Desavenças
3 Capitulo três
Notas iniciais
Quando acordei de manhã, a única coisa que eu conseguia pensar é de que tinha que colocar em ordem todos os meus problemas e minhas intuições, mas eu não conseguia pensar, que droga! Era tão difícil viver sozinha, ou quase sozinha, os pensamentos estavam totalmente confusos e sem nexo, era quase que impossível conseguir raciocinar em meio a tanta coisa.
Decidi continuar na cama por mais tempo, hoje era claramente um dia que eu não gostaria de ir para escola, e claro, enfrentar Will, e sabia que, esse plano maluco de ignora-lo obviamente não iria dar certo, já que eu o via todos os dias, teria de dar um fim nisso, seria difícil para mim, mas seria minha única saída, aonde eu iria buscar forças para isso?
Logo lembrei do papel com os números que Collin me deixou , peguei-o do lado da minha cama, segurei, o olhei, no momento não consegui tomar nenhuma decisão, a pergunta é quando eu iria criar coragem e tomar uma decisão? Levantei da cama e deixei o papel no mesmo liga aonde estava antes. Fiquei rodando em círculos pelo quarto tentado juntar todas as ideias e pensamentos, não funcionou.
Me joguei na cama novamente, e voltei aos devaneios e pensamentos perdidos. Fechei os olhos firmemente e puxei os cabelos, precisava fazer algo, era a única coisa que dizia a mim mesma. Levantei novamente, fui ao banheiro, tomei um longo banho tentando relaxar, depois de me trocar desci para cozinha em busca de Collin, ele não estava mais em casa.
Fui pegar algo para comer na geladeira, e vi que havia um bilhetinho, obviamente dele, aonde dizia "Bom dia! Estou indo para a cidade, dessa vez para voltar com a faculdade e assinar a papelada, de tarde estou de volta, qualquer coisa me ligue" Faculdade.
Collin ia voltar com a faculdade, tia Ana ia ficar feliz, e claro eu também. Voltei meus olhos para geladeira em busca de algo para comer, eu já tinha problemas demais em minha cabeça, então decidi não pensar em coisas ruins.
Depois de comer voltei para o quarto, e sem mais nem menos decidi que iria ligar para psicóloga, sim, eu precisava disso tanto quanto um faminto precisa de comida. Liguei. Chamou. Alguém atendeu, era uma mulher, sua voz era doce e ao mesmo tempo rouca. Era bonita.
– Consultório Dr. Katherine bom dia, em que posso ajudar? — a voz do outro lado da linha disse
Minhas mãos gelaram, comecei a suar frio, não sabia o por que daquilo. Hesitei um pouco antes de responder.
– Bom dia é... am, Dr Katherine! Me chamo Lauren
– Olá Lauren, em que posso ajuda-la? — a voz soou firme e doce ao mesmo tempo
– Bom, estou querendo marcar uma consulta com a Dr. — falei rapidamente
– Claro, por favor me passe seus dados, verei um dia disponível –
– Ok — respondi, tentando esconder o nervosismo na voz
– Seu nome completo, idade, numero do rg por favor.
Já era. A consulta já estava marcada, para uma terça-feira dia 15. As 11:00 da manhã. Só precisava contar a Collin, essa minha decisão, falei a mim mesma que tudo ia dar certo, eu ia conseguir. Tudo ia dar certo.
Desci para sala e resolvi ir ver tv. Devia estar passando algo de interessante. Depois de tanto mudar de canal deixei em um desenho, era o mais interessante no momento.
Quase cochilei no sofá ate ouvir Collin batendo a porta ao entrar.
– Oi — ele disse ao me ver — tudo bem?
– Sim — respondi coçando os olhos
– Leu o recado pelo visto né? Bom, eu vou voltar com a faculdade e enquanto estava perambulando pela cidade vi alguns anúncios de emprego, e decidi entrar, bom acho que é uma boa noticia que consegui um pelo menos temporário né?
Sorri ao ouvir aquela notícia, mesmo estando tudo difícil para nós, Collin estava tentando melhorar a situação. E eu ficava feliz por isso
– Fico feliz — respondi — e eu marquei uma consulta, Dr Katherine — falei entre risos
– Também fico feliz, quando é? — Dia 15. Enquanto isso vou me preparando psicologicamente para ir.
Collin sorriu. Apenas assentiu com a cabeça e subiu. Voltei para a sala tentando novamente reunir meus pensamentos, em menos de três dias eu iria a psicóloga desabafar e falar sobre tudo oque estava sentindo, não gostaria de fazer isso com minhas amigas ou ate mesmo com Collin.
Para falar a verdade essa semana tem sido péssima, a pior entre esses dois anos, na verdade nunca me vi assim, tão mal. Eu costumava lidar bem com o fato, ou apenas fingir.
Decidi ligar para alguma amiga, tentar marcar algo para hoje, eu precisava no mínimo de uma distração básica. Dessa vez decidi ligar para Laura.
– Poderíamos sair para algum lugar — ela sugeriu do outro lado da linha — vai ser bom, tanto para você quanto para mim
– Isso será maravilhoso, vou me arrumar e você pode me pegar as 16:00, tudo bem?
– Ok
Feliz.
Eu estava feliz. Ou pelo menos me sentia feliz, eu ia sair. Fazia mais de uma semana que eu so ficava empanturrada em casa sem fazer nada, precisava disso, de diversão. Voltei para o quarto para me trocar enquanto ouvia musica e pensava que o que eu realmente precisava era me distrair, me divertir com minhas amigas.
Depois de pronta me olhei no espelho, nada forte, ou chamativo, não era meu estilo, algo simples. Como uma blusinha regata e um shorts. Estava calor. Não precisaria de blusa.
Desci para esperar na sala, mas antes fui interrompida por Collin
– Vai sair?
– Me distrair um pouco, acho que preciso disso — falei descendo
Ele apenas concordou com a cabeça e voltou a fazer o que fazia antes
– Ah — ele desceu até me alcançar — chegue antes das 23:00 , se não for pedir demais
– Tudo bem — sorri Collin tinha tanta preocupação comigo que eu fazia o máximo para agrada-lo, afinal eu era a única que ele amava ainda viva, que dizer, tinha a tia Ana, mas é um amor diferente.. Dizer isso me dois nos nervos. Qualquer coisa que eu fizesse de errado, ele iria se machucar também. E claro, ele também era o único que eu amava realmente. Meu irmão, pai e mãe.
Desde a dois anos atrás ele tem sido tudo isso, e mesmo com dificuldades tem cumprido do melhor modo seus novos papeis com a ajuda da tia Ana. A campainha tocou, me trazendo de voltada dos devaneios
– Estou indo — falei, dando quase que um pulo do sofá
Ao abrir a porta apareceu Laura sorridente
– Que saudades garota! — ela dizia enquanto me abraçava
– Digo o mesmo — falei sorrindo
– Vamos? — Claro! Ao entrar no carro apertei os cintos e voltei meu olhar para a janela, passava pouco mais das quatro horas, e aparentemente o dia já estava acabando, pois o sol brilhava fraquinho dentre as nuvens, mas era uma paisagens de tirar o folego.
Estávamos no fim do ano, quase no meio de dezembro. Enquanto Laura dirigia eu estava perdida nos meus pensamentos e mal consegui perceber — se não fosse por ela ter tocado em mim — que ela estava falando comigo
– Oi — falei balançando a cabeça — estava pensativa, desculpe
– Percebi — ela disse voltar o olhar para frente — eu te perguntei como esta seu irmão
– Bem, na medida do possível nos estamos bem.
Depois disso não proferimos mais nenhuma palavra ate chegarmos ao nosso destino. Um pequeno shopping perto de onde morávamos, não era tão grande quanto os da cidades, mas dava para nos divertimos o suficiente naquela noitinha que chegava.
Quando Laura parou o carro tirei os sinto e ao sair senti aquele ventinho quente que dava um ar de paz, e sem nem mesmo perceber estava de braços abertos para que o vento passasse por mim, ate Laura observar
– Parece que você não sai a séculos — disse rindo da minha pose, o que me fez voltar ao normal rapidamente, ela percebeu que fiquei sem graça e soltou uma risada — relaxa, sei como é ficar um tempo sem sair, parece uma eternidade sem fim.
Laura me entendia, realmente parecia uma eternidade, mas eu estava disposta a me divertir naquela noite, e também nas próximas que eu iria sair novamente, isso era tão bom. Continuamos a caminhar ate dentro do shopping, estava lotado, para um dia de semana, edta realmente lotado, não entendia o motivo, mas era bom, eu gostava de locais lotados, porem cheios de gente vazia. Era oque eu pensava.
Olhei em volta das lojas, lindas roupas expostas, perfumes, tudo de bom. Porem nada que me desse vontade de comprar. Continuamos andando em silencio, ate que decidi quebra-lo
– Que tal irmos na Starbucks? — falei me virando para ela
Ela sorriu e assentiu com a cabeça
– E claro, passarmos pela livraria — ela disse por fim
Enquanto caminhávamos em direção a Starbucks eu observava as pessoas passando, quando um olha me chamou atenção, ele er alto, forte, tinha aparência de cansado, cabelos bagunçados e um olhar sereno. Era bonito. Pensei. Logo desviei o olhar, e continuei a andar, mas Laura percebeu, e soltou uma risada
– Se eu fosse você também repararia naquela beleza — ela olhou para mim — lindo não? — Realmente – sorri
Após nosso passeio voltei para casa cansada, disposta a cair na cama e dormir ate não querer mais, por sorte cheguei antes do horário pedido por Collin, ele estava na sala usando o notebook, mas percebeu minha entrada, apenas sorriu e voltou o olhar para oque estava fazendo.
Subi diretamente para meu quarto, sem nem mesmo tirar a roupa cai na cama e apaguei.
Fale com o autor