Desavenças

1 Capítulo um


Notas iniciais
Comentem se devo ou não continuar ;)

Enquanto eu estava na sala sentada assistindo a um filme bobo que passa na televisão desviei o olhar para a janela, o dia lá fora estava lindo, os ventos balançavam as arvores, e o sol brilhante insistia em atravessar a janela e entrar na sala.

Por assim dizer, eu estava sobre os cuidados do meu irmão, apesar de ter dezesseis anos e não precisar disso, Collin, ele é três anos mais velho do que eu, nossos pais estavam viajando a trabalho, mas estariam de volta hoje.

Collin sempre foi um bom irmão, e também um bom filho, ele é uma pessoa bem dedicada e esforçada, e eu admiro isso nele. Apesar de sempre brigarmos, mas acho que irmãos tem esse dom natural e meio doido de demonstrar amor um ao outro.

Eu sou extremamente reservada, nunca fui de expressar muito meus sentimentos, e quando faço isso me sinto uma completa idiota, desde pequena eu sempre fui muito teimosa e muito exigente, e até hoje eu sou assim. Tenho poucos amigos, mas eles são os verdadeiros, e para mim é o suficiente, já que sempre foi muito complicado eu criar coragem para fazer amizades.

Minha mãe é do tipo de mulher que qualquer homem gostaria de ter ao seu lado o resto da vida, além de ser alta, magra e dos olhos claros, ela é muito carinhosa e uma excelente esposa. Sempre muito sorridente e dizendo para nós sempre seguir nossos sonhos e nunca deixar ninguém duvidar de nós.

Papai é um homem forte, dos cabelos grisalhos, e a barba por fazer, sempre com uma postura positiva e sorrindo para a vida. Ele é um pai muito esforçado, ele diz que desde criança sempre foi brincalham.

Todos da minha família tinha esse lado bem positivo, até mesmo Willina, meu namorado.

Nosso namorado não tinha pouco mais de dois meses, apesar de sewr educado e respeitoso, meu pai nunca gostou muito de Will. E as regras quanto a nosso namoro eram bem rígidas.

Conheci Will em uma viajem para frança, e descobrir que ele também era americano., trocamos nossos números, e vire e mexe ela me ligava, até eu descobrir que ele não morava tão longe de mim. De vez em quando eu ia a casa dela ou ele vinha aqui, até que duas semanas depois ele me pediu em namoro e eu aceitei.

Não digo que ele é meu príncipe encantado, mas eu o amo. Nos vemos duas vezes por semana. Não é muito, mas é possível dentro de sua agenda corrida.

Saindo dos meus devaneios voltei meu olhar para a televisão, e demorei alguns segundos para perceber que o filme havia acabado. Desliguei a televisão e decidir dar uma olhadinha no meu celular. Tinha uma mensagem de Julia me chamando para sair. Eu respondi que iria me trocar e sairmos. Ao me levantar do sofá estava quase chegando as escadas quando o telefone tocou, voltei para atender.

– Alo, Lauren? Aqui é sua tia ana. Estou no hospital Mayo Clinic – a voz dela falhou antes de continuar – Sinto muito, muito mesmo lhe enformar... mas, seus pais faleceram.

Meu coração parou.

Por fração de segundos senti que minha vida perdeu o total sentido apos aquela noticia. Eu não tive nenhuma reação. O único barulho que se ouvia era do telefone caindo, e depois meu corpo.

Vi tudo escurecer até eu não enxergar mais nada.

Meus pais estavam mortos.

E eu nem pude ao menos dizer adeus.

Dois anos depois.

A minha quarda e de meu irmão acabou ficando com minha tia Ana, e desde então estamos vivendo com ela em nossa casa. Tia Ana é uma ótima tia, na verdade nossa favorita, ela tem pouco mais de que quarenta e cinco anos, ela é alta e um pouco gordinha. Seus cabelos eram pretos de natureza, e com longos cachos, ela dizia que sempre ia deixar eles longos. Ela nunca cortava. Ana tem cuidado muito bem de nos, ela nunca se envolve nas nossas brigas, ou quando estamos triste e chorando, apenas tenta nos consolar.

Sentada na varanda de casa, eu observa a brisa dos ventos de novembro, fim de primavera. Olhando perdidamente para o nada, e obviamente pensando em tudo. Em tudo o que ocorrerá até hoje, em meus dezoito anos. Eu sou uma garota comum, com uma vida comum, mas com problemas incomuns. Aos meus dezesseis anos perdi meus pais em um acidente de avião, ninguém ali sobreviveu, era difícil até hoje acreditar na morte dos meus pais, era algo delicado, que eu não conseguia falar muito, tanto para mim como para meu irmão Collin.

Collin um garoto dedicado aos estudos que sempre se esforçava ao máximo para agradar aos pais, já estava cursando faculdade de medicina, mas com o ocorrido trancou a faculdade para se recuperar e poder cuidar de mim, apesar de morarmos com nossa tia, por mais que eu tenta-se não conseguia seguir em frente sozinha, algo em mim dizia que era impossível.

Collin tinha dezenove anos quando nossos pais faleceram, tanto para ele como para mim aquilo foi um choque, como se o chão em que pisávamos havia desmoronado. Dois anos se passaram após a morte de nossos pais, eu e Collin tínhamos que tocar a vida á frente, desde o ocorrido recebíamos ajuda de vizinhos e amigos, todos os familiares eram um pouco distantes, mas ficaram um tempo com nós para nos dar apoio. Não foi o tempo necessário. Mas a medida do possível íamos convivendo com aquele trauma na vida, que seria como uma ferida em seu corpo em que sempre teria aquela cicatriz, que por mais tempo que se passe, era como se nunca se cura-se.

Todos os dias, olhando para as estrelas a noite eu pensava neles, em como eles tinham dado a nós tudo o que podiam, de uma coisa Collin tinha certeza, eles deram o seu melhor, e foram os melhores pais que puderam. Eu tinha um namorado antes de seus pais falecerem, mas sabia que já estava na hora de terminar com ele, o único motivo de estar com ele ainda era de que precisava de alguém para me dar apoio e um ombro para chorar sempre que sentisse vontade.

Collin dizia que ele estava ali para isso, e não meu namorado tapado que mal sabia o que dizer quanto ao assunto. Eu cansada de ouvir isso nunca tomei uma atitude quanto a este assunto, temia este momento, pois ele era um reconforto para mim, mesmo que fosse um babaca.

– Não consigo entender o motivo de você ainda se preocupar com ele! Ele não esta nem ai para você, ainda não entendeu? – disse Collin, indignado de como eu ainda estava com aquele babaca! – Lauren, eu sei que é difícil, mas por favor, acorda! Você merece algo melhor, sei que você não esta na melhor fase, e que não sou o melhor para te dar conselhos, mas eu desejo o seu bem, e sei que isso não vai acontecer enquanto você estiver com esse garoto, Willian não é uma boa pessoa.

Eu não conseguia proferir uma palavra se quer, apenas o olhava séria, e só conseguia pensar no que ele dizia, sempre. E no fundo, eu sabia, ele estava certo, sempre esteve. Mas me sentia incapaz de ter qualquer ação em relação a isso, uma coisa havia mudado desde o falecimento de meus pais, e eu não era mais a mesma.

Todo aquele sentimento de alegria, de lógica, nada mais fazia sentido, tudo era diferente, eu sentia, no fundo, que depois de tudo, não conseguia e nem queria ser mais a mesma, mas sabia que, esse sentimento de fracasso e tristeza não poderia tomar conta de meu corpo, mas eu era incapaz de conseguir qualquer coisa sozinha, eu precisava de alguém, que me compreendesse mesmo com tudo isso sobre minhas costas.

– Eu preciso de uma psicóloga – foi a única coisa que consegui proferir diante daquele discurso de Collin — Eu preciso.

Collin, não conseguiu identificar bem as palavras ditas, estavam tentando juntar as silabas para que aquilo fizesse sentindo em sua cabeça.

– Psicóloga? Mas como assim?

– É, é isso, uma psicóloga, Collin, nem eu me entendo mais, e praticamente não tenho mais controle da minha própria vida, e não consigo nem terminar com meu quase ex namorado, imagina seguir em frente? Há dois anos eu tento isso, e sempre é a mesma coisa, eu não consigo, eu fracasso... eu sou um fracasso.

Collin, estava parado, sem reação, apenas digerindo as palavras que saiam da minha boca, era algo que nunca ouvira antes, algo que no fundo mesmo que fosse difícil de admitir, ele sabia que aquilo que eu havia tido era verdade, e não conseguia, nem mesmo com sua ajuda. E isso fazia ele sentir mais péssimo do que já se sentia.

– Resumindo, eu nunca adiante né? Nunca ajudei, nunca conseguia também! – ele dizia

Eu o olhava ao dizer essas palavras, não queria que ele tivesse essa impressão do que eu dizia, mas era verdade, nós dois não conseguiam mais aguentar tudo aquilo, era difícil demais para nós.

– Eu sei, desculpe, não era isso o que eu queria dizer, ou que você entendesse, mas no fundo, é realmente isso... – Eu não consegui conter as lagrimas antes de continuar — nós dois estamos arrasados, mesmo depois de dois anos, não da, eram nossos pais, nossa estrutura, agora somos dois adolescentes, sozinhos, temos a tia ana, mas é só ela, e mais ninguém, apenas tentando colocar isso no seu devido lugar, tentando lidar com esse sentimento, e com todas essas lembranças que permanecem nesta casa, é difícil! É devastador, eu não aguento mais! Collin, tenta me entender, não consigo.

Collin também não conseguiu conter as lagrimas, era verdade. Tudo oque eu havia acabado de dizer era verdade. Era como se uma bomba relógio estivesse dentro de nossa casa prestes a explodir e nós não conseguíamos fazer nada para interver. Nós dois, juntos passando por momentos difíceis, lembranças devastadoras, a dor da perda, e pensamentos culposos.

Era horrível, e nós dois e precisávamos de ajuda, precisávamos de alguém, ou até mesmo de uma psicóloga, como eu havia dito. Teríamos que tomar uma atitude, mas no fundo Collin se sentia mais culpado do que eu, e hoje com vinte e um anos de idade, entende que não conseguiu cumprir seu papel de cuidar da única pessoa que restava na sua vida. Eu.