Desastres em primeira mão
4 Uma visita em vermelho
Enquanto via as fotos passando no data show — que pareciam que não acabariam nunca, por sinal -, senti aquela temível sensação que toda mulher passa. Será que eu deveria ter colocado um absorvente antes de ir à festa?
Isso me fez lembrar o episódio da primeira visitinha que aquela coisinha "fofa" me fez, aos doze anos.
Lá estava eu, na escola, na sexta série, fazendo um trabalho em grupo. Ainda lembro como se fosse ontem — já parou para perceber que a gente só se lembra de desastres, mesmo que tenha acontecido anos e anos atrás? -. A professora de geografia cismou que algum aluno havia descoberto as questões do teste antes mesmo de ser aplicado, então cancelou a prova e nos obrigou a fazer um trabalho besta e idiota: uma maquete. De. Vulcão. Diz, tem coisa mais ultrapassada que isso? Por que é que professor de geografia tem que ser tão viciado e obcecado por maquete de vulcão?!
Eu estava super orgulhosa por não ter esquecido de levar nenhum material, ao contrário da Rebecca, Sophia e Mariana, que sempre deixam para comprar as coisas de última hora. Ainda bem que eu não sou assim. Quer dizer... não era. Fiquei, então, debochando da cara das três e as chamando de irresponsáveis.
Em um determinado momento, percebi que minha caixa de massinha de modelar havia caído no chão, bem debaixo da minha cadeira. Foi exatamente naquela hora que me arrependi de ter falado mal das meninas. Eu finalmente havia pago meus pecados, pois no instante em que agachei para recolher as massas, um menino apontou pra minha bunda e berrou, com todos os pulmões:
– A JULIETA SUJOU AS CALÇAS DE CORANTE VERMELHO! HAHAHAHAHA!
O corante era para dar mais uma corzinha à lava de mentirinha do vulcão. Ok, não teria problema algum se todo mundo achasse que era mesmo corante. Mas a menina mais chata da sala, a Agnes (tem até nome de bruxa, a infeliz), gritou mais alto ainda:
– HAHAHAH! NÃO É CORANTE! É SANGUE!
– AAAAAAAAAAAAHHHH — berrei, com os olhos arregalados. A classe inteira, inclusive minhas amigas do grupo, estava olhando e rindo para mim. Só a professora que estava feito louca tentando calar as crianças.
Eu, como não estava preparada para minha menarca, comecei a chorar, ali mesmo, na sala.
Não lembro o que houve depois. Só sei que fui para casa mais cedo e os garotos riram de mim por duas semanas seguidas, e ainda me apelidaram de "Julieta Vulcão". É mole?!
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