Desafio TWD: Sweet Peletier
1 I will find you, my sweet Peletier.
Seus olhos claros vasculharam a floresta ao seu redor; Daryl ainda sentia-se perdido, não conseguia situar-se novamente. Observou a garota loira aproximar-se de si, tímida, nervosa. Beth sentou-se ao lado do caipira no chão, ela permaneceu em silêncio, sabendo que era isso que Daryl queria.
Ele não fazia ideia de quanto tempo estavam ali, muito menos quanto tempo passara desde o ataque do Governador á prisão; Daryl não sabia nada naquele momento. Seu estado poderia ser quase definido como catatônico, mas ele sabia, era apenas seu modo de sofrer.
E ele estava sofrendo até mais do que conseguia sentir.
Seus cabelos pendiam sobre os olhos, impedindo sua visão completa, mas ele não estava se importando com a precaução, só queria ficar ali, sentado até morrer. Assim como tantos morreram naquela maldita prisão.
Daryl encarava as árvores a sua frente, os olhos semicerrados captavam o pouco movimento das últimas folhas que restavam nos galhos das mesmas. As imponentes árvores, naquele momento, estavam sem vida, assim como ele.
Um barulho familiar chegou até Daryl; os rabiscos suaves da escrita da Greene ao seu lado tornaram-se comuns nos últimos dias para o caipira, ela escrevia muito.
Nas primeiras horas — após saber da existência do diário de Beth -, ele não conformou-se ao ver que ela tinha perdido tempo protegendo um caderno velho ao invés de salvar a vida de alguém.
“Ela mal conseguiu salvar a si mesma” Daryl pensou lembrando-se de quando salvou-a de um pequeno grupo de errantes, dos quais ela não escaparia. Entristecia-se ao pensar que desejava ter como voltar no tempo para deixa-la morrer.
Beth poderia estar calma agora, mas horas atrás ela deixou Daryl com vontade de mata-la. A garota fez um escândalo por querer ir por um caminho diferente do qual o caipira seguia, mas ele não discutiu, deixou-a gritando e continuou a caminhar. Minutos depois ela estava ao seu lado, com a expressão de quem não estava nada contente.
E não estava mesmo.
Daryl sabia que Beth estava sofrendo também, talvez até mais do que ele. Ela apenas estava sentindo e expressando sua dor de outra forma. A Greene perdera o pai diante dos próprios olhos de uma maneira extremamente cruel, não sabia onde a irmã estava; nem sequer sabia se Maggie sobrevivera.
Mesmo assim, Daryl não aceitava o modo infantil como Beth vinha se comportando; sua mente vagava por várias maneiras de abandona-la sozinha ali na floresta. Ele não se importava com mais nada.
Não, ainda havia algo que fazia o coração de Daryl Dixon disparar de preocupação... Ela. Carol, sua doce Peletier. Daryl se importava com ela mais do que consigo mesmo, o que não era tão difícil. Mas ele nem ao menos sabia onde ela estava. E a culpa não era do Governador dessa vez, era de Rick.
O xerife expulsara Carol da prisão sem comunicar ninguém. Nem o conselho, que deveria tomar as decisões. Mas Daryl não sabia ainda o motivo que levara Rick a tomar tal decisão. E não via como iria descobrir já que estava longe do homem.
Amava Rick, mesmo não admitindo nem para si mesmo, ele amava. O xerife era o irmão que Merle nunca fora para Daryl, tornara-se mais do que importante em sua vida e agora, ele se fora juntamente com o resto de sua família. O caipira havia visto Rick distanciando-se da prisão, ao lado de Carl, mas perdeu-os de vista após salvar a vida de Beth. E por isso odiava-a mais.
Suspirou pesadamente, seu estômago implorava por comida e seu corpo por descanso, mas ele não saciaria nenhuma das suas necessidades. Quanto pior estivesse sua situação física, talvez melhor sua mente ficasse. Talvez ele conseguisse parar de pensar naqueles olhos azuis.
Não importava no que ele se concentrasse, o que ele imaginasse, em algum canto de sua mente Carol sempre estaria a espreita, esperando o momento em que Daryl estivesse mais vulnerável para aparecer e preencher sua mente com imagens dela.
Daryl apenas queria que ela estivesse com ele naquele momento; ao lado dela ele conseguiria suportar qualquer coisa. Mas ela estava longe... Em algum lugar daquele vasto mundo tomado pelo caos.
- Daryl? – A voz doce de Beth retirou o caipira de seus devaneios. – Você acha que poderemos encontrar alguém?
Daryl ponderou sobre a pergunta por alguns instantes, tentando encontrar dentro de si uma resposta. Ele não sabia. Não tinha esperanças. Mas mesmo assim, assentiu com a cabeça, querendo evitar um novo ataque de histeria na Greene.
- E acha que parados aqui vamos conseguir? – Agora A voz dela estava mais perto; Daryl percebeu que Beth estava parada de pé na sua frente, o rosto perto do seu, a mão estendida na direção da sua. – Me desculpe.
Mesmo com todo o ódio que Daryl sentia no momento por aquela garota, ele não podia não perdoa-la; ela era sua única família agora. Ele deixou-a ajuda-lo a se levantar, sem saber exatamente para onde ir, eles seguiram para o norte.
Nenhuma palavra foi proferida por eles por um bom tempo.
Os dedos de Daryl percorreram decididamente a madeira lustrada da mesa da cozinha; aquela casa não parecia abandonada e isso talvez fosse um bom sinal, ele ainda não sabia. Poderiam ser pessoas ruins. Mais monstros.
Beth não parecia pensar da mesma maneira que o caipira, sem cuidado algum ela revirava os armários em busca de comida. A loira parecia bem mais calma desde que começaram sua busca pelos outros; mesmo que isso significasse vagar sem rumo algum por aí.
Ele pensou em voltar para perto da prisão, ver se havia rastro de alguém, mas deveria estar infestada de errantes e eles não podiam arriscar mais. Então, continuaram seguindo até encontrar aquela casa. Daryl sentou-se em uma das três cadeiras que a mesa possuía e fitou a crossbow em suas mãos.
Seus pensamentos foram redirecionados para um momento muito mais agradável, ainda na prisão. Ainda com Carol ao seu lado.
Já fazia algumas semanas desde que Carol decidira que queria aprender a usar a crossbow de Daryl. No começo, ele não havia concordado, afirmando que era perigoso demais. E era realmente isso que ele pensava; Daryl via Carol como algo facilmente quebrável, uma peça rara que ele precisava proteger de tudo e todos.
Mas ela sempre conseguia o que queria, era teimosa, até mais que o caipira. Ele acabou cedendo.
Era uma manhã calma na prisão, Carol e Daryl não tinham nenhuma tarefa naquele dia e então, ele acabou concordando que ensinaria ela a usar sua crossbow naquele momento.
Os dois postaram-se lado a lado em frente á cerca, que agora não estava tão cheia de errantes como no dia anterior, graças ao esforço de Maggie e Michonne para mata-los.
Daryl deu as primeiras instruções para a mulher, tomando cuidado para que ela entendesse completamente. Ela sorria vendo a preocupação dele, não era sempre que ele demonstrava algum tipo de sentimento.
As primeiras flechas foram completamente desperdiçadas por Carol, sequer chegaram perto de algum errante. Daryl estava calmo, não importava para ele se ficariam ali por horas. Ele adoraria aquilo.
Havia muito tempo desde que ele começara a pensar em Carol de outra forma; algo mais do que amizade com ela, era o que ele queria. Mas não arriscava-se a estragar tudo o que já tinham. Quando o assunto era Carol, Daryl tremia de medo.
Ele observou ela errar mais uma vez antes de postar-se atrás dela, colocando suas mãos em cima das delas, a fim de guia-la. Mas no momento em que sua pele fez contato com a dela, ele esqueceu-se de tudo.
Sua respiração tornou-se pesada contra a pele sensível do pescoço de Carol, deixando-a arrepiada. A proximidade do corpo dela nunca fora tanta e isso deixou-os sem reação; esqueceram-se do que tinham que fazer.
Daryl observou pelo canto do olho o rosto de Carol virar-se em sua direção, lenta e inconsequentemente. Os lábios dela estavam tão próximos dos de Daryl... Ele não pode evitar.
Sua boca tocou a dela por um breve momento apenas, um leve roçar de lábios, nada mais. Porém, foi o suficiente para deixa-los completamente envergonhados.
Daryl separou-se dela imediatamente, temendo a rejeição. Ele não deu tempo para que ela pudesse dizer nada, afastou-se rapidamente de Carol, deixando-a confusa.
Depois daquele dia, os dois fingiam que nada havia acontecido.
Mas agora Daryl arrependia-se amargamente por não ter prosseguido, deveria ter a agarrado, dito tudo o que sentia; mas ele ficou tão assustado e confuso que o máximo que conseguiu foi fugir dela.
A presença de Beth novamente não o chamava mais a atenção, ele estava novamente mergulhado naquele mar de lembranças. Lembranças dela. Sua doce Peletier. Era assim que ele costuma referir-se a ela, claro, apenas em seus pensamentos.
Havia decisões que precisavam ser tomadas e Daryl sabia bem disso, ele precisava decidir o que fazer para continuar sobrevivendo. E só havia uma coisa que o faria querer continuar. Ela.
Ele sorriu minimamente ao pensar que percorreria o mundo todo se fosse preciso, apenas para encontra-la. Sua meta era aquela: encontrar Carol e a manter consigo, deixa-la segura novamente. E dessa vez, ele não fugiria, faria o que devia ser feito.
Daryl levantou-se da cadeira, recebendo um olhar inquisitivo de Beth, que estava sentada a sua frente.
- Pegue alguns suprimentos. – Ele ordenou entregando a mochila vazia que carregava consigo. – Nós vamos embora.
- Para onde? – A Greene arqueou uma sobrancelha.
- Você não quer encontrar os outros? – Ela assentiu para o caipira. – Então é isso que vamos fazer! – Ele informou dando as costas para ela. – Seja rápida, não temos tempo para perder.
Ele a encontraria; não sabia como, não sabia onde, mas encontraria. Carol era sua única ambição naquele mundo, a única pessoa que ele queria realmente. E Daryl passaria o resto de seus dias á procura dela se fosse preciso.
- Eu vou te encontrar, minha doce Peletier. – Ele sussurrou a promessa para o ar, imaginando que ele a levaria até Carol.
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