Desafio dos 15 contos
2 Take On Me
Andrew Heather corria demais.
Ele saiu do táxi deixando o mais dinheiro como pagamento do que realmente devia. Não havia nada mais importante do que chegar naquele aeroporto e impedi-la de embarcar. Ele ainda estava há 7 quadras do local, o trânsito estava terrível. Precisava confessar a Kristall que ele era completamente louco por ela.
Imagens do sorriso dela passaram pela sua memória, o toque, o cheiro… tudo levou aquela festa de despedida da escola dois dias antes, aquela festa deixou claro para ele o que ele sentia bem.
Enquanto Andrew corria, a moça de longas madeixas castanhas segurava firme a alça da mala, esperando o chamado do voo que estava atrasado. Os pais a deixaram no aeroporto e foram trabalhar, agora ela estava sozinha e enquanto isso sua mente trabalhava duro em fazê-la se arrepiar com a lembrança do toque de Andrew, de como seus cabelos eram macios assim como os lábios. Uma lágrima solitária desceu pela bochecha.
We're talking away
I don't know what
I'm to say
I'll say it anyway
ANTES:
Era quarta-feira, a Montavilla High School (Montavilla, Portland — OR) fazia a anual Festa de Despedida aos Veteranos no sábado a noite, sempre após a formatura. A decoração estava ficando impecável. Kristall Dewey era a responsável do comitê de eventos da MHS, sendo a responsável pela festa. Dewey também era a redatora chefe do jornal da escola e do clube de fotografia. Seu currículo impecável e cheio de notas altas eram a ambição de uma boa faculdade escolhê-la. E conseguiu, em uma com bastante peso.
Desceu da escada onde usou para pendurar alguns adornos próximo ao palco e olhou observando a obra prima.
— Minha nossa, Kristall, você é ótima nisso.
Assim como ela, a amiga Elleonor Hunter observava o feito com um pincel sujo de tinta azul nas mãos. Ela pintava um dos painéis de fotos.
— Nós estamos nos superando.
— Falando em se superar, Joey me convidou para acompanhá-lo ao baile. – Kristall bate palmas animadas e a amiga ri — Eu sei, é incrível, mas queria saber se você aceitou ir com alguém. Você recebe convites o tempo todo, Kristall. Pobres rapazes que ainda tentam.
Kristall revira os olhos arrumando uma das mesas.
— Por que querem, minha resposta é a mesma.
— Eu acho que você poderia baixar a guarda.
A jovem revira os olhos indo pra perto do palco onde os itens de decoração estavam.
— Sou uma mulher auto suficiente e não preciso de um acompanhante.
Pegou uma pistola de cola quente e se afastou novamente.
— Qual é, Kristall, é claro que você é autossuficiente eu me preocupo com essa sua aversão a relacionamentos se estenda até ao baile… não acho que seja incapaz, mas… bem que podia deixar alguém entrar nesse seu coraçãozinho de pedra.
— Pelo amor de Deus, Elle, só tenho mais exatamente uma semana nessa escola. Depois todos nós estaremos em universidades diferentes bem longe daqui. Nós vamos pra UCLA, a milhares de km e porque justo agora eu iria me interessar em ter um relacionamento pra terminar dentro de alguns dias?
— Aí é que tá, cabeçuda. Se permita novas experiências. Você viveu sua vida toda pras outras pessoas, quando você vai viver só pra você?
Kristall solta a pistola virando indignada para a ruiva, visivelmente na defensiva
— Como ter um relacionamento se transformou em mim vivendo para outras pessoas?
— Eu tenho medo de responder isso e perceber que você está esperando por alguém que não saberia te valorizar. Porque aí sim eu concordo com você, o tempo dele acabou— A voz de Elle cessa, Kristall se vira com um olhar que entregava o jogo, mas se recompôs.
— Não sei do que você está falando.
— To falando do Heather nunca ter percebido que você gosta dele.
Mais uma vez, Kristall larga tudo olhando para os lados, para ver se ninguém mais as ouvia. Ela olhou repreensiva para a garota.
— Elle!
— Tá, tá. Desculpe. É que você parece ficar totalmente a mercê dele. Eu até aposto que ele que já tenha tentado te fazer desistir de UCLA pra ir com ele pra Oregon. – Kristall olha de soslaio para Elle. — Ai meu Deus. Você não contou?
— Não se mete nisso. Por favor. Eu vou contar. Mas aposto que ele não vai ligar mesmo.
Elle a olhou, não conseguindo entender como a amiga não percebia o que rolava entre ela e Heather há anos. Suspirou fundo.
— Kristall…
A morena a interrompe.
— Se eu arrumar um par para o baile você irá parar de me atazanar com essa história?
Os olhos índigos de Elle a fitaram pesarosos e preocupados. Ela suspira e finalmente responde.
— Sim!
— Vou pensar no seu caso, agora vamos parar de papo que essas paredes e esse painel não vão se organizar sozinhos.
Elle bateu continência. Era melhor dar aquela história por encerrada.
— Sim senhora, capitã.
xXx
— Qual é Max. – Andrew grunhi ao abrir seu armário e ver a meia do amigo junto as suas roupas. Pega uma caneta da mochila e a tira de lá — Você não tem outro lugar pra colocar essa meia suja, tinha que ser no meu armário, o fodido? Todo treino essa porra, durante quase 5 anos, vai se foder.
Berra Andrew tapando o nariz enquanto manuseava a meia do amigo pelo vestiário até onde todos os jogadores de futebol americano se encontravam após o treino. Ele encontrou a cabeleira do amigo entre os demais, eles cochichavam alguma coisa, mas ao verem Heather, pararam e se dissiparam. O rapaz achou esquisita aquela ação. Maxwell se aproxima.
— O que você quer, mané?
— Toma essa sua meia fedorenta, seu escroto. Nem no último treino você me dá paz– Maxwell ri da cara de nojo de Andrew.
— Você vai sentir minha falta, eu vou pra NY, quem vai te infernizar na Oregon?
Responde o moreno, Andrew dá o dedo do meio
— Eu to é feliz em que livrar de você. Mas diz aí, o que vocês estavam cochichando antes deu chegar?
Maxwell olha bem na cara do amigo e solta uma risada sarcástica.
— Você não vai querer saber…
— É justamente por isso que você vai me contar. Desembucha.
Max levanta as mãos em sinal de rendição.
— Baile de Despedida. Já convidou sua parceira? Sei que Paula Thomaz parece estar decidida a fazer você levá-la no último baile.
Andrew revirou os olhos.
— Não vou levar Paula ao baile. Não vou levar ninguém, como em todos os anos. E você vai com quem?
Ele dá de ombros.
— Sei lá, queria ir com Elle Hunter, mas ela vai com o idiota do Jeffries. Acho que também vou só.
Andrew riu. Max tinha uma queda pela ruiva temperamental da 3B. Ele passou o último ano tentando fazer a ruiva o enxergar, mas parece ter desencanado. A ruiva iria pra UCLA e ele para Nova York. Não tinha pelo que lutar. O próprio Andrew sabia que relacionamentos assim não duram, ainda mais quando nem existem uma consistência. Dessa vez então, resolve encerrar o assunto.
— Mas se era isso, então porque todos foram embora assim que cheguei?
— Um assunto muito interessante. Era sobre a tua garota. A Dewey.
Andrew o fuzilou com o olhar e falou de a contragosto.
— Ela não é minha garota.
— Então você não vai se importar se Justin Baxter chamar ela pra ir ao baile com ele?
Por um momento Andrew ri, ri tão alto que sua barriga doi.
— A piada é muito boa, mas estamos falando da Kristall, ela já deu um fora em Justin e em todos os jogadores que tentaram algo tirando nós dois e os que nem ao menos tentam.
— Não que eu não quisesse, você que tem ciuminho e fica puto com qualquer um que chegue perto dela. Rendidaço, mas não quer largar a vida de putaria.
— Vai se foder, Throwller
— Se eu fosse você, não contava muito com o fato dela não aceitar. Jeffries chegou aqui dizendo que a Dewey ta pensando em aceitar. Não me pergunte como ele sabe disso.
— Eu acho que é mentira, mas de qualquer forma, ela é livre pra ir com quem quiser. Mas como melhor amigo, posso afirmar que ela não vai.
— Sim, sim, o expert em Kristall Joy Dewey, que conhece ela pra vida toda e muito mais, a própria cadelinha. Por favor me chamem pro casamento.
— Vai pro inferno, Maxwell Throwller. Você é insuportável
Andrew sai nervoso enquanto Maxwell olha pra ele e balança a cabeça achando engraçado o amigo não perceber o que estava na sua frente.
Andrew que a conhecia Kristall — a vida toda — ela sempre soube que ela era firme em suas decisões. Isso era culpa de seus pais negligentes durante a vida toda. Por isso no início da adolescência decretou que jamais teria um relacionamento com qualquer garoto da escola, nem mesmo aceitar ir ao baile. Andrew não sabia explicar porque aquilo o deixava aliviado.
Talvez porque era extremamente próximo a ela. Vizinhos e criados juntos desde criança, Kristall era a irmã que Andrew não tinha, durante o jardim de infância, pareciam praticamente gêmeos, onde um estava o outro tinha que está. Se repetiu nos primeiros anos de fundamental. Quando deram uma afastada no ensino médio, eles tinham tomado rumos diferentes e tinham afazeres separados. Kristall entrou nos clubes de debates e no jornal da escola, Andrew foi pro futebol. Mesmo a distância, eles se apoiavam. Kristall sempre estava nos jogos de futebol torcendo para ele, vestida com a camisa dele. Andrew foi nos debates pelo tempo que durou, mesmo odiando literatura. Sempre arrumando tempo um pro outro mesmo com saídas e namoros. Foi o que prometeram um ao outro.
Quando chega em casa, passa direto pro banheiro, se pergunta porque o fato de Justin querer convidar Kristall para o baile não saia de sua mente e esse desconforto com relação a possível proximidade dos dois. O que ele tinha haver com isso, afinal? E se aceitasse? Ele queria que ela não aceitasse? Seja lá qual fosse a escolha, respeitaria.
xXx
Depois do banho, Andrew sentou na sala. Resolveu jogar uma partida de futebol, incomodado com os pensamentos esquisitos, já passavam 30 minutos de partida. O pai de Andrew está na sala lendo o jornal e sua mãe, preparando o jantar. A campainha toca, mas ele nem se mexe. O pai se levanta e vai atender. Andrew pausa o jogo quando ouve a voz dela. Ele se vira. E levanta rapidamente para abraça-la. A presença de Kristall impede Andrew de ver a troca de olhares de seus pais, que pareciam pensar o mesmo "Adolescentes".
— O que veio fazer aqui, Dewey?
— Que horror, Heather, será que eu não posso, sei lá, jogar conversa fora?
Ela sorri de forma terna e o hipnotiza. Kristall usava óculos a noite assim como naquela e para Andrew parecia tão fofo compreender.
— Tá bem, Kristall, sei que você me ama, mas qual o real motivo por você está aqui?
A garota dá de ombros e o solta, indo em direção a sua mãe, para abraçá-la.
— Meus pais ainda não chegaram, tô cansada de comer pizza. Linda, você daria um prato de comida para esta pobre maribonda?
— Claro que não minha linda, você é quase de casa.
— Não acostuma não, mãe. Ela é uma draga, vai querer comer aqui todo dia, ai depois eu vou ter que bancar ela na universidade.
Kristall arremessa uma almofada em Andrew enquanto os pais dele vão para a cozinha preparar o jantar, os chamando logo em seguida.
Eles conversam um pouco, a senhora Heather parece muito emotiva dizendo que iria sentir falta deles dois de briguinha na mesa do jantar a partir da próxima semana. O jantar fluiu muito bem depois disso. No fim, foram assistir TV. Kristall se senta no sofá, mas Andrew a chama para seu quarto. Eles sobem e assim que entra, a moça se joga na cama do rapaz. Ele senta, encostando-se no esteio da cama, Kristall deita em sua perna e suspira, Andrew solta o cabelo dela que estava em um coque para fazer carinho nos fios castanhos de sua amiga.
— Em uma semana seremos eu e você em Oregon, Dewey?
Ela o olha profundamente, não queria mentir, mas não tinha coragem de contar. Na ultima semana finalmente recebeu uma carta da UCLA. Recebeu uma bolsa integral no curso de jornalismo. Mas ela e Andrew prometeram ir juntos para a mesma faculdade e nunca se separarem, mas como contar que ela iria quebrar a promessa deles?
— O que houve com você? Parece tensa.
— E estou… é a nossa ultima festa… é como se tudo tivesse passado rapido demais. Tenho que manter as coisas em ordem no jornal, para o proximo editor-chefe e trazer mais fotógrafos do clube de fotografia, deixar tudo em ordem até segunda-feira e organizar um baile. É cansativo
— Você tem um currículo impecável, porque não sei porque não deu uma parada quando tudo apertou.
— Eu estou segurando bem a barra e eu não posso jogar tudo pro alto agora. Não adianta.
— Eu entendo… só tenta ter saúde pra ir pra universidade comigo. Uma semana
Ela sorriu e assentiu, mas ainda parecia tensa. Kristall cogitou contar naquele momento sua escolha, mas desistiu.
— É só isso? O que mais aconteceu hoje? Parece chateada.
— Elle está me enchendo a paciência pra aceitar o convite de alguém pra ir ao baile.
Andrew sentiu um gosto amargo na boca.
— E você… tá pensando em aceitar?
— Não que tenham muitas opções, eu acho que já disse não pra quase todos os garotos da Montavilla.
O sorriso diabólico de Kristall tira uma gargalhada de Andrew.
— Sabe que não precisa fazer isso só porque ela quer, né? Toda essa bobagem de aceitar ir com alguém é tudo protocolar, eu por exemplo, acho cafona.
— Eu sei, mas… Ahh, talvez seja uma experiência que eu deva passar, pela primeira e ultima vez.
Ela diz olhando nos olhos dele, Andrew continua sentindo o gosto amargo e a sensação esquisita no peito. Coisas que ele não queria admitir, mas ele não queria que ela fosse com Justin ou qualquer outro cara da MHS.
— Você quer ir ao baile comigo?
As palavras pularam de sua boca antes que ele se desse conta, assustada, Kristall se senta rapidamente olhando sem reação para o amigo, que estava olhando para o nada, assustado com suas próprias palavras. Alguns minutos se passaram e ambos continuaram quietos.
— Vo-você tem que responder.
— Eu tô esperando você dizer que é pegadinha quando eu aceitar.
Ambos riram, Andrew pega a mão de Kristall, e olha nos olhos dela.
— Não é uma pegadinha, Dewey… Quer ir ao baile comigo?
— Você acabou de dizer que é cafona.
— Mas você é estilosa, não vai usar nada cafona.
— Eu não consigo acreditar. Você nunca foi ao baile acompanhado.
— Você nunca cogitou ir com ninguém, são experiências novas pra nós dois, nada mais justo que como melhores amigos, fazermos isso juntos.
— Mas, Andrew…
— Ainda por cima teremos a sorte de estar ao lado de duas pessoas confiáveis.
— Eu não sei…
Estava difícil de convencê-la e ele nem ao menos sabia porque tanto interesse nisso
— Elle não vai te deixar em paz e eu vou ficar puto se você preferir outro idiota que não eu.
A cartada final faz ela levantar os olhos e abrir a boca, para depois sorrir sem graça.
— Me deixa pensar.
Riu tensa e um pouco envergonhada, não entendo como aquela situação acabou acontecendo, Andrew a convidou para o baile, o mesmo Andrew que jamais convidou ninguém e que era cobiçado por uma parte significante de garotas da escola. Contudo por outro lado, era mais seguro estar com alguém conhecido, mas então porque o coração dela batia daquele jeito?
— Eu aceito.
Foi o suficiente pra algo crescer no peito de Andrew que não parou de sorrir desde então. Kristall tinha uma excitação constante como nunca sentiu antes. Ela dormiu na casa de Andrew naquela noite. Os dois estavam acostumados a dividirem a mesma cama, mas naquela noite foi diferente. O coração de Kristall batia forte por se sentir tão confortável nos braços de Andrew. Ele nunca reparou em como Kristall tinha uma quentura reconfortante um cheiro acolhedor.
Foi difícil dormir
Na manhã seguinte após cada um seguir seu rumo, Kristall deixava uma Elle boquiaberta, enquanto Andrew teve de suportar um ataque de meia hora de risos de Maxwell somada a pequenas indiretas durante todo o tempo que tinham juntos.
A sexta-feira chegou e com ela a excitação do baile. Todos comemoravam e se despediam com lágrimas e risadas. A partir da próxima semana cada menbro do corpo de alunos daquele ano se direcionava a um lugar longe dali. Mas o comentario do momento era sobre o casal mais ilustre: a jornalista e o jogador indo juntos ao baile, uma fama que Kristall não gostou nenhum pouco, o que a deixou chateada pelo dia todo. Mas quanto mais a noite se aproximava, mais ansiosa Dewey ficava.
No sábado ela e Elle tiveram um dia especial da beleza, enquanto a mãe de Andrew fazia uns ajustes em seu smoking. Linda era costureira, ela também confeccionou o vestido de Kristall, que estava impecável. Ela e Andrew se arrumariam na casa dele, pois Linda exigiu fotos dos dois. Quando Kristall chegou do salão, Andrew se arrumava em seu quarto. em perder tempo, Kristall se arrumou no quarto de hospedes. Onde iria dormir naquela noite. Seus pais não ligavam, eles estavam distantes como sempre.
Eram aproximadamente seis horas, Andrew esperava Kristall incomodado com a gola do smoking e irritado com a demora de morena.
— KRISTALL, NÓS TEMOS QUE IR. — Gritou da ponta da escada mais uma vez, olhando o relogio. Seu pai o observava rindo. — KRIST…
Ele se auto interrompeu quando a viu descer as escadas. Kristall estava estonteante em um vestido dourado de frente única, hot pants, trazendo uma fenda frontal, o forro aparecendo atravéz do tule decorado que o vestido trazia. O enorme cabelo estava preso para trás, iluminando o rosto de Kristall, a maquiagem estava impecável, fazia seus olho praticamente pularem de seu rosto. Por um momento, Andrew parecia perdido no castanho de seus olhos. Agora mais próximos dele por conta do sapato de salto que usava, deixando-a mais alta. Não que ela fosse baixa, Elle era o que chamariam de baixa, Kristall tinha por volta de 1,66. A garota sorria levemente envergonhada. Os pais de Andrew se entreolharam Linda se aproxima do marido que está em pé cochichando algo em seu ouvido que os dois jovens jamais escutariam.
— Como estou?
— Você… está linda…
Ela sorri, ele a acompanha de forma involuntária, se atentando a cada gesto da morena, eles eram imãs atraindo-se um pro outro, so não via quem não queria.
— Você também não está nada mal, quarterback.
A guerra de olhares prosseguiu com um admirando o outro, foi preciso o senhor Heather pigarrear, e mostrar o relógio.
— Bom, vamos então?
E Andrew parece finalmente acordar do transe, antes de saírem, deixa sua mãe bater algumas fotos e pega o carro para dar partida.
Ao chegarem na festa os olhares são para eles. Duas pessoas que claramente não assumiram compromissos, entrando de mãos dadas. E claramente as pessoas já percebiam o clima que rolava entre os dois. Eles claramente não ligavam ou estavam muito absortos em uma bolha diferente.
— Você quer beber algo?
Ele perguntou sem poder tirar os olhos dela. Kristall assente.
— Eu vou no palco checar as coisa, pode me encontrar lá?
Ele assente e sai indo na direção da mesa das bebidas, pegando dois copos e enchendo com o ponche de morango. Sente então uma mão em seu ombro. Era Max.
— Ora, ora… todo sorridente o meu amigo.
— Hoje você não vai conseguir tirar o sorriso do meu rosto, Max.
— Se eu tivesse com a consagrada, eu também ia sorrir que nem um imbecil. — Andrew apenas ri, envergonhado — Ahh não, você não negou? Finalmente reconhecendo que tá rendido?
— Você não tem jeito, Max.
Os dois caminham juntos. De longe, avistam Kristall conversando com algumas amigas. Ela sorri de uma forma aberta.
— Você é um cara de sorte. A garota é inteligente, legal e bonita.
— Do que você tá falando?
— Tá grandinho demais pra se fazer de desentendido, então dessa vez eu vou te dar uma força e desenhar pra você enxergar o que tá na sua frente: Você é apaixonado pela Dewey desde sempre e ela por você. Faz um favor pra você mesmo e fica com essa menina. Não perde a oportunidade de ser feliz.
— O que? Você está cometendo um equívoco…
— Cara, para de me dar desculpas como se tivesse tentando enfiar na sua cabeça que não tem sentimento nenhum. Você gosta dela, ama ela — Andrew vira o olhar surpreso para ele — Qual é, eu sei fanficar. Você gosta dela e ela gosta de você.
Andrew ficou mexido, meio abobalhado. Era como se a resposta sempre estivesse ali e ele finalmente tivesse achado, mas era assustador, assustador de fato, talvez ele realmente amasse Kristall, afinal, quem não amaria aquele ser incrível e de personalidade que ela era. Nesse momento Kristall se vira e sorri pra ele e começa a tocar Take On Me do A-ha. Ela vem na direção dele.
Andrew entrega os dois copos para Max enquanto praticamente corre na direção de Kristall. Aquela música tinha um significado especial para os dois. Eles tinham muito mais em comum do que serem apenas vizinhos: nasceram no mesmo dia, 5 de Abril de 1985. Dia do lançamento daquela canção. Os dois dão as mãos e vão para a pista de dança, enquanto algumas pessoas observam, e outras dançam. Andrew girou Kristall e segurou sua cintura firmemente aproximando os corpos deles, encostando as testas um do outro enquanto cantava o refrão.
— Take on me… Take me on
— I'll be gone In a day or two
Foi Kristall quem continuou tirando uma gargalhada dos dois por desafinar. Revisando a frase, sentindo o risco da mensagem subliminar ser entendida, contudo, Andrew estava perigosamente próximo demais. Com aquelas orbes de um verde profundo voltados para ela. Seu gel de cabelo mantinha os fios negros dele e combinavam tão bem com a essência da fragrância dele, a favorita dela. Andrew foi se aproximando mais, entorpecido pela vontade de finalmente beijá-la, Kristall baixou o olhar para seus lábios e ele para os dela. Os corações de ambos disparados, e seus corpos se pedindo tanto. Eles já não dançavam mais, estavam parados, com a mão esquerda dele na cintura dela, enquanto a mão direita dela estava pousada em seu ombro. As mãos livres dos dois se entrelaçam. Ela fecha os olhos e acaba com o espaço existente para os dois e toca seus lábios aos dele, que os recebe de bom grado, as mãos se soltam. Agora Andrew aperta mais a cintura de Kristall enquanto ela o abraçou pelos ombros, a mão livre dele vai até o cabelo dela enquanto as línguas se roçavam com vontade.
Totalmente entorpecidos, eles não percebem quando a música acaba, o fôlego é necessário, eles vão se afastando enquanto dão selinhos. Kristall mantém os olhos fechados, mas quando os abre, fica imediatamente chocada, levando a mão aos lábios avermelhados pelo recente beijo que lhe tirou o batom. Andrew estava igual e tem um péssimo pressentimento sobre aquilo. Seu coração ainda absorvia a adrenalina de finalmente beijá-la e só então percebe que quer isso há mais tempo do que possa se lembrar. Kristall vai se afastando visivelmente desolada. Seus olhos ficam aquosos ela olha em volta e algumas pessoas cochicham. A garota sai disparada até a saída. Andrew põe as mãos no cabelo perfeitamente arrumado. Passando o rosto no salão ele acha Maxwell e Elle juntos, eles vão até ele.
— Você está esperando o que pra ir atrás dela? — Diz a ruiva Elle que pela primeira vez na vida não tem tinta no rosto ou no cabelo.
— Eu fiz uma merda enorme.
— Merda você vai fazer se não for atrás daquela garota.
Maxwell o repreende ele se vira para o amigo desesperado.
— Ela não vai me perdoar, você viu como ela saiu daqui?
— Para de sofrer por antecipação, idiota. Vai atrás da minha amiga.
Sem esperar mais, Andrew corre até a saída, pensando em todos os motivos que tinha pra gostar dela e não eram poucos. O sorriso acolhedor, o olhar penetrante, a personalidade forte, mas dócil, o senso prático incrível, as filosofias. Ele percebeu que não simplesmente gostava dela, ele a amava. Há muitos anos. O baile ainda estava na metade, mas aparentemente já acabou pra eles. Ele corre até a saída e vê quando ela chama um taxi. Felizmente consegue entrar junto com ela assustando ela e o motorista.
— Siga para Mellingross, Albuquerque Street, 82
Kristall olha indignada pra ele. Enquanto o motorista dava a partida.
— Porque você deu o número da sua casa.
— Nossa, muito distante da sua casa. Você esqueceu que seus pais viajaram e que era pra você dormir em casa hoje?
— Eu não vou ficar na sua casa. Eu não quero.
Seu tom de voz parecia amedrontado. Andrew não tentou argumentar, pensou que seria melhor quando chegassem em casa. A viagem durou aproximadamente vinte minutos, Kristall sai do carro sem esperar por Andrew. Ela tira os sapatos enquanto caminha até a varanda. Andrew paga a corrida e sai do táxi. Kristall estava na varanda com os sapatos nas mãos, ela não olha pra ele. Andrew abre a porta e ela passa por ele indo para o quarto de hóspedes, mas é seguida por ele, enquanto ele tira o paletó do smoking.
Today's another day to find you
Shying away
I'll be coming for your love, ok?
Andrew entra vendo o furacão Kristall jogar todo o seu material e roupas dentro de uma mala.
— Kristall, a gente precisa conversar. Kristall!
— Cala a boca, Cole. Não quero falar com você.
Ela usava o nome do meio dele quando estava extremamente puta da vida.
— Você pode deixar de ser estúpida, foi você quem me beijou! — Acusa vendo a garota vacilar com o olhar. — Eu também estou me sentindo esquisito com o que aconteceu.
— Foi um erro, você não deveria ter entrado nessa.
— Mas eu queria, você não entende?
— Queria me beijar?
— Claro que eu queria te beijar. Eu passei a noite toda do seu lado da forma mais torturante possível, porque eu te queria de uma forma que nunca quis garota nenhuma. Kristall, eu acho…
— NÃO! Não termina a sua frase. Você não gosta de mim, você só deve me achar novidade por essa noite.
— Novidade? Quem você pensa que eu sou? Acha que eu olho pra você como um pedaço de carne? Eu te respeitei a vida toda, Kristall.
So needless to say
I'm odds and ends
— Eu não sou qualquer garota, Heather, você não vai me iludir e me magoar.
— Eu não quero te iludir — Diz se aproximando até ficar a centímetros dela. — Você me faz sentir algo diferente, algo que eu nunca senti antes, eu não consigo entender porque eu sempre fico nervoso perto de você…
Os olhares ficam presos. Kristall sabe que ele jamais mentiria pra ela olhando em seus olhos como ele estava agora.
— Eu me sinto assim também — Ela diz mordendo o lábio enquanto a mão dele encostar em sua bochecha, uma lágrima desce sendo limpa pelo polegar do moreno — Eu gosto de você e isso é terrivelmente estranho, você é meu melhor amigo… Eu, eu vi seus históricos com garotas de perto e é por isso que eu não confio em você.
Ela retira a mão dele e se afasta.
— Por favor, não, me desculpa, okay? Não queria te despertar essa incerteza, mas… Eu também gosto de você… Só de você. Por favor, acredita em mim. Eu preciso que acredite em mim…
— Eu não sei o que fazer… tem noção de como as coisas vão mudar?
— Algumas mudanças devem ser vividas. Vamos viver agora, aqui tudo o que estamos nos proporcionando. Eu quero conversar amanhã, mas só amanhã.
— Agora você quer fazer o que? – Sussurra, baixando os olhos para os lábios dele, novamente tão próximos dos seus.
Sem esperar respostas, ele lança suas mãos e segura o rosto dela. Sem esperar mais ele se aproxima e a beija, castamente, trazendo seu corpo mais pra perto.
But I'll be stumbling away
Slowly learning that life is ok
Os dois intensificaram o beijo, Andrew eleva o corpo dela, que cruza suas pernas na cintura dele. Ele anda com ela no colo até a estante, onde a deixa sentada tomando fôlego pelo beijo, descendo os beijos até o pescoço dela. As mãos de Andrew vão até o feixe lateral de seu vestido, descendo-o até o fim enquanto as mãos dela desabotoaram a camisa social que ele usava. Ele a carregou de volta até a cama, deitando-a delicadamente enquanto tirava um tempo para admirar o brilho em seus olhos e admirar a beleza deles, passou a olhar com mais avidez, como um pedido silencioso. Ela sorriu, consentindo. Era a noite mais memorável de suas vidas, eles só não queriam que acabasse.
Say after me
It's no better to be safe than sorry
xXx
O sol banhava a pele descoberta dos dois jovens dormindo abraçados. Andrew se despertou aos poucos sentindo o cheiro dos fios de cabelo de Kristall. Ele sorriu ao sentir o peso do corpo dela em cima do seu. Flashs da noite passada eram nítidos na sua mente. Ele beijou sua testa, ela se mexeu e abriu os olhos. Andrew ficou tenso pois por um momento ela parecia confusa, mas então ela sorriu e pousou a mão em seu rosto.
— Bom dia.
Sua voz era sonolenta, mas extremamente acolhedora.
— Bom dia, Kristall
— Que horas são? —Diz olhando para o relógio ao lado da cama — Ai meu deus, são quase meio-dia. Meus pais voltam às duas da tarde.
Ela se levanta apressada recolhendo as roupas e as vestindo. O tempo parecia já querer mudar, ela percebeu pela janela que ia chover.
— Calma, ainda falta muito tempo.
Andrew também levanta e abraça a garota por trás da garota, que deita a cabeça no ombro dele, se sobressaltando novamente, se afastando e virando de frente para Andrew
— E se seus pais viram a gente? Meu Deus, com que cara eu vou olhar pra eles?
Andrew para um pouco e começa a rir deixando a garota irritada.
— Para, amor. Não seja tão dramática.
Ela sorri, sorri amarelo com uma leveza infantil, mas seu véu cai assim que ela lembra que em três dias deveria estar em Los Angeles fazendo sua inscrição e conhecendo o campus da UCLA. Andrew não sabia e contar não era uma boa ideia naquele momento.
— Você não acha que está indo muito rápido?
Ela se vira, Andrew a olha confuso.
— Desculpe, você tem razão. Teremos muito tempo pra isso na Oregon. Eu quero te chamar de minha namorada, mas eu vou esperar seu tempo.
Kristall se afasta, comprime os olhos. Andrew aprendeu em muitos anos de convivência que aquilo era muito ruim. Ela se sentia culpada de algo.
— Não, não vamos.
— Como assim não?
— Eu preciso que me escute antes de mais nada. Eu não pensei que tudo isso ia acontecer entre a gente e que… e que nós íamos corresponder um ao outro.
— Você está me assustando…
— Há duas semanas eu recebi uma carta, uma carta da Universidade da Califórnia… Eu… eu ganhei uma bolsa de estudos na UCLA. Eu tinha me inscrito, lembra? Você gravou me ajudou com o vídeo e a redação.
— Porque não me contou?
Ela se aproxima, colocando as duas mãos no rosto plácido de Andrew.
— Nós tínhamos combinado ir pra Oregon em Agosto, mas… Por favor não me odeie… — As lágrimas dela começam a cair. — Eu não vou mais pra Oregon, eu abri mão da vaga. Eu vou pra Los Angeles, And. É longe demais pra tentar ser casal.
Andrew permaneceu sem reação, Kristall o parafraseou em uma das conversas com os amigos sobre namoro a distância. A garota afastou as mãos de seu rosto se sentindo desmoronar por dentro. Ele sentia o coração pesar de uma forma diferente, um bolo crescer na garganta. Ela o deixaria. Ele acabou de descobrir que a amava e que era correspondido, mas ela o deixaria e não avisou, não o preparou pra isso.
— E quando você pretendia me contar? Quando, Kristall?
— Eu tentei, em todas as vezes que estivemos juntos, eu tentei, mas não é fácil.
— Nós prometemos, prometemos ir pro mesmo lugar. Você já está desistindo do que nem começou?
— É a faculdade dos meus sonhos, na cidade dos sonhos, Andrew, você sabe disso.
Oh, things that you say
Is it a life or just to play my worries away?
— Eu sei.
Respondeu seco, mas ele realmente sabia. Desde pequena Kristall quer ir a LA. Ela amava aquela cidade e em como ela parecia tão literal. Mas não deixava de doer a sua omissão. Kristall quebrou sua confiança.
— Quando você vai embora?
— Terça-feira.
Ele a encara, abismado.
— Depois de amanhã?
Ela assente enquanto ele comprime os lábios. Desolado, Andrew não sabe o que fazer.
— Eu… eu preciso pensar — Vai em direção a saída sob protestos da garota, o chamando pelo nome. Andrew abre a porta seguindo para seu quarto e batendo a porta em uma silenciosa mensagem que precisava de espaço.
Kristall pegou todas as suas coisas e as colocou na sacola, arrumou o quarto de quem tanto lembraria durante anos e saiu, secando as lágrimas. Os pais de Andrew não estavam em casa e por isso não presenciaram nada. Nada além daquelas 4 paredes eram testemunhas de como ela foi do céu ao inferno em menos de 24 horas.
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A segunda passou se arrastando. Kristall ajustava os últimos preparativos para viajar na tarde seguinte. Ela tentou ir duas vezes falar com Andrew, mas ele não quis sair do quarto, nem ao menos para manda-la embora. Linda não entendia o que havia acontecido entre aqueles dois. Kristall voltava sempre cabisbaixa pra casa.
A terça-feira chegou e nem mesmo isso fez Kristall dar-se por vencida. Dessa vez Linda atendeu e disse que Andrew não estava. Kristall sabia que ele estava. O observou o tempo todo, sua moto estava na garagem e o carro ainda na escola, pois a chave estava com ela. Kristall estendeu a chave do possante de Andrew e uma carta. Se esse era o único meio para se explicar, ela se explicariam. Se despediu de Linda, dizendo que a veria novamente no natal. A mulher beijou seu rosto dizendo que não perdia por esperar vê-la. Mesmo se sentindo relativamente culpada, Kristall estava feliz em finalmente escolher a si mesma. Kristall e os pais saíram as duas da tarde e levaram quase uma hora pra chegar no aeroporto. Um caminhão havia tombado na avenida de acesso gerando um terrivel congestionamento.
Enquanto isso, um Andrew emburrado olhava pro teto, sendo interrompido pelos toques da mãe.
— Ela veio aqui incansavelmente por dois dias e você não a deixou se explicar. – Bate o envelope com a carta sobre sua escrivaninhas — Ela se foi, para Los Angeles. Deixou uma carta pra você.
— Ela omitiu que ia embora, mãe.
— Pessoas cometem erros assim como você. Você escolhe se os perdoa ou irá julgar, mas esteja preparado pra arcar com as consequências das ações. Se quiser ouvir meu conselho, leia a carta e chegue naquele aeroporto para se despedir da garota.
A senhora se foi, deixando um Andrew indeciso. Sua mãe conseguiu tumultuar suas emoções. Ele acabou se sentindo um pouco de remorso, mas resolveu tomar um banho. Ao sair aquele papel continuava ali, o encarando. Pegou a carta, perfumada e a abriu lendo o conteúdo com a letra cursiva perfeita de Kristall.
Olá Duende Imperial. Aqui é a Princesa Joy de Cristal. Sei que há muito não usamos nossos nomes de guerra nas brincadeiras, mas foi bom começar assim, porque isso faz parte da gente, você faz parte de mim.
Me desculpe, me desculpe por te decepcionar acho que nunca vou me perdoar por te fazer sentir o que você sentiu domingo. Eu não queria ter que encarar a realidade de te contar que todos aqueles anos de planejamento foram por água abaixo, mas ainda assim, estou feliz. Finalmente farei algo que eu gosto. Estudar longe dos meus pais é a melhor coisa que posso fazer pela minha saúde mental. Você sabe como eles são.
Em contrapartida, sei que soa egoísta, porque escolher meu futuro é abrir mão de algo que teríamos e de você, e essa é a maior dor no meu peito. Aceitar o fato de ficar longe de você, de quem eu nunca consegui me afastar nem por uma semana. Saiba que não foi uma escolha fácil, na hora eu pensei em desistir, mas eu pensei em como eu ficaria feliz se fosse você no meu lugar. Perdoe minha prepotência.
Eu te amo, Andrew, te amo de forma mais pura e pecaminosa. Você é incrível por inteiro, essa é a essência que você carrega. Foi o que me fez te amar por tantos anos. Você merece as coisas incríveis que estão por vir. Espero que um dia possa me perdoar e quem sabe, nesse mesmo dia nós iremos nos encontrar e continuar de onde paramos?
Eu acredito em destino, você sabe… Por enquanto eu só posso me expressar por essa carta, incerta de que um dia irá ler-la. Contudo, eu sinto e torço que faça.
Por favor, não se esqueça de mim e boa sorte em Oregon. Você vai ser um advogado incrível, eu sempre vou me orgulhar de você.
Com todo o meu amor,
Kristall Joy Dewey.
You're all the things I've got to remember
You're shying away
I'll be coming for you anyway
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Cansado, Andrew passa pela porta do aeroporto até a recepção, onde pergunta alterado assustado a recepcionista.
— Qual o portão de embarque de LA?
— O nove, corra pois ja está saindo.
Então Andrew correu, mesmo esgotado, mesmo com tanta gente olhando, ele precisava dizer a Kristall que a ama, se desculpar. Os portões ia passando, ao chegar no nove seu corpo treme. Estava vazio. A porta da cabine de embarque aberta, ele tentou ir mas os comissários vinham voltando e o impediram, pois o avião ia decolar.
Kristall tinha ido embora, ele tinha a perdido. A sensação de perda era enorme e dolorosa demais. Andrew pensou que não fosse suportar, mas ele não tinha escolha. Ele acreditava lá no fundo em uma reviravolta. Histórias de amor não podiam acabar daquela forma.
15 anos depois
Nova York não era muito ensolarada. Era uma tarde bem fria. A jornalista Kristall Gordon andava pelo Central Park para matar hora depois de sair da casa de sua melhor amiga, Elle. As duas contabilizavam quase 20 anos de amizade. Foram juntas pra universidade, logo depois, Elle se casou com um farmacêutico e foi para a Flórida, enquanto Dewey ficou na Califórnia. Durante oito anos as duas não se viram, mas nunca perderam o contato. Quando Kristall foi transferida da São Francisco (CA) para a sede da revista em NY, descobriu que Elle e o marido se mudariam também. As duas não se desgrudaram desde então. Elle tinha um adorável garotinho ruivo chamado Bobby de quase dois anos que era muito especial para Kristall. Ela finalmente estava superando um luto duplo três anos antes.
Era casada há três anos com o também jornalista Anthony Gordon, naquela época eles esperavam a primeira filha do casal, a pequena Alice que nasceria em breve. Eles voltavam da casa dos pais de Gordon, um pouco mais afastada da cidade quando chovia na pista molhada. O carro derrapou e capotou. Kristall perdeu Alice, ela e Anthony foram levados aos hospitais, mas ele não resistiu aos ferimentos.
Apesar de doloroso, Kristall só tinha a agradecer as duas pessoas que mais a ensinaram na vida. Anthony era um companheiro incrível, paciente, respeitoso. Um bom marido. Ela o amava. Alice veio ensinando coisas desde o primeiro momento da gravidez, coisas sobre Kristall que nem mesmo ela imaginou. De qualquer forma a confortava saber que de alguma forma eles estavam juntos. Anthony estava cuidando da filha deles onde quer que estivesse e os dois jamais deixariam Kristall. Foi sua forma de seguir em frente.
Foi tirada dos devaneios por um garotinho de cabelos bem negros batendo em suas pernas e caindo. A criança a olhou, parecia querer chorar. Sua semelhança a assustou. Os olhos tinham um tom verde indecifrável. Kristall o pegou no colo. O garotinho choramingava, mas deitou sua cabeça no ombro, passando os bracinhos por seu pescoço. Já acostumada a lidar com choramingos assim por conta de Bobby, Kristall passou as mãos na costinha do garotinho que deveria ter por volta de uns três anos a aproximada idade de Alice.
— Ta tudo bem, querido. Não chore, está tudo bem.
Ela se vira para procurar um responsável, quando ouve aquela voz inesquecível.
— Adam! Hey, solte meu filho.
Kristall se virou vendo ele. Ela parecia tão surpresa quanto ela. Como o tempo tinha feito o bem, vestia um casaco grande e jeans surrado. Assim como ela, usava roupas próprias para o clima. Ele se aproximou de vagar, sem palavras, apenas a fitando. Seus olhares se encontraram como na noite em que ficaram juntos antes de um vendaval os apossar e os afastar por 15 anos.
— Kristal…
— Andrew.
Andrew estava estático com o fato de seu filho estar justamente no colo dela. Ela que ele não via a anos, mas estava tão bela quanto na noite do baile. Os cabelos bem curtos e agora loiros pareciam combinar com a finalidade mel de seus olhos. Seus olhos… ainda brilhavam, um amor há muitos anos adormecido começava a dar sinais. Entrando em um consenso sem saber os dois admitiam que não se encontraram por acaso.
xXx
Kristall e Andrew riam na sala do apartamento de Heather após o jantar, enquanto tomavam vinho e olhavam o pequeno Adam brincar no sofá. Depois do incidente no Central Park, o pequeno Adam pareceu afeiçoado a jornalista, Andrew a convidou para ir até sua casa lá perto. Eles passaram a conversar sobre duas vidas. Andrew acabou indo para a universidade de NY um ano depois da partida de Kristall e fez direito por lá. Nunca mais saiu de NY. Seus pais saíram de Mandeville e moraram agora na Philadelphia, mais próximos de Andrew e Adam, fruto de um relacionamento de um ano de Andrew. Lis, a mãe do menino morreu por complicações no parto e Andrew cria o filho desde então. Kristall fica encantada em ver o companheirismo dos dois. Ela conta sobre suas perdas e como as superou, eles conversam sobre os amigos com quem mantinham contato. Adam fala de Max que não conseguia sossegar o facho depois de seis casamentos fracassados e Kristall fala de Elle, seu marido Neill e o filho Bobby quase da idade de Adam. Eles não conversam sobre o que aconteceu entre os dois. Kristall só tem a certeza de que sua carta nunca foi lida. E o assunto se estende aos respectivos trabalhos até serem interrompidos pelo ronco do pequeno.
— Parece que alguém se cansou. Ele realmente gostou de você.
Adam estava jogado no colo de Kristall
— Ele é um amor.
A mulher passa a mão nos cachos negros do pequenos, iguais aos de seu pai quando criança. Ele então o pega, avisando que vai levá-lo para o quarto e Kristall se levanta observando as fotos na estante de Andrew haviam muitas fotos do pequeno Heather em todas as idades e também de Andrew pequeno, quase não de viam a diferença. Não haviam fotos de Lis, mas ela sabia que existiam. De repente, uma foto a chama atenção. Eram os dois antes de sairem para o baile de formatura, uma das fotos batidas por Linda.
Uma cocada de garganta a assusta. Ela põe a mão no peito, irritada. O rapaz ri.
— Meu Deus, Andrew. Porque você é assim?
— Tinha que ver sua cara de pega no flagra.
Ela riu junto. Andrew trocou de roupa usando agora uma regata e ums calça de moletom. Ele estava em casa, ela pensou, podia usar o que quiser, mesmo que sua roupa fazesse Kristall encarar o local como mais quente que o normal.
— E-eu acho que tá tarde? Eu tenho que ir.
Ela vai até o sofá pegar o casaco e a bolsa.
— Estava certa. O destino está nos dando a chance.
Ela se vira pra ele. Vendo-o parado, com a mão no bolso tirando de lá um papel azul amassado. A carta. Ele leu a carta dela. Kristall olha de Andrew para a carta. E vice-versa.
— Eu li sua carta e fui correndo pro aeroporto pra me despedir, mas só vi seu avião partindo.
— Me desculpe…
— Não! Não era pra ser, não era o nosso momento. Precisávamos passar por aquilo e atingir a maturidade. Eu não tenho o que desculpar, mas te agradecer por me mostrar o amor.
— Andrew..
— Me deixa terminar. Eu passei anos me culpando, mas uma hora eu entendi e confiei em tudo o que você dizia sobre destino. Eu passei a me deixar viver, mantendo você por perto, mesmo que por uma carta. Eu sabia que um dia eu ia te encontrar. Eu sentia. E hoje quando te vi no parque com o meu filho, parecia que não tinham passado quinze anos. E eu to me segurando ao máximo pra não dizer que eu ainda te amo, mas é impossível, eu amo você, Princesa Joy.
— Eu também amo você, meu Duende Imperial.
Os dois se abraçam, em seguida encostaram seus lábios sedentos, envoltos na saudade e no sentimento que nem o tempo foi capaz de apagar. O som da música do apartamento vizinho atravessa a janela chegando nos dois. Um hit bem conhecido dos dois, a canção da vida deles. Eles passam a dançar rindo juntos e cantando o refrão tão significativos.
— Take on me… Take me on — Ele cantarola no ouvido dela. Antes que ela cante ele a interrompe — Eu amo essa música, mas se depender de mim você nunca mais vai embora.
Diz fazendo referência ao refrão que ela cantava desafinadamente na noite do baile e que acabou se concretizando. Eles se beijaram novamente, dançando as músicas que vieram se sentindo sortudos por terem percebido a chance do destino e não desperdiçado-a. O destino agora era um grande aliado para os dois.
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