Descendentes

2 Capítulo 1 - Luna


Notas iniciais
Hey, aos leitores que liam a história quando ainda se chamava "Coração Indomável" peço desculpas por nunca mais ter atualizado, mas eu estava reescrevendo a história e dando novos rumos que eu realmente espero que gostem. Capa é nova, a sinopse foi atualizada. Espero que gostem dessa primeiro capítulo.

Poderia começar a contar a minha história fingindo estar escrevendo em um diário bobo, mas lembro de que eles ajudaram o fogo a consumir o lugar onde costumava chamar de lar, poderia começar contando a história aos meus filhos, mas não tenho nenhum.

Então acho que comecei a contar a minha história contando que não tenho diários, nem um lar, nem filhos, mas tenho muitos problemas, nasci dotada com dons especiais, todos me chamam de “bruxa”, certamente desejam me queimar viva, talvez se o fizessem minha vida seria menos maçante.

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Meu nome é Luna, mas carrego um sobrenome pesado e de pronuncia forte “Garder”, uns pronunciam “Gardiener”, outros “Gardeir”, não me lembro de gostar ou simplesmente nunca gostei de usar o sobrenome de minha mãe, sempre amei usar o sobrenome de meu pai, como amar o sobrenome de uma mulher que ignorou por toda a minha vida os meus dons?!

Encarei-o a minha frente, seus olhos azuis esverdeados atentos aos meus movimentos, sua boca entreaberta como se procurasse por ar, suas mãos pousadas sob a barriga, deitado em lençóis azul turquesa, a vela acesa sob o criado mudo feito de madeira maciça, vacilei meus olhos por segundo tirando dele e pousando na janela aberta, a cortina alva esvoaçava, os pelos de meus braços eriçados com o frio, passei as mãos no meu longo vestido salmon e preparei-me para encará-lo novamente. Pronta para finalmente contar minha história até aqui.

— Acho que pela sua idade deveria começar com era uma... — tirei os olhos de meu vestido e finalmente o encarei, mas ele já estava adormecido — Não é de bom tom deixar sua irmã falando sozinha, mocinho — sorri comigo mesma e puxei o cobertor por cima de seu pequeno corpo alvo como neve — Boa noite anão — depositei um longo beijo em sua testa quente, a febre ainda não havia abaixado.

Ouvi passos e me virei antes que a mão de minha mãe me surpreende-se.

— A febre já abaixou? — perguntou encarando o garoto adormecido.

Não falei nada, levantei-me para sair mantendo minha greve de silêncio.

— Luna — ela segurou meu pulso com certa firmeza — Eu sinto muito voltar para sua vida dessa forma, depois de tanto tempo— suspirou amargurada, mas não dei importância.

— Se sente tanto — encarei-a duramente — Qual o motivo de ainda estar aqui? — puxei o pulso.

Fiz um movimento com dois dedos da minha mão direita e fiz com que o corpo dela desse dois passos atrás, se eu pedisse sei que dificilmente ela o faria, então a poupei de um trabalho desnecessário.

— Por que ainda está aqui? — voltei a questionar.

Ela permaneceu em seu silêncio constante.

Encarei-a esperando por uma resposta, resposta que não veio, nunca vinha, ela jamais havia respondido minhas cartas, cartas que passava noites em claro para escrevê-las e endereçar a uma mulher que se dizia minha mãe.

Revoltada com meus próprios pensamentos e lembranças dolorosas de abandono fui tomada por meus dons e sem perceber fiz alguns objetos ao nosso redor flutuarem,

— Luna — ouvi a voz de Sebastian chamar-me e virei-me rapidamente.

— Vou me retirar, amanhã prometo voltar e te ver, meu príncipe — beijei o topo de sua cabeça.

Logo passei pelo batente da porta, poderia desabar ali, mas preferi fingir-me de forte e seguir para o meu quarto e ali sim eu desabaria no choro até cair na minha inconsciência completa e ser assombrada por sonhos bobos. Dessa maneira olhei-o novamente pelo canto do olho e decidi me retirar. Meus saltos altos colidiam contra o chão como se fosse o perfurar e fizeram barulho demais.

— Luna — dessa vez a voz dela quase me chorar ali mesmo, fiquei parada, havia dado pouco mais de cinco passos desde o quarto de Bash — Você me perguntou por que estou aqui — continuei de costas, sabia que ela estava em pé no batente da porta — Estou aqui porque te amo — saíram com veracidade, mas preferi não me abalar e saí andando, andando até perceber que não estava no meu quarto, nem ao menos, dentro de casa.

Deparei-me com o jardim que meu pai havia pintado em uma de suas mil telas, havia pedido ao paisagista para fazer igual ao que ele pintara. Isaac, meu pai, havia se encantado por pintura desde que se entendia por gente, pintava por estar triste, pintava por estar angustiado, ou irado, ou de coração partido, ou quando estava alegre ou quando ganhava em seus jogos obscuros no qual dava amor e depois tirava a todas as mulheres atraentes que se oferecessem a ele, ou, principalmente, quando Camille dava trabalho. Camille, minha mãe dos sonhos. Suspirei.

O jardim que pintara em especial havia pintado quando a conhecera, vendendo as mesmas flores que ele usara em seu jardim, jasmim, rosas, tulipas, orquídeas e a que ela mais amava, copos de leite. Meu pai chamava de “Jardim dos Anjos”, mas eu costumava de dizer que ele se chamava “Jardim de Camille”.
Cami é uma boa mulher, ajudara a me criar desde os meus doze ou treze anos, quando meu pai a sequestrara de sua casa, eu não sabia exatamente o motivo de as vezes Cami sentir tanto medo dele, certas noites ela sempre se trancava no quarto comigo, enquanto ele pintava no porão.

Noites de lua cheia como essa.

Ele diz que só a escolheu por sua delicadeza com flores, sabia que ela seria delicada comigo, mas a verdade é que ele gosta dela desde a primeira vez que a viu.

Um dia ainda verei Cami assinar como “Senhora Isaac Garder”, gostaria de tê-la como mãe. Ela sempre me tratara com amor, mesmo quando a rejeitei, quando joguei as roupas recém-lavadas por ela na lama, mesmo quando cortei seus cabelos enquanto dormia, até mesmo quando usei meus dons para prejudica-la de várias maneiras bobas e cruéis, me amou quando fiquei doente, me amou quando chorei, sempre me amou como mãe, embora não seja tão mais velha que eu.

Encostei minha cabeça na amendoeira, fechei meus olhos tentando controlar as lágrimas, papai me mataria se soubesse que estou do lado de fora da casa no meio de uma noite de lua cheia, ele sempre temeu essa noite como se algo de ruim o fizesse remeter a um passado sombrio e até mesmo doloroso. Mas procurei me acalmar, pelo horário presumo que ele está trancado em seu ateliê pintando mais um de seus quadros, esse que começara ontem tem um rosto de uma bela dama.

Abri os olhos e avistei de longe uma silhueta masculina que saía da escuridão caminhando como uma tempestade. Preparei-me para atacar se a tal figura se se aproxima ainda mais de mim, fechei os punhos e tentei lembrar de qualquer conjuração que me ajudasse naquele momento.

Mas então percebi que era ele.

Sorri.

Jamais o atacaria.

Até mesmo daria a minha vida por ele.

Notas finais
O que acharam do capítulo? & do banner? & da capa e da Fanfic? E da sinopse? E tudo mais? O que precisa melhorar? O que escrevi que não condiz? Sempre aceitarei sugestões, estejam a vontade. Preciso da opinião de vocês :3 Comentem & Favoritem.Kisses. LINK DO TEASER #1: https://www.youtube.com/watch?v=aCfw408YLBo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.