Desafiando A Gravidade
1 Os Corações Alados
Dia 15/08/2013, Harry R. Martin:
Você já teve um sonho? Um sonho que todos julgaram inalcançável, e que até ao seu olhar de fato era? Eu tenho um sonho, quero ser músico e nunca me vi tão perto de começar realizá-lo.
Nunca me vi como um garoto que conseguiria chegar onde estou agora, e olha que estar sentado em uma cadeira em frente ao computador tomando coragem para enviar a minha ficha de inscrição para um programa de talentos é muito para mim. Sou o filho mais novo da minha família, e nunca fui o mais corajoso. Tenho uma irmã e um irmão mais velho, Claire e Natanael.
Na minha família vivemos a base de rótulos: meu irmão é o Hércules — sempre foi o forte da casa, ele é do tipo de cara que não chora na frente dos outros. Minha mãe disse que quando ele torceu o tornozelo pela primeira vez ele não queria ir para o hospital, dizia que hospitais são para meninas e que podia dar um jeito no seu pé sozinho. Ele fez uma tala com papelão e... Não adiantou nada, teve que ir para a emergência porque o machucado já parecia inflamado. Mas eu o admiro, durante todo esse processo mamãe disse que ele não deixou escorrer sequer uma lágrima.
Minha irmã é a devota - desde pequena sempre foi à igreja com minha tia Júlia. Uma vez que eu e meu irmão começamos a brigar no quarto ela entrou lá com a bíblia e disse que faria um culto de libertação, pegou óleo ungido é passou no quarto todo. Acho que funcionou porque eu e meu irmão paramos de brigar no mesmo momento e começamos a encará-la segurando o riso.
Bem, eu... Sou o problema, isso pode até ter suado dramático, mas juro que não foi minha intensão. Sofro de um problema metal que me afeta muito emocionalmente, porém não vamos falar disso agora.
Eu me esqueci de falar de meus pais: minha mãe é a paladina. Ela se chama Hellen e trabalha em uma cafeteria aqui no nosso bairro, Bloomsbury. Tem 42 anos e está terminando sua faculdade de direito. Os estudos sempre foram um tópico que minha mãe sempre teve dificuldade em lidar. Engravidou do Natanael quando ainda tinha 18 anos, e isso atrapalhou a sua entrada na faculdade. Quando tinha 21 anos e já estava colocando sua vida novamente nos eixos, engravidou de Claire, e três anos depois, engravidou de mim. E mesmo assim sempre esteve de pé. Meu maior orgulho é poder chamá-la de mamãe.
E por fim, vamos falar do Sr. Hálito Fresco, meu pai. Ele se chama Charlie é não passa de um bêbado acomodado com a vida que nós temos. Não quero que pense que temos a pior vida do mundo, até porque eu e meus irmãos tivemos excelentes criações, todos sempre estudamos em bons colégios e fomos bem educados. Mas não consigo encarar o fato de que para o meu pai, a coisa mais mal feita, está boa desta forma.
Um exemplo: ele é aposentado como vendedor, ganha um salário médio e sustenta a casa com o cinto apertado. Acho que poderíamos ter uma vida melhor do que a que temos hoje.
15/08/2013, Louis A. Foster:
Estava nublado aqui em Notting Hill, ventava bastante e não se escutava barulho nenhum na rua. Eu e Lucas (meu melhor amigo) estávamos assistindo filmes de ação.
— Ok, Luck. O filme não era tão ruim assim, mas do jeito que você falou... Ah, eu esperava mais. — disse desligando o aparelho de DVD.
Lucas se levantou do sofá, recolheu os copos, deu língua pra mim e reclamou:
— Nada nunca te agrada, Lou. Você parece um velho, credo.
Eu ri do modo em que ele falou, e com todas as forças do mundo me
sentei no sofá, o tédio havia sugado toda a glicose que havia em meu corpo. Fiquei cerca de cinco segundos sentado, e logo depois desabei novamente e me afundei nas almofadas.
— Prefiro filmes de romance, você sabe disso. — respondi, com a voz abafada.
— Para! — disse Lucas indignado, voltando da cozinha e se sentando no sofá. — Velozes e Furiosos é muito bom, mas tudo bem... Dá próxima vez trarei Titanic. — abraçou uma almofada e a beijou, em tom de deboche sobre a minha opinião.
— Ha, ha. — ri sarcasticamente, puxando a almofada de suas mãos.
Peguei o controle da televisão e comecei a passar de canal em canal
rapidamente, não estava satisfeito com a programação. Lucas me encarava rindo, ele sabia que eu não havia gostado nem um pouco mesmo do filme. Nós erámos amigos desde a infância e nos conhecíamos muito bem. Ele era magro e um pouco mais alto que eu, tinha o cabelo liso loiro e usava um topete curtinho.
— Ficou nervosinho? Vou ter que ir ai e te dar uns pegas? — perguntou Lucas pulando em cima de mim e lambendo o meu rosto.
Eu até hoje acho isso muito nojento, muito mesmo, e ele insistia em fazer para me irritar.
— Sai, filho-da-mãe! — Reclamei o empurrando.
— Não vou sair, eu sei que você gosta disso, safadinho. — disse prendendo meus braços e começando a brincar de “cachorrinho” comigo, o que era bem constrangedor.
— Urrum! — minha mãe, coçou a garganta, flagrando a nossa brincadeirinha.
O nome da minha mãe e Karla Ahid Albers e o meu pai se chama Antony Alencar Foster, tenho também uma irmã chamada Charlie (nome abreviado de Charllote, e é apelidada de Lottie). A diferença de idade entre mim e Charllote é de 2 anos, mas ela é bem menor do que eu. Minha irmã tem os cabelos castanhos claros e sempre pinta luzes em tom de caramelo — o que eu acho bem desnessessário já que o cabelo dela já tem uma cor linda. Tem olhos azuis cinzentos como os meus e ambos puxamos as covinhas do meu pai.
— Mãe?! — eu indaguei. Assustado, empurrei Lucas de cima de mim.
— Olá, tia K. — disse Lucas a comprimentando.
— Que bagunça é essa? — ela perguntou colocando alguns litros de
leite sobre a mesa.
— Perdão tia, K... Mas o seu filho é tentador, não resisti. — respondeu Lucas indo até ela e a dando um beijo em sua bochecha.
— Ai, ai em. — disse ela lavando as mãos.
Nós rimos.
— Onde está a Lottie? — perguntei me levantando do sofá e pegando as almofadas do chão.
— Estou aqui. — disse ela entrando em casa.
— Oi, Charlie. Como você está, toquinho? — perguntou Lucas para Charlie que mal andava com muitas compras na mão. — seus dedos pareciam doer com o peso.
— Estou sufocando, — respondeu ela — pode me ajudar?
— Não! — disse ele parando em frente a ela.
— Ai, nojento. — resmungou ela.
— Estava brincando. — disse rindo. — Tem mais compras no carro?
— Tem sim. — respondeu ela colocando as compras no chão da cozinha e abrindo um iogurte.
— Eu aceito. — disse me sentando a mesa na cozinha.
— Louis, ajude o Luck. — disse minha mãe.
— Ah, mãe... — reclamei.
— Anda, vá agora.
Me levantei da mesa desanimado.
— Por que tanta desanimação? — perguntou ela.
— Você me faz de escravo, vou denunciar à senhora. — respondi brincando com ela.
— Sério? Uma pena, porque eu ia fazer milk-shake, mas escravos não bebem milk-shakes. — disse ela enquanto nós saíamos.
— Já disse que você é muito linda, tia K? — perguntou Lucas brincando com ela.
— Sínico. — respondeu friamente.
Fomos até o carro e lá estava meu pai pegando algumas das compras.
— Cheguei. — disse.
— Ótimo. — disse ele me dando um saco de arroz.
Charllote veio trazer meu pote de iogurte.
— Toma. Quer também, Lucas? — perguntou ela a ele enquanto ele
pegava algumas sacolas no porta malas.
— Não obrigado.
— Ok... Maninho, sabe o Talado? — perguntou.
— Sim. — respondi.
— Eles abriram as inscrições, você vai tentar entrar mesmo?
— Sim, já enviei a minha ontem.
— Que legal, vai que você ganha. — disse ela esperançosa. — Eu ia adorar ter um irmão famoso.
— Pois é, seria bem legal. — disse olhando para o céu nublado, parecia que ia chover.
— Sonhar... Mais um sonho impossível. — cantou Lucas e meu pai e Charlie riram muito. — brincadeira Louis, mas se você conseguir entrar vai ser bem legal mesmo, sabe por quê?
— Não, por quê? — perguntei.
— Porque as pessoas não te veriam como um reprovado qualquer. — respondeu Lucas gargalhando alto.
Eu havia reprovado no ultimo ano do fundamental, e ele nunca deixou de jogar isso na minha cara.
— Nossa, apelou em. — disse Charlie segurando o riso.
— Ele me ama muito, Lottie. — respondi esbarrando em Lucas com o
ombro enquanto entravámos em casa.
— Sai fora, não gosto de meninos reprovados. — brincou ele, e entramos.
Fale com o autor