Descendentes
37 Capitulo 36
Notas iniciais
Capítulo 36 – Adeus lembranças
P.O.V. Bella
Deixar Edward sozinho logo pela manhã foi algo bem difícil de fazer, mas ainda não era hora de voltarmos, ainda precisava descobrir algumas coisas, e o problema é que eu me sentia sempre como se eu estivesse sem tempo.
As aulas foram chatas, Edward não tentou se aproximar de mim assim que me viu por dois motivos: Primeiro, eu ignorei ele completamente. Segundo, Lucy estava com ele, e por algum motivo eu ficava louca de raiva quando via ela, e a única vontade que eu tinha era de arrancar sua cabeça.
Durantes as aulas Thomas me fez companhia, era uma amizade estranha entre nós dois, mesmo Thomas sendo a cópia fiel de Edward, ele me trazia uma certa paz, algo que não sentia com Edward, não sempre. Thomas me fazia rir, e sempre me lembrava que as coisas podem ser mais fáceis se você quiser.
— Então, esse é o plano para hoje? – Ele perguntou, se sentando junto comigo na hora do almoço – Ficar sozinha?
— É, e você acabou de estragar ele. – Digo.
— Que bom. – Thomas diz e sorri de canto. — Por que não está falando com Edward?
— Porque ele é um idiota.
— E por que você foi ao quarto dele ontem à noite? – Ele pergunta e meus olhos se arregalam, então ele sorri. — Meu quarto é no final do corredor.
— Não faço ideia do que você está falando.
— Faz sim. – Thomas diz, rindo da minha cara. — Vi você saindo hoje pela manhã, eu acordo cedo, cunhadinha.
— Merda. – Digo, puxando ele pela gola da camisa. – Cala a boca e come, e se falar mais alguma coisa sobre esse assunto, eu mato você.
Thomas ri descaradamente da minha cara, e por algum motivo eu acabo rindo junto com ele. Era disso que eu falava, o fato dele deixar o ambiente que estava tenso em um clima agradável de estar.
(...)
Estávamos voltando, indo em direção à praça central quando aconteceu, Apanhadores de Alma invadiram o acampamento, houve algumas explosões, pessoas feriadas, gritaria, Guardas de Elite lutando. Junto comigo e Thomas, estava Rosie e Emmett. Corremos para ajudar, corremos para salvar algumas vidas. Foi quando aconteceu, minha mãe estava ajudando algumas vítimas, quando ela foi atacada por um Apanhador de Alma.
— NÃO! – Meu grito foi tão agudo que poderia ter sido ouvido por todo acampamento, minha mente ficou branca. O corpo dela caiu, meu pai apareceu, ele lutou contra o Apanhador de Alma enquanto eu tentava chegar até ele e mais Apanhadores foram aparecendo no caminho.
Eu não sei o momento que minhas armas foram ativadas, as espadas cortaram cada cabeça de Apanhador de Alma que apareceu em meu caminho, então houve outras explosões e muita fumaça.
— Papai! – Eu gritei, me jogando no chão ao seu lado. – Papai!
— Bella, fique calma. – Ele disse e eu podia jurar que ele estava com medo de mim. — Apenas fique calma.
— A mamãe. – Eu digo, olhando ela em seu braços com os olhos fechados e sangue pelo seu corpo. – Ela está bem, papai? Ela vai ficar bem?
Ele não precisou responder minha pergunta, seu olhar disse tudo, eu não conseguia mais ouvir nada. Um grito de dor rasgou minha garganta então tudo ficou escuro.
(...)
P.O.V. Rosie.
Eu me lembro bem quando aconteceu a primeira vez, Alice estava perto, assim como eu, os olhos de Bella ficaram brancos, completamente brancos, o seu corpo ficou coberto de fogo, impedindo que qualquer pessoa chegasse perto, uma forte ventania se formou e ela quase matou todos à sua volta, essa foi a primeira vez que vi a marca dos deuses ser ativada nela.
Estávamos na enfermaria, eu, Emmett — que me fazia companhia — e Edward que estava enlouquecendo com a falta de notícia. Sei que esse não é o momento para dizer isso, mas eu nunca vou entender o que existem entre esses dois, e quão profunda é a relação deles. Edward quase se matou tentando conter a Bella.
Sim, a marca do deuses foi ativado assim que Bella descobriu que sua querida mãe estava morta, Renée morreu e Bella quase matou todos nós junto. Dessa vez foi diferente, dessa vez ela estava mais poderosa, seu corpo ficou novamente coberto por fogo, a ventania parecia mais um furacão, os cipós estavam saindo da terra incontroláveis, raios e gelo, e em poucas palavras era um verdadeiro pandemônio em um único local, ou em uma única pessoa. O corpo de Bella levitava, todos tentavam chamar sua atenção, trazer ela de volta.
Edward encarou o furacão chamando Bella, em meio a toda energia que ela emergia contra nós, ele conseguiu abraçar ela e roubar um beijo. Trazendo assim ela de volta, mas completamente inconsciente.
Edward teve ferimentos, ele teve algumas partes de seu corpo que foram atingidos pelo fogo, mas nada grave ao ponto de matá-lo ou deixá-lo imobilizado ou deformado.
— Charlie. – Edward chamou assim que ele saiu do quarto. – Como ela está?
— Ainda não sabemos. – Charlie disse, ele estava destruído, sua mulher estava morta. – Ela tem que acordar primeiro, ainda não sabemos quais foram os danos dessa vez.
— O que você quer dizer com isso? – Edward perguntou.
— Sempre que a marca dos deuses é ativada. – Carlisle disse, ele acabava de se juntar a nós. – O portador dela perde algumas lembranças, às vezes são poucas, às vezes são muitas.
— Ela pode esquecer tudo. – Edward diz em choque.
— Não é assim que funciona. – Carlisle diz. — Se essa marca continuar sendo ativada, vai chegar um momento que ela perderá todas as lembranças.
— O que isso quer dizer?
— Que ela não lembrará mais de nada. – Carlisle diz. — Nem mesmo seu nome.
Eu vejo Edward ficar sem fala. Seu corpo escorrega pela parede e então ele fica sentado no chão, com as mãos na cabeça em pleno desespero.
(...)
P.O.V. Edward
Foram duas longas semana, Bella dormindo em um sono profundo, houve momentos em que pensei que ela estava sob feitiço de quase morte e tudo estava me deixando irritado.
— Ela vai ficar bem. – Thomas disse, ele estava com flores nas mãos. – Ela vai lembrar.
— E se ela não lembrar? – Eu pergunto.
Eu sabia que Bella teria que encarar a morte da mãe novamente assim que acordasse, mas o meu medo maior era se ela tivesse me esquecido, e se nossas lembranças tivessem sido apagadas nesse momento de explosão dela. Como fazer ela lembrar de mim novamente?
— Faça ela lembrar. – Thomas disse. — Ou então crie novas lembranças.
(...)
Eu estava vindo para ficar novamente com Bella, quando entrei na enfermaria havia muita movimentação então um grito agudo que eu conhecia bem se fez ser ouvido, e eu corro em direção ao quarto de Bella, lá estava ela abraçada a Charlie chorando muito, muito mesmo.
— É mentira. – Ela soluçou em meio ao choro. – Diz que é mentira, papai, a mamãe não pode ter morrido.
— Bella, querida. – Ele diz, tentando consolar ela.
Me sinto um intruso nesse momento, então me retiro deixando eles dois sozinhos aceitando a dor da perda. Minha única alegria é saber que Bella acordou depois de duas semanas inconsciente.
(...)
— Então ela acordou. – Rosie diz, ela está do meu lado na enfermaria. No banco de espera.
— Sim. – Digo. — Mas ela não recebeu bem a notícia da morte da mãe dela.
— Ninguém recebe uma notícia dessa assim tão bem. – Rosie diz.
Então Charlie sai da enfermaria e me olha, primeiro ele está pálido, depois fica com uma expressão de pena no olhar. Algo havia acontecido.
— Como está Bella? – Eu e Rosie perguntamos juntos.
— Dormindo. – Ele diz e então respira fundo. – Preciso que vocês me ajudem.
— Com o quê? – Rosie pergunta primeiro.
— Bella não lembra de nada. – Charlie diz e meus olhos se arregalaram.
— Mas ela reconheceu você. – Eu digo.
— Eu sou pai dela, Edward, o único que ela reconheceu. – Ele me informa. — Ela nunca esqueceria de mim assim tão fácil.
— E de mim? – Eu pergunto e Rosie toca meu ombro como se estivesse me dando apoio.
— Você. – Ele diz de forma pensativa. — Todas as lembrança dos últimos meses foram apagadas, você foi apagado, assim como todos os últimos acontecimentos. Nada de lembrança. Ela acha que ninguém sabe que ela é um Soldado de Elite nível máximo.
— Como é possível? – Eu pergunto, sentindo meu peito apertar.
— É o preço que ela paga sempre que perde controle.
— As lembrança dela? As nossas lembranças? Você está dizendo que ela não lembrará de mim? – Eu estou gritando em desespero.
— Sinto muito. – Charlie diz.
Então sinto que minhas pernas estão ficando fracas e sinto dor, aquela dor grande em meu peito está ficando maior. Ela não sabe que eu existo, ela não se lembra de mim? Como? Como ela pode simplesmente esquecer o que aconteceu entre nós? O que está acontecendo afinal?
— Eu quero vê-la. – Digo e Charlie me olha de maneira insegura.
— Ela está dormindo. – Ele diz. — E eu acho melhor você ir com calma.
— Eu quero ver a minha namorada. – Eu digo. — Por que não está me deixando ver ela?
— Edward. – A voz do meu pai ecoa atrás de mim. – Acho que está na hora de irmos. – Ele diz e sinto sua mão sobre meu braço. — Charlie, eu sinto muito pela sua perda. Vamos, Edward.
Eu me recuso a andar, então sinto John me empurrar para fora da enfermaria.
— O que pensa que está fazendo? – Ele me questiona. – Você está a ponto de perder o controle!
Então noto que havia alguns riscos no teto da enfermaria, só então me dou conta disso, poderia ter sido eu a fazer isso?
— Eu tenho certeza que Caius fez um ótimo trabalho em lhe treinar. – John diz. — Porém, se sabe conter sua força e seus poderes, acho melhor não perder o controle.
— Sinto muito. – Digo.
— Caius ensinou você a controlar o elemento raio. – Ele diz. – Esse é o elemento mais inseguro que existe para se ter controle, ele reage através das suas emoções e a eletricidade do ambiente pode ser usado. Você não se deu conta porque estava com a mente em outro local.
— Ela não lembra de mim. – Digo e vejo o olhar de compaixão do meu pai.
— Você sabia que isso podia acontecer, esse é preço de quem carrega essa marca. Acho que ela está lidando bem até com isso.
— Ela não lembra de mim, pai. – Eu digo e sinto frustração em minha voz. – Ela simplesmente me esqueceu.
— Acho melhor irmos falar com sua mãe. – John diz. — Talvez ela possa ajudar.
Olho para meu pai, ele parecia falar sério, havia algo no olhar dele que de um certo modo me transmitia paz.
(...)
P.O.V. Lucy
No acampamento todo ninguém falava em mais nada a não ser o fato de que a jovem Swan havia acordado e que havia perdido parte da sua memória. Algo que para mim, era ótimo saber. Eu andei pelos corredores do castelo até chegar nas acomodações de Ana, duas batidas na porta e lá estava ela vestido um lindo vestido preto e um véu cobrindo seu rosto.
— Acho que estou pronta para o funeral. – Ela diz, sorrindo.
— A jovem Swan, perdeu suas lembranças.
— Não. – Ela diz, sorrindo e com o olhar brilhando. — A pequena deusa perdeu as lembranças. Que trágico!
Ana fecha a porta atrás de mim, então gira dando piruetas pelo quarto. Comemorando sua vitória.
— Acho melhor você conter sua alegria. – Digo. – Não sei muita coisa sobre esse acontecimento, pode ser que as lembranças que ela tenha perdido não sejam nada, e se ela ainda lembrar, será pior para você.
— Ela não precisa lembrar de tudo. – Ana diz, pensativa. — Ela só precisa lembrar de uma coisa.
— Que seria?
— Onde está o coração da rainha. – Ana diz e seus olhos brilham.
— Você acredita mesmo que ela saiba onde a rainha escondeu seu coração?
— Querida Lucy, Bella me visitava praticamente todos os dias. – Ana me informa. — Às vezes ela me dá informações gratuitamente, outras vezes ela apenas fazia leve comentários. De todas as pessoas que já conheci Isabella é mais esperta do que muitos possam imagina.
— Então acredita que ela pode saber de fato onde a rainha esconde seu coração.
— Aquela garota deve saber bem mais do que sempre falou. – Ana diz, com uma certa irritação
— Por que ela vinha visitar você? – Eu pergunto, intrigada.
— Bella pode ser uma vaca filha daquela puta, mas ela é esperta e divertida. – Ana diz. – Tinha algo nela que me deixa insegura do que poderia acontecer comigo, mas ela era curiosa, nunca vinha até mim sem saber de algo.
— Está dizendo que gosta dela?
— Lucy, Bella arrancaria minha cabeça, o único motivo dela não ter feito isso é porque assim como ela, eu também sei muitas histórias.
— Vai me contar um dia? – Pergunto.
— Você já sabe o que precisa saber. – Ana me diz. — Agora vai e coloque seu vestido preto, o funeral de Renée Swan, será um grande evento e é possível que Bella Swan esteja lá, é um ótimo jeito de saber se ela lembra de tudo ou não.
— Você sabe que ela vai matar você quando descobrir a verdade. – Eu digo e Ana me olha e sorri.
— Ela matará você, Lucy. – Ela diz. — Torça para ela ter esquecido o que aconteceu, porque você corre mais risco de vida do que eu.
— Às vezes parece que você deseja que eu morra.
— Lucy, se eu quisesse você morta eu mesma teria matado você no mesmo dia que a encontrei perdida na floresta negra.
— Então por que não fez isso?
— Por que você era uma doce criança. – Ana diz. — Mas deveria mudar seus planos em relação a Edward, esse será o motivo da sua morte.
— Ele é meu. – Eu diz.
— Bom, as escolhas serão sua. – Ana diz. — E lembre-se, Bella é a pessoa que pode matar você.
— Eu sou mais forte agora.
— Eu sei. – Ana diz e então me olha. — Mas não esqueça quem é ela.
— Uma garota fraca. – Digo, irritada.
— Uma garota que morre sete vezes. – Ana diz. — Você nunca soube o que é isso. Ela tem sangue de deus, por pior que seja isso ela tem força de mil homens, é a única que pode matar de verdade um Drácula, você nem mesmo um arranhão conseguiria causar em um.
— Posso cortar a cabeça dele e tudo terminará.
— Essa é apenas uma das lendas. – Ana diz. — Nunca testada. Sabe por que, Lucy querida? Ninguém que tentou matar um Drácula voltou para contar a história.
— Margarida. – Eu digo, engolindo em seco. — Ela conseguiu matar mais de um.
— Não mesmo. – Ana diz. — Bella sabe a verdade, por isso ela acha graça de tudo, por isso ela se acha tão superior aos outros. A verdade, minha querida Lucy, é que quem possuiu o conhecimento possui toda a verdade.
— Ela é só uma garota. – Digo. – E Edward ainda é mais forte do que ela.
— Claro que ele é, ele é um Drácula puro sangue. – Ana me diz e sorri. — Todos que vieram depois dele são mistura de Drácula e outra linhagem, não são puro sangue.
— Como pode ter certeza?
— John é descendente direto de Hércules, filho querido entre todos os outros filhos dele. – Ana diz. — E foi o único que se casou por amor. Você queria saber porque Edward e Thomas são puro sangue, vou lhe dizer. Apenas o amor verdadeiro pode gerar puros sangue.
— Mas ele tinha irmãos, irmãos que estão mortos. – Digo, tentando entender a história deles.
— Ninguém nunca viu os corpos. – Ana diz. — Eu sei, Bella sabe a verdade, eu sei que ela conhece melhor a história do que muitos, até mesmo do que John. O pai dela é um deus.
— Ainda assim ela é fraca.
— Oh, querida, deixe sua inveja de lado e tente prestar atenção nos detalhes. – Ana diz e sorri. — Os irmão de John foram mortos, assim dizem, porém nenhum deles se casou por amor, apenas conveniência e poder. Eles queriam uma linhagem perfeita, sendo que linhagem perfeita estava debaixo dos olhos deles o tempo todo. Eram cinco irmãos, John era o mais novo. Cada irmão dele se casou com uma princesa, tornando-os rei futuramente. Cada filho deu continuidade a linhagem, porém, à cada geração havia mudanças, surgia uma linhagem não pura. Então John muda tudo novamente e com a morte da mãe e desespero do pai, John era o único filho que estava presente quando Hércules morre, foi para John que ele disse o mistério dos seus poderes.
— Então? – Eu questiono.
— Eu não sei, John não fala sobre o pai. – Ana diz e então me olha. — John é mais forte do que deixa aparentar, sua ira é bom não ser despertada, eu me pergunto como ele se deixou capturar pela Rainha Louca.
— Talvez ele tivesse um plano. – Digo e Ana sorri.
— Não, John queria algo, que só apenas a rainha podia dar.
— Elizabeth. – Eu digo e Ana tem ódio nos olhos quando me olha.
— Elizabeth.
(...)
P.O.V. Ana
O funeral foi algo que deu vontade de vomitar, odeio enterros, mas fui, Bella esteve o tempo todo ao lado do pai, ninguém chegou perto, ela dava medo, sua tristeza era bem profunda e era possível se ver nos olhos dela, mas eu precisava chegar perto dela, precisava saber o que ela lembrava e o que ela havia esquecido. O problema era como chegar perto da princesa sem que eles me notassem, Elizabeth estava sempre de olho em meus passos, ela não esqueceu minha traição, como se eu de fato me importasse, tudo que preciso está na cabeça daquela menina, e eu preciso chegar perto dela. Um pena a morte de Renée, achava ela até divertida, mas era chata na maioria das vezes, dona da razão, isso me irritava. Charlie fez com que todos esperassem para que Bella pudesse estar presente no funeral da própria mãe, e aqui estamos nós depois de duas longas semanas enterrando ela.
— Sinto muito sua perda. – Digo, me aproximando de Charlie.
— Obrigado, Ana. – Ele diz, em seu tom de dor.
— Isabella, lamento sua perda.
Isabella apenas me olha, ela não parece me reconhecer. Alguém chama Charlie e então ele sai do lado de sua querida filha.
— Você não se lembra de mim? – Eu pergunto.
— Eu deveria? – Pergunta.
— Somos amigas. – Eu digo.
— Eu não lembro de você. – Ela diz. — Assim como não lembro de nada.
— Sinto muito. – Digo. — É uma pena que tenha perdido a memória.
— Você estava lá quando aconteceu? – Ela pergunta, curiosa.
— Depende do que você esteja perguntando.
— Meu pai disse que eu fui atacada por um Apanhador de Alma e que minha mamãe me salvou. – Ela diz. — Mas ela morreu na batalha.
— Exatamente o que aconteceu. – Eu confirmo. — Você levou um pancada na cabeça, por isso não se lembra.
A menina de olhos negros ficou pálida, e então Charlie voltou para seu lado. E eu saio discretamente evitando que alguém me olhasse. Lucy me segue, assim que estamos longe ela está curiosa.
— Então? – Ela quer sasaber
— Ela não lembra de mim. – Eu digo. — O que quer dizer que ela não lembra de você.
— Ela não lembra do Edward.
— Como sabe?
— Ouvi Jasper Hale falando com Alice, a bruxa. – Lucy diz. — Tudo o que aconteceu nos últimos meses ela esqueceu, ela não recorda da existência do jovem Masen e de nada mais.
— Isso não é bom
— Para mim é ótimo. – Lucy diz, se sentindo vitoriosa.
— E, minha querida Lucy, se ela não lembra de nada, ela não lembra a localização do coração da Rainha Louca.
Então Lucy se dá conta de que estava de volta à estaca zero. Precisamos do coração da rainha, essa é única maneira de conseguirmos o que queremos e agora ela está se dando conta disso.
Continua...
“Sem passado, nem futuro, eu vivo um dia de cada vez”
— Humberto Gessinger
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