Descendentes
6 Pazes entre nós
Notas iniciais
Katy limpa os vestígios de sangue de Bruce e mesmo ele dizendo que está bem assim, Katy não dá ouvido a ele. Ela o leva para o quarto e começa a limpar e ver se tem algum machucado aberto.
Bruce para de protestar; ele fica sentado no braço do sofá enquanto Katy o limpa. Ele gosta se sentir o toque das mãos delicadas de Katy; movimentos para cima e para baixo, para o lado e para o outro são feitos no seu peito, abdômen, tórax.
Bruce está com um sorriso bobo no rosto, pelos sermões que Katy dá a ele. Ela joga o paninho branco que o limpara em cima da mesinha de centro e começa a cutuca-lo no peito e falando os sermões para ele.
Bruce está gostando disso. Katy não é uma simples original; ela é especial, ela é especial principalmente para ele. Ele a ama.
Bruce ainda sorri.
— Você nem pense em ficar se machucando. — Katy coloca as mãos na cintura e o olha furiosa. — Quase tive algo no coração. Eles atravessaram uma espada em você.
— Mas agora estou bem — disse, calmo.
Katy o olha, furiosa.
— Ainda bem! Imagina se tivesse se machucado! Imagina se você não estivesse aqui agora! — Katy gagueja últimas palavras.
Bruce a fita. Katy baixa o olhar.
— Sentiria minha falta. — Brinca ele.
Bruce se levanta. Katy levanta a cabeça e fita-o.
— Seu idiota!
Bruce a puxa e a abraça.
Katy fica surpresa, mas gosta. Ela gosta disso, gosta de sua presença, gosta do seu jeito. Esconde o rosto no peito nu dele. Bruce a abraça, o calor de seus corpos, o desejo, tudo vem à tona.
Katy fecha os olhos.
— Eu sempre vou estar ao seu lado. — Sussurra ele em seu ouvido. — Minha rainha.
Bruce a deixa na cama. Katy logo pega no sono, ele fica ao seu lado como ela tinha pedido. Logo depois toma um banho rápido e volta para o sofá.
Ele vê o pano sujo de sangue em cima da mesinha de centro e sorri.
Katy se preocupa com ele, como ele se preocupa com ela.
No outro dia, amanheceu especial. Um dia de neve. Little Rock raramente neva, mas hoje é especial. O quarto está gelado. Katy sai da cama com um cobertor em volta dos ombros. Ela procura seu guardião.
Ela desce as escadas de pés descalços. Sua pele toca o chão gelado; no andar de cima tinha um carpete branco, mas a partir das escadas, não.
Katy vai até á cozinha, mas nada.
Ela estranha.
Alguém bate na porta. Katy pensa que é ele e corre até lá; quer vê-lo, mas não é Bruce.
— Por que desmanchou o sorriso? — perguntou Eric. — Sou tão nojento assim?
Katy nada diz. Ela olha para a rosa branca em sua mão, certamente iria pedir desculpas. Katy já conhece esse tipo de homens.
— Katy, eu sei que você já sabe por que estou aqui.
Ela o olha.
— Só quero explicar para você o porquê da minha inveja pelo seu guardião.
Inveja? Pensa Katy. Por que ele tem inveja, se ela nunca poderá tocar em Bruce como amante ou tê-lo em sua cama? Para que ter inveja?
Katy decide escuta-lo.
Eles entram um pouco, a ponto de Eric fechar a porta. Katy treme de frio, ela está apenas com uma camisola branca fininha de algodão por baixo daquele cobertor.
— Faz dois dias que eu cheguei e nunca conversamos. Não sei sua historia como você não sabe a minha. — Eric suspira. — Quando eu era criança, meu pai deixou minha mãe, e se casou com outra. Essa vampira não gostava de mim, e meu pai só queria saber de eu nunca perder em nada e passar por cima dos outros. Fui morar com minha mãe, todavia, quando fiz 19 anos, ela morreu. Os lobos a mataram, não consegui ajuda-la.
“Fui morar com meu pai. Ele me humilhava na frente de todos se eu perdia sequer uma aposta em uma corrida de cavalos. Ele me humilhava em tudo. A vampira também fazia isso, eu era excluído da família por ela, e pelo meu pai. Se eu ganhasse uma aposta ou uma luta, ele me elogiava e dizia: “esse é meu filho”, mas quando perdia, eu era punido e humilhado.
Katy arregala os olhos. Ela não sabe se ele estava falando a verdade ou não, mas pela vontade e o jeito que ele fala, parece que a historia é verdade.
— Eu pensei que, se eu me casasse com você me livraria dele, eu viveria aqui, seria o rei, e se ele me humilhasse, seria a vez de ele provar da punição, mas vi que você, desde que cheguei, não falou comigo, nem sequer me olhou direito, e levava seu guardião para todo o lado. Isso me invejou. Eu queria estar no lugar dele, eu queria estar andando com você, então eu o desafiei, e coloquei dois guardiões mercenários, assim ele não teria chance de vencer. Meu pai não me humilharia na frente de você e do rei, e eu poderia ter você mais perto.
— Ele humilhou você agora? — Katy quer saber sobre a luta que ele perde.
— Não — diz Eric, levantando o olhar. — Ele ainda não foi informado, mas logo isso chegará aos ouvidos dele, e ele virá. — Eric olha para a janela. — Ele nunca me deixa.
— Você nunca tentou fazer nada, tipo, você não tem outros parentes?
— Eu não sei.
Katy fica surpresa. Ele só tem o pai, a mãe morreu... Não tem irmãos?
— Você não tem irmãos? — pergunta ela.
— Eu ia ter. A vampira do meu pai engravidou, mas ela perdeu. — Eric dá de ombros. — Seria mais um para ele me humilhar na frente.
Katy baixa o olhar.
— Você sim tem uma vida melhor.
Katy ri, tristonha.
— Se você acha que perder os pais na sua frente, quando você tem apenas 7 anos, e depois não poder ter alguém que quer, e ser humilhada pelo conselho, isso não é uma vida.
— Temos algo em comum — diz, sarcástico.
Eric suspira.
— Mas você tem sorte numa coisa.
Katy o olha.
— Você não era punida enquanto uma fêmea ria da sua situação. — Eric conta quando era punido, de como era, as coisas que faziam com ele. — Eu tenho medo do meu pai, eu não o suporto, mas eu o temo.
Eric baixa o olhar.
— Nunca quis ficar com ele. — Seus olhos se enchem de lágrimas.
— Nem tudo é como nós queremos — diz Katy, baixinho. — Mas ele não ira humilhar você nesse castelo. Se ele vier, falarei com o vovô, e se ele levantar a voz comigo, ou algo, não serei piedosa em mandar Bruce cortar a cabeça dele.
Eric sorri, ele a acha muito corajosa.
— Obrigado.
Katy sorri, feliz por anima-lo.
— Mesmo assim — diz ela. — Prometa que você e o Bruce vão parar de competir.
Eric suspira.
— Qual seria a graça em não competir com ele?
Eric ri. Katy balança a cabeça.
Alguém bate na porta e Eric abre; é sua guardiã. Ela entra no quarto e se curva diante dos dois.
— Essa é Alexia, minha guardiã que vai para todos os lados comigo.
— Olá — diz Katy, sorridente.
Alexia só sorri, mas Katy não gosta disso.
— Por que não fala?
Alexia olha para Eric que assente.
— Preciso de permissão.
Katy não gosta disso.
— Regras e mais regras... Odeio isso.
Bruce abre a porta e vê os três. Eric o encarra. Niro está atrás dele.
— Aconteceu alguma coisa? — pergunta Bruce encarrando Eric.
— Só conversando — diz Katy sorrindo para ele.
Bruce fica ao lado de sua original e Katy o abraça. Niro sorri.
— É bom que vocês estejam conversando, ainda mais que...
— Você está de pé no chão! — diz Bruce interrompendo Niro.
Eric e Alexia arregalam os olhos; ele interrompeu o rei dos vampiros. Katy sorri para ele e esconde mais o corpo com o cobertor.
Bruce balança a cabeça.
Ele a coloca em cima do tapete peludo amarelo dourado. Niro olha os dois, parece uma mãe com seu filho.
Alexia e Eric ainda estão paralisados.
Katy reclama para ele, mas Bruce não dá atenção para ela. Ele pega suas pantufas de ursinhos perto do sofá e coloca os pés delicados de Katy dentro delas.
Bruce vê a expressão de Alexia e Eric, e lembra-se de que tinha interrompido o rei. Ele se levanta rápido e se curva pedindo desculpas. Niro começa a rir.
— Nunca na minha vida vi um guardião fazendo isso.
Bruce não sabe se isso é novidade boa, ou se é para ele não fazer mais.
— Você parece uma mãe para minha neta — diz ele. — E isso é bom, do jeito que ela é cabeça dura.
Bruce sorri.
— Então posso continuar cuidando dela?
— Se ela permitir... Um guardião faz aquilo que seu original permite. Ela gosta ou permite, não irei impedir, nem o afeto dela.
Niro se despede e se retira. Eric chega perto de Katy, Bruce o observa.
— Que tal irmos numa boate aqui perto? É super legal, Alexia já me levou lá.
Bruce levanta a sobrancelhas. Ele não sabe o que está acontecendo entre eles.
Katy olha para Bruce.
— Ele precisa ir junto — diz Eric. — É seu guardião, vamos nos divertir, Alexia irá também com nós, não é?
Alexia assente.
Katy olha ainda para Bruce.
— Topamos.
Bruce balança a cabeça.
— Então, arrume-se, minha rainha. O tempo nublado e a neve farão nossa diversão aumentar — diz ele, se curvando.
Katy pula de alegria; ela adora a neve. Ia pedir para Bruce a levar lá fora, mas já que vai sair, seus planos mudaram. Katy vai se arrumar, os três também.
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