Notas iniciais
Fala, pessoal! Depois do choque do capítulo anterior, continuamos com a programação normal: dor e sofrimento. É, hoje não teve capítulo com nome de música, deixa pra próxima kkkkkk Obrigada a todos que estão lendo e em especial às leitoras que estão deixando seu comentário. Suas palavras me motivam e adoçam ainda mais o meu dia!!! Boa leitura!

Ele não podia acreditar no que acabara de ouvir. Foi como se o cérebro parasse de funcionar por um instante e toda a informação posterior não conseguisse mais ser processada.

— O-o que? D-do que você...

Tarde demais para ela. Havia lançado a única frase que fez de tudo para não sair de sua boca e lançou-a justamente para o único homem a quem mais queria esconder. Ao tomar conta de si novamente, Sara lamentou com todas as forças a sua falta de controle emocional.

Continuar por ali apenas faria as coisas piorarem, se é que poderiam piorar ainda mais. A melhor saída era dar meia-volta e ir embora sem pensar nas consequências.

— Sara, espere — pediu ansioso ao se levantar com pressa da cadeira. Ameaçou caminhar ao seu encontro, mas parou antes mesmo de alcançar a metade da mesa.

Ouvindo-o chamar seu nome, Sara — que estava a menos de um metro da porta — parou de repente e repreendeu a si mesma por fazê-lo. Falhou mais uma vez em ignorá-lo e volta

— O que... o que houve? Deus! C-como... como assim você está...

Grissom não tinha coragem de dizer aquela palavra. Sua garganta, entalada, o proibiu de terminar a frase, como se aquilo trouxesse mau agouro; logo ele, cético demais para um religioso. Sem mesmo perceber, voltou a caminhar em sua direção, parando numa distância entre uma conversa casual.

Como responder à pergunta era o maior desafio para Sara. Não imaginava sair facilmente daquela sala depois do que falou; ainda mais quando hesitou em vez de seguir em frente. A voz dele alcançando seus ouvidos quase em súplica prevaleceu sobre sua força de vontade.

— Eu vou... — Sara respirou fundo enquanto fechava seus olhos por alguns instantes. — Vou cuidar disso. Só preciso de um tempo.

Ela ainda tentou resistir.

— Você acaba de me dizer que está assim agora fala que vai cuidar disto sozinha?! — Ele argumentou num tom alarmado. Ergueu brevemente a mão num pedido de desculpas por se exceder, fechou os olhos e tentou recomeçar.

— É. — Ela assentiu, mantendo o semblante austero o máximo que podia, mas na verdade estava a ponto de desabar a qualquer momento. — É o que eu vou fazer.

Uma chamada ao celular do supervisor deixado sobre a mesa foi o único motivo que separou o olhar dos dois. Irritado por receber a ligação na pior hora possível, Grissom visou sua mesa por alguns segundos; o bastante para que perdesse um pouco do foco.

— Devem estar te chamando. — Ela apontou discretamente para o móvel. Era sua deixa para dar meia-volta e se livrar daquelas amarras.

Ainda virado para mesa, vacilante entre permanecer naquela conversa ou atender ao dever do trabalho, tinha apenas poucos segundos para tomar uma decisão. Sua mente, confusa demais para raciocinar o impedia de fazê-lo.

— Eu preciso ir.

— E-espera. Por favor.

Ao ouvir a despedida a reação do supervisor foi se virar de volta imediatamente. Não a segurou, não a puxou, tampouco executou um movimento brusco. Apenas tocou de modo gentil em seu braço esquerdo, como se pedisse para que se esquecesse do mal entendido e que os dois voltassem a conversar de um jeito menos exaltado.

O toque foi breve, mas o suficiente para despertar nela um misto de emoções. Confortante, mas acima de tudo, cruel demais. Mais um pouco e sucumbiria a libertar o que realmente sentia, tudo de uma vez. A última coisa que precisava no momento era o contato dele. Mais um pouco e iria desabar na frente do chefe.

Percebendo que estava indo longe demais ele se retraiu e pediu desculpas sem ao menos dizer diretamente. Seu olhar, todavia, suplicava-lhe para que lhe desse uma resposta. Não podia deixá-la ir simplesmente, sentindo seu peito comprimir a cada segundo após saber da pior notícia que já recebeu em anos.

— E... e os outros? Você já contou-

— Não. E não quero que eles saibam — respondeu de modo ríspido, cortando quaisquer chances de avançar com a ideia.

Aquela resposta o deixou pouco atônito. Era o primeiro a saber da notícia por ali e não sabia como reagir. Estava perdido.

— Mas... — Grissom cogitou questionar sua decisão, mas desistiu. — Por que você não... me deixa te ajudar com isso? Deus...

Não estava agindo certo em insistir por uma resposta, porém a notícia não o deixava relaxar. Era impossível voltar para aquela cadeira e liberá-la sem ao menos ouvir da sua boca a causa do seu problema.

— Eu pedi ajuda agora há pouco, não se lembra? — Ela rebateu sem o menor arrependimento. Não esconderia a mágoa que sentiu ao ter seu pedido de licença rejeitado.

— Deus!... Isto é diferente agora. Por favor. — Grissom tentou uma última vez, mantendo uma distância respeitosa. Não faça isso comigo, pensou, sem a coragem de pôr para fora. Não acreditava que ela iria embora sem se abrir com ele, apesar de anos e anos de rejeição. Ele mesmo admitia não ser merecedor de possuir uma relação mais íntima com Sara, mas não se conformava com aquilo. — Fale comigo.

Achei que... estávamos conversando mais...

Os dois se encontraram com olhares amargurados. Cada um lamentando a situação a seu modo, mas sem coragem de tratar com aquilo. Não era a hora.

Bem que ela gostaria de revelar tudo e buscar nele o consolo que tanto precisava. Era o que mais queria, sem pestanejar. Mas só iria trazer mais dor a si e para ele e isto não estava em seus planos. Já se machucou demais com a falta de apoio anterior e o machucou demais revelando algo que não devia.

Ela respirou fundo, como se preparasse o discurso tão esperado por Grissom:

— Pode me demitir se quiser. — Sara murmurou antes de dar meia volta e sair da sala finalmente.

Grissom ameaçou dar um passo para a frente, mas seria inútil e Sara foi mais rápida ainda por cima. Daquela porta para fora estaria exposto demais. Seria alvo de olhares duvidosos e quem sabe maliciosos, tanto para ele quanto para Sara. Chegou ao limite ao qual, se ultrapassasse, se poria em sérios problemas. Mas isto não queria dizer que se conformou com o desfecho daquela conversa, muito pelo contrário.

Ele repousou a mão sobre a parede adjacente à porta e suspirou, vindo a baixar a cabeça em sinal de derrota. Poderia ignorar os avisos da mente e alcançar Sara, ainda havia tempo se apertasse o passo; só que ele tinha medo. Dar aquele passo era navegar em meio à uma neblina, sem saber para onde estava indo e aonde iria chegar. Lançar-se às escuras era correr riscos e Grissom não sabia dizer se estava disposto.

O mundo parou de girar. O coração em mil pedaços cortava a carne como um castigo. Como teve coragem de deixá-la partir sabendo que estava morrendo e ele não moveu um dedo para ajudá-la? Como teve coragem de ficar ali, paralisado de medo? Havia uma resposta para estas perguntas.

Covarde.

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Sua explosão emocional custaria-lhe claro, ela tinha certeza disso.

Sara deixou a sala com o peso da culpa por não ter se contido a tempo. Faltava pouco, bem pouco para que encerrasse aquela conversa e fosse embora de vez, mas ela deixou o controle escapar. Mesmo chocando-se com as próprias palavras, não tinha o poder de voltar no tempo e consertar seu erro.

Fora da sala de Grissom ela teve de ser forte. Conter as primeiras lágrimas que não encontravam resistência para cair. Não queria parecer frágil, apesar de se encontrar numa situação em que tinha todo o direito de chorar. Havia um caminho longo até seu carro e não estaria segura até o momento de chegar em casa.

Um aperto no peito lhe acometeu. A dúvida se era uma reação normal aos seus sentimentos ou se "aquilo" estava acontecendo novamente a castigava. Era uma carga pesada demais para carregar: administrar duas vidas sem que uma se sobrepusesse sobre a outra.

Só mais alguns dias... pensava ela. Mas seu destino final parecia inevitável.

Quando chegou em seu apartamento, o vermelho em seus olhos já não parecia tão evidente, mas o melhor era evitar o contato visual com outras pessoas. No caminho para casa não resistiu à forte emoção que tomava seu corpo e chorou baixo; não o bastante para liberar seu corpo da carga negativa que a consumia por dentro, mas o suficiente para ao menos aguentar firme até que chegasse na segurança das paredes e da porta fechada.

A comida mal desceu em sua garganta. Sem fome, perdida no silêncio do ambiente, os sons em sua casa vinham somente de sua mastigação e do garfo colidindo com o prato; este último tão constante que se tornou um incômodo. Não havia rádio, música, ou TV ligada. Somente ela, a pessoa que devia sofrer calada um provável destino que lhe foi entregue à força.

Como eu fui estúpida.

Seis meses de afastamento era o prazo para ela "resolver" sua vida. Quitaria suas dívidas, arrumaria seu espaço... Cogitou até mesmo voltar a São Francisco para quem sabe, passar o restante de seus dias na companhia do mar caso nada desse certo.

Pensar daquela forma acendeu nela um sorriso irônico. Caçoou de si mesma ao pensar nos planos antes do "fim" de sua vida. Melancólico, engraçado e duro demais para se engolir. Sara era crescida o suficiente para saber que não era saudável apostar todas as suas fichas num sonho idealizado. Parte dela tinha de aceitar seu provável destino: desaparecer.

Na companhia de sua velha amiga solidão, optou por uma ducha quente antes de se lançar na cama e forçar seu corpo desacostumado com o horário a dormir um pouco. Amanhã seria um novo dia, o primeiro de muitos. Ou o primeiro dos últimos.

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Imaginar que o trabalho afastaria aquela cena de pouco mais de uma hora foi de uma inocência que ele mesmo não acreditava ter caído. Mente e corpo funcionavam em sintonias dispersas; ambas tentavam tomar o controle e falhavam miseravelmente. Corpo no trabalho e mente em um outro lugar. Atuar em situações de limite já era um assunto familiar para Grissom, que já passou dias inteiros sem dormir ou trabalhou em condições insalubres e lugares com pouco acesso à tecnologia. Mas não raciocinar direito por causa de outra pessoa era algo novo e incômodo. Simplesmente não conseguia se colocar no modo automático e seguir adiante.

Apesar de tudo parecia difícil de engolir a notícia, como tudo o que ouviu não passou de um exagero ou sua mente o enganando.

Deus...

Mas o fato de não vê-la na sala de reunião junto dos outros era motivo para acreditar que recebeu mesmo sua visita. Àquela altura já não importava mais saber qual era a causa ou a doença; ele só queria estar perto dela.

— Ué, a Sara já tá em um caso? — Estranhando a ausência da amiga, Greg olhou para os lados para se certificar se ela não estava por ali. Somente ele, Sofia e Grissom estavam na sala. Pouca conversa para gostos notoriamente diferentes. Sara, quem sabe, seria a melhor ligação entre os criminalistas, além de Greg.

— Não. Ela... está de folga hoje. — O supervisor respondeu como se estivesse com a mente em outro lugar; e na verdade, estava. Absorto, lia os arquivos sob suas mãos quase ignorando a existência dos outros dois.

— Vamos ser só nos três, então? — Sofia aproveitou a deixa para questioná-lo. Já pensava no volume de trabalho que iriam pegar com a ausência de um perito. O número de integrantes do grupo já havia sido reduzido por conta da implicância de Ecklie e agora sem Sara, mesmo que por um dia, seria o bastante para atrasar o trabalho de todos ali. — Que ótimo!

— Não — respondeu Grissom, ainda focando naqueles papéis. A voz grave e desanimada há muito não era ouvida por eles. A voz de quem quase sempre iniciava um novo turno trazendo consigo um ânimo quase infantil ou empolgado.

Grissom sempre foi estranho para eles, mas desta vez parecia aquém de ser o normal estranho Grissom.

— Já convoquei um perito do turno do dia, está a caminho. — Quando finalmente baixou aqueles arquivos para dirigir seu olhar a eles, continuou: — Vocês dois. Tem um 419 na Del Rey.

— Se for o caso o senhor pode me deixar atuar sozinho desta vez. — O jovem CSI deu de ombros e mostrou-lhe um sorriso obstinado. Sabia que suas chances eram poucas de conseguir, mas nunca poderia saber quando iria ganhar um 'sim'.

— Esqueceu que ainda está sob treinamento e se você por um acaso cometer um erro, o menor que seja, este Laboratório todo vai pagar por isso, Greg? Você e Curtis estão juntos nessa. Ponto final. — A resposta fria e irredutível do supervisor afogou quaisquer outras tentativas de Greg em insistir. Nem óculos de grau eram capazes de proteger o rapaz do olhar afiado de Grissom.

Talvez tenha sido a primeira vez que Greg teve o desejo de sumir naquele instante. Fugir e se esconder no buraco mais profundo que existia, apenas para se livrar da ira do supervisor e de seu olhar fulminante.

Sem escolha aparente, ele se calou e assentiu ao chefe para evitar maiores problemas. Arrependeu-se de ter dito aquilo justo num dia no qual nem o mórbido humor de Grissom se fazia presente.

Grissom não esperou a chegada do perito do turno do dia; deu as instruções para que Judy o informasse e seguiu para o estacionamento do Wendy's, local aonde ocorreu um aparente homicídio.

Isolado no carro finalmente, fez de tudo para não pensar em Sara, porém a terapia fajuta de realocar seus pensamentos o recompensava com o efeito oposto. De tanto se esforçar, acabava culpando a si mesmo por tentar ignorar um assunto tão sério. Ninguém mais sabia a não ser ele. Era um fardo muito pesado para se carregar, ainda mais ao pensar que se ele foi o único a saber, consequentemente, era o único em que ela confiava. E ele falhou.

— Ei, Gil, o que está fazendo? Esqueceu de alguma coisa?

A voz de Brass à janela do motorista o despertou. Pego de surpresa a olhar para o nada, mãos ao volante e motor desligado, a melhor reação de Grissom foi justamente fazer nada. Apenas descansou os braços que ficaram dormentes sem nem perceber. A feição corada dizia muito sobre ele: não queria ter sido visto daquele jeito.

O detetive, fechando ainda mais o zíper de sua jaqueta esportiva para se proteger do frio cruel de Vegas na madrugada, olhou para dentro do carro. Ossos do ofício. Como não reparou nada de anormal, percebeu que a estranheza vinha do amigo por si só.

— Eu estava... pensando. — Ele tentou se desvencilhar da pergunta. Retirou o cinto de segurança, que, para sua surpresa, continuava atado a ele e se preparou para sair do carro.

— Continue pensando enquanto coleta as evidências. — Brass replicou do jeito sarcástico e brincalhão de sempre.

Grissom não poderia se tornar um escravo da própria mente, mas pouco se esforçava para se livrar daquelas amarras. Ignorar a existência daquele fato seria como apunhalar Sara e observá-la partir. Impossível trabalhar direito tendo aquilo na mente.

Quem disse que ele iria conseguir trabalhar bem? Por fora, aparentemente estava normal, mas por dentro seu corpo entrou em crise. Executar tarefas simples na cena do crime, de repente, se tornou uma escalada em um monte íngreme. Ele não estava bem; nem mesmo as rasas tentativas de acalmar a si mesmo dizendo que Sara tinhas as coisas sob controle davam mais certo.

Era um tolo, afirmava categoricamente. Um tolo que não sabia fazer as coisas certas quando o caminho era posto bem na sua frente. Logo agora que devia lhe dar mais apoio a Sara, que já sofreu um turbilhão de problemas e muitos deles causados pelo próprio Grissom, fugiu de suas responsabilidades como um condenado.

Ele poderia ligar para ela. Poderia perguntar como estava se sentindo, mas só de pensar nisso envergonhou-se. Não era o tipo de coisa a se fazer, se bem que se deu conta disto após ligar umas duas vezes e suas chamadas caírem na caixa-postal. Ou ela o ignorava ou estava longe do celular. Talvez estivesse dormindo, inclusive. Ou talvez bloqueou seu número de celular.

Estava a ponto de entrar em colapso quando sentiu um toque no ombro.

— O que foi?

— Jim? — Grissom se virou bruscamente. Acabara de recolher uma amostra de fibra encontrada próxima ao corpo.

— Eu ia dizer que tenho outro chamado, mas acho que te peguei num "momento Grissom". — Ele brincou, apesar do semblante meio confuso.

— Oh. Certo. — O supervisor assentiu, retornando à sua investigação preliminar. Sabia que teria de levar o carro à garagem do Laboratório para trabalhar sob um ambiente mais reservado, com mais tempo (e tranquilidade) para focar na perícia.

— Tudo bem? — O detetive se arriscou.

Após fitá-lo por breves segundos, mordeu o lábio inferior e relaxou os ombros rígidos de cansaço.

— Eu... acho que sim — respondeu vagamente, sem pensar no que disse. — Não sei...

— Certo...?

— Não se preocupe comigo. Vá atender o seu chamado.

Percebendo que o amigo se fechara para o mundo novamente, Brass se despediu dele sem ter a certeza se deveria questioná-lo ou deixá-lo quieto. Grissom dava-lhe a impressão de estar pilhado, além do normal. Acabou optando pela segunda opção, mas isto não significava estar menos preocupado com o amigo; apenas deixaria a oportunidade para um momento mais propício.

Grissom estava perdendo o controle de suas ações. Sua insistência em se manter em cima do muro iria acabar prejudicando algum procedimento ao examinar a cena do crime ou em algum outro momento do caso. Ele tinha que escolher entre um ou outro e rápido, antes que perdesse ambos.

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Nove e meia da manhã. O calor latente de Las Vegas indicava mais um dia abafado para os desafortunados que não podiam se dar ao luxo de passarem as horas sob o frescor de um ar condicionado. Sara foi uma das sortudas da vez; não precisaria ir ao trabalho hoje apesar de estar intrinsecamente ligada a ele. Fazendo uso de um calmante natural finalmente ganhou a batalha contra si mesma e dormiu na noite anterior; mas não antes de ter pensado por várias e várias vezes no que dissera a Grissom.

Se havia uma diferença entre o que falou para Grissom e para Ecklie foi que neste último ela não se arrependeu nem um pouco. Recebeu uma suspensão do trabalho e por pouco não foi demitida, mas ela não deu a mínima. Porém o que disse para Grissom foi irreversível, o golpe que a faria sangrar por muito tempo e quase lhe arrancou o sono. Ela dormiu com a esperança de Vegas ou do alcance de Grissom o mais rápido possível. Já estava sofrendo demais e não queria que ele sofresse também; seria abrir uma ferida maior ainda.

Havia se levantado da cama há pouco. Escovou os dentes e preparava seu café da manhã quando ouviu a porta tocar. Ainda vestindo roupas de dormir — usava apenas uma camisa larga azul com uma estampa desgastada e a peça íntima inferior — tratou de vestir apenas um roupão. Encaminhou-se até a entrada e visou o olho mágico antes de abrir a porta. A imagem por entre a lente fez seu coração disparar por um momento e recuar um passo, temendo que tivesse sido percebida. O pior de tudo era que, por mais surpresa que estivesse, não estranhava ao todo aquela visita.

Sara tocou na maçaneta, respirou fundo, praguejou em silêncio e depois forçou o melhor sorriso de início do dia.

— Bom dia. Você aqui de novo? Parece que... notícias ruins te atraem, não é?

Notas finais
Caraca até eu tô em dúvida de qual lado eu apoio, deixo isso pra vocês mesmo kkkkkkk Era GSR com angst que vocês queriam? Então bora que vai ter mais!!!! Obrigada a todos que leram! Beijos e até o próximo capítulo!!!