Levantei aos poucos e levei a mão à cabeça, estava sangrando muito. Isso não podia estar acontecendo, era para serem férias tranqüilas, viemos passar uns dias na montanha, mas a única ponte que dava acesso quebrou, só espero que alguém venha nos ajudar. Olhei ao meu redor, eu havia caído em um barranco cheio de lama e a chuva não parava de cair. Voltei correndo em direção à cabana que nós alugamos.

Avistei-a de longe e segui mais confiante, minha cabeça ainda doía um pouco, mas nada que um beijo da minha namorada não resolva. Quinn era a mulher mais perfeita do mundo, tirei a sorte grande ao encontrá-la, não sei como consegui conquistar ela, todos diziam que eu era idiota demais pra isso, mas aqui estamos, juntos a mais de 5 meses e é com ela que pretendo casar. Abri a porta no exato momento em que um raio cortou o céu, o clarão iluminou a sala da casa e percebi o quão assustados meus amigos ficaram, comecei a rir deles de maneira descontrolada. Eles continuaram a olhar pra mim atônitos, então eu entrei e fechei a porta.

- Qual é, tão com medo da chuva? – Ri da cara que o Finn fazia enquanto abraçava Rachel que chorava descontroladamente – O que foi Rach? – Me aproximei da morena.
— ME DEIXA EM PAZ – Ela disse recuando o corpo.
— Ei, calma. O que aconteceu? O que eu fiz? – Olhei para o lado e minha Quinn estava encolhida no sofá, abraçava seus joelhos e lágrimas escorriam do seu rosto – Amor... – Me aproximei dela e ela hesitou antes de me abraçar, estranhei a atitude da loira. Cada vez ela chorava mais – Alguém quer me dizer o que aconteceu?
— A gente tava contando histórias de terror Sam – Finn falou depressa, todos desviaram os olhares para ele – É, isso, histórias de terror que aconteceram aqui mesmo, nessa cabana.
— É tão assustadora assim? Porque as meninas não pararam de chorar ainda e... – Olhei para o outro canto da sala – VOCÊ TA CHORANDO BLAINE?
— Desculpa cara, você sabe que é meu amigo e eu te amo por isso.
— Isso tudo porque o Kurt não veio?
-É...Isso.
— Vamos parar de falar, eu vou cuidar da sua cabeça vem – Quinn me puxou até a cozinha.

O silêncio era absoluto entre nós, tudo o que se ouvia eram sussurros na sala. Sussurros mesmo, só consegui ouvir algumas poucas palavras “verdade” “contar” “triste” “ponte” “perdido” “caminho”...
Parei encarando Quinn por um momento, seus olhos ainda com lágrimas refletiam a cada trovoada. Ela estava estranha, a cada tentativa de aproximação ela recuava, como se não quisesse me beijar, estava quase certo de que alguma coisa aconteceu enquanto estava fora, alguma coisa que a assustou demais, ela terminou meu curativo e fomos até a sala.

- Já deu Finn, não posso com vocês assim, me conte a tal história de terror...