Descendants -Interativa
2 Maldito bastardo
Notas iniciais
Os corredores foram ocupados pela euforia do rencontro,mas nesse ano algo a mais criava esse clima de ansiedade e curiosada. Tudo se devia ao novo acordo selado pelos seus pais com os exilados. Para muitos tal acordo não passava de loucura,e não podia culpar aqueles que pensavam dessa forma. A maioria havia aprendido a odiá-los desde que nasceram,afinal,haviam feito barbares imensuráveis com seus pais e agora isso.
Realmente ter filhos de vilões andando pelos corredores não era algo muito agradável. Claro,que esse pensamento não era unicamente dos herdeiros dos reis e rainhas. Ele se repetia de uma forma assombrosa na cabeça dos exilados,como os Royal,cresceu aprendido a odiar todos aqueles que prejudicaram seus pais. Era realmente uma coisa humilhante ter que conviver com os príncipes e princesas daquele lugar. E essa humilhação e desgosto estava bem presente na expressão carrancuda de Dillen Charpentier,o herdeiro de Úrsula.
Dillen tinha cabelos brancos e cheios,a um olhar desatento poderia confundir suas madeixas com tentáculos. Por algum motivo todos esperavam ver um exilado andar com a cabeça baixa,mas isso não se aplicava a ele já que era orgulhoso demais para tal ato. Seus olhos cinzento estavam focados a sua frente. Qualquer observador descuidado poderia confundi-lo facilmente com uma garota,talvez isso se devesse ao seu corpo magro e rosto fino. Claro que ninguém ousaria falar isso,não em sua frente.
Suas malas tinham sido levadas para o quarto algumas horas atrás,junto com os demais,mas carregava consigo um aquário um pouco grande e dentro havia uma enguia. Era difícil falar de qual espécie pertencia,já que se encontrava escondida dentro de uma pequena caverna.
Os passos de Dillen eram curtos e lentos não tinha nenhuma presa para chegar em seu novo quarto e conhecer o babaca que seria obrigado a suportar até o fim do ano. Esse era um dos motivos pelo qual o garoto não querer ficar preso nesse lugar,era um grande estorvo ter que sair do seu conforto para morar num buraco que não seria bem-vindo e ainda com um companheiro de quanto que podia ser um Royal. Enquanto se aproximava dos dormitórios balançava um pouco a cabeça para apagar um pouco aquela pila de pensamentos que cobriam sua mente. Era meio difícil manter seus pensamentos em um único lugar naquele inferno. Quando finalmente esvaziou sua cabeça percebeu que já estava parado enfrente a porta feita de madeira,como algumas coisas pichadas. Pelo que Dillen tinha entendido era uma tradição pichar a porta do dormitório com suas inicias ou seu nome completo. Uma verdadeira babaquice na opinião do filho de Úrsula.
Em sua porta havia as inicias ''DH'',realmente não imaginava quem seria aquele cara,na verdade podia ter o nome do companheiro que não faria a menor ideia de quem estaria ali. Sua unica ação foi colocar a mão na maçaneta fria e a girou para a esquerda.
Abriu a porta com cuidado para não criar nenhum ruido muito alto e chamar a atenção de quem quer que seja,mas que pudesse olhar ao redor e ver sua nova ''casa'' foi pego em um susto ao escutar alguém gritando:
–Pensa rápido!
Depois disso uma bola de futebol americano acertou o abaju que estava sobre o criado mudo. O objeto se desfez em mil pedaços criando um estrondo meio alto. A unica ação que Dillen fez foi olhar para o abajur quebrado e depois para o retardado que tinha feito aquilo.
–Acho que o abaju não pensou rápido. -ironizava Dillen fixando seu olhar cinzento no seu provável companheiro de quarto. -Qual seu problema exatamente?
–Foi mal. Não era minha intenção acerta-lo e nem jogar em você. Imaginei que era outra pessoa. -respondia o garoto em meio a risadas e depois se jogava sobre a cama da esquerda. -Me chamo Dimitrio Hatzis.
–Nunca ouvi falar.-respondia Dillen com certo receio em deixar sua enguia em qualquer lugar daquele quarto. Não tinha nem cinco minutos que conheceu Dimitrio e já havia quebrado alguma coisa. -Me chamo Dillen Charpentier. -enquanto falava finalmente o filho do mar pode reparar nas coisas ao redor.
Era um quarto grande,na sua perspectiva já que passou a vida em um exílio. Uma janela ia do chão até o teto,as cortinas estavam presas e deixando a luz do sol iluminar aquele lugar. O canto que Dimitrio havia escolhido já estava meio bagunçado. Sua mala estava aberta ao lado da cama,o grego não tinha nem se dado o esforço de desfaze-la. Na parede já haviam algumas bandeirolas esportivas. Já o lado de Dillen estava decorado com o grande vazio. As cobertas brancas ainda estavam arrumadas,sentiu uma pequena pontada de alegria ao perceber que o colega de quarto pelo menos respeitava seu espaço.
–Dillen,certo?-perguntava Dimitrio sentando-se na cama.
–Isso. -respondia enquanto procurava um lugar seguro e longe do parceiro para deixar Neo,sua enguia.
–Quem são seus pais? -perguntava o moreno deitando-se de novo,mas ficando apoiado em seus cotovelos.
–Úrsula.-o menor não hesitava em falar sobre sua mãe já que a mulher sempre foi boa para si,mas lembou um breve susto com a reação de Dimitrio,ele simplesmente não mudou sua expressão. Dillen esperava um olhar surpreso ou coisa do tipo,mas nada..
Só agora Dillen lançou um olhar para Dimitrio e pode observa-lo. Seus traços gregos eram bem fortes, também possuía olhos cinzentos,que agora estavam focados em Dillen. Sua pele era um pouco bronzeada e seu cabelo era castanho escuro,arrumado em um topete baixo. Ele estava sem blusa deixando seu corpo definido a mostra,sua unica peça de roupa era uma bermuda cinza e um bracelete preto com um brasão metálico. Sua beleza era estranhamente irritante e isso criava uma grande curiosidade ao filho de Úrsula.
–Quem são seus pais mesmo?
–Hércules e Meg. -respondia Dimitrio em meio a sorriso.
Agora fazia sentido sua beleza,era filho de um semideus,filho de Zeus. Era obvio que o neto do deus mais poderoso seria belo como o resto da família. A unica coisa que Dillen fez foi revirar os olhos e começar a desfazer suas malas,que estavam alinhadas ao lado da cama.
Dimitrio tentava puxar conversar a todo momento,uma coisa meio irritante até certo ponto,mas por algum motivo estava se dando bem com aquele cara. Não do jeito esperado,mas a presença do grego não o irritava como deveria,até que nesses poucos minutos aprendeu a gostar de ouvi-lo falar sobre coisas sem o menor sentido. Mas esse pequeno momento de conforto foi interrompido no segundo que seu companheiro se colocou de pé,pegou uma blusa qualquer na mala e passou o braço ao redor do pescoço de Dillen.
–Vem. Não pode ficar preso aqui o dia todo,temos de almoçar. Como odeio todo mundo daqui você foi o escolhido para me suportar esse ano. -brincava Dimitrio rindo.
–Ei!-protestou Dillen corando brevemente ao sentir o peso do maior. Começou a empurra-lo com certa violência. -Me largue,bastardo!
–Você é muito bravo para uma criança,não acha?
–Não sou uma criança,bastardo! -gritava Dillen. -Saia daqui! Agora!
A unica ação de Dimitrio foi revirar seus olhos e soprar uma mecha de cabelo sua para trás. Saiu do quarto em meio a risadas,mas regrediu por breves cinco minutos para dizer uma ultima coisa:
–Divirta-se almoçando com algum Royal.
Isso foi o bastante para Dillen parar o que fazia. Podia não querer admitir,mas se ficasse perto daqueles que odiava acabaria perdendo o controle e faria tudo errado antes de ter a chance de começar sua vingança. Fechou suas mãos em punhos e engoliu seu orgulho naquele momento.
–Eu volto logo,Neo.-despediu-se da enguia e foi atrás do grego. -Que merda! Me espere,bastardo!
No segundo que Dimitrio focou seus olhos cinzentos em Dillen,o filho do mar teve certeza que aquele idiota tinha planejado tudo aquilo,não era um cara acostumado com rejeição ou escutar nãos. A unica coisa que restava fazer era segui-lo.
–Sabia que viria.
–Cale a boca. Só estou indo porque estou com fome e não conheço nada aqui.
O caminho até o refeitório foi bem silencioso já que realmente não existia assunto para os garotos conversarem. Algumas vezes Dimitrio perguntava coisas do exílio,Dillen respondia um pouco sem jeito e contra sua vontade,mas respondia. Outras vezes era o filho do mar que perguntava sobre a liberdade que os filhos dos heróis tinham. A resposta que recebeu foi uma grande surpresa,já que o grego começou a gargalhar e perguntar que liberdade. Dillen descobriu que os filhos dos mocinhos eram obrigados a seguir os passos dos pais,embora ser um herói não parecesse ser um problema para seu companheiro,tinha um porte atlético. Seu andar era ágil e era um tanto quanto carismático,era realmente um futuro herói que teria seu maldito ''felizes para sempre''.
–Vem.-chamava Dimitrio cruzando a ponte que separava a escola da cidade.
–Eu não sei se posso sair...-hesitou Dillen olhando ao redor.
Realmente não podia. O acordo limitava os filhos dos vilões apenas a propriedade da escola,o povo de Encatia não estaria preparado para tal susto.
–Tsc...Vem logo,Dillen. Você está comigo. -insistia Dimitrio agarrando o pulso do garoto e começando a puxa-lo.- Sou um quase deus,acho que posso conte-lo caso tenha um acesso de loucura e tente matar todos. Além de que se alguém tentar te expulsar falo que tudo foi ideia minha. Agora venha.
–Não posso! -dizia o garoto tentando se desvencilhar do maior.
–Dimitrio,deixe o garoto!-ordenava uma voz doce e feminina.
Dillen olhou na direção que vinha a voz e se deparou com uma garota azuis,como o fogo criado pelo gás,algumas mechas mais escuras que outras,também possuía traços gregos,os da garota eram mais fracos,mas existiam. Seus olhos eram azuis e fitava Dimitrio.
–Sabe muito bem que o acordo restringe nossa saída,i̱líthios-a mesma praticamente rosnava pro grego.
Não demorou pros dois estarem se xingando em grego. Dimitrio largou Dillen e falou que se viam no sala principal para cerimonia do começo do ano. A unica coisa que restou para o garoto foi a confusão daquele momento. Seus olhos se focaram na garota que lançou um olhar de reprovação.
–Não deveria confiar tanto assim nos mocinhos. -advertiu a mesma.
–Por que devo confiar em vocês?
–Porque sou uma exilada igual você. Sou filha de Hades.
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