Notas iniciais
O dia B é classificado como dia para escrever sobre Badass ou sobre o Borden, mas eu preferi escrever só algo relacionado a Badass e isso veio a minha cabeça. Não me culpe pela angústia!

“Você a pegou”, foi o que Tasha disse logo que Reade estava levando Jane para o carro.

“Nós.” Eu respondi em um tom baixo, mas o suficiente para que ela escutasse.

Minha cabeça estava a mil porque sim, nós havíamos pegado ela, mas nós a PEGAMOS e em nenhum momento ela se rendeu a mim antes da equipe aparecer.

Eu sabia o quanto ela era teimosa e também sabia que esse reencontro seria difícil, mas quando imaginei nosso reencontro, jamais pensei que ele terminaria entre armas e troca de socos.

Eu jamais imaginei que um dia usaria minha força contra Jane.

Mas esse dia havia chegado e eu não estava lidando bem com isso. Por qual motivo?

Eu tinha que vê-la como inimigo depois de tudo que aconteceu, mas eu ainda não conseguia me imaginar assim tão contra ela a ponto de nós dois termos que usar a força um contra o outro.

Era um sentimento conflituoso.

Eu queria odiá-la, queria vê-la longe de mim, mas ao mesmo tempo não queria que ela estivesse do outro lado dessa guerra.

No fundo eu sabia que as coisas haviam ido longe demais, mas eu torcia para que de algum modo houvesse conserto.

***

Fazia três dias que Jane havia voltado quando Brianna me avisou que havia chegado um e-mail confidencial da CIA pra mim. Fiquei nervoso com a ideia de ser qualquer ameaça. O relacionamento entre as duas empresas não era dos melhores, e quando capturamos Jane e não “devolvemos” para eles, isso parece ter piorado consideravelmente tudo segundo Pellington.

Abri o e-mail para me deparar com um relatório. O documento contava tudo que havia acontecido com Jane lá. Todos os tipos de “interrogatório” e tentativa de conversas.

Eles estavam tentando descobrir porque meu nome estava aliado a Jane e a resposta dela foi nada.

Quando nós a pegamos e a interrogamos ela fez questão de nos contar tudo que havia descoberto sobre a Sandstorm. Não havia qualquer sinal de fidelidade dela a eles porque ela contou tudo que soube por Oscar e tudo o que ela havia se lembrado, mas com a CIA foi diferente.

Eles a afogaram, bateram nela, a torturaram com choques… Eu sequer conseguia ler mais sobre sua tortura sem vontade de vomitar ou de chorar e ela passou por tudo isso e não falou nada. Ela esteve sendo fiel a mim, quando tudo que eu fazia era me esforçar pra acumular raiva dela.

Como me senti um tolo.

Ela havia sentido apenas dor por três meses e ela não tinha ninguém para falar sobre isso. Eu suspeitei que ela nem queria falar com ninguém sobre isso, assim como eu havia estado sobre todas essas coisas nos últimos meses. Mas ela não tinha ninguém que quisesse escutá-la enquanto eu não estava falando por escolha. Todos viramos as costas para ela e ainda assim ela parecia lidar com isso tudo com tanta força que fez eu me sentir fraco.

Meu pensamento foi quebrado quando a porta do elevador do SIOC abriu e eu instintivamente olhei e ela estava saindo de dentro dele e indo para sua estação de trabalho.

Ela parecia ainda mais forte, ainda mais badass aos meus olhos agora que eu sabia o inferno pelo qual ela havia passado. Era por isso que eu a amava, mesmo que eu planejasse nunca mais admitir isso para ninguém. Era por ela ser tão forte que eu a via como jamais veria qualquer outra mulher na minha vida.

Notas finais
Meu plano não foi romantizar de modo algum as torturas, mas fazer com que Kurt admirasse ainda mais Jane pelo modo com o qual ela estava lidando com tanta dor e desconfiança. Espero que tenham entendido, mas estou deixando claro para não haver polêmicas.