Desabafo - Parte Ii
1 Desabafo
Notas iniciais
Desabafo
Nunca me senti assim, tudo passou e eu aqui
Percebendo que não fiz o que deveria ter feito
Não é como deitar a cabeça no travesseiro
E pensar no amanhã, passar horas e horas imaginando
Como será o dia seguinte, planejando passos
É como chegar ao fim da linha, “acabou, paramos por aqui”
Não existe amanhã.
Se eu sinto medo, não sei dizer
É uma mistura de coisas, minha cabeça gira
Eu pareço uma viciada desesperada atrás de um cigarro
Só que no lugar de cigarros, procuro um sentido
De tudo isso estar acontecendo
Essa dúvida acaba comigo aos poucos
Uma tortura mental prestes a entrar em seu ápice
Não sei como usar as palavras certas
Estou cansada demais para caçá-las.
A vontade que eu tenho é de sair correndo
Jogar-me da janela, na frente de um carro
Qualquer coisa para isso tudo parar
Seria tão mais fácil acabar com tudo em apenas um segundo
Emergir do oceano e respirar
Mas isso não me leva ao paraíso
E mais um inferno eu não vou agüentar.
Se eu amei algum dia? Pode ter certeza que sim
Ela era perfeita, um sonho, um milagre
Que sorria para mim como um anjo
Lembro de cada palavra, cada gesto, cada suspiro
Mas que agora não passam de páginas amareladas
O programa acabou e eu nunca mais a vi
Vai ver eu não era boa o bastante para ela
Ou ela não era boa o suficiente para o público
O que eu sei é que, se não fosse ela entrar na minha vida
Eu não estaria escrevendo essas linhas
“Não cheguei a ser poeta, mas um dia amei na vida”.
Minha ironia não me levou muito longe
Pelo contrário, me trancafia no silêncio
E me faz estar aqui, escrevendo minha desgraça
Exagero? Nem tanto, pode ser que 40% seja verdade,
Mas estou pressentindo que os 60% que me restam são páginas em branco
Gastas pelo tempo e que agora se desmancham na minha frente.
Não pretendo falar sobre meus problemas
Eles são insignificantes perto dos seus
Você os lerá e me chamará de louca
Idiota, preguiçosa, perdida
Agradeço, palavras ditas são piores que pensadas
Dirigidas diretamente ao seu merecedor têm um ênfase muito maior
Do que se jogadas ao léu.
Termino dizendo que essas não são palavras de uma suicida
Não tenho coragem para tanto
Vou esperar o descarrilamento no meu lugar
Rezando baixo para que seja rápido o bastante para eu não perceber
E quem sabe, chegar ao paraíso inteira... De mente limpa, mas inteira.
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