Descendants -Interativa
8 Não.
Notas iniciais
Uma semana havia se passado desde que tivemos nosso ''pequeno'' jantar de boas vindas. Como já era esperado nada de novo aconteceu. Na verdade esse jantar era o único momento que todos agiam da forma mais civilizada possível, talvez pelos olhares constantes de seus professores e diretores. Os Royal costumavam sentar longe dos demais e eles querendo ou não, Klaus era um Royal. Mas ficar mais de cinco segundos ao seu lado sem sentir desconforto era realmente difícil.
Mas nada de relevante chegou a ocorrer no jantar. O que tinha total atenção dos alunos era o baile de dia dos namorados, uma das poucas oportunidades que tinham para aproveitar.
Klaus, em particular, nunca fez nenhum esforço para tal comemoração que costumava achar tola e banal. Pelo menos esse ano poderia ser um pouco mais interessante do que o anterior. Claro que esses pensamentos duraram até o jovem de cabelos douradas se deparar com um cartaz de Lindsay.
–Ainda isso? -o tom indiferente de Klaus não era muito baixo, permitindo que quem tivesse ao seu redor escutasse.
–Vejo que não era muito fã de nossa querida Lindsay. -a voz de Zach surgiu atras de si.
–Já estava sentido sua falta. -nos lábios de Klaus um pequeno sorriso se formava.
Apenas os lábios de Zach se materializaram, um sorriso malicioso com um dente mais afiado que os demais chamava a atenção.
–Apenas não tive interesse em você esse ano. -o tom de deboche de Zach sempre irritava profundamente o mais velho, mas sempre se conteve pois sabia o quanto o filho de Gato poderia ser traiçoeiro. -Não deveria demostrar seu sentimentos verdadeiros por nossa querida Lindsay, não nos corredores.
A primeira resposta de Klaus foi um sorriso sarcástico seguido por uma risada baixa, mas carregada de malicia. Depois arrancou o cartaz da garota e o amaçou.
–Não sou o único e sabe melhor que eu. -Klaus jogava o cartaz no lixo e voltava a seguir seu caminho.
Zach já tinha visto inúmeras pessoas pichando os cartazes ou escutado múrmuros maldosos sobre Lindsay. Ele nunca deixou claro seus sentidos, na verdade não deixava claro para ninguém, o que se passava na cabeça do filho de Cheshire era um verdadeiro mistério. Klaus algumas vezes tentara desvendar sua cabeça perturbada, mas uma de suas piores experiencias, porém para todo o sempre pensaria no que ''viu''. ''A formiga contou que o sapo era mau. O sapo contou que o coelho era mau. Mas, o coelho disse, não, o gato é o pior de todos. ''
Zach tinha o péssimo gosto de falar através de charadas.
–Desculpe! -pediu Lizzy no momento que acabou por esbarrar sem querer em Klaus que foi bruscamente retirado de seus pensamentos.
–Onde vai com tanta presa? -questionou Klaus, que segurou o braço da ruiva a impedindo que tombasse no chão por causa do impacto.
As bochecha de Lizzy adquiriram a mesma coloração que seus cabelos rubros. Nunca tinha conversando com Klaus, na verdade nunca tinha ficado sozinha com ele. Não parecia algo muito seguro para si se fosse levado em conta os boatos que seu irmão,Damen, espalhava.
–Eeer...A-apenas vou me encontra com Hani...E-ela disse que me ajudaria com uma coisa. -o tom de Lizzy era baixo e um tanto quanto falho.
–Posso saber que coisa seria? -o sorriso de Klaus era realmente bonito, essa era a unica coisa que passava na cabeça de Lizzy naquele momento. Seus olhos ficaram focados nos olhos azulados do loiro. Por longos 20 segundos a ruiva realmente não soube o que fala ou fazer. -Lizzy?
–Oh! Desculpe...Estou meio distante hoje...Lotte disse que Damen gosta de musica, então pensei em escrever algo para ele.
–Acho que meu irmãozinho não é muito fã. Imagino que você que goste dessas coisas e está fazendo na esperança de encontrar um traço semelhante com Damen.
–Eeer...Eu preciso ir agora ou Hani me mata.
Apos Lizzy sair correndo para direção oposta de Klaus, Zach se materializou outra vez ao lado de Klaus e ficou observando a jovem que sumia aos poucos no horizonte
–Olhava da mesma forma para Lindsay. -comentava o garoto de cabelos roxos. Sua face estava com uma expressão seria.
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–Eu te odeio. -resmungava Isabelle que era obrigada a arrastar uma caixa de papelão repleta de tralhas para todos os lados do salão.
–Pare de reclamar. -dizia Melissa olhando ao redor.- Acho que as coisas vão ficar melhor naquele lado do salão.
–Aaah! Mas eu acabei de sair de lá! -Belle não teve muito tempo para protestar, apenas começou a empurrar a caixa como era mandado por Melissa.
Todos os anos era a mesma coisa a irmã mais velha aceitava preparar a festa, mas quem realmente fazia tudo era Isabelle, a filha mais nova de Bela e Adam. Todas as festas que sua irmã aceitava decora acabava recaindo em suas costas.
–Está usando seu poder de irmã mais velha para o mau? -brincava Ingrid enquanto adentrava o salão e olhava ao redor. Seu rosto se contorceu em uma pequena careta, o que foi o mesmo de falar '' Que lixo fizeram aqui?'' -O que está acontecendo aqui.
–Minha irmã. -resmungava Isabelle sentando-se sobre a caixa de papelão que apouco era obrigada a empurrar. -Ela acha muito legal festas temáticas, só não me pergunte por que raios ela escolheu o tema medieval.
–Porque as historias de nossos pais costumam passar nessa época, tem algo mais romântico que monarquia?
–Consigo pensar em mil coisas. -zombava Ingrid parando ao lado de uma armadura. — Realmente não sei como funciona a cabeça de vocês, minhas queridas.
O lugar estava como os demais cômodos dos castelo. A esquerda a parede era tomada por gigantescas janelas, suas cortinas negras estavam presas ao lado. A luz que o candelabro de cristal emanava era tão forte que deixava o salão com uma coloração meio alaranjada. O piso quadriculado nas cores preto e branco, chegara a refletir o teto de tão encerado. Melissa e Belle ainda preparavam o resto, mas até o atual momento era um cômodo comum, só que mais enfeitado.
–Só vai ficar aqui fazendo hora ou pretende ajudar?
–Eu? -Perguntou Ingrid como se não fosse com ela. -Estava fugindo de Selena...Espera...Selena não me perturba a mais de cinco dias.
Na mesma hora a cara de Melissa se contorceu em uma cara de espanto. Sabia melhor que ninguém o quanto a garota era grudenta.
–Você perdeu a Selena? Não acredito que deixou ela ser morta por alguém!
–Eu não deixe...Ah droga, eu acho que matei Selena.
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–Já mandei ficar longe de mim!-gritava Dillen batendo a porta do quarto com toda sua força, que não era muito, não foi muito difícil para Dimitrio para-la.
–Pelo amor dos deuses, pare de drama. Não fiz nada com você.
–Nada!? Você tentou me estupra...Duas vezes! -os olhos cinzentos de Dillen tinham um tom diferente, estava praticamente se rasgando de tanta raiva. Seus punhos estavam fechados com tanta força que algumas veias saltavam.
Mas o que deixou o filho do mar mais irritado foi ver o semideuses revirar seus olhos. Aquele cara realmente agia como se não tivesse feito nada demais. Talvez a culpa fosse de Dillen. Depois do que ocorreu naquela sala trancada, Dimitrio não fez mais nada a respeito, era como se seu companheiro de quarto simplesmente tivesse desistido e parado de irrita-lo. Infelizmente nesse meio tempo aconteceu uma terrível tempestade.
Os raios iluminavam todo o céu e criavam um estrondo que fazia os vidros tremerem como se fosse se quebrar a qualquer momento. O vento uivou a noite inteira e os galhos das árvores arranhavam a janela. Dillen não era do tipo de demostrar seus medos. Na verdade ficou escondido debaixo de suas cobertas. Tremiam cada vezes mais e tentava abafar os sons da tempestade com suas mãos, mas ao mesmo tempo tentava abafar o próprio choro.
''Dillen?'' -apos chama-lo Dimitrio retirou o coberto alheio e se deparou com seu companheiro de quarto em um estado de panico. ''Dillen! O que aconteceu...'' -Não foi preciso terminar sua frase pois um raio cortou o céu e dessa vez Dillen não conseguiu conter seu grito com o susto.
Dimitrio empurrou um pouco o parceiro para o lado e deitou-se. Envolveu o menor com seus braços o puxando para um abraço. O corpo do semideus era quente e confortável. Mesmo que o menor estivesse com medo ainda tinha noção do que acontecia, empurrou o maior algumas vezes e o xingou, mas foi se acalmando com o passar do tempo. Seria mentira se falasse que Dimitrio não se aproveito quando o companheiro adormeceu, mas a unica coisa que fez foi rouba-lhe um beijo.
–Pare de drama, Dillen! -Dimitrio deitava-se em sua cama e olhava o convite do baile. Já tinha recebido alguns convites, mas recusou a todos.
Seus planos eram convidar o filho de Úrsula, mas sabia que seria rejeitado. Não conseguia entender a estranha obsessão que tinha pelo garoto pálido com cabelos semelhantes a tentáculos.
–Tsc...O pior que pode dizer é não.
–Do que está falando,bastardo?
Dimitrio se colocou de pé e estendeu a mão para o jovem de cabelos brancos. Suas bochechas ganharam um tom leve de vermelho, Dillen percebia que o parceiro tinha um olhar diferente sobre si, era algo mais...Acho que Dillen não conhece palavras para descrever.
–Vamos no baile jun...
–Não. -uma resposta curta e grossa. Dimitrio pelo menos esperava bochecha coradas, nervosismo, ou uma cena clássica de qualquer yaoi ''não podemos...somos homens. Isso é errado''.
–O que!?
–Porque te odeio. E já vou com alguém. -ok. Tinha algo pior do que um simples ''não''.
Dimitrio não conseguia acreditar que SEU Dillen estava andando com outra pessoa! Estava prestes a explodir, mas se conteve em um simples:
–Com quem?
–Não te diz respeito.
Não mate ele...Não mate ele...Não mate ele...-Dimitrio repetia isso inúmeras vezes em sua cabeça e se forçava a ficar com um sorriso amigável. A unica coisa que restava era dizer um simples ''okay'' e se retirar do quarto com uma profunda magoa corrompendo seu interior.
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Mais uma vezes os corredores se encontravam vazios. Todos, mais uma vez, se preocupavam com aquele pequena comemoração. Ano passado te poderia ter sido algo interessante, mas esse ano perdera a graça. Talvez a culpa fosse de Ingrid, Brad chegou a ter um pequeno romance com a escocesa, mas por culpa de suas personalidades semelhantes acabaram por terminar. Quando uma briga acontecia nenhuma das duas partes conseguia engolir o orgulho para assumir a responsabilidade de algo que tinha plena certeza que seu ponto que estava certo.
–Brad! -um voz masculina ecou pelos corredores. Era uma voz grossa que conseguia impor respeito a qualquer pessoa, não era muito difícil descobri seu dono.
Philoctetes havia assumido o posto de treinador de heróis, depois de seu trabalho bem sucedido com Hércules. Seu temperamento era um verdadeiro problema para todos ao seu redor, mas seu trabalho era impressionante.
–Phil. -cumprimentou Brad com um simples gesto de cabeça.
–Garoto você tem planos de ir no baile essa noite? -perguntava o sátiro que já carregava consigo o arco do garoto.
Brad já sabia que Phil o mandaria passar a noite treinando com seu arco ao invés de ficar na festa com os demais. Na verdade ele conseguia até se sentir feliz se fosse esse o pedido. Claro que perderia a diversão da noite, mas pelo menos poderia ficar um bom tempo sozinho com seus pensamentos.
–Não tenho certeza ainda. -comentava Brad observando seu arco. -Como o pegou? Estava trancado em meu quarto.
–Sou professor garoto. -respondia Phil.- Na verdade só queria ter certeza que não precisaria disso. Você é o melhor arqueiro que tenho, acho que seria bom se distrair e para ter certeza disso vou levar seu arco. Sabe, para evitar que passe a noite na arena ou nos bosques.
Brad estava prestes a protestar, mas foi interrompido por Emilly que passou seu braço esquerdo ao redor do pescoço alheio e soltou seu peso.
–Não me diga que Brad vai passar a noite treinando.
–Não, dessa vez.
O sorriso de Emilly foi de um canto ao outro de suas bochechas. Não eram muitas as comemorações que o inglês participava. No ano anterior tinha conseguido fugir da pequena festa que fizeram para Kim. Uma pena já que perdeu a pequena briga entre Lizzy e Selena.
–Finalmente vai se divertir com seus amigos. -dizia Emy que ainda sorria e puxava Brad na direção dos dormitórios. -Vá se arrumar pelo menos você sempre aparece como um mendigo em tudo que é festa.
Emilly poderia ser diferente de Selena e Lizzy, mas ainda era uma Royal e sempre que via algo que não combinava com o momento ficava se corroendo por dentro e fazendo de tudo para ignora.
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–Eu não entendi ainda. -dizia Selena tomando mais um gole de seu café. -Seu pai era um verme, mas você é humana. Não faz muito sentido, você não acha?
Shadow mantinha seus olhos fixos no líquido de coloração escura que estava dentro do seu copo, não havia bebido uma unica gota do mesmo, apenas deslizava seu dedo indicador pela borda do copo.
–Já disse que não sou humana. -respondia Shadow sem mudar altera seu tom de voz.
–Só disse isso, mas não disse ao certo o que é. — rebatia Selena enquanto prendia seus longos cabelos brancos em um coque.
Um suspiro baixo saiu dos lábios vermelhos de Green que voltou seu olhar para White.
–Sou como meu pai, não passo de um verme. Só que ele preferia se esconder dentro de saco velho e sujo, já por minha vez, prefiro observar os humanos e quando um morrer assumo o controle de seu corpo...Antes que meus irmãos devorem a carne. — o tom de Green não se alterava em nenhuma palavra, sempre mantinha uma expressão calma, só alterou quando tomou um gole de seu café. Seu rosto se retorceu em uma careta e afastou o copo de si. -Tem gosto de bosta de cavalo.
–Desisto. -anunciava Selena batendo com sua testa na mesa. -Você não come nada...Além daquele coelho...Não deveria ter o dado...
Green abriu um pequeno sorriso e se colocou de pé.
–Eu sou um verme, White. -dizia Green jogando seus cabelos negros para trás. -Só como carne podre, tenho minhas preferencias.
White percebeu que Green se afastava então tratou de se colocar de pé em um salto e correr atrás da morena. Desde que Ingrid fez ambas se conhecerem a princesa não desgrudava da garota. Já tinham conversas mais longas, mas nada que pudesse se dizer ''que amizade elas tem''.
–Por que é tão fechada?
–Tsc...Você não entende, certo?
–Entender o que?
Shadow deu uma olhada ao seu redor, teve certeza que mais ninguém do salão prestava atenção em sua conversar.
–Eu sou uma vilã, assim como os outros. Acha que somos pessoas calmas? -os olhos de Shadow ganhavam um tom negro, suas iris, suas pupilas tudo adquiria essa cor. -Quando falou comigo meu primeiro pensamento foi estripa-la. Dillen podia muito bem arrancar o coração de Dimitrio e Steven pedir a cabeça de Elena em uma bandeja de prata. -Os olhos de Green estavam tomados pela cor negra.- Estamos presos em um jogo onde seus pais dão as regras. Somos obrigados a jogar. A coroa que Damen tanto almeja está coberta de mentira. Nós temos que ganhar...ou morremos.
Selena ficou parada simplesmente escutando cada palavra, ela sabia que seus pais contavam seus feitos de uma forma diferente do que aconteceu. Um medo estranho começava passar pelo seu corpo...Nunca tinha pensado em tudo daquela forma, mas Shadow estava certa.
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