em um circulo de luz branca, tentei tocar, mas queimei os dedos.
— Finalmente acordou, Thom. Essa foi por pouco... — Alice estava sentada no chão olhando-me com seus olhos azul-celeste, havia compaixão neles. — Você tentou mudar... Mas elas jamais te deixaram em paz...
— Onde eu estou, garota? — eu já sabia que aquela corrente saindo do meu umbigo não podia significar boa coisa.
— Não vou ter tempo para explicar isso agora, ela estará de volta a qualquer momento... — ela olhava a todo instante para as portas de madeira do salão oval. — Quem continuar vivo? Repita!
Então ela enfiou o braço dentro do circulo tocou minha mão:
“A ti juro lealdade, respeito e cuidado
Concedo-lhe minha alma pela sua
Minha vida pela sua
Nos tornemos um em nome clã Burdwell”
Recitei o juramento, minha corrente dourada invadiu seu corpo, explodiu o circulo de luz e daquele momento eu diante tornamo-nos um, minha vida se atrelou a dela e eu morri...
Fale com o autor