Desafio do ABC - Histórias de Hiatus
10 Dia J - Sis.
Notas iniciais
Eu percebi um sorriso falso no rosto de Tasha logo que eu e Weller dissemos a todos que iríamos nos mudar. Não era como se ela não estivesse feliz. Ela era a pessoa mais empolgada com o nosso casamento além de nós dois, e sempre ficava feliz quando íamos visitar a bebê em Colorado, mas havia algo nesse assunto no qual ela não estava confortável.
Quando a Sandstorm acabou, todos achavam que poderíamos dar um tempo um do outro, principalmente quando passamos uma semana dentro de salas fechando documentos e arquivos e olhando apenas um pro outro, mas no dia seguinte lá estava ela batendo na porta da casa do Kurt para me chamar para correr. Nós corremos, andamos de bicicletas, conversamos sobre as coisas mais fúteis possíveis, sobre como ela tinha amado a bolsa de uma mulher que estava a nossa frente um dia qualquer em uma de nossas caminhadas em Manhattan. Nós saímos pra beber com o grupo, mas também tínhamos nossos momentos sozinhas e eu adorava escutá-la. Adorava as piadinhas dela sobre as coisas e as pessoas, as preocupações dela. Eram apenas dois meses que havíamos nos libertado de tudo, mas foram os dois meses que eu finalmente a conheci fora de toda aquela fachada mulher-policial-agente-do-fbi.
Tasha era uma das pessoas mais dóceis e de boa índole que eu havia conhecido. Ela cuidava de mim como se eu fosse uma filha dela, mesmo que tivéssemos quase a mesma idade e eu amava ver todo essa carinho dela por trás daquela cara fechada que fingia mau humor. Eu fui a primeira pessoa a quem ela correu quando Keaton a fez a primeira proposta de trabalho, não porque ela não queria porque dava pra ver nos olhos dela que ela precisava, mas porque ela não queria me magoar indo pro lugar que um dia me machucaram tanto. Eu disse a ela que tudo bem, mas ela só aceitou alguns meses depois, porém eu sabia que se eu tivesse dito que não, ela provavelmente não teria aceitado.
Alguns minutos depois, todos estavam na sala rindo,até que ela pediu licença e foi ao banheiro. Eu sabia que algo não estava bem, mas sabia também que ela me diria no momento dela. Havia sido assim nos últimos meses.
Nos dias seguintes, essa sensação aumentou ainda mais. Nós começamos a sair ainda mais, agora com ela me dando dicas de como devia ser a minha casa, me mostrando alguns quadros para decoração. "Eu adoraria estar lá para arrumar a casa de vocês porque você e Kurt tem um péssimo gosto pra decoração." , ela disse com aquele seu humor que já me fazia sentir falta da amizade dela antes mesmo de irmos embora. Ela foi a primeira a chegar e a última a sair quando empacotamos todas as nossas coisas, nos ajudando com tudo, mesmo em alguns momentos parecendo cansada
"Eu quase acho que você está querendo nos expulsar", Weller brincou com ela quando ela estava nos ajudando, e ela respondeu com uma de suas tiradas.
"É claro que sim. Essa cidade vai ser minha agora, crianças!"
No dia da nossa mudança, ela foi a primeira a chegar, com um presente em mãos. Era um quadro de decoração bem artístico, numas cores bem neutras. "Obigada. Não só por isso, mas por ter estado comigo em todos os momentos. Você é como uma irmã que eu nunca tive.", eu respondi abraçando-a e ela teve seus olhos tomados de lágrimas.
"Droga.", ela respondeu rindo e então me olhou. "Eu sou uma das suas amigas duronas. Você não pode me ver chorar."
Eu a abracei novamente.
"Você é uma das pessoas mais dóceis que eu já conheci. Não precisa de fachada comigo, você sabe."
"Droga, mulher, você não atravessou só as paredes do Kurt, pelo visto.", ela falou e então continuou. "Eu vou sentir falta de ver você perder minha corrida de bicicleta no Central Park." e então novas lágrimas começaram a nascer no rosto dela.
"Eu também irei sentir sua falta, mas eu estarei lá sempre que precisar. Ou nessa coisa que você me ensinou a usar chamado Whatsapp"
"É horrível beber com alguém via Whatsapp", ela disse com humor e então os outros chegaram.
Ela limpou seu rosto rápido e então eu e Weller abraçamos os outros. Ela foi a última que eu abracei antes de partir, mas não sem antes eu dizer que a amava e ela responder. "Eu tenho sorte então, porque eu também te amo como se você fosse uma irmã para mim."
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