Notas iniciais
Está muito difícil escrever, desculpem. Falta de tempo. Gripe. Escola. Dores. Garotos. Infecções. Brigas. Tudo ta acontecendo comigo, então desculpem-me se eu não estou podendo postar frequentemente.

— Calma Ann, não é..

— O que eu estou pensando? — se ela fosse uma deusa, eu já teria virado pó.

— Ann? De Anna… beth?

— Ann.. — coitado do Percy, mas ele se enrolaria todo tentando explicar.

— Sério? Eu ouvi falarem tanto de você. — exclamei — Principalmente pelo Percy, me permite fazer uma coisa?

— Depende.

Eu me aproximei dela enquanto ela me analisava de olhos estreitos. Abracei-a.

— É — sorri para Percy —, o cabelo dela tem mesmo cheiro de limão.

— Como? — perguntaram.

— Não lembra que você ficava falando de como a sua Ann é linda, encantadora, forte e cheira a limão? — dei um olhar significativo quando Annabeth fixou seu olhar em Percy.

— Cla-claro — e entendeu onde eu queria chegar —, você ficou mesmo com ciumes de mim com a pomba de rua como a Lou? — dei um tapa de brincadeira no seu braço.

— Não.

— Tem certeza? — abraçou Ann

— Sim. — saiu dos braços dele e começou a andar.

— Ann, meu amor — abraçou-a por traz —, para de ser orgulhosa.

— Não.

Ela tentava manter a voz séria, mas dava para ver que ela queria sorrir.

— Então sua punição será… cócegas!

— Na-não… para Percy! P-para! Estou falando sé-ério!

Eu me sentia bem vendo a cena, sempre quis ter isso que eles têm. “Você nunca vai ter, e sabe disso.” Por que Esq?

"Não a ouça!" Consciência? "Preste atenção em mim!" "Não! Se concentre! Faça o que eu mando" Senti vontade de gritar. "Não, faça tudo que eu mandar." Esq deu ênfase no eu.

"Você deve.." "Não a escute!" "Calada! Quem vai.." "Bla, bla, bla!" E tudo ficou escuro.

Acho que as parcas tiraram o milênio para se dedicarem a mim. Tem muitas coisas, que cá entre nós, eu tenho medo de entender. Por que elas simplesmente não me deixaram ser uma deusa normal, com responsabilidades normais, e alguns relacionamentos normais? Por que eu, tão nova, tive que ter a inocência arrancada de mim? Por que acabaram com minhas antigas perspectivas e aspirações, e, até mesmo com parte da minha fé?

As vezes, dá uma vontade de beber, como os mortais fazem, sabe? Mas creio que não haveria barril suficiente para me fazer esquecer. É com essa sensação que eu acordo.

Estava amanhecendo, o café da manhã ainda vai demorar muito. Me xingo mentalmente por não ter acordado antes.

— Finalmente Rapunzel.

Arrisquei perguntar: quem és? Mas minha voz fraquejou . Travis saiu das sombras deixando que a luz da lua iluminasse seu rosto me fazendo suspirar para tentar acalmar meu coração. Ele não batia assustado. Era, com certeza, outra coisa.

— Você passou dois dias e meio desacordada. Eu fiquei preocupado. — havia olheiras embaixo dos seus olhos — Você pareceu está confusa e com dor por alguns segundos e no seguinte estava caída no chão.

— Travis? — pronunciei com certa dificuldade

— Hum?

— Vem cá.

Minha mãe quase não obedeceu meus comandos para ela bater do meu lado, na cama.

Ele deitou do meu lado, colocando minha cabeça sobre seu peitoral.

— Você está com olheiras, espero não ter sido a causa delas.

— Infelizmente você é. — declarou fazendo cara de bravo, mas soltando um sorriso em seguida

— Sério?

Eu realmente deveria ficar feliz por isso? Pois eu estava.

— O que você tem com Aaron? — perguntou de repente

— Nada. Por que?

— Ele veio aqui te ver. — seu rosto estava carrancudo — Ele nunca vem aqui.

— A gente conversou na canoagem… e só.

— Tudo bem — e perguntou quando ouviu meu estomago roncar — quer que eu roube comida?

— Isso não vai te trazer problemas?

— Só se as harpias me pegarem. — esboçou um sorriso travesso — Já volto. — piscou.

Não demorou dez minutos e ele já estava de volta, trazendo um zilhão de comidas dentro de uma toalha quadriculada.

— Faz perninha de índio — eu ri do jeito que ele falou e obedeci.

Travis esticou a toalha na maca e sentou do mesmo jeito na minha frente.

— Não precisava de tudo isso. — disse, mesmo amando o gesto.

— Uh hum — e falou com um péssimo sotaque francês — agorre, má chere.. bota pra quebrar!

Eu ri. Ele era tão alegre e espontâneo que era tipo, completamente e totalmente impossível não se entusiasmar com Travis.

Nós comemos, ele me fez rir até eu não ter mais ar, então ele colocou (ou jogou, como preferir) a toalha com os farelos de comida num canto.

— Eu tenho que ir. — a voz dele era pesaroso

— Fica — pedi manhosa —, pelo menos até eu dormir.

Ele voltou a se deitar ocupando metade da maca e me puxando para um abraço. Procurei algo semelhante em palavras para o cheiro que emana de Travis. Algo escondido por trás da notável essência de Âmbar. Tenho um leve lembrança de sentir esse cheiro, não sei em quem, ou a onde. Os nomes: sândalo e gálbano saltam em minha mente, dando-me uma sensação quente e confortante. Eu meio que me aconcheguei ainda mais nos braços dele e me permiti cair nos braços de Hipnos.

Quando retornei a acordar, me deparei com um par de olhos me encarando. Verde Jade. Dizem que essa cor nos cria um sentimento de conforto e relaxação, de calma e paz interior, que nos faz sentir equilibrados interiormente. E é exatamente isso que eu senti quando olhei no fundo dos olhos de Aaron.

E pela segunda vez, em menos de cinco horas, meu coração deu umas mil piruetas. Esses garotos causam em mim coisas que nem o próprio Apolo nunca conseguiu.

Notas finais
Comentários?